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a fim de que, por mim – pela minha volta entre vós –, aumente a vossa glória em Cristo Jesus.

No documento Patrística Vol. 27.3 - São João Crisóstomo (páginas 174-176)

CRISÓSTOMO, PADRE DA IGREJA, ARCEBISPO DE CONSTANTINOPLA

QUARTA HOMILIA 1,22 Não sei bem o que escolher.

26. a fim de que, por mim – pela minha volta entre vós –, aumente a vossa glória em Cristo Jesus.

Nada mais feliz que a alma de Paulo, porque não existe outra mais generosa. Mas é oportuno dizer o oposto acerca dos demais: Nada mais fraco, mais mísero do que nós. Efetivamente, todos estremecemos diante da morte, uns por causa da multidão de seus pecados, entre os quais estou eu, outros por amor à vida e covardia, entre os quais possa nunca me encontrar!

São carnais os que a temem. Justamente por aquela partida que provoca estremecimento em todos, Paulo roga e anela, dizendo: “Partir é muito melhor”. Não sei bem o que escolher”. O que dizes? Prestes a trocar a terra pelo céu, e estar com Cristo, não sabes o que escolher? Longe do espírito de Paulo este pensamento! Se for a alguém feita esta oferta e bem assegurada, não quer logo agarrá-la? Certamente, é a resposta. Mas não podemos partir e ir estar com Cristo, nem no momento de alcançá-

lo podemos permanecer aqui; quanto a Paulo e a seu espírito, porém, ambas as coisas são possíveis. Que dizes? Sabes e estás persuadido de que estás para ir ao encontro de Cristo, e hesitas, dizendo:

“Não sei bem o que escolher”. E não apenas isto, mas também escolhes permanecer aqui, a saber, “permanecer na carne”? Afinal, o que é isso? Não tens vida assaz difícil? Vigílias, naufrágios, fome,

sede e nudez, tribulações e preocupações? Não te sentes fraco com os que fraquejam, não te abrasas com os que se escandalizam? (cf. 2Cor 11,23-29). “Por grande perseverança nas tribulações, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nas desordens, nos jejuns, pela pureza...” (cf. 2Cor 6,4-6) “Recebi cinco vezes os quarenta golpes menos um. Três vezes fui flagelado. Uma vez, apedrejado. Passei um dia e uma noite no abismo do mar. Sofri perigos nos rios, perigos por parte dos ladrões, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos por parte dos falsos irmãos!” (cf. 2Cor 11,24- 26). Quando toda a nação gálata retornou à observância da Lei, não gritaste: “Rompestes com a graça, vós que buscais a justiça na Lei”? (Gl 5,4). Quão imenso foi o teu pesar! E ainda preferes a vida perecível? Mas se nada disso acontecesse, e praticasses todas as boas ações com tranquilidade e conforto, não conviria por causa da incerteza do futuro apressar-te em direção a um porto seguro? Diga-me qual o mercador que tivesse uma nau cheia de incríveis tesouros, e houvesse possibilidade de acorrer a um porto e descansar, haveria de preferir ainda navegar? Qual o lutador, que prestes a ser coroado, escolheria estar ainda na refrega? Qual o pugilista que poderia cingir a coroa, iria optar por entrar novamente no prélio, e expor-se a quebrar a cabeça? Qual o general, que poderia sair da guerra com louvores e troféus, e descansar junto do Rei no palácio real, e gostaria de ainda suar e partir para o campo de batalha? Por que ainda queres permanecer aqui, com uma vida tão atribulada? Tu mesmo não afirmas: “Não aconteça que, tendo proclamado a mensagem aos outros, venha eu mesmo a ser reprovado”? (1Cor 9,27). Se não por outro motivo, ao menos por este convinha desejar a partida. Fosse embora a vida presente repleta de inúmeros bens, convinha pelo desejo de estar com Cristo, ansiar por essa partida. Oh! o espírito de Paulo! Nada de semelhante já existiu, nem existirá! Receias pelo futuro, e estás implicado em mil tribulações, e não queres ir ter com Cristo? Não, responde ele; e isso por causa de Cristo, a fim de confortar na prática do bem os seus servos que lucrei e de que frutifiquem os campos que plantei. Não ouviste que não procuro os meus interesses e sim o que é proveitoso ao próximo? (cf. 1Cor 10,33). Não escutaste que “quisera ser anátema, separado de Cristo”, em favor de muitos, para que se aproximassem dele? (cf. Rm 9,3). Tendo desejado isto, não devo antes assumir de bom grado o detrimento da demora e da dilação, para que eles alcancem a salvação?

“Quem poderá dizer tuas proezas, Senhor?” (Sl 106,2), que não permites fique Paulo oculto, que mostras este homem a toda a terra? Todos os anjos te louvavam em uníssono, ao produzires os astros, e igualmente ao criar o sol (cf. Jó 58,7). Mas não tanto como ao manifestares Paulo a nós e à terra inteira. Deste modo, a terra se tornou mais brilhante que o céu; e ele, mais fulgurante do que a luz solar, espalhou brilho mais deslumbrante, emitindo raios mais cintilantes. Que bons frutos nos proporcionou? Não conseguiu espigas cheias, nem cultivou romãs, mas produziu o fruto da piedade, levou-o à perfeição e recuperou sempre os que caíam apodrecidos. É natural. O sol nada mais pode pelos frutos, uma vez caídos. Paulo, contudo, retirou dos pecados milhares de seres em podridão. O sol cede lugar à noite, Paulo, porém, vence o diabo. Nada o detém, nada o domina. O sol, do alto, faz descer os seus raios, Paulo, todavia, surgindo de baixo, não enche de luz o intervalo entre céu e terra, mas logo que abre a boca causa imenso gozo os anjos. Como? Se há alegria nos céus por um pecador que se converta (cf. Lc 15,10), ele que, na primeira pregação, tantos captou para Cristo, como não encherá de alegria as potestades celestes?

quando os israelitas saíram do Egito, “os montes saltaram como carneiros” (cf. Sl 114,1.4), quando são transferidos homens da terra para o céu, qual não será a alegria? Por conseguinte, “o permanecer

na carne é mais necessário por vossa causa”. De resto, que desculpa teremos? Muitas vezes,

efetivamente, a um homem cabe por sorte morar numa cidade pequena e pobre, e prefere não trocá-la por outro local, dando a primazia ao próprio sossego. Paulo, prestes a partir para ir ter com Cristo, não quer a Cristo. A Cristo, por ele de tal modo desejado, a ponto de preferir, por causa dele mesmo, a geena. E ainda ficar para prosseguir a luta em favor dos homens. Qual será a nossa defesa? Na verdade, é tudo fazer apenas menção de Paulo? Olha seus atos! Mostra que é melhor partir, persuadindo os filipenses a que não se entristeçam. Mostra que, se acaso permanecer, permanece para o bem deles, e não devido à maldade dos inimigos. A fim de que confiem, apresenta também o motivo. Se, pois, é absolutamente necessário que permaneça, e não simplesmente permaneça, mas no meio de vós – é isto que significa: “continuarei com todos vós”, quer dizer, “eu vos verei”. Qual a finalidade? “Para proveito vosso e para alegria de vossa fé.” Então exorta-os a acautelarem-se. Se, pois, fico por vossa causa, cuidai de não ocasionar vergonha à minha permanência. Estando prestes a ver a Cristo, preferi ficar “para proveito vosso”. Preferi ficar, a fim de que minha presença reverta em fé e alegria. Como? Fica apenas por causa dos filipenses? Não apenas por causa deles. Declara isso, porém, para curá-lo. Como seria para proveito da fé? A fim de fortificar-vos mais, como os filhotes das aves que precisam da mãe, até lhe crescerem asas mais fortes. Constitui comprovação de grande amor. Deste modo também nós estimulamos a alguém, dizendo-lhe: “Fico por tua causa, a fim de te tornares melhor”. “A fim de que por mim – pela minha volta entre vós –, aumente a vossa glória em

Cristo Jesus.” Vês que a palavra: “continuarei com todos vós” significa isto? Considera a sua

humildade. Tendo dito: “para proveito vosso”, mostra que é também para a sua própria utilidade. Faz o mesmo na Carta aos Romanos, dizendo: “Ou melhor, para nos confortar convosco”, tendo dito mais acima: “Para vos comunicar algum dom espiritual” (Rm 1,11-12). O que significa: para que “aumente

a vossa glória”? Que também constituía glória estar firme na fé (esta é a glória em Cristo), viver

retamente.

“Por mim – pela minha volta entre vós – aumente a vossa glória”? Sim, retruca. Qual é, portanto, a

nossa esperança, a coroa da glória? Ou não sois também vós? “Sois vós a nossa glória”, como nós somos a vossa (cf. 1Ts 2,19-20). Quer dizer, tenho muito mais motivo de gloriar-me a vosso respeito. Como? “Para que aumente a vossa glória.” Tenho mais razões de gloriar-me por causa de vosso progresso.

“Pela minha volta entre vós.” Como é isso? Ele foi para junto deles? Examinai se ele foi.

No documento Patrística Vol. 27.3 - São João Crisóstomo (páginas 174-176)

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