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Os impostos de competência dos Estados e do Distrito Federal estão dispostos no art. 155 da Constituição da República, assim redigido:

Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos;

II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;

III - propriedade de veículos automotores. (BRASIL, CRFB, 2020)

Nessa toada, caberá aos Estados e ao Distrito Federal instituir o Imposto de Transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos – ITCMD -, relativamente a bens móveis, títulos e créditos, ou imóveis e seus respectivos direitos.

Quanto ao sujeito passivo, na hipótese causa mortis será o herdeiro ou legatário, e na doação será qualquer das partes envolvidas no negócio, a ser definido pela lei estadual.

Conforme leciona Sabbag (2017, p. 1.603), o fato gerador do ITCMD será a transmissão de propriedade de quaisquer bens (por exemplo, bens imóveis ou móveis, tais como: veículos, valores financeiros, títulos de crédito etc.) e a transmissão (cessão) de direitos em decorrência de falecimento do seu titular ou a transmissão e cessão gratuitas.

Nos termos do art. 38 do CTN, a base de cálculo do ITCMD será o valor venal dos bens ou direitos transmitidos e da doação (BRASIL, CTN, 2020).

Consoante o art. 155, §1º, IV, da CRFB, o ITCMD tem as alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal (BRASIL, CRFB, 2020). Na lição de Sabbag (2017, p. 1.606) “as alíquotas do ITCMD são fixadas livremente pelos Estados, respeitado o máximo fixado pelo Senado Federal por meio da Resolução n. 9/92 em 8%.”

Por fim, cabe aqui salientar que a respeito do ITCMD, o Supremo Tribunal Federal editou as Súmulas 112, 113, 114 e 590.

A Súmula 112 do STF dispõe que “o imposto de transmissão ‘causa mortis’ é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão” (BRASIL, STF).

A Súmula 113 do STF dispõe que “o imposto de transmissão ‘causa mortis’ é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação” (BRASIL, STF, 1962).

A Súmula 114 do STF dispõe que “o imposto de transmissão ‘causa mortis’ não é exigível antes da homologação do cálculo” (BRASIL, STF, 1963).

A Súmula 590 do STF dispõe que “calcula-se o imposto de transmissão ‘causa mortis’ sobre o saldo credor da promessa de compra e venda de imóvel, no momento da abertura da sucessão do promitente vendedor” (BRASIL, STF, 1977).

Por seu turno, os Estados também poderão instituir o Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores – IPVA -, relativamente aos veículos automotores registrados e licenciados em sua circunscrição, independentemente do domicílio do proprietário ou possuidor do bem.

O IPVA, inicialmente, veio para substituir a Taxa Rodoviária Única, em 1985. A base de cálculo do IPVA, por sua vez, é o valor venal ou o preço comercial de tabela, o qual é publicado pelo ente tributante. Ademais, o IPVA poderá ter alíquotas diferenciadas dependendo da utilização do veículo, nos termos do art. 155, §6º, II, da CRFB (BRASIL, CRFB, 2020).

Outrossim, os Estados poderão instituir o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS -, incidente também sobre as prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior.

O ICMS é o tributo de maior arrecadação no sistema tributário nacional e, considerando esse potencial, é utilizado pelos Estados para atrair novas empresas para o seu território, na chamada “guerra fiscal”.

Com o objetivo de tentar conter a “guerra fiscal”, “um Estado não poderá conceder isenção, nem reduzir sua alíquota interna a percentuais inferiores aos das alíquotas interestaduais” (MACHADO SEGUNDO, 2018, p. 299). Além disso, o ICMS é regulamentado pela Lei Complementar nº 87 de 1996.

Machado Segundo (2018, p. 294) conceitua mercadoria como a “coisa móvel destinada ao Comércio”.

Alexandre (2017, apud BORGES, p. 695), por sua vez, conceitua Mercadoria como:

Mercadoria é o bem móvel, que está sujeito à mercancia, porque foi introduzido no processo circulatório econômico. Tanto que o que caracteriza, sob certos aspectos, a mercadoria é a destinação, porque aquilo que é mercadoria, no momento que se introduz no ativo fixo da empresa, perde esta característica de mercadoria, podendo ser reintroduzido no processo circulatório, voltando a adquirir, consequentemente, essa conotação de mercadoria.

Para efeitos do ICMS, a circulação das mercadorias e serviços devem ter cunho econômico, ou seja, um negócio jurídico mercantil.

Ademais, embora não seja uma mercadoria em si, a Constituição da República prevê a incidência do ICMS também sobre a circulação de energia elétrica, a qual é equiparada à mercadoria para fins de tributação.

No tocante aos serviços, embora haja previsão do ISS, de competência dos municípios, o ICMS pode incidir também sobre serviços que não estejam na esfera de competência dos municípios, além de serviços de transportes interestaduais e intermunicipais e sobre serviços de comunicações.

O sujeito passivo do ICMS é estabelecido pelo art. 4º da LC nº 87/1997, com a seguinte dicção:

Art. 4º Contribuinte é qualquer pessoa, física ou jurídica, que realize, com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial, operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior.

Parágrafo único. É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que, mesmo sem habitualidade ou intuito comercial:

I – importe mercadorias ou bens do exterior, qualquer que seja a sua finalidade; II - seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior;

III – adquira em licitação mercadorias ou bens apreendidos ou abandonados; IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização.

Nos termos do art. 155, §2º, da CRFB, o ICMS será não cumulativo, e poderá ser seletivo, de modo a ter uma alíquota diferenciada dependendo da essencialidade das mercadorias e serviços comercializados (BRASIL, CRFB, 2020).

Conforme leciona Sabbag (2017, p. 1.229), a base de cálculo do ICMS pode ser:

a) o valor da operação, em se tratando de operação de circulação de mercadorias; b) o preço do serviço, em se tratando de transporte (interurbano e interestadual) e de comunicação;

c) o valor da mercadoria ou bem importado, constante em documento de importação, convertido em moeda nacional pela mesma taxa de câmbio utilizada para cálculo do imposto de importação, e acrescida do IPI, do IOF, do II, e das despesas aduaneiras.

No mais, há situações em que o ICMS não deve incidir. A respeito do tema, Sabbag (2017, p. 1.225) ensina que o ICMS não incide:

a) sobre coisas corpóreas que não sejam mercadoria, isto é, bens de particulares; b) na alienação de bens do ativo fixo ou imobilizado.

c) na simples transferência de mercadoria de um para outro estabelecimento da mesma empresa;

d) na mudança integral do estabelecimento da pessoa jurídica, com o deslocamento do seu patrimônio para outro local;

e) na integralização de bens (máquinas, equipamentos, veículos etc.) pela pessoa jurídica para a constituição ou ampliação de uma outra empresa (mero negócio societário);

f) nas remessas de mercadorias para demonstração e/ou consignação.

Por derradeiro, cabe salientar que nos termos do art. 155, §2º, IV e V, da CRFB, caberá ao Senado Federal, por meio de Resolução, estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas, bem como estabelecer as alíquotas aplicáveis às operações e prestações, interestaduais e de exportação (BRASIL, CRFB, 2020).