RN PE PB BA
CE PI
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A
análise realizada nesta edição especial do Anuário aborda o período que vai de 2018 a 2021, incluindo, portanto, o período mais crítico vivido pelo mundo neste século: a pandemia da Covid-19. Depois de mais de dois anos vivenciando essa crise, podemos afirmar que seus efeitos vão muito além do impacto nos sistemas de saúde (público e privado), bem como na economia.A pandemia tem efeitos também sobre o sistema de segurança pública e nas mais distintas manifestações de violência. As medidas de distanciamento e iso-lamento social impostas pelas autoridades em todos os estados fizeram com que a circulação de pessoas e de bens fosse reduzida de forma significativa.
Com isso, crimes e conflitos que comumente acontecem nas ruas, como rou-bos, latrocínios e outras mortes violentas decorrentes de conflitos interpesso-ais, também tiveram sua dinâmica impactada. Por isso, os registros criminais desse período não podem ser lidos fora deste contexto.
Entre 2018 e 2021, o Rio Grande do Norte acumulou uma queda de 41,4% nas mortes violentas intencionais (MVI), acompanhando uma tendência de queda observada em quase todo o país (a queda, entre 2020 e 2021 foi de 6,5% em âmbito nacional). Em 2018 eram 55,4 mortes por 100 mil habitantes e em 2021 essa taxa ficou em 32,4. Ainda que a redução seja significativa e que mostre a manutenção de uma tendência de queda ao longo do período, é importante destacar que a taxa potiguar está entre as 10 maiores do país, mostrando que, mesmo com a redução dos últimos anos, ainda há muito o que caminhar na construção de políticas de controle e redução da violência. Dentre os tipos de mortes que compõem o indicador de MVI destacam-se as reduções observadas no mesmo período nas lesões corporais seguidas de morte (91,4%), nas mortes de policiais (57,1%) e nos homicídios dolosos (29,7%). Contudo, preocupa o au-mento de 10,8% nas mortes decorrentes de intervenção policial, cuja taxa de 4,3 mortes por 100 mil habitantes está entre as 10 mais altas do Brasil. Desta forma, o controle da violência letal das polícias também se coloca como um desafio ao governo do Rio Grande do Norte para os próximos anos.
Se por um lado, a pandemia teve efeito sobre a redução dos crimes que ocorrem nas ruas, por outro lado, houve um impacto perverso nos crimes e violências que,
estudos recentes já comprovaram ocorrer majoritariamente no âmbito doméstico1. Houve aumento expressivo de 61% nos registros de estupro e estupro de vulnerá-veis e de maus tratos contra crianças e adolescentes (38,4%). Chama a atenção que, mesmo com a conhecida subnotificação que envolve estes casos e com os efeitos das medidas de distanciamento social, que fizeram com que as vítimas de violên-cia doméstica passassem mais tempo junto aos seus agressores, além de terem atendimentos reduzidos em instituições de acolhimento, esses registros seguiram em alta. No caso dos estupros (incluindo estupros de vulneráveis), inclusive, a maior alta dos registros ocorreu em 2020, primeiro ano da pandemia, 555 notificações, resultando numa taxa de 15,7 ocorrências por 100 mil habitantes. Isso mostra, den-tre os outros aspectos, a necessidade de uma política de proteção e prevenção à violência deste público vulnerável.
Em relação aos crimes patrimoniais, o Rio Grande do Norte apresentou uma redução significativa nos roubos e furtos de veículos entre 2018 e 2021. A que-da foi que-da ordem de 44,2%, saindo de 8.025 registros em 2018 para 5.009 em 2021. Novamente é possível observar o impacto das restrições de circulação de pessoas e mercadorias, advindas das medidas de distanciamento social, já que nesse período, muitas pessoas passaram a trabalhar de suas casas, deixando de circular pela cidade cotidianamente.
Já em relação à apreensão de armas de fogo, houve uma redução de 25,2% no mesmo período, somado a isso houve ainda um aumento de 39,7% no registro de armas no Sistema Nacional de Armas da Polícia Federal (SINARM) entre 2019 e 2021. Neste sentido, com menos armas apreendidas e mais armas registradas, o cenário do Rio Grande do Norte preocupa pelo aumento de armas em circula-ção, sobretudo, pelo impacto que isso pode ter sobre a vida da população mais vulnerável nos próximos anos. Este aumento, contudo, não é exclusividade do Rio Grande do Norte, já que é uma tendência observada em nível nacional e que está diretamente relacionada aos decretos que flexibilizaram os mecanismos de controle existentes na legislação por parte do Governo Federal.
1 Pesquisa Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil, organizada pelo FBSP. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uplo-ads/2021/06/relatorio-visivel-e-invisivel-3ed-2021-v3.pdf.
Por fim, não é possível deixar de lembrar que no ano de 2017, o estado do Rio Grande do Norte foi protagonista de um dos episódios mais violentos da histó-ria das prisões no Brasil. A rebelião ocorrida naquele ano na Penitenciáhistó-ria Es-tadual de Alcaçuz escancarou um cenário de extrema violência e de condições subumanas de cumprimento da pena em nossas prisões. Além disso, deixou em evidência a incapacidade do estado em gerir um sistema prisional domina-do por grupos criminais que disputavam entre si a gestão cotidiana das prisões do estado. Anos mais tarde, o Rio Grande do Norte parece ter caminhado no sentido de estabelecer algumas mudanças no controle da violência, sobretudo letal. No entanto, é preocupante observar que a população prisional segue au-mentando no estado, consolidando uma tendência de crescimento nos últimos anos. A taxa de pessoas privadas de liberdade em 2018 que era de 255,1 por 100 mil habitantes, passou para 318,4 em 2021, um crescimento da ordem de 24,8%. Mais preocupante ainda é o crescimento da taxa de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de meio fechado, que em 2018 era de 45,1 por 100 mil habitantes adolescentes e em 2021 chegou a 117, crescimento de 159%, em sentido contrário do que verificamos no resto do país – o Rio Grande do Norte é o único estado brasileiro a apresentar crescimento de ado-lescentes internados no período.
Os episódios de violência nas prisões que assistimos frequentemente no país, bem como a disseminação dos grupos criminais dentro e fora das prisões já seriam suficientes para atestar a ineficácia da prisão como um instrumento de controle do crime. Como se não bastasse isso, as condições cada vez mais precárias e insalubres dos cárceres brasileiro e a superlotação também contri-buem para fazer das prisões muito mais um instrumento de contenção de uma parcela da população, do que um instrumento efetivo de controle do crime.
A aposta no encarceramento tem se mostrado um erro em termos de política de controle do crime, pois aumenta o número de pessoas em condições su-bumanas e fornece contingente para o fortalecimento de grupos criminais. É preciso aprender com os erros. Alguns estados norte-americanos, como a Cali-fórnia, por exemplo, vêm apostando em políticas desencarceradoras, que têm
feito as taxas de encarceramento local decrescerem desde 2009 e impactado positivamente nas estatísticas criminais (Simon, 2014).
Enquanto as autoridades apostarem na prisão como a principal forma de con-trole do crime, dificilmente o cenário de desigualdade e violência (re)produzido pela pelas instituições de segurança será revertido. Continuaremos com um sistema superlotado, desigual, (re)produtor de violências e que pouca seguran-ça traz à população.
REFERÊNCIAS:
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil. 3ª Ed. São Paulo: 2021. Disponível em: https://forumseguran-ca.org.br/wp-content/uploads/2021/06/relatorio-visivel-e-invisivel-3ed-2021-v3.pdf. Acesso em 29 de junho de 2022.
SIMON, Jonathan. Mass incarceration on trial: a remarkable court decision and the future of prisons in America. The New Pess, 2014. 197 p.
MORTES VIOLENTAS INTENCIONAIS (MVI) 1.155pessoas foram vítimas de MVI em 2021, taxa de 32,4
por 100 mil habitantes
MVI 2018-2021
2018 1.926
1.264 1.357 1.155
2020
2019 2021
9ª maior
taxa de MVI do país em 2021
Queda de
41,4% em
relação a 2018
VITIMIZAÇÃO POLICIAL
11 policiais
assassinados em 2021 Queda de 57,1%
em relação a 2018
LETALIDADE DAS POLÍCIAS 152 mortes decorrentes de intervenções policiais
em 2021 Alta de 10,8%
em relação a 2018
LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE 19 vítimas
em 2021 91,4%
a menos que em 2018
PESSOAS DESAPARECIDAS 496
registros em
2021 Taxa 30,6%
maior que em 2018
LATROCÍNIO 54 vítimas
em 2021 Queda de 27,7%
no período 2018-2021
HOMICÍDIOS DOLOSOS 1.082 pessoas
foram assassinadas
em 2021 Queda de 29,7%
em relação a 2018
VIOLÊNCIA CONTRA PÚBLICOS VULNERÁVEIS
111 registros de Lesão
corporal dolosa em contexto de violência doméstica contra crianças e adolescentes
75 mulheres vítimas de homicídios em 2021
Queda de
30,3%
na taxa de feminicídios em relação a 2018
20 desses
foram feminicídios
180 registros de maus tratos contra crianças e adolescentes em 2021
Alta de 38,4%
entre 2020 e 2021
4.717 medidas
protetivas distribuídas e 4.555 medidas
protetivas concedidas em 2021
1.966 registros de Lesão corporal dolosa - violência doméstica em 2021
Queda de 29,2%
em relação a 2018
Alta de
28,5% em
relação a 2020
5.408 chamadas
190 com a natureza Violência doméstica em 2021
519 registros de estupro e estupro de vulnerável em 2021
Alta de 61% no
período 2018-2021
ARMAS DE FOGO
Queda de 25,2%em
relação a 2018
555 armas
apreendidas em 2021
19.282 armas com registros ativos no SINARM em 2021
Aumento de 39,7%
em relação a 2019
12.236 armas de fogo com registros expirados no SINARM em 2021
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 5.009 veículos furtados ou roubados em 2021
Queda de 44,2%
em relação a 2018
DESPESAS COM A FUNÇÃO SEGURANÇA PÚBLICA EM 2022 R$ 1.231.440.100,44
gastos pelo Estado em 2021
R$ 345,82 gasto
per capita em 2021
SISTEMA PRISIONAL E SOCIOEDUCATIVO 11.338 pessoas
privadas de liberdade em 2021
Alta de
24,8% em
relação a 2018
17 sob custódia das polícias
26,3% dos
presos são provisórios
562 adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa em meio fechado
Déficit de 2.923
vagas no sistema penitenciário em 2021
159,3% a mais
que em 2018
1.920 pessoas
privadas de liberdade estavam envolvidas em atividades laborais em 2021
Alta de 341,4%
em relação a 2020
EFETIVOS E REMUNERAÇÕES DAS POLÍCIAS EM 2022
Polícia Penal:
1.363 Remuneração bruta média:
R$ 7.057,91
Polícia Militar:
8.380
Remuneração bruta média Soldado:R$ 3.502,92
Coronel:R$ 25.713,38
Polícia Civil:
1.257
Remuneração bruta média Investigador:R$ 11.691,07
Delegado:R$ 27.320,75
Perícia Técnica:
126
Remuneração bruta média Perito criminal: R$ 14.469,14
Médico legista:R$ 11.084,65
ESPECIAL 2022
de Segurança PúblicaAnuário Brasileiro
2 0 1 8 - 2 0 2 1
MORTES VIOLENTAS INTENCIONAIS (MVI) 1.155pessoas foram vítimas de MVI em 2021, taxa de 32,4
por 100 mil habitantes
MVI 2018-2021
2018 1.926
1.264 1.357 1.155
2020
2019 2021
9ª maior
taxa de MVI do país em 2021
Queda de
41,4% em
relação a 2018
VITIMIZAÇÃO POLICIAL
11 policiais
assassinados em 2021 Queda de 57,1%
em relação a 2018
LETALIDADE DAS POLÍCIAS 152 mortes decorrentes de intervenções policiais
em 2021 Alta de 10,8%
em relação a 2018
LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE 19 vítimas
em 2021 91,4%
a menos que em 2018
PESSOAS DESAPARECIDAS 496
registros em
2021 Taxa 30,6%
maior que em 2018
LATROCÍNIO 54 vítimas
em 2021 Queda de 27,7%
no período 2018-2021
HOMICÍDIOS DOLOSOS 1.082 pessoas
foram assassinadas
em 2021 Queda de 29,7%
em relação a 2018
VIOLÊNCIA CONTRA PÚBLICOS VULNERÁVEIS
111 registros de Lesão
corporal dolosa em contexto de violência doméstica contra crianças e adolescentes
75 mulheres vítimas de homicídios em 2021
Queda de
30,3%
na taxa de feminicídios em relação a 2018
20 desses
foram feminicídios
180 registros de maus tratos contra crianças e adolescentes em 2021
Alta de 38,4%
entre 2020 e 2021
4.717 medidas
protetivas distribuídas e 4.555 medidas
protetivas concedidas em 2021
1.966 registros de Lesão corporal dolosa - violência doméstica em 2021
Queda de 29,2%
em relação a 2018
Alta de
28,5% em
relação a 2020
5.408 chamadas
190 com a natureza Violência doméstica em 2021
519 registros de estupro e estupro de vulnerável em 2021
Alta de 61% no
período 2018-2021
ARMAS DE FOGO
Queda de 25,2%em
relação a 2018
555 armas
apreendidas em 2021
19.282 armas com registros ativos no SINARM em 2021
Aumento de 39,7%
em relação a 2019
12.236 armas de fogo com registros expirados no SINARM em 2021
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 5.009 veículos furtados ou roubados em 2021
Queda de 44,2%
em relação a 2018
DESPESAS COM A FUNÇÃO SEGURANÇA PÚBLICA EM 2022 R$ 1.231.440.100,44
gastos pelo Estado em 2021
R$ 345,82 gasto
per capita em 2021
SISTEMA PRISIONAL E SOCIOEDUCATIVO 11.338 pessoas
privadas de liberdade em 2021
Alta de
24,8% em
relação a 2018
17 sob custódia das polícias
26,3% dos
presos são provisórios
562 adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa em meio fechado
Déficit de 2.923
vagas no sistema penitenciário em 2021
159,3% a mais
que em 2018
1.920 pessoas
privadas de liberdade estavam envolvidas em atividades laborais em 2021
Alta de 341,4%
em relação a 2020
EFETIVOS E REMUNERAÇÕES DAS POLÍCIAS EM 2022
Polícia Penal:
1.363 Remuneração bruta média:
R$ 7.057,91
Polícia Militar:
8.380
Remuneração bruta média Soldado:R$ 3.502,92
Coronel:R$ 25.713,38
Polícia Civil:
1.257
Remuneração bruta média Investigador:R$ 11.691,07
Delegado:R$ 27.320,75
Perícia Técnica:
126
Remuneração bruta média Perito criminal: R$ 14.469,14
Médico legista:R$ 11.084,65
ESPECIAL 2022
de Segurança PúblicaAnuário Brasileiro