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– DOS CRIMES E DAS INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS

No documento COM DEFICIÊNCIA (páginas 57-65)

Art. 88. Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência:

Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

§ 1º Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se a vítima encontrar-se sob cuidado e responsabi-lidade do agente.

§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput deste artigo é cometido por intermédio de meios de comunicação social ou de publicação de qual-quer natureza:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

§ 3º Na hipótese do § 2º deste artigo, o juiz po-derá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência:

I – recolhimento ou busca e apreensão dos exem-plares do material discriminatório;

II – interdição das respectivas mensagens ou pá-ginas de informação na internet.

§ 4º Na hipótese do § 2º deste artigo, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido.

Art. 89. Apropriar-se de ou desviar bens, proven-tos, pensão, benefícios, remuneração ou qualquer outro rendimento de pessoa com deficiência:

Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Parágrafo único. Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se o crime é cometido:

I – por tutor, curador, síndico, liquidatário, in-ventariante, testamenteiro ou depositário judi-cial; ou

II – por aquele que se apropriou em razão de ofício ou de profissão.

Art. 90. Abandonar pessoa com deficiência em hospitais, casas de saúde, entidades de abriga-mento ou congêneres:

Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa.

Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem não prover as necessidades básicas de pessoa com deficiência quando obrigado por lei ou mandado.

Art. 91. Reter ou utilizar cartão magnético, qual-quer meio eletrônico ou documento de pessoa com deficiência destinados ao recebimento de be-nefícios, proventos, pensões ou remuneração ou à

realização de operações financeiras, com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem:

Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único. Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se o crime é cometido por tutor ou curador.

TÍTULO III – DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Art. 92. É criado o Cadastro Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Cadastro-Inclusão), registro público eletrônico com a finalidade de coletar, processar, sistematizar e disseminar infor-mações georreferenciadas que permitam a identi-ficação e a caracterização socioeconômica da pes-soa com deficiência, bem como das barreiras que impedem a realização de seus direitos.

§ 1º O Cadastro-Inclusão será administrado pelo Poder Executivo federal e constituído por base de dados, instrumentos, procedimentos e sistemas eletrônicos.

§ 2º Os dados constituintes do Cadastro-Inclu-são serão obtidos pela integração dos sistemas de informação e da base de dados de todas as políti-cas públipolíti-cas relacionadas aos direitos da pessoa com deficiência, bem como por informações co-letadas, inclusive em censos nacionais e nas de-mais pesquisas realizadas no País, de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Convenção so-bre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo.

§ 3º Para coleta, transmissão e sistematização de dados, é facultada a celebração de convênios, acordos, termos de parceria ou contratos com ins-tituições públicas e privadas, observados os requi-sitos e procedimentos previstos em legislação es-pecífica.

§ 4º Para assegurar a confidencialidade, a pri-vacidade e as liberdades fundamentais da pessoa com deficiência e os princípios éticos que regem a utilização de informações, devem ser observadas as salvaguardas estabelecidas em lei.

§ 5º Os dados do Cadastro-Inclusão somente po-derão ser utilizados para as seguintes finalidades:

I – formulação, gestão, monitoramento e avalia-ção das políticas públicas para a pessoa com de-ficiência e para identificar as barreiras que impe-dem a realização de seus direitos;

II – realização de estudos e pesquisas.

§ 6º As informações a que se refere este artigo devem ser disseminadas em formatos acessíveis.

Art. 93. Na realização de inspeções e de auditorias pelos órgãos de controle interno e externo, deve

ser observado o cumprimento da legislação relati-va à pessoa com deficiência e das normas de aces-sibilidade vigentes.

Art. 94. Terá direito a auxílio-inclusão, nos termos da lei, a pessoa com deficiência moderada ou gra-ve que:

I – receba o benefício de prestação continuada previsto no art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezem-bro de 1993, e que passe a exercer atividade re-munerada que a enquadre como segurado obri-gatório do RGPS;

II – tenha recebido, nos últimos 5 (cinco) anos, o benefício de prestação continuada previsto no art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e que exerça atividade remunerada que a enquadre como segurado obrigatório do RGPS.

Art. 95. É vedado exigir o comparecimento de pessoa com deficiência perante os órgãos púbcos quando seu deslocamento, em razão de sua li-mitação funcional e de condições de acessibilida-de, imponha-lhe ônus desproporcional e indevido, hipótese na qual serão observados os seguintes procedimentos:

I – quando for de interesse do poder público, o agente promoverá o contato necessário com a pessoa com deficiência em sua residência;

II – quando for de interesse da pessoa com defi-ciência, ela apresentará solicitação de atendimen-to domiciliar ou fará representar-se por procura-dor constituído para essa finalidade.

Parágrafo único. É assegurado à pessoa com de-ficiência atendimento domiciliar pela perícia mé-dica e social do Instituto Nacional do Seguro So-cial (INSS), pelo serviço público de saúde ou pelo serviço privado de saúde, contratado ou convenia-do, que integre o SUS e pelas entidades da rede socioassistencial integrantes do Suas, quando seu deslocamento, em razão de sua limitação funcio-nal e de condições de acessibilidade, imponha-lhe ônus desproporcional e indevido.

[...]

Art. 120. Cabe aos órgãos competentes, em cada esfera de governo, a elaboração de relatórios cir-cunstanciados sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos por força das Leis nº 10.048, de 8 de novembro de 2000, e nº 10.098, de 19 de dezem-bro de 2000, bem como o seu encaminhamento ao Ministério Público e aos órgãos de regulação para adoção das providências cabíveis.

Parágrafo único. Os relatórios a que se refere o caput deste artigo deverão ser apresentados no

prazo de 1 (um) ano a contar da entrada em vigor desta Lei.

Art. 121. Os direitos, os prazos e as obrigações previstos nesta Lei não excluem os já estabele-cidos em outras legislações, inclusive em pactos, tratados, convenções e declarações internacio-nais aprovados e promulgados pelo Congresso Nacional, e devem ser aplicados em conformida-de com as conformida-demais normas internas e acordos in-ternacionais vinculantes sobre a matéria.

Parágrafo único. Prevalecerá a norma mais be-néfica à pessoa com deficiência.

Art. 122. Regulamento disporá sobre a adequa-ção do disposto nesta Lei ao tratamento diferen-ciado, simplificado e favorecido a ser dispensado às microempresas e às empresas de pequeno por-te, previsto no § 3º do art. 1º da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.

Art. 123. Revogam-se os seguintes dispositivos:

I – o inciso II do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.008, de 21 de março de 1995;

II – os incisos I, II e III do art. 3º da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil);

III – os incisos II e III do art. 228 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil);

IV – o inciso I do art. 1.548 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil);

V – o inciso IV do art. 1.557 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil);

VI – os incisos II e IV do art. 1.767 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil);

VII – os arts. 1.776 e 1.780 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil).

Art. 124. O § 1º do art. 2º desta Lei deverá entrar em vigor em até 2 (dois) anos, contados da entra-da em vigor desta Lei.

Art. 125. Devem ser observados os prazos a se-guir discriminados, a partir da entrada em vigor desta Lei, para o cumprimento dos seguintes dis-positivos:

I – incisos I e II do § 2º do art. 28, 48 (quarenta e oito) meses;

II – § 6º do art. 44, 84 (oitenta e quatro) meses;

(Inciso com redação dada pela Medida Provisória nº 1.025, de 31/12/2020, convertida na Lei nº 14.159, de 2/6/2021)

III – art. 45, 24 (vinte e quatro) meses;

IV – art. 49, 48 (quarenta e oito) meses.

Art. 126. Prorroga-se até 31 de dezembro de 2021 a vigência da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995.

Art. 127. Esta Lei entra em vigor após decorridos 180 (cento e oitenta) dias de sua publicação oficial.

Brasília, 6 de julho de 2015; 194º da Independência e 127º da República.

DILMA ROUSSEFF Marivaldo de Castro Pereira Joaquim Vieira Ferreira Levy

Renato Janine Ribeiro Armando Monteiro Nelson Barbosa Gilberto Kassab Luis Inácio Lucena Adams Gilberto José Spier Vargas Guilherme Afif Domingos

LEI Nº 4.613, DE 2 DE ABRIL DE 1965

(Publicada no DOU de 7/4/1965)

Isenta dos impostos de importação e de consumo, bem como da taxa de despacho aduaneiro, os veículos especiais destina-dos a uso exclusivo de paraplégicos ou de pessoas portadoras de defeitos físicos, os quais fiquem impossibilitados de utilizar os modelos comuns.

O presidente da República

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º É concedida isenção dos impostos de im-portação e de consumo, bem como da taxa de des-pacho aduaneiro, para os veículos que, pelas suas características e adaptações especiais, se destina-rem a uso exclusivo de paraplégicos ou de pessoas portadoras de defeitos físicos, os quais fiquem im-possibilitados de utilizar os modelos comuns.

Parágrafo único. A isenção de que trata esta lei não abrange o material com similar nacional.

Art. 2º A venda dos veículos importados na con-formidade do artigo anterior será permitida, pela competente estação aduaneira, somente à pessoa nas mesmas condições de deficiência física, apu-radas mediante inspeção por junta médica oficial.

Parágrafo único. Apurada fraude na importação ou na venda dos veículos importados com a isen-ção outorgada nesta lei, o infrator pagará os im-postos de importação e de consumo, bem como a taxa de despacho aduaneiro, em dobro, sem pre-juízo das demais sanções legais aplicáveis.

Art. 3º Esta lei entra em vigor na data de sua pu-blicação.

Art. 4º Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 2 de abril de 1965; 144º da Independência e 77º da República.

H. CASTELLO BRANCO Octávio Gouveia de Bulhões

LEI Nº 7.070, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1982

(Publicada no DOU de 21/12/1982)

Dispõe sobre pensão especial para os deficientes físicos que especifica e dá outras providências.

O presidente da República

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conce-der pensão especial, mensal, vitalícia e intransferí-vel, aos portadores da deficiência física conhecida como “Síndrome da Talidomida” que a requere-rem, devida a partir da entrada do pedido de pa-gamento no Instituto Nacional de Previdência So-cial (INPS).

§ 1º O valor da pensão especial, reajustável a cada ano posterior à data da concessão segundo o índice de Variação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, será calculado, em fun-ção dos pontos indicadores da natureza e do grau da dependência resultante da deformidade física, à razão, cada um, de metade do maior salário mí-nimo vigente no País.

§ 2º Quanto à natureza, a dependência com-preenderá a incapacidade para o trabalho, para a deambulação, para a higiene pessoal e para a própria alimentação, atribuindo-se a cada uma 1 (um) ou 2 (dois) pontos, respectivamente, con-forme seja o seu grau parcial ou total.

Art. 2º A percepção do benefício de que trata es-ta Lei dependerá unicamente da apresenes-tação de atestado médico comprobatório das condições constantes do artigo anterior, passado por junta médica oficial para esse fim constituída pelo Insti-tuto Nacional de Previdência Social, sem qualquer ônus para os interessados.

Art. 3º A pensão especial de que trata esta Lei, res-salvado o direito de opção, não é acumulável com rendimento ou indenização que, a qualquer título, venha a ser pago pela União a seus beneficiários, salvo a indenização por dano moral concedida por lei específica. (Caput do artigo com redação dada pela Lei nº 12.190, de 13/1/2010, produzindo efeitos a partir de 1º/1/2010)

§ 1º O benefício de que trata esta Lei é de na-tureza indenizatória, não prejudicando eventuais benefícios de natureza previdenciária, e não po-derá ser reduzido em razão de eventual aquisi-ção de capacidade laborativa ou de reduaquisi-ção de

incapacidade para o trabalho, ocorridas após a sua concessão. (Parágrafo único acrescido pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, e transformado em § 1º pela Me-dida Provisória nº 2.187-13, de 24/8/2001)

§ 2º O beneficiário desta pensão especial, maior de trinta e cinco anos, que necessite de assistência permanente de outra pessoa e que tenha recebi-do pontuação superior ou igual a seis, conforme estabelecido no § 2º do art. 1º desta Lei, fará jus a um adicional de vinte e cinco por cento sobre o valor deste benefício. (Parágrafo acrescido pela Medida Provisória nº 2.187-13, de 24/8/2001)

§ 3º Sem prejuízo do adicional de que trata o

§ 2º, o beneficiário desta pensão especial fará jus a mais um adicional de trinta e cinco por cento sobre o valor do benefício, desde que comprove pelo menos:

I – vinte e cinco anos, se homem, e vinte anos, se mulher, de contribuição para a Previdência Social;

II – cinquenta e cinco anos de idade, se homem, ou cinquenta anos de idade, se mulher, e con-tar pelo menos quinze anos de contribuição pa-ra a Previdência Social. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 10.877, de 4/6/2004)

Art. 4º A pensão especial será mantida e paga pelo Instituto Nacional de Previdência Social, por con-ta do Tesouro Nacional.

Parágrafo único. O Tesouro Nacional porá à dis-posição da Previdência Social, à conta de dotações próprias consignadas no Orçamento da União, os recursos necessários ao pagamento da pensão es-pecial, em cotas trimestrais, de acordo com a pro-gramação financeira da União.

Art. 4º-A. Ficam isentos do imposto de renda a pensão especial e outros valores recebidos em de-corrência da deficiência física de que trata o caput do art. 1º desta Lei, observado o disposto no art. 2º desta Lei, quando pagos ao seu portador.

Parágrafo único. A documentação comprobató-ria da natureza dos valores de que trata o caput deste artigo, quando recebidos de fonte situada no exterior, deve ser traduzida por tradutor juramen-tado. (Artigo acrescido pela Lei nº 11.727, de 23/6/2008) Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua pu-blicação.

Art. 6º Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 20 de dezembro de 1982; 161º da Independência e 94º da República.

JOÃO FIGUEIREDO Carlos Viacava Hélio Beltrão

LEI Nº 7.853, DE 24 DE OUTUBRO DE 1989

(LEI DOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA) (Publicada no DOU de 25/10/1989)

Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), ins-titui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define crimes, e dá outras providências.

O presidente da República

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Ficam estabelecidas normas gerais que as-seguram o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiências, e sua efetiva integração social, nos termos desta Lei.

§ 1º Na aplicação e interpretação desta Lei, se-rão considerados os valores básicos da igualdade de tratamento e oportunidade, da justiça social, do respeito à dignidade da pessoa humana, do bem-estar, e outros, indicados na Constituição ou justificados pelos princípios gerais de direito.

§ 2º As normas desta Lei visam garantir às pes-soas portadoras de deficiência as ações governa-mentais necessárias ao seu cumprimento e das demais disposições constitucionais e legais que lhes concernem, afastadas as discriminações e os preconceitos de qualquer espécie, e entendida a matéria como obrigação nacional a cargo do Po-der Público e da sociedade.

Art. 2º Ao Poder Público e seus órgãos cabe as-segurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico.

Parágrafo único. Para o fim estabelecido no caput deste artigo, os órgãos e entidades da administra-ção direta e indireta devem dispensar, no âmbito de sua competência e finalidade, aos assuntos ob-jetos esta Lei, tratamento prioritário e adequado, tendente a viabilizar, sem prejuízo de outras, as se-guintes medidas:

I – na área da educação:

a) a inclusão, no sistema educacional, da Edu-cação Especial como modalidade educativa que abranja a educação precoce, a pré-escolar, as de 1º e 2º graus, a supletiva, a habilitação e reabilitação profissionais, com currículos, etapas e exigências de diplomação próprios;

b) a inserção, no referido sistema educacional, das escolas especiais, privadas e públicas;

c) a oferta, obrigatória e gratuita, da Educação Especial em estabelecimento público de ensino;

d) o oferecimento obrigatório de programas de Educação Especial a nível pré-escolar, em unida-des hospitalares e congêneres nas quais estejam internados, por prazo igual ou superior a 1 (um) ano, educandos portadores de deficiência;

e) o acesso de alunos portadores de deficiência aos benefícios conferidos aos demais educandos, inclusive material escolar, merenda escolar e bol-sas de estudo;

f) a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de se integrarem no sistema regular de ensino;

II – na área da saúde:

a) a promoção de ações preventivas, como as referentes ao planejamento familiar, ao aconse-lhamento genético, ao acompanhamento da gra-videz, do parto e do puerpério, à nutrição da mu-lher e da criança, à identificação e ao controle da gestante e do feto de alto risco, à imunização, às doenças do metabolismo e seu diagnóstico e ao encaminhamento precoce de outras doenças cau-sadoras de deficiência;

b) o desenvolvimento de programas especiais de prevenção de acidente do trabalho e de trânsi-to, e de tratamento adequado a suas vítimas;

c) a criação de uma rede de serviços especiali-zados em reabilitação e habilitação;

d) a garantia de acesso das pessoas portadoras de deficiência aos estabelecimentos de saúde pú-blicos e privados, e de seu adequado tratamento neles, sob normas técnicas e padrões de conduta apropriados;

e) a garantia de atendimento domiciliar de saú-de ao saú-deficiente grave não internado;

f) o desenvolvimento de programas de saúde voltados para as pessoas portadoras de deficiên-cia, desenvolvidos com a participação da socieda-de e que lhes ensejem a integração social;

III – na área da formação profissional e do tra-balho:

a) o apoio governamental à formação profissio-nal, à orientação profissioprofissio-nal, e a garantia de aces-so aos serviços concernentes, inclusive aos curaces-sos regulares voltados à formação profissional;

b) o empenho do Poder Público quanto ao sur-gimento e à manutenção de empregos, inclusive

de tempo parcial, destinados às pessoas portado-ras de deficiência que não tenham acesso aos em-pregos comuns;

c) a promoção de ações eficazes que propiciem a inserção, nos setores públicos e privado, de pes-soas portadoras de deficiência;

d) a adoção de legislação específica que discipli-ne a reserva de mercado de trabalho, em favor das pessoas portadoras de deficiência, nas entidades da Administração Pública e do setor privado, e que regulamente a organização de oficinas e congêne-res integradas ao mercado de trabalho, e a situa-ção, nelas, das pessoas portadoras de deficiência;

IV – na área de recursos humanos:

a) a formação de professores de nível médio pa-ra a Educação Especial, de técnicos de nível médio especializados na habilitação e reabilitação, e de instrutores para formação profissional;

b) a formação e qualificação de recursos huma-nos que, nas diversas áreas de conhecimento, in-clusive de nível superior, atendam à demanda e às necessidades reais das pessoas portadoras de deficiências;

c) o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimen-to tecnológico em desenvolvimen-todas as áreas do conhecimen-to relacionadas com a pessoa portadora de defi-ciência;

V – na área das edificações:

a) a adoção e a efetiva execução de normas que garantam a funcionalidade das edificações e vias públicas, que evitem ou removam os óbices às pessoas portadoras de deficiência, permitam o acesso destas a edifícios, a logradouros e a meios de transporte.

Art. 3º As medidas judiciais destinadas à prote-ção de interesses coletivos, difusos, individuais homogêneos e individuais indisponíveis da pes-soa com deficiência poderão ser propostas pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela União, pelos Estados, pelos Municípios, pelo Dis-trito Federal, por associação constituída há mais de 1 (um) ano, nos termos da lei civil, por autar-quia, por empresa pública e por fundação ou so-ciedade de economia mista que inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção dos interes-ses e a promoção de direitos da pessoa com de-ficiência. (Caput do artigo com redação dada pela Lei nº 13.146, de 6/7/2015, publicada no DOU de 7/7/2015, em vigor 180 dias após a publicação)

§ 1º Para instruir a inicial, o interessado poderá requerer às autoridades competentes as certidões e informações que julgar necessárias.

§ 2º As certidões e informações a que se refere o parágrafo anterior deverão ser fornecidas den-tro de 15 (quinze) dias da entrega, sob recibo, dos respectivos requerimentos, e só poderão se utili-zadas para a instrução da ação civil.

§ 3º Somente nos casos em que o interesse pú-blico, devidamente justificado, impuser sigilo, po-derá ser negada certidão ou informação.

§ 4º Ocorrendo a hipótese do parágrafo anterior, a ação poderá ser proposta desacompanhada das certidões ou informações negadas, cabendo ao juiz, após apreciar os motivos do indeferimento, e, salvo quando se tratar de razão de segurança nacional, requisitar umas e outras; feita a requisi-ção, o processo correrá em segredo de justiça, que cessará com o trânsito em julgado da sentença.

§ 5º Fica facultado aos demais legitimados ati-vos habilitarem-se como litisconsortes nas ações propostas por qualquer deles.

§ 6º Em caso de desistência ou abandono da ação, qualquer dos colegitimados pode assumir a titularidade ativa.

Art. 4º A sentença terá eficácia de coisa julgada oponível erga omnes, exceto no caso de haver si-do a ação julgada improcedente por deficiência de prova, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico funda-mento, valendo-se de nova prova.

§ 1º A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação fica sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal.

§ 2º Das sentenças e decisões proferidas contra o autor da ação e suscetíveis de recurso, poderá recorrer qualquer legitimado ativo, inclusive o Mi-nistério Público.

Art. 5º O Ministério Público intervirá obrigatoria-mente nas ações públicas, coletivas ou individuais, em que se discutam interesses relacionados à de-ficiência das pessoas.

Art. 6º O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou par-ticular, certidões, informações, exame ou perícias, no prazo que assinalar, não inferior a 10 (dez) dias úteis.

§ 1º Esgotadas as diligências, caso se convença o órgão do Ministério Público da inexistência de elementos para a propositura de ação civil, pro-moverá fundamentadamente o arquivamento do inquérito civil, ou das peças informativas. Neste

caso, deverá remeter a reexame os autos ou as respectivas peças, em 3 (três) dias, ao Conselho Superior do Ministério Público, que os examina-rá, deliberando a respeito, conforme dispuser seu Regimento.

§ 2º Se a promoção do arquivamento for refor-mada, o Conselho Superior do Ministério Público designará desde logo outro órgão do Ministério Público para o ajuizamento da ação.

Art. 7º Aplicam-se à ação civil pública prevista nesta Lei, no que couber, os dispositivos da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985.

Art. 8º Constitui crime punível com reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa: (Caput do artigo com redação dada pela Lei nº 13.146, de 6/7/2015, publicada no DOU de 7/7/2015, em vigor 180 dias após a publicação)

I – recusar, cobrar valores adicionais, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, em razão de sua deficiência; (Inciso com redação dada pela Lei nº 13.146, de 6/7/2015, publicada no DOU de 7/7/2015, em vigor 180 dias após a publicação)

II – obstar inscrição em concurso público ou acesso de alguém a qualquer cargo ou emprego público, em razão de sua deficiência; (Inciso com redação dada pela Lei nº 13.146, de 6/7/2015, publicada no DOU de 7/7/2015, em vigor 180 dias após a publicação)

III – negar ou obstar emprego, trabalho ou pro-moção à pessoa em razão de sua deficiência; (In-ciso com redação dada pela Lei nº 13.146, de 6/7/2015, publicada no DOU de 7/7/2015, em vigor 180 dias após a publicação)

IV – recusar, retardar ou dificultar internação ou deixar de prestar assistência médico-hospitalar e ambulatorial à pessoa com deficiência; (Inciso com redação dada pela Lei nº 13.146, de 6/7/2015, publicada no DOU de 7/7/2015, em vigor 180 dias após a publicação)

V – deixar de cumprir, retardar ou frustrar exe-cução de ordem judicial expedida na ação civil a que alude esta Lei; (Inciso com redação dada pela Lei nº 13.146, de 6/7/2015, publicada no DOU de 7/7/2015, em vigor 180 dias após a publicação)

VI – recusar, retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil pública objeto desta Lei, quando requisitados. (Inciso com redação dada pela Lei nº 13.146, de 6/7/2015, publicada no DOU de 7/7/2015, em vigor 180 dias após a publicação)

§ 1º Se o crime for praticado contra pessoa com deficiência menor de 18 (dezoito) anos, a pena é agravada em 1/3 (um terço). (Parágrafo acrescido pela

No documento COM DEFICIÊNCIA (páginas 57-65)