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3 A PROVA NO DIREITO BRASILEIRO

3.1 OBJETO E MEIOS DE PROVA

De acordo com Carnelutti (2006), provar é a ação de comprovar a existência de um fato, isto é, o procedimento utilizado para a verificação da exatidão do que é afirmado.

O objeto da prova é o que se demonstra, aquilo que será produzido para que o juiz possa adquirir o conhecimento do caso e resolver o conflito, serão os fatos alegados por ambas as partes.

Sendo assim, a prova só se torna necessária para casos em que há acontecimentos questionáveis e duvidosos e que sejam importantes para o convencimento do juiz, na explicação de Ferreira e Guilherme (2020, p. 100):

A prova somente é necessária para os fatos controvertidos e que sejam relevantes para o convencimento do julgador e para solução da lide. Por isso a previsão do art. 374 do CPC: não se provam fatos notórios (inciso I), os que forem incontroversos ou confessados (incisos II e III) e também aqueles sobre os quais há presunção legal de existência ou veracidade (inciso IV).

O meio de prova é o instrumento usado pelo qual se faz a prova, para dessa forma trazer ao processo a existência ou não do fato. Esses meios devem ser legais e legítimos, conforme esclarece Ferreira e Rodrigues (2020, p. 101): Meio de prova é meio pelo se faz a prova. Deve ser legal e moralmente legítimo. Meios legais ou imorais não se prestam a provar.

Cabe ressaltar que nas palavras de Lopes (2007, p. 34) “a prova de fatos imorais, não são apenas admissíveis, como diversas vezes é indispensável para o deslinde da causa (p. ex., prova da má-fé, da coação, da violência)”.

Os meios legais de prova que encontram previsão no Capítulo XII do Código de Processo Civil, e são os mencionados nos artigos 384 até o 481: a ata notarial; o depoimento pessoal; a confissão; a exibição de documentos ou coisas; a prova documental; a prova eletrônica; a prova testemunhal; e a prova pericial. (BRASIL, 2015)

3.1.1 Do depoimento pessoal

O artigo 385 do Código de Processo Civil trata do depoimento pessoal, assim dispõe: “Cabe à parte requerer o depoimento pessoal da outra, a fim de que esta seja interrogada na audiência de instrução e julgamento, sem prejuízo do poder do juiz de ordená-lo de ofício.” (BRASI, 2015).

A doutrina faz diferença entre interrogatório, situação em que o juiz estabelece que a parte compareça com a finalidade de ser interrogada para esclarecer fatos que tenham ligação com o processo, já o depoimento pessoal, é o meio de prova em que uma das partes requer que a outra parte deponha sobre fatos relacionados com o processo, na expectativa de obter uma confissão. Sendo assim, o depoimento pessoal e o interrogatório são institutos que se distinguem, principalmente, pela natureza e finalidade.

Nas palavras de Porto (2013): O depoimento relaciona-se com o interesse da parte em obter a confissão da parte contrária e o interrogatório, expediente dirigido ao juiz, inerente à sua função jurisdicional.

A natureza jurídica do depoimento pessoal é que é verdadeiro meio de prova, ou seja, é o meio pelo qual se acrescenta prova em um processo.

3.1.2 Da confissão

Quanto à confissão, podemos defini-la como sendo importante mecanismo probatório. Nesse diapasão, Donizetti (2017) preconiza: “há confissão quando a parte admite a verdade de um fato, contrário ao seu interesse e favorável ao adversário”.

Dois pontos devem ser destacados, sendo o primeiro deles de que a confissão deve ser feita pelo réu e deve beneficiar o autor.

Nessa mesma perspectiva, são importantes os apontamentos de João Monteiro, citado por Humberto Theodoro Júnior (1999, p. 432): "confissão é a declaração, judicial ou extrajudicial, provocada ou espontânea, em que um dos litigantes, capaz e com ânimo de se obrigar, faz da verdade, integral ou parcial, dos fatos alegados pela parte contrária, como fundamentais da ação ou da defesa."

3.1.3 Da exibição de documentos

No que diz respeito ao meio de prova em que ocorre a apresentação de documentos e coisas, encontram a sua previsão no artigo 396 e seguintes do Código de Processo Civil, caso em que o juiz pode determinar de ofício ou a pedido da parte a apresentação de documentos ou coisas que colaborem com o processo, sempre que o exame desses bens for útil ou necessário para a instrução do processo, isso poderá ocorrer.

O Código de Processo Civil mostra a efetividade da exibição de documento ou coisa, prevendo-a no artigo 403, paragrafo único, do CPC, que diz “se o terceiro descumprir a ordem, o juiz expedirá mandado de apreensão, requisitando, se necessário, força policial, sem prejuízo da responsabilidade por crime de desobediência, pagamento de multa e outras medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar a efetivação da decisão” (BRASIL, 2015).

Contata-se, assim, que a exibição de documentos e coisas constitui um relevante meio de prova utilizado no direito processual brasileiro.

3.1.4 Da prova documental

A prova documental é disciplina na Seção VII, que foi disposta da seguinte forma: Subseção I que trata “Da força probante dos documentos” que começa pelo artigo 405 do Código de Processo Civil, depois Subseção II que trata da “Da arguição de falsidade” e Subseção III que aborda a “Da produção da prova documental”. Logo após inclui-se a Seção relativa à disciplina dos documentos eletrônicos, que está na Seção VIII, formada pelos artigos 439 a 441 do CPC. (BRASIL, 2015)

Nas palavras de Didier Jr (2014, p. 151), “o documento é a fonte da prova; é de onde se pode extrair a informação acerca do fato ou do ato nele representado. A prova documental é o veículo por meio do qual essa fonte vai ser levada ao processo para análise judicial; é a ponte entre o fato e a mente do juiz.”

Em termos processuais, são considerados como documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares. Assim, de acordo com Theodoro (2015) “quando se fala da prova documental, cuida-se especificamente dos documentos escritos, que são aqueles em que o fato vem registrado pela palavra escrita, em papel ou outro material adequado.”

No que diz respeito à produção da prova documental, vislumbra-se que esta encontra previsão legal no artigo 434 do Código de Processo Civil que diz:

Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações.

Parágrafo único. Quando o documento consistir em reprodução cinematográfica ou fonográfica, a parte deverá trazê-lo nos termos do caput, mas sua exposição será realizada em audiência, intimando-se previamente as partes. (BRASIL, 2015) Acerca do tema, é imperioso destacar a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, que versa sobre o momento para apresentação da prova.

A determinação do juiz para que se desentranhe prova documental dos autos em razão de sua juntada intempestiva, por si só, não inviabiliza o conhecimento da referida prova pelo Tribunal, desde que seja observado o princípio do contraditório. O art. 397 do CPC prevê as exceções à regra de que a prova documental deve acompanhar a petição inicial e a contestação, dispondo que ‘é lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos’. A interpretação do referido dispositivo tem sido feita de forma ampliativa, de modo a admitir que a juntada de documentos novos ocorra em situações não formalmente previstas, relativizando a questão sobre a extemporaneidade da apresentação de prova documental, desde que não se trate de documento indispensável à propositura da ação e não haja má-fé na ocultação do documento, razão pela qual se impõe a oitiva da parte contrária (art. 398 do CPC). Dessa forma, a mera declaração do juiz de que aprova documental é intempestiva e, por isso, deve ser desentranhada dos autos não é capaz de, por si só, impedir o conhecimento da referida prova pelo Tribunal, tendo em vista a maior amplitude, no processo civil moderno, dos poderes instrutórios do juiz, ao qual cabe determinar, até mesmo de ofício, a produção de provas necessárias à instrução do processo (art. 130 do CPC)” (STJ, REsp 1.072.276/RN, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 21.02.2013)

Por fim, os artigos 439 a 441, trazem os documentos eletrônicos. O artigo 439 afirma que a utilização de documentos eletrônicos no processo convencional dependerá de sua conversão à forma impressa e da verificação de sua autenticidade, na forma da lei. Já o artigo 440 dispõe que o juiz apreciará o valor probante do documento eletrônico não convertido, assegurado às partes o acesso ao seu teor”. (BRASIL, 2015)

O fato é que cabe ao juiz apreciar o documento eletrônico que não preencha os requisitos do art. 439 e concluir a respeito do seu valor probante. Quanto ao artigo 441, dispõe que serão admitidos documentos eletrônicos produzidos e conservados com a observância da legislação específica”. Dessa forma, dever-se-á considerar os comandos do artigo 11 da Lei 11.419/2006.

Conclui-se, dessa forma, num apanhado geral, que a prova documental é a

representação física ou eletrônica, que tem como objetivo comprovar o fato que está sendo alegado pela parte, visando elucidar o caso.

3.1.5 Da prova testemunhal

A prova testemunhal encontra sua normativa nos artigos 442 a 463 do Código de Processo Civil. A primeira Subseção trata da admissibilidade e do valor da prova testemunhal, e a segunda Subseção aborda a produção da prova testemunhal.

Portanto, a prova testemunhal é o meio de prova na qual um terceiro, que detém conhecimento acerca dos fatos envolvidos na causa, presta declarações em juízo. Em outras palavras, consoante a lição de Theodoro Junior (2014, p. 1.539), “a prova testemunhal é aquela que advém de um do relato prestado, em juízo, por indivíduos que tem conhecimento do litígio.”

3.1.6 Da prova pericial

A prova pericial, conforme preceitua o artigo 464 do Código de Processo Civil, é a prova produzida por perito, visando esclarecer fatos que demandam do julgador conhecimentos técnicos específicos, consistentes em exame, vistoria ou avaliação, razão pela qual se faz necessário um profissional qualificado. (BRASIL, 2015).

Conforme o conceito dado por Fernando Capez (2014, p. 413), “o termo ‘perícia’, originário do latim peritia (habilidade especial), é um meio de prova que consiste em um exame elaborado por pessoa, em regra profissional, dotado de formação e conhecimento técnicos específicos, acerca de fatos necessários ao deslinde de causa”.

Nos ensinamentos de Nery Junior (2010, p. 675) “o objeto da prova pericial é o fato ou os fatos que foram alegados na inicial ou na contestação que necessitam de perícia para sua integral demonstração.”

O indeferimento do juiz acontecerá quando a prova do fato não necessitar de conhecimento técnico específico, ou quando for desnecessária em vista de outras provas produzidas, ou ainda quando não for possível a verificação.

O artigo 473 do CPC estabelece os componentes que o laudo pericial deve ter, segue: I. exposição do objeto da perícia; II. análise técnica ou científica realizada pelo perito; III. indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou; IV. Resposta conclusiva a todos os quesitos formulados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público. (BRASIL, 2015)

Por último, não menos importante, a inspeção judicial, conforme preceitua o artigo 481 do Código de Processo Civil, que trata desse meio de prova, será utilizada em todos os

casos que houver necessidade de que o juiz elucide fatos controversos, que tenham relação como a lide.

Nos ensinamentos de Belanda (2017):

A inspeção judicial, em suma, significa a autorização prevista no ordenamento jurídico (Código de Processo Civil, em seus artigos 481 a 484), para que os integrantes do Judiciário com Poder de Decisão (Magistrados, Desembargadores e Ministros, via de regra), procedam com visitas técnicas ao local do fato ou interpelem pessoas envolvidas no cerne judicial (com condão de esclarecimento do imbróglio), para que em inspecionando nos detalhes o caso concreto, possam firmar a certeza real dos fatos, decidindo uma demanda judicial pautada na segurança jurídica que a atividade estatal prega e requer.

Contata-se dessa forma, os diversos meios de provas estabelecidos no Código de Processo Civil vigente. O único não tratado neste capítulo, fora o objeto do presente estudo, a ata notarial, que será abordado de forma mais completa no próximo capítulo.

Por todo o exposto, vislumbra-se a importância das provas no processo civil haja vista ser um dos elementos mais importantes para que o magistrado norteie sua decisão.

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