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Os impostos de competência dos Municípios estão dispostos no art. 156 da Constituição da República de 1988, assim estabelecido:

Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: I - propriedade predial e territorial urbana;

II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição;

III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. (BRASIL, CRFB, 2020)

Nessa toada, caberá aos Municípios, por meio de lei ordinária municipal, instituir o imposto sobre a propriedade predial e territorial – IPTU - de imóvel que estiver localizado na zona urbana de sua circunscrição.

Em conformidade com o texto constitucional federal, e para regulamentar a incidência do IPTU nos municípios, o art. 32 do Código Tributário Nacional prevê alguns requisitos para a sua cobrança, nos seguintes termos:

Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município.

§ 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei municipal; observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público:

I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; II - abastecimento de água;

III - sistema de esgotos sanitários;

IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar;

V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado. (BRASIL, CTN, 2020)

Inobstante, a jurisprudência majoritária dos tribunais, inclusive do STJ, entende que não incide IPTU, mas sim o Imposto Territorial Rural, de competência da União, sobre imóvel localizado na área urbana do Município, ainda que consideradas urbanas por legislação municipal, desde que comprovadamente utilizado em exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial (SABBAG, 2017, p. 1.157).

Ademais, o art. 34 do CTN estabelece que o contribuinte do IPTU é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título (BRASIL, CTN, 2020).

No que tange à base de cálculo, nos termos do art. 33 do Código Tributário Nacional, essa será o valor venal do imóvel (BRASIL, CTN, 2020).

Por seu turno, caberá também aos Municípios, por meio de lei ordinária municipal, instituir o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS -, incidente sobre os serviços, desde que não definidos como fato gerador do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que é competência dos Estados.

O ISS está disciplinado na Lei Complementar Federal n. 116 de 2003 e também recebe influência do Decreto-Lei n. 406 de 1968.

O ISS é responsável por boa parte da arrecadação municipal, principalmente nos grandes centros comerciais.

O art. 1º da Lei Complementar Federal nº 116 de 2003, dispõe sobre o fato gerador do Imposto Sobre Serviço, nos seguintes termos:

Art. 1º O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador.

§ 1º O imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País.

§ 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de

Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias.

§ 3º O imposto de que trata esta Lei Complementar incide ainda sobre os serviços prestados mediante a utilização de bens e serviços públicos explorados economicamente mediante autorização, permissão ou concessão, com o pagamento de tarifa, preço ou pedágio pelo usuário final do serviço.

§ 4º A incidência do imposto não depende da denominação dada ao serviço prestado. (BRASIL, Lei Complementar nº 116, 2020)

No que tange à base de cálculo, nos termos do art. 7º da LC 116 de 2003, essa será o preço do serviço prestado (BRASIL, Lei Complementar nº 116, 2020).

Nos termos do art. 3º da LC 116/2003, o sujeito ativo da obrigação tributária é o município em que se localiza o estabelecimento do prestador do serviço, ou, na falta desse, o domicílio do prestador. Entretanto, o próprio art. 3º da LC 116/2003 prevê exceções em que o imposto deve ser recolhido no município em que o serviço foi prestado (BRASIL, Lei Complementar nº 116, 2020). Conforme leciona Sabbag (2017, p. 1.167), os serviços são ligados à:

1. instalação dos andaimes (e outras estruturas);

2. execução da obra (obras de construção civil, hidráulica ou elétrica; obras de engenharia, arquitetura e urbanismo);

3. demolição e edificações em geral (estradas, pontes, portos e congêneres);

4. varrição, coleta, remoção, incineração, tratamento, reciclagem, separação e destinação final de lixo;

5. limpeza, manutenção e conservação de vias e logradouros públicos, imóveis, chaminés, piscinas, parques, jardins e congêneres;

6. decoração e jardinagem, do corte e poda de árvores;

7. controle e tratamento do efluente de qualquer natureza e de agentes físicos, químicos e biológicos;

8. florestamento, reflorestamento, semeadura, adubação e congêneres; 9. escoramento, contenção de encostas e congêneres;

10. limpeza e dragagem (rios, portos, canais, baías, lagos, lagoas, represas, açudes e congêneres);

11. armazenamento, depósito, carga, descarga, arrumação e guarda do bem de qualquer espécie;

12. diversão, lazer, entretenimento e congêneres; 13. feira, exposição, congresso ou congênere;

14. porto, aeroporto, ferroporto, terminal rodoviário, ferroviário ou metroviário.

O sujeito passivo, por sua vez, é a pessoa física ou jurídica que presta o serviço, nos termos do art. 5º da LC 116/2003 (BRASIL, Lei Complementar nº 116, 2020).

Conforme leciona Alexandre (2017, p. 762), o lançamento do ISS é feito por homologação, tendo em vista que “é o próprio sujeito passivo que, a cada fato gerador, calcula o montante do tributo devido e antecipa o pagamento sem prévio exame da autoridade

administrativa”. A autoridade, todavia, verifica se o contribuinte efetuou o pagamento do valor devido, e não sendo o caso, poderá lançar de ofício as diferenças porventura não pagas.

Cabe aqui relatar que o ISS era utilizado pelos Municípios como forma de atrair empresas para o seu território, estabelecendo alíquotas irrisórias, na chamada guerra fiscal. Trataremos sobre o assunto no capítulo seguinte, entretanto, salienta-se que a prática foi em parte freada pela Constituição Federal, em seu art. 156, § 3º, nos seguintes termos:

Art. 156. [...] [...]

§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste artigo, cabe à lei complementar:

I - fixar as suas alíquotas máximas e mínimas;

II - excluir da sua incidência exportações de serviços para o exterior.

III – regular a forma e as condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados.

Ademais, os arts. 8º e 8º-A da LC 116/2003 estabelecem que a alíquota mínima do ISS deve ser 2%, enquanto que a máxima deve ser 5% (BRASIL, Lei Complementar nº 116, 2020).

Por seu turno, caberá também aos Municípios, por meio de lei ordinária, instituir o Imposto Sobre a Transmissão de Bens Imóveis – ITBI -, incidente sobre a transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, competindo ao Município de circunscrição do bem.

Cabe salientar que apenas a transmissão inter vivos e por ato oneroso será fato gerador do ITBI. Caso a transmissão seja causa mortis ou por doação, essa será fato gerador do ITCMD, de competência dos Estados.

Nos termos do art. 42 do CTN, o sujeito passivo do ITBI é qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei municipal (BRASIL, CTN, 2020). Na maioria das vezes, a lei municipal dispõe que o sujeito passivo é o adquirente do bem.

De acordo com o art. 38 do CTN, a base de cálculo do ITBI, por sua vez, será o valor venal dos bens ou direitos transmitidos, podendo a lei municipal também prever de forma diversa, como por exemplo utilizar como base o valor pactuado no negócio (BRASIL, CTN, 2020).

Inobstante, a Súmula 656 do Supremo Tribunal Federal veda a fixação de alíquotas progressivas para o ITBI, prevendo que “É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o imposto de transmissão inter vivos de bens imóveis - ITBI com base no valor venal do imóvel” (BRASIL, STF, 2011).

No tocante às imunidades, o art. 156, §2º, I, da CRFB prevê que não incide o ITBI na transferência de bem imóvel para a integralização de capital social na pessoa jurídica, nem quando decorrentes de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil (BRASIL, CRFB, 2020).

Por fim, o art. 184, §5º, da CRFB também prevê que são imunes de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária (BRASIL, CRFB, 2020).