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SONDAR, EXPLORAR E PRÉ-AVALIAR

3.1. Processo de design

Entende-se por processo de design todo o conjunto de ações que são realizadas para que uma ideia se concretize como produto. Não há para tanto uma regra para a sequência das operações ou para o modo que elas devem ser realizadas; eles variam de acordo com o objetivo de cada projeto, conforme a figura 4.

Figura 4 Tipos de processo de projeto

Fonte: Adaptado de Jones, 1978

1 > 2 > 3 > 4 > 5

Linear

Com feedbacks

Circular

Kumar (2004) defende que aos diversos processos de design são comuns fases de pesquisa, análise, síntese e implementação. Porém, nesta perspectiva de Jones, Kumar sugere que ao invés de fases sequenciais, sejam considerados módulos de operação (figura 5) que se aproximam mais da realidade das “idas e vindas” do processo de design.

Figura 5 Módulos de operação do processo de design

Fonte: Adaptado de Kumar, 2004, l. 453

Em 2005, o Design Council divulgou uma pesquisa sobre os processos de design mais comuns aos designers experientes, independente de suas áreas de atuação. Na ocasião foi mapeado um processo comum, o qual os designers tendem a seguir, que ficou conhecido como Double Diamond. O Double Diamond (figura 6) constitui-se de quatro estágios diferentes, convergentes e divergentes, que definem a criação dos designers.

Figura 6 Modelo Double Diamond

Fonte: Adaptado de www.designcouncil.org.uk

Ao analisar o modelo Double Diamond, observa-se o levantamento e interpretação das informações acerca do problema de projeto como estágios predominantes no processo de design. Os dois primeiros estágios correspondem precisamente à formulação do problema de projeto, sua compreensão e tomada de decisões a partir dessas avaliações.

O design de produto para a valorização de territórios, conforme abordado no capítulo 2, deve considerar as relações de territorialidade e a complexidade da dinâmica de tornar os valores e qualidades dos produtos visíveis e reconhecíveis, com vantagens competitivas nos níveis económicos, ambientais e sociais. Portanto, o esforço no planeamento, compreensão e síntese do problema são extremamente relevantes e corroboram com as descrições do Double Diamond.

Pr oblema De finiç ão do pr oblema Soluç ão Brie fing Descobrir

Este estágio marca o início do projeto, tendo como ponto de partida a inspiração ou ideia inicial. É definido o problema ou objetivo. As tarefas desta fase consistem em conhecer com profundidade as premissas, restrições, necessidades dos utilizadores e requisitos que envolvem o propósito do projeto. Definir Este estágio corresponde a interpretação das ideias e a análise de viabilidade. As necessidades de mercado são alinhadas aos objetivos. Desenvolver Este estágio compreende o período de desenvolvimento de soluções de design. Nesta fase, as soluções são avaliadas, testadas e refinadas repetidamente.

Entregar

Este estágio finaliza o processo. Nele o produto resultante é finalizado e lançado no mercado. As principais tarefas deste estágio são o teste final, aprovação e lançamento.

A estruturação do problema de design para que este possa de fato valorizar as origens deve ser minuciosa. Franzato (2008) argumenta que o planeamento do projeto para territórios é importante devido a complexidade de fatores envolvidos em projetos desta natureza. Assim, o módulo Descobrir deve funcionar como um gatilho, no qual a ideia ou a demanda de novo produto, é compreendida. É uma fase exploratória e divergente porque nela devem ser colocadas novas questões e as oportunidades são identificadas e analisadas com mais profundidade.

No módulo seguinte, Definir, o ponto do entendimento começa a ser sintetizado em visão, portanto é divergente. Assim, é possível avaliar mais oportunidades de caminhos para a solução. Nesta fase, também são medidas as chances de sucesso ou fracasso das ideias. Nesta fase, é possível convergir para uma visão do território ou do recorte com o qual se pretende trabalhar e definir as primeiras expressões dos planos que deve ocupar uma posição futura. O foco e a estratégia do projeto são definidos aqui tendo em conta os resultados desejados ou o impacto alcançado, o que significa que a estratégia pode ser adaptada caso novos fatores sejam descobertos no processo.

Com a visão estruturada, soluções potenciais são exploradas na fase Desenvolver. Esta fase, convergente, é caracterizada pelo desenvolvimento, exploração e validação de opções. Nesta etapa não há preocupação com restrições produtivas, comerciais ou funcionais. Esta fase conceitual, é marcada pela geração de sentido, num processo experimental de reflexão sobre determinado assunto, que é próprio e exclusivo do design como explica Schön (1983). Esta fase é importante porque segundo Franzato (2011) nesta fase o designer desenvolve livremente ideias (ou concepts) que sintetizam a reflexão desenvolvida através do projeto. É importante destacar ainda que se tem notado uma tendência de designers que chegam até este ponto do processo de design, principalmente quando a intenção é promover ideias inovadoras e cheias de sentidos. Brown (2008) defende que este fenómeno está-se a consolidar porque o mundo globalizado necessita mais de ideias inovadoras do que de novos produtos seriados.

Por fim, no módulo Entregar, a solução deve ser entregue ao mercado e também receber dele feedbacks. No design do produto local Krucken (2009) defende que a comunicação é, neste sentido, ação necessária. Portanto, devem ser traçadas estratégias para consumidores que não conhecem os territórios, selecionar a forma como as qualidades dos produtos serão comunicadas e entender qual a imagem percebida do território para realizar a aproximação da identidade real com a desejada. Os feedbacks são importantes para que o produto local seja consolidado, assim a autora explica que é necessário entender como ele é percebido pelo consumidor, sua aceitabilidade e as necessidades de correções para que seu valor seja potencializado.