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Do mesmo modo como Janes e Jambres se opuseram a Moisés,

No documento Patrística Vol. 27.3 - São João Crisóstomo (páginas 107-111)

HOMILIAS SOBRE A SEGUNDA CARTA A TIMÓTEO DE SÃO JOÃO CRISÓSTOMO, PADRE DA IGREJA, ARCEBISPO DE CONSTANTINOPLA

QUINTA HOMILIA 2,11 Fiel é esta palavra: Se com ele morremos, com ele viveremos.

8. Do mesmo modo como Janes e Jambres se opuseram a Moisés,

E novamente prosseguindo os raciocínios: “Numa grande casa não há somente vasos de ouro e de

prata” (2Tm 2,20). Por que age deste modo? A fim de que nem Timóteo nem algum dos nossos se

perturbe, diante da existência de homens malvados. Se sob Moisés existiam, e posteriormente haverão de existir, não é espantoso que tal aconteça em nossa época. “Nos últimos dias sobrevirão momentos

difíceis.” Não pretende criticar os dias e os tempos, e sim os homens desta época. Também nós

costumamos dizer que os tempos são maus, e não os feitos dos homens da respectiva época. Logo apresenta como causa, raiz e fonte dos males a soberba, donde se originamos outros. A pessoa dominada por este vício não olha nem mesmo para seus próprios interesses. Alguém que não tem em vista o proveito do próximo e o negligencia, cuidará do seu? Quem respeita o que é do próximo, disporá bem dos interesses em conjunto; de igual modo quem os despreza, desprezará também os seus. Se, pois, somos membros uns dos outros, a salvação do próximo não interessa a ele exclusivamente, mas também ao restante do corpo; e o dano de outrem não toca a ele somente, mas o todo se condói. Se somos um edifício, o que atinge a uma parte, causa detrimento ao restante; se for firme, também pode sustentá-lo. De igual forma, desprezas o irmão na Igreja? Lesas a ti próprio. De que modo? Um membro teu é que sofreu grande prejuízo. De fato, o rico que não partilha vai para a geena; quem vê um homem em perigo pela falta do mais indispensável e não estende a mão, sofrerá muito mais, à medida da extensão do prejuízo: “Os homens serão egoístas”. O egoísta é propriamente o homem que a si mesmo não ama; quem ama o irmão é quem, de fato, ama-se a si próprio. A avareza nasce do egoísmo. O surto mesquinho do amor-próprio pressiona a caridade, que por si é vasta e se propaga.

“Gananciosos.” Da ganância brota o orgulho; do orgulho a soberba, da soberba a blasfêmia, da

blasfêmia a arrogância e a incredulidade. Com efeito, quem se arremete contra os homens, facilmente se levantará contra Deus. Assim nascem os pecados. Muitas vezes vêm de baixo para cima. Quem é piedoso para com os homens, muito mais o será em relação a Deus. Quem é condescendente para com os colegas de serviço ainda mais respeitará o Senhor, e quem despreza os colegas irá além e desprezará o próprio Deus. Não desprezemos, portanto, uns aos outros. É péssimo aprendizado o de menosprezar a Deus. Desprezamos a Deus quando nos desprezamos mutuamente, uma vez que ele exige grande solicitude para com o próximo. De resto, se quiseres, esclarecer-te-ei por meio de exemplos. Caim desprezou o irmão, e em seguida desprezou a Deus. De que maneira desprezou? Vê como responde a Deus com injúrias: “Acaso sou guarda de meu irmão?” (Gn 4,9). Ainda Esaú desprezou o irmão, e também desprezou a Deus. Por isso Deus declarava: “Amei a Jacó e aborreci a Esaú” (Rm 9,13). Também Paulo dizia: “Nem haja impuro algum, ou profano, como foi Esaú” (Hb 12,16). Os irmãos desprezaram a José e igualmente desprezaram a Deus. Os israelitas desprezaram a Moisés, e por isso também desprezaram a Deus. Assim os filhos de Heli desprezaram o povo, e igualmente desprezaram a Deus. Queres ver o oposto? Abraão poupou o filho do irmão e também

obedeceu a Deus. São evidentes a sua obediência a respeito de seu filho Isaac e suas outras virtudes. Ainda Abel era condescendente relativamente ao irmão, piedoso para com Deus. Não nos desprezemos mutuamente, portanto, para não começarmos também a desprezar a Deus. Honremo-nos mutuamente, para aprendermos a honrar a Deus. Quem é audaz diante dos homens, será audacioso relativamente a Deus. Quando a cobiça, o amor-próprio e a arrogância vão juntos, o que falta para a completa perdição? Tudo se corrompe e aflui o lodo dos pecados. “Ingratos.” De que forma o cobiçoso pode ser grato? A quem? A ninguém. Julga serem todos inimigos, visto querer apossar-se de tudo. Se lhe deres até mesmo o total das posses, não manifestará gratidão alguma. Fica irritado por não possuires o bastante para torná-lo dono de múltiplos bens. Mesmo se o fizeres possuidor da terra inteira, que ele reputa como um nada, não te agradecerá. Sua ambição é insaciável e doentia. Tais são os desejos dos doentes.

O doente com febre nunca se satisfaz, quer beber ainda mais, jamais se sacia, sempre sedento. Assim também o homem louco pelo dinheiro, jamais satisfaz a cupidez; não se sacia e por mais que partilhares não agradece. Agradecerá apenas àquele que lhe der quanto ele quiser. Mas ninguém o consegue, porque sua cobiça é desmedida; portanto, não será grato a pessoa alguma. Não existe homem mais ingrato que o cobiçoso, tão insensível quanto o avarento. É inimigo da terra inteira. Aborrece-se por existir tanta gente. Queria que existisse apenas um deserto a fim de se apossar de tudo. E imagina várias coisas semelhantes. Oxalá houvesse um terremoto na cidade, diz ele, e todos fossem soterrados, somente eu subsistisse e, se possível, tomasse todos os bens! Oxalá grassasse uma peste e tudo perecesse, exceto o ouro! Oxalá viesse um dilúvio, ou inundação do mar! Imagina somente inúmeras calamidades, nada de bom, almejando que sobrevenham terremotos, raios, guerras, pestes etc. Dize-me, miserável e infeliz, mais vil que todos os escravos, se tudo fosse ouro, acaso poderias, esgotado pela fome, livrar-te por meio dele? Se houvesse um terremoto, derrocasse a terra, perecerias tu conjuntamente, com tua perniciosa cupidez. Se na terra não se encontrasse mais homem algum, não acharias meios de subsistência. Imaginemos que os homens tivessem desaparecido inteiramente da terra, e todo ouro e prata viessem de certo modo a ti automaticamente (Imaginação estulta e impossível!) e douradas as riquezas, ouro, prata, vestes de seda, caíssem por si mesmas em tuas mãos, que utilidade teriam? Desta maneira, a morte é que viria de surpresa, devido à carência de padeiros, agricultores; as feras devorariam tudo, e os demônios encheriam de pavor a tua alma. E agora efetivamente os demônios, e muitos, já se apoderaram dela, mas então te levariam à loucura, e logo à perdição. Mas eu não quero isto, replicas; queria ter agricultores e padeiros. Ora, eles fariam despesas. Mas não queria que gastassem. A tal ponto a cobiça é insaciável! O que há de mais ridículo? Vistes que é impossível? Quer ter muitos servos, e se entristece por precisarem de alimento, diminuindo-lhe os recursos. E então? Dize-me. Queres homens petrificados? Tudo isto provoca zombaria, ondas, procela, inverno, tempestade, grande perturbação da alma: Sempre faminto, sempre sedento. Dize-me. Não havemos de ter compaixão dele, de deplorá-lo? Ora, fisicamente é moléstia gravíssima, e os médicos a denominam boulimía (fome voraz), porque a pessoa se farta sem acalmar a fome; não lastimaremos se tal doença atacar a alma? Insaciabilidade da alma é a cupidez farta, à qual nada basta, mas cada vez mais se distende pela avidez. De fato, se fosse necessário para curar-nos beber heléboro, ou outro líquido bem mais desagradável, não devíamos ingeri-lo com sofreguidão? Não há soma de dinheiro que encha um estômago insaciável. Não nos causa vergonha que eles tenham louca ambição pelo dinheiro, e nós não demonstremos a mínima dileção por Deus, e o consideremos de ínfimo valor? Pelo dinheiro os homens se sujeitam a vigílias, viagens, perigos frequentes, ódios, insídias etc. Nós, contudo, por Deus não ousamos proferir uma palavra sequer, nem tolerar ódios, e quando necessário auxiliar um oprimido, evitamos as inimizades dos poderosos e os perigos, traindo

aquele que sofreu injustiça; e tendo recebido de Deus possibilidade de ajudar, perdemo-la, para não sermos odiados e detestados. E logo muitos objetam: Ama gratuitamente, não provoques ódio em vão. Isso seria procurar ódio em vão? O que há de melhor do que tal ódio? O ódio por causa de Deus é muito melhor do que a amizade travada em consideração a ele. Amados por causa de Deus, restamos devedores desta honra; odiados, ele se torna devedor de nossa recompensa. Os cobiçosos não conhecem medida no amor; nós, contudo, se fizermos o mínimo, julgamos ter realizado o máximo. Não amamos a Deus na medida em que eles amam o dinheiro, ou antes, nem na mínima parte. Eles assaz merecem censura pelo ardor relativo ao ouro; e nós, muita crítica, por não nos portarmos de igual modo para com Deus, não prestarmos ao Senhor do universo quanto eles atribuem à terra (o ouro, enquanto metal, é apenas terra).

Analisemos, envergonhados, a loucura deles. De que serve não termos loucura pelo ouro, e no entanto carecermos de zelo pela oração assídua? Daí provém o desprezo à mulher, aos filhos, aos bens, e à própria incolumidade, apesar da incerteza do aumento das riquezas; muitas vezes, de fato, eles se enchem de esperanças, e pela separação da alma, partem desta vida após vã labuta. Ao invés, nós, certos de alcançar o objeto almejado através de genuíno amor, entretanto não amamos, mas esfriam-se o amor ao próximo e o amor a Deus. É impossível, portanto, impossível ao homem que não ama, possuir algo de generoso e viril. De fato, a base de todos os bens outra não é senão a amizade: “Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os profetas” (Mt 22,40). Como o fogo que penetra no bosque costuma joeirar tudo, o fervor da caridade onde recair extirpa e atalha o que prejudicaria à semeadura divina, e limpa a terra para receber as sementes. Onde há caridade, eliminam-se os males. Não existe a cobiça, a raiz dos pecados, não existe a cobiça, não há o orgulho. Uma pessoa se ufanaria, opondo-se a um amigo? Com efeito, nada torna humilde como a caridade. Prestamos serviço aos amigos, e não nos envergonhamos, mas lhe agradecemos termos sido admitidos a tal serviço. Não poupamos gastos, nem às vezes, o próprio corpo. Já aconteceu haver quem incorresse em perigo em favor de um amigo. Não há inveja, nem ultraje onde a amizade é genuína; não somente não caluniamos os amigos, mas também fechamos a boca dos caluniadores. Tudo é sereno, suave, sem vestígio de litígio ou disputa, tudo repleto de paz. “A caridade, portanto, é a plenitude da Lei” (Rm 13,10). Nada de desagradável nela. Como? Os próprios pecados, a avareza, a rapina, a inveja, a injúria, a arrogância, o perjúrio, a mentira se resolvem, em presença da caridade. Juram falso os perjuros no intuito de roubar. De um ser amado, contudo, ninguém rouba, antes, concede-lhe do que possui, mais grato do que se dele algo tivesse recebido. Bem o sabeis todos vós que possuístes amigos; amigos não somente de nome, mas conforme convém aos unidos por verdadeira amizade. Se alguém o ignora, aprenda dos que o sabem.

Agora, vou traçar-vos a narrativa, extraída das Escrituras, de uma admirável amizade. Jonatas, filho de Saul, amou a Davi. “A alma de Jônatas apegou-se à alma de Davi” (1Sm 18,1), de sorte que, lamentando-o, Davi dizia: “A tua amizade me era mais cara do que o amor das mulheres. A tua morte dilacerou-me o coração” (2Sm 1,26.25). De que modo? Acaso Jônatas o invejava? De forma alguma, embora tivesse motivo de invejar. Por quê? Pelas circunstâncias. Percebia que ele haveria de reinar, no entanto, não tinha inveja. Não disse: Ele me privará do reino paterno; mas cooperava para que o domínio lhe coubesse, e por causa do amigo não poupava o pai. Mas, a fim de que ninguém o julgasse parricida, não injuriava o pai, mas esforçava-se por reprimir-lhe as insídias e injustiças. Mais o poupava do que o lesava; não permitiu que ele cometesse um homicídio injusto. Quis até muitas vezes morrer em vez do amigo. Não acusou, mas refutou o pai; não invejou, mas agiu em favor de Davi. Não apenas deu-lhe dinheiro, mas também preparou-lhe a salvação. Por que me refiro a dinheiro? Deu a

vida por ele. Em favor do amigo não teve medo do pai, que o agredia injustamente. Ele, contudo, não tinha na consciência pecado semelhante. Tal era sua amizade àquele homem justo. Jônatas possuía essas qualidades. Examinemos agora Davi. Não teve oportunidade de retribuir ao amigo, arrebatado antes do reinado de Davi, e o benfeitor morreu antes que o beneficiado reinasse. E então? Vejamos como na medida em que era lícito e possível o justo manifestou sua amizade. Disse: “Jônatas, a tua morte dilacerou-me o coração. Tu me eras imensamente querido” (2Sm 1,26). Acaso foi somente isso? Não é pouco; mas ainda livrou muitas vezes dos perigos o filho e o neto, conservando a memória do favor do pai. Procedia como guardaria e protegeria um neto seu. Quisera eu que todos tivessem igual amizade para com os vivos e os mortos.

Ouçam as mulheres (Foi sobretudo por isso que mencionei os mortos), as que contraem segundas núpcias e deslustram o tálamo do defunto, que, no entanto, elas haviam amado. Não estou reprovando as segundas núpcias, não as denomino impudicas. Paulo não me desaprova, colocando um freio em minha boca, ao dizer às mulheres: “Se ela se casar, não pecará”. Vejamos a continuação: “Todavia será mais feliz se ficar como está” (1Cor 7,28.40). Muito melhor. Por que motivo? Por muitos. Se bem melhor do que casar é não se casar, esta decisão é muito melhor do que a primeira. Ora, replicas, algumas não suportaram a viuvez, e sentiram-se infelizes. Não entenderam o que é a viuvez. Viuvez não significa não contrair segundas núpcias, como virgindade não consiste em não se casar. Em que consiste? Das virgens reclamam-se decência e assiduidade (na oração); das viúvas, solidão, perseverança na oração e abstinência da volúpia e das delícias. “Mas a viúva que só busca prazer, mesmo se vive, já está morta” (1Tm 5,6). Se continua viúva e quer conservar o mesmo luxo, idêntica pompa, as mesmas vestes do tempo em que vivia o marido, é melhor casar-se; a união não é um mal, e sim aquele grande aparato. Tu, porém, evitas o que não é pecado; no entanto te submetes ao que não é indiferente, mas culpado. Por conseguinte, elas voltaram atrás, seguindo Satanás, porque não souberam viver bem a viuvez. Queres saber o que é a viúva, qual a sua dignidade? Escuta o que diz Paulo: “Se tiver criado os filhos, sido hospitaleira, lavado os pés dos santos, socorrido os atribulados, aplicada a toda boa obra” (1Tm 5,14). Pois, se após a morte do marido, te cercares de opulência, certamente não suportas a viuvez. Transfere, portanto, essas riquezas para o céu, e facilmente carregarás o peso da viuvez. Mas como farei, perguntas, se tenho filhos herdeiros das posses paternas? Ensina-lhes a desprezar as riquezas. Transfere para o além o que é teu. Distribui-lhes o suficiente. Educa-os a se manterem acima das riquezas. E, perguntas, se forem muitas as turmas de escravos? Se houver uma quantidade de negócios, de ouro, de prata? De que modo serei capaz, sem o marido, de tal administração? É evidente que são pretextos, desculpas. Se não ambicionas riquezas, nem queres aumentá-las, o peso será leve. É muito mais oneroso adquirir riquezas do que guardá-las. Se, portanto, cortares uma só coisa, a ostentação, e deres de tuas posses aos indigentes, Deus te protegerá com sua mão. Se realmente disseres estas coisas, preocupada com a herança dos órfãos, e não for pretexto para a cobiça, aquele que conhece os corações sabe de que forma colocará as riquezas dos filhos em segurança, uma vez que preceitua educá-los. Não é possível, é impossível que uma casa radicada na esmola sofra tribulação grave; mas se por algum tempo acontecer, terminará bem. Servirá antes a esmola de couraça e escudo para a casa inteira. Ouve o que o diabo diz de Jó: “Porventura não levantaste um muro de proteção ao redor dele?” Por quê? Ouve a palavra de Jó: “Eu era olhos para o cego, era pés para o coxo. Era o pai dos órfãos” (Jó 1,10; 29,15). A pessoa que não ignora a infelicidade alheia, jamais sofrerá dano em seus bens, porque aprendeu a se condoer; assim quem não sentir a dor da comiseração, experimentará prejuízo. Fisicamente, se o pé estiver infeccionado e a mão não se compadecer, limpar a ferida, colocar remédio, lavar o pús, reverterá sobre si o mal e por ter recusado socorrer o pé, enquanto estava sadia, ficará sujeita a infecção. De fato, o mal serpeia e chega

à mão. Já não se tratará de socorrer, mas de cuidar de si própria e de curar-se. Em nosso caso, quem não quer se condoer, sentirá dor ele próprio. “Porventura”, diz o diabo, “ não levantaste um muro de proteção ao redor dele?” Por conseguinte, não ouso investir. Ora, replicas, ele sofreu gravemente. Mas aqueles sofrimentos graves ocasionaram inúmeros bens: os recursos se duplicaram, aumentaram a recompensa e a justiça, mais esplêndidas se tornaram as coroas, alegres os troféus, tiveram progresso o espiritual e o material. Perdeu os filhos? Não os recuperou, mas os primeiros, substituídos por outros, foram reservados para a ressurreição. Restituídos apenas, seu número diminuiria. Deus concedeu outros em vez dos primeiros, que devolverá por ocasião da ressurreição. Estes fatos o tornaram propenso a dar esmolas. Oxalá também nós o façamos, para conseguirmos os mesmos bens, pela graça e amor aos homens de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

OITAVA HOMILIA

3,1. Sabe, porém, o seguinte: Nos últimos dias sobrevirão momentos difíceis.

2. Os homens serão egoístas, gananciosos, jactanciosos, soberbos, blasfemos, rebeldes com os pais,

ingratos, iníquos,

3. sem afeto, implacáveis, mentirosos, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, 4. traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres do que de Deus;

Se alguém agora se irritar contra o aparecimento dos hereges, considere que eles existiam desde o princípio, visto que o diabo sempre se esforça por colocar de permeio a mentira e a verdade. Deus prometera vários bens no início; veio o diabo com suas promessas. Deus plantara o paraíso e aquele enganou, dizendo: “Vós sereis como deuses” (Gn 3,5). Na realidade não mostrava, e só prometia por palavras. Tais são, de fato, os sedutores. Depois vieram Caim e Abel; em seguida os filhos de Set e as filhas dos homens; posteriormente Cam e Jafet, Abraão e Faraó, Jacó e Esaú. Até o fim, assim foi: Entre Moisés e os magos, os profetas e os falsos profetas, os apóstolos e os pseudoapóstolos, Cristo e o Anticristo. Por conseguinte, outrora e atualmente são idênticos os fatos. Outrora Teúdas, outrora Simão no tempo dos apóstolos, juntamente com os companheiros de Hermógenes e Fíleto. Não houve, portanto, tempo em que a mentira não se imiscuísse com a verdade. Não nos aborreçamos, portanto. Há muito estas coisas foram preditas. Por isso, dizia o Apóstolo: “Sabe, porém, o seguinte: Nos

últimos dias sobrevirão momentos difíceis. Os homens serão egoístas, gananciosos, jactanciosos, soberbos, blasfemos, rebeldes com os pais, ingratos, iníquos, sem afeto”.

O ingrato é iníquo. É consequente. Como será uma vez para os demais o ingrato para com o benfeitor? O ingrato é implacável, sem afeto. “Mentirosos”, isto é, acusadores. Conscientes de não possuírem bem algum, consolam-se difamando o próximo, por meio de mil pecados e delitos.

“Incontinentes” de língua, do ventre etc. “Cruéis”. Provêm a crueldade e a ferocidade do fato de

serem gananciosos, egoístas, ingratos, lascivos. “Inimigos do bem, traidores, atrevidos.” “Traidores” da amizade. “Atrevidos”, isto é, sem firmeza. “Enfatuados”, cheios de arrogância. “Mais amigos dos

prazeres do que de Deus.”

No documento Patrística Vol. 27.3 - São João Crisóstomo (páginas 107-111)

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