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4 DA ATA NOTARIAL COMO MEIO DE PROVA NO CÓDIGO DE PROCESSO

4.6 DO TRATAMENTO JURISPRUDENCIAL ACERCA DA ATA NOTARIAL

O artigo 384 do Código de Processo Civil trata a ata notarial como instrumento apto a comprovar a existência e o modo de existir de algum fato. Atualmente, a jurisprudência brasileira admite o uso da ata notarial como meio de prova típica, haja vista que o advento da Lei 13.105 de 2015 fez cessar qualquer dúvida a respeito da validade da ata notarial como meio de prova.

Destarte, faz-se mister analisar o posicionamento jurisprudencial e transcrever algumas decisões em que o instrumento foi utilizado como meio de prova.

Inicialmente, analisar-se-á uma decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça acerca do tema, in verbis:

AGRAVO REGIMENTAL. MEDIDA CAUTELAR. EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. Há de ser negada a cautelar, se a apreciação quanto à alegada plausibilidade do direito implicar reexame de elementos probatórios. Agravo improvido. (STJ - AgRg na MC: 6162 PR 2003/0024264-4, Relator: Ministro CASTRO FILHO, Data de Julgamento: 11/04/2003, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 05/05/2003)

A decisão acima trata-se de uma medida cautelar requerida pela empresa Crossports Mercantile Inc, com pedido de liminar, pleiteando atribuição de efeito suspensivo ao recurso especial, em processamento na origem, interposto contra os acórdãos proferidos pela Quarta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.

Na inicial, fora argumentado que a ata notarial havia sido lavrada em discordância à letra da lei, e que o seu teor não condizia com os fatos. Em resposta ao alegado observa-se a decisão do Ministro Castro Filho:

No caso em mesa, não há prova inequívoca. Pretende a autora a suspensão dos efeitos da ata notarial, porque, além de alegados vícios de forma, o conteúdo da ata não corresponderia aos fatos ocorridos na reunião. São expressões da petição inicial: "verifica-se que a referida ata notarial foi lavrada em plena discordância à letra da lei, podendo em muito prejudicar a autora, pois a mesma, como se depreende do teor, acabou adquirindo a feição de confissão de dívida, o que de forma alguma poderia ter ocorrido.

Ou seja, o ponto fulcral da questão é a alegada inexatidão do teor da ata notarial com aquilo que foi dito na reunião. Mas esta alegação está desprovida de comprovação nos autos, para efeitos de antecipação de tutela. Aliás, é ponto altamente controvertido, pois a contestação afirma que "a ata notarial foi minutada no curso da reunião, refletindo, com fidelidade, os pontos abordados pelas partes e as declarações feitas.

Ao final, a minuta foi lida aos presentes na própria reunião, sem impugnação, ficando a ré apenas de lavrar o instrumento definitivo em cartório, submetendo-o às partes antes de fazer o registro".

Disso deflui que não há nos autos prova inequívoca de que o conteúdo da ata notarial está em desconformidade com o que ocorreu na reunião."(f. 233, apenso).

Por sua vez, consta do voto condutor do acórdão recorrido:

"Primeiramente, cumpre observar que decisão sobre a validade da ata notarial comporta exame aprofundado de mérito, com produção de prova relativa ao conteúdo e à forma da mesma, incluindo as circunstâncias em que se deu a referida reunião"(f. 333, apenso).

Como visto, rever os entendimentos dos atos decisórios implicaria reexame de provas, procedimento, no entanto, vedado a esta medida.

Destarte, indefiro a cautelar e declaro extinto o processo." (f. 93). (BRASIL. 2003) Noutro giro, observa-se que Tribunal Superior do Trabalho também tem posicionamento favorável acerca do uso da Ata Notarial como meio de prova, segundo decisão do Relatora Dora Maria da Costa:

AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. AUSÊNCIA DE TRANSCENDÊNCIA. 1. FÉRIAS. 2. JORNADA DE TRABALHO. HORAS EXTRAS. 3. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. 4. ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA. Consoante destacado na decisão agravada, quanto às férias, restou assentado no acórdão regional que o reclamante logrou comprovar suas alegações quanto ao saldo de férias por meio da prova testemunhal, de modo que detidamente observadas as regras de distribuição do ônus da prova. Em relação à jornada de trabalho, o conjunto fático-probatório existente nos autos não autoriza o enquadramento do reclamante na exceção do inciso I do artigo 62 da CLT. Em relação ao adicional de periculosidade, também foram corretamente observadas as regras de distribuição do ônus da prova, e a questão foi equacionada com base em premissas fáticas insuscetíveis de reexame em sede extraordinária, à luz da Súmula nº 126 do TST. Do mesmo modo, quanto ao adicional de transferência, restou identificado o caráter provisório da transferência, de modo que o reconhecimento do direito se balizou em premissas fáticas cujo reexame é vedado nesta esfera recursal, estando a conclusão adotada em perfeita harmonia com a jurisprudência deste Tribunal Superior do Trabalho. Nesse diapasão, não foi constatada contrariedade à jurisprudência desta Corte Superior ou do Supremo Tribunal Federal, nem ofensa à garantia social assegurada no texto constitucional, tampouco questão inédita acerca da legislação trabalhista. Ademais, não se vislumbrou expressiva repercussão econômica que ultrapasse os contornos meramente subjetivos da lide. Irrepreensível, portanto, a conclusão adotada quanto à inadmissibilidade da revista, tendo em vista a ausência de transcendência da causa com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica, na forma do artigo 896-A da CLT. Agravo conhecido e não provido. (Agravo de Instrumento nº 245-97.2018.5.12.0041, 8ª Turma, Tribunal Superior do Trabalho, Relatora: Dora Maria da Costa, Julgado em 05/05/2021)

A referida decisão fora proferida quando do julgamento de um agravo de instrumento interposto por Alstom Energia Térmica e Indústria, à decisão que denegou seguimento ao seu recurso de revista em relação aos temas: Férias, Jornada de Trabalho, Horas Extras, Adicional de Periculosidade e Adicional de Transferência.

A relatora destacou o uso da ata notarial como meio de prova, mostrando as conversas trocadas por E-mail que comprovavam as horas extras. Segue na íntegra partes do julgado:

[...] Quanto ao tema "JORNADA DE TRABALHO. HORAS EXTRAS", o Tribunal Regional, pelo exame da prova dos autos, manteve a sentença que não reconheceu o enquadramento do reclamante na exceção do art. 62, I, da CLT, sendo devidas as horas extras relativas ao período (maio/2013 a agosto/2014), quando trabalhou no projeto Endesa-Chile. Segundo a Corte de origem, embora os contracheques juntados aos autos indiquem que o reclamante, a partir de setembro de 2014, passou a receber valores a título de horas extras, a reclamada, "em momento algum, faz prova da

alegação de que passou a remunerar as horas extras somente após o retorno do autor ao Brasil, quando teria passado a trabalhar em outros projetos, cujos clientes exigiam relatório diário das atividades desenvolvidas, sendo o pagamento era feito por hora de trabalho" . Salientou, por outro lado, que o reclamante "logrou comprovar a existência de banco de horas na época do labor no projeto Endesa-Chile, conforme prova testemunhal ouvida, o que tem o condão de afastar o seu enquadramento como trabalhador externo, nos termos do art. 62, I, da CLT" .

Destacou, inclusive, que "(...) a ata notarial das fls. 287-289, apresenta e-mails

trocados entre o autor e Antônio Pinheiro, então coordenador do reclamante no projeto Endesa-Chile, no qual conversavam sobre planilhas de horas extras realizadas para o efetivo pagamento/compensação. Nos e-mails, o coordenador citado afirmava, categoricamente, que o autor tinha crédito de horas extras pelo período laborado" . (Agravo de Instrumento nº 245-97.2018.5.12.0041, 8ª Turma,

Tribunal Superior do Trabalho, Relatora: Dora Maria da Costa, Julgado em 05/05/2021). (BRASIL, 2021)

Outro exemplo é o acordão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, o qual mostra um parecer favorável em consentir com o uso de ata notarial como meio de prova, ipsis litteris: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE NULIDADE DE CLÁUSULA CONTRATUAL, C/C RENOVATÓRIA DE LOCAÇÃO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. DESOCUPAÇÃO VOLUNTÁRIA DO IMÓVEL. PERDA DO OBJETO. Cuida-se de agravo de instrumento interposto por Patrícia Barros Ramos Lourenço-Me, em face da decisão proferida pela Juíza de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Rio Verde (...) contra Blue Tree Hotel e Resorts do Brasil S/A Rio Verde e Condomínio Prime Apart Service (...). Nas razões recursais (fs. 2/11), a agravante aduziu que desde o momento em que propôs a ação originária, os agravados “resolveram fazer justiça com as próprias mãos, promovendo o despejo ilegal da agravante do restaurante, o que a obrigou a registrar contra eles queixas-crime” (...) No caso em apreço, assevera a parte agravada (fs. 312/315) que foi cumprida a ordem judicial impugnada, já que a autora/insurgente, intimada no dia 24/11/2015, desocupou, voluntariamente, o imóvel em questão – encerrou completamente suas atividades no local, no dia 11/12/2015, estando o “Restaurante Capim Limão” desocupado, inoperante. Na Escritura Pública de Ata Notarial lavrada o dia 14/12/2015, acostada às fs. 421/422 destes autos, a serventuária constatou, em 31 diligência no local, na referida data, que o citado estabelecimento comercial “estava fechado”; e, apesar de informativos de que voltariam às atividades na manhã seguinte, “na parte interna do restaurante existiam cadeiras encostadas na porta de entrada principal; a porta ao lado da principal também estava fechada e amarrada com uma fita vermelha; ainda na parte interna do restaurante, uma mesa virada, obstruindo o acesso que vai do salão do restaurante para o corredor interno do hotel e também para a porta de entrada da cozinha”. Contou que, em nenhum momento, encontrou pessoas identificadas como funcionários da empresa Capim Limão, responsável pelo restaurante, o qual estava vazio. (...). Julga-se prejudicado o agravo de instrumento, ante a perda superveniente do objeto, nos termos do art. 195 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. RECURSO NÃO CONHECIDO, JULGADO PREJUDICADO (TJ-GO – AI: 04494794620158090000, Relator: DR (a) SEBASTIÃO LUIZ FLEURY, Data de Julgamento: 14/04/2016, 4ª CAMARA CIVEL, Data de Publicação: DJ 2013 de 25/04/2016) (grifo nosso). No caso dos autos acima, apreciado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, a agravante ingressou com ação objetivando a nulidade de cláusula contratual e a renovação de seu contrato de locação com o agravado. Ao serem citados para compor o polo passivo da ação, o agravado interpôs reconvenção, a qual foi acolhida pelo juízo de primeiro grau para

determinar que a agravante desocupasse o imóvel. Irresignada com a referida decisão, a agravante interpôs agravo de instrumento para o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Não obstante, durante o processamento do recurso, a agravante desocupou voluntariamente o imóvel, tendo o agravado feito prova deste fato através de Ata Notarial. Destaca se a importância da Ata Notarial nesta ação, pois, no bojo do acórdão acima, o desembargador do TJ/GO transcreveu partes da Ata Notarial que corroboravam a versão do agravado acerca da desocupação do imóvel. A Ata Notarial foi fundamental para que o agravado conseguisse comprovar em juízo a desocupação voluntária do imóvel e obter do judiciário decisão de não conhecimento do recurso por perda superveniente do objeto. A utilização da Ata Notarial para fins de prova, ainda que de forma atípica, no Tribunal de Justiça goiano vem sendo admitido, com força significativa, desde muito antes da entrada em vigor do Código de Processo Civil de 2015, o que se comprova através do acórdão abaixo apresentado, proferido em 15/03/2011.

No caso em tela, a agravante ingressou com ação com o intuito de conseguir a nulidade de cláusula contratual e a renovação de seu contrato de locação com o agravado. O agravado interpôs reconvenção, a qual foi acolhida pelo juízo de primeiro grau para determinar desocupação do imóvel.

Sem aceitar a decisão, a agravante interpôs agravo de instrumento para o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Mas, enquanto o recurso era processado, a parte desocupou por livre e espontânea vontade o imóvel, o agravado fez prova do ocorrido através do instrumento da Ata Notarial.

Muitas partes da ata notarial foram transcritas, no próprio acórdão mencionado acima, o que mostra como o instrumento foi usado como prova para corroborar a decisão, tornando-se instrumento fundamental para pôr fim a lide.

Mister analisar decisões do Egrégio Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que corroboram a importância da ata notarial como meio de prova no processo, in verbis:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR PERDAS E DANOS. PEDIDO DE ABSTENÇÃO DE USO DE MARCA DA PARTE AUTORA NA FERRAMENTA “GOOGLE ADWORDS” VINCULANDO AO SÍTIO ELETRÔNICO DA RÉ. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA DA DEMANDADA. ALEGAÇÃO DE SUPOSTA INSUFICIÊNCIA DA ATA NOTARIAL COMO MEIO DE PROVA DO ATO ILÍCITO E NÃO CONFIGURAÇÃO DE QUALQUER PREJUÍZO À PARTE AUTORA. TESES REPELIDAS. USO INDEVIDO DA MARCA DA AUTORA POR PARTE DA RÉ APELANTE SUFICIENTEMENTE COMPROVADO. VIOLAÇÃO A PARTIR DA CONTRATAÇÃO DE LINKS PATROCINADOS. MOTOR DE BUSCA "GOOGLE ADWORDS". CIRCUNSTÂNCIA QUE CONFIGURA DESVIO DE CLIENTELA E CONFUSÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS, A TEOR DO ART. 195, INCISOS III E IV, DA LEI DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL. DEVER DE INDENIZAR LATENTE. DANOS MATERIAIS POSITIVADOS NOS ARTS. 209 E 210 DA LEI EM REFERÊNCIA. APURAÇÃO QUE DEVE OCORRER EM FASE DE LIQUIDAÇÃO. DANO MORAL IN RE IPSA. QUANTUM FIXADO COM ADEQUAÇÃO. SENTENÇA IRRETOCÁVEL. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. HONORÁRIOS RECURSAIS FIXADOS. (TJSC, Apelação n. 0300040-26.2016.8.24.0026, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, rel. Mariano do Nascimento, Primeira Câmara de Direito Comercial, j. 29-04-2021). (SANTA CATARINA, 2021)

No caso acima, a empresa Agricotec ajuizou ação de obrigação de fazer e indenização por perdas e danos contra Weemac Metalurgica Eireli e outros, aduziu que era titular na marca Agricotec, mas que, no início de 2016, ao digitar o nome comercial da demandante no Google, o administrador da empresa deparou-se com anúncio com o mesmo nome, mas que remete a endereço eletrônico da ré Weemac. que atua no mesmo ramo de atividade da autora, e que o anúncio foi realizado mediante contratação do serviço "Google AdWords", fornecido como meio de publicidade para os interessados e que funciona através da indicação de palavras-chave pelo contratante, de modo que o anúncio apareça a quem as digite em consultas pelo Google, sendo que essa prática tem o propósito de causar confusão na clientela, viola a propriedade industrial da autora e causa danos materiais e morais.

Em resposta, a parte contrária alegou que havia retirado o anúncio, mas a empresa autora mediante o uso da ata notarial testificou que a prática ainda estava acontecendo. A parte contrária também alegou que a decisão havia sido tomada com base unicamente na ata notarial e que ela não deveria trazer juízo de valor, sendo assim alegaram que a decisão havia sido confeccionada de forma unilateral, esquecendo-se de analisar todo o conjunto de provas.

O recurso não foi provido e como base de sua decisão, o Desembargador inicialmente mencionou a ata na íntegra, fundamentou sua decisão ao asseverar que:

O poder certificante do notário é uma faculdade que a lei lhe dá para, com sua intervenção, evitar o desaparecimento de um fato antes que as partes o possam utilizar em proveito de suas expectativas. A fé pública é, em todo o momento do negócio jurídico, o caminho mais efetivo para a evidência (...) tudo se reduz à intervenção notarial que, com sua presença ou sua atuação, soleniza, formaliza e dá eficácia jurídica ao que ele manifesta ou exterioriza no instrumento público, seja este escriturado ou não. Isto se relaciona, também, com o poder certificante do notário, o que permite às partes em forma voluntária, escolher a forma e o modo de resolver seus negócios. (SANTA CATARINA, 2021)

Outrossim, prosseguiu o seu raciocínio, sustentando o seu entendimento com bases doutrinárias e jurisprudenciais da natureza do poder notarial como ato certificador dotado de fé pública, com o fito de conceder a maior importância às atas notariais, como instrumento público em sua mais alta validez.

A ata notarial foi prova cabal para a conclusão do caso em discussão, mostrou-se relevante e de extrema importância para a resolução do conflito, evidenciando sua validade e eficácia como prova no processo.

Nesta mesma vertente, o Desembargador Helio David Vieira Figueira dos Santos do Tribunal do Justiça de Santa Catarina, esclarece ainda mais a importância da ata notarial como meio de prova, a fim de registrar conversas por meios eletrônicos, conforme segue:

AÇÃO MONITÓRIA E EMBARGOS - ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PROVA HÁBIL DA DÍVIDA A INSTRUIR A AÇÃO - NEGATIVA DE QUE A PESSOA QUE ADMITIU O DÉBITO FOSSE FUNCIONÁRIA DA EMPRESA - SENTENÇA DE REJEIÇÃO DOS EMBARGOS E DE CONSTITUIÇÃO DO TÍTULO EXECUTIVO, COM CONDENAÇÃO DA EMBARGANTE COMO LITIGANTE DE MÁ-FÉ - RECURSO - ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE TOMADA DE DEPOIMENTO PESSOAL DA APELADA - AFASTAMENTO - DECISÃO ANTERIOR À AUDIÊNCIA QUE SANEOU O PROCESSO E DETERMINOU QUE AS PARTES SE MANIFESTASSEM SOBRE ESSA NECESSIDADE, SEM QUALQUER PEDIDO A RESPEITO - MÉRITO - REITERAÇÃO DO ARGUMENTO DOS EMBARGOS - NÃO ACOLHIMENTO - PROVA DOCUMENTAL CONTUNDENTE DA RELAÇÃO JURÍDICA E DO RECONHECIMENTO DO DÉBITO ATRAVÉS DE TROCA DE E-MAILS - CONDENAÇÃO EM LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ BEM APLICADA - EMBARGANTE QUE MENTIU AO AFIRMAR QUE A PESSOA QUE FALAVA EM SEU NOME NÃO PERTENCIA AO QUADRO FUNCIONAL - JUNTADA DE ATA NOTARIAL, PÁGINAS DE FACEBOOK E LINKEDIN QUE PROVAM O VÍNCULO - RECURSO NÃO PROVIDO. (Apelação Cível nº 0300727-66.2017.8.24.0026, Quarta Câmara de Direito Civil, Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Relator: Helio David Vieira Figueira dos Santos, Julgado em 09/07/2020) Na demanda acima, a empresa ré apelou da sentença que rejeitou os embargos apresentados em Ação Monitória. O magistrado afastou as alegações da embargante de que não havia prova pré-constituída e documental da dívida e que não possui funcionária com o nome alegado pela parte, a qual havia trocado mensagens com a autora, mas a relação, a troca de mensagens e dívida mostrou-se comprovada pelos e-mails trocados pelas partes, e ainda condenou a embargante como litigante de má-fé.

O fato é que a ata notarial juntada aos autos, contribui para a decisão do Desembargador, conforme segue:

A petição inicial veio instruída com uma série de e-mails trocados entre as partes, envolvendo a solicitação dos serviços de guindaste, Ordens de Serviço (assinadas as de p. 28, 32, 34 e 35) e, inclusive, em um dos e-mails, o de p. 40, a apelante pleiteia o parcelamento da dívida, relativa à nota fiscal emitida, no valor que se pretende cobrar (p. 40 e 41/44). A alegação de que não possui uma funcionária de nome Lígia é mero expediente protelatório, pois bastava juntar a relação de seus funcionários. Ademais, as mensagens têm o logotipo personalizado da empresa apelante (p. 24/27). Assim, não há nenhuma dúvida de que a apelante contraiu a dívida que está materializada na farta documentação juntada nos autos e que o juiz decidiu corretamente, inclusive quanto à aplicação da pena de litigância de má -fé. A apelante realmente agiu de forma lamentável no processo, mentindo descaradamente, alterando a verdade dos fatos ao alegar não conhecer a funcionária Lígia. A credora juntou aos autos Ata Notarial que comprova o contrário e inclusive páginas do Facebook e Linkedin (p. 88/97) em que ela posta fotos e reconhece o vínculo com a apelante. (Apelação Cível n. 0300727-66.2017.8.24.0026, Sexta Câmara de Direito Civil, Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Relator: André Carvalho, Julgado em 28/07/2020) (SANTA CATARINA, 2020-A)

Em outra decisão, também do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o Desembargador Rubens Schulz, manifesta-se nesta mesma vertente, segue decisão:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO DE SALA COMERCIAL. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. RECURSO DO

AUTOR. PRELIMINAR. NULIDADE DA PROVA

TESTEMUNHAL. ROL EXTEMPORÂNEO. NÃO

ACOLHIMENTO. EMBORA OS RÉUS TENHAM, DE FATO,

APRESENTADO O ROL DE TESTEMUNHAS

INTEMPESTIVAMENTE, O AUTOR NÃO APRESENTOU IMPUGNAÇÃO NA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO. PRECLUSÃO EVIDENCIADA. EXEGESE DO ART. 278 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ANUÊNCIA TÁCITA. PRELIMINAR RECHAÇADA. MÉRITO. PRETENSA REFORMA DA SENTENÇA. ALMEJADO A RESPONSABILIZAÇÃO DOS RÉUS NO DEVER DE INDENIZAR OS DANOS MATERIAIS. INSUBSISTÊNCIA. CONJUNTO PROBATÓRIO QUE EVIDENCIA A ENTREGA DO IMÓVEL PELOS RÉUS EM BOM ESTADO DE CONSERVAÇÃO. ATA NOTARIAL REALIZADA À ÉPOCA DA ENTREGA DAS CHAVES DO IMÓVEL PELOS RÉUS QUE DENOTA A BOA SITUAÇÃO DOS MÓVEIS E OBJETOS QUE GUARNECIAM A SALA COMERCIAL. AUTOR QUE, POR SUA VEZ, NÃO LOGROU ÊXITO EM COMPROVAR QUE OS RÉUS NÃO CUMPRIRAM COM SUAS OBRIGAÇÕES CONTRATUAIS, ÔNUS QUE LHE CABIA, NOS TERMOS DO ART. 373, I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DEVER DE INDENIZAR NÃO CONFIGURADO. SENTENÇA MANTIDA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS NA RECONVENÇÃO. PRETENSA MODIFICAÇÃO DO ARBITRAMENTO COM BASE NO VALOR DA CAUSA. INVIABILIDADE. VALOR ESTIMATIVO PRETENDIDO. FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EXCEPCIONALMENTE PELO CRITÉRIO DA EQUIDADE. EXEGESE DO ART 85, § 8º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.

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