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DOS PROCEDIMENTOSDOS PROCEDIMENTOS

No documento ESTATUTO DACRIANÇA E DOADOLESCENTE (páginas 42-51)

Seção I Disposições Gerais

Art. 152. Aos procedimentos regulados nesta Lei aplicam-se subsidiariamente as normas gerais previstas na legislação processual pertinente.

§ 1º É assegurada, sob pena de responsabili-dade, prioridade absoluta na tramitação dos pro-cessos e procedimentos previstos nesta Lei, assim como na execução dos atos e diligências judiciais a eles referentes. (Primitivo parágrafo único acres-cido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, e renumerado pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 2º Os prazos estabelecidos nesta Lei e apli-cáveis aos seus procedimentos são contados em dias corridos, excluído o dia do começo e incluído o dia do vencimento, vedado o prazo em dobro para a Fazenda Pública e o Ministério Público. (Pa-rágrafo acrescido pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017) Art. 153. Se a medida judicial a ser adotada não corresponder a procedimento previsto nesta ou em outra lei, a autoridade judiciária poderá inves-tigar os fatos e ordenar de ofício as providências necessárias, ouvido o Ministério Público.

Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica para o fim de afastamento da criança ou do adolescente de sua família de origem e em outros procedimentos necessariamente contenciosos.

(Parágrafo único acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a pu-blicação)

Art. 154. Aplica-se às multas o disposto no art. 214.

Seção II

Da Perda e da Suspensão do Poder Familiar (Expressão “pátrio poder” substituída por “poder fami-liar” pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU

de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação) Art. 155. O procedimento para a perda ou a sus-pensão do poder familiar terá início por provo-cação do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse. (Expressão “pátrio poder” substi-tuída por “poder familiar” pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação)

Art. 156. A petição inicial indicará:

I – a autoridade judiciária a que for dirigida;

II – o nome, o estado civil, a profissão e a resi-dência do requerente e do requerido, dispensada a qualificação em se tratando de pedido formu-lado por representante do Ministério Público;

III – a exposição sumária do fato e o pedido;

IV – as provas que serão produzidas, oferecendo, desde logo, o rol de testemunhas e documentos.

Art. 157. Havendo motivo grave, poderá a auto-ridade judiciária, ouvido o Ministério Público, de-cretar a suspensão do poder familiar, liminar ou incidentalmente, até o julgamento definitivo da causa, ficando a criança ou adolescente confiado a pessoa idônea, mediante termo de responsabi-lidade. (Expressão “pátrio poder” substituída por “poder familiar” pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação)

§ 1º Recebida a petição inicial, a autoridade judi-ciária determinará, concomitantemente ao despa-cho de citação e independentemente de requeri-mento do interessado, a realização de estudo social ou perícia por equipe interprofissional ou multidis-ciplinar para comprovar a presença de uma das cau-sas de suspensão ou destituição do poder familiar, ressalvado o disposto no § 10 do art. 101 desta Lei, e observada a Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017.

(Parágrafo acrescido pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 2º Em sendo os pais oriundos de comunidades indígenas, é ainda obrigatória a intervenção, junto à equipe interprofissional ou multidisciplinar re-ferida no § 1º deste artigo, de representantes do órgão federal responsável pela política indigenista, observado o disposto no § 6º do art. 28 desta Lei.

(Parágrafo acrescido pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017) Art. 158. O requerido será citado para, no prazo de dez dias, oferecer resposta escrita, indicando as provas a serem produzidas e oferecendo desde logo o rol de testemunhas e documentos.

§ 1º A citação será pessoal, salvo se esgotados todos os meios para sua realização. (Primitivo pa-rágrafo único renumerado e com redação dada pela Lei nº 12.962, de 8/4/2014)

§ 2º O requerido privado de liberdade deverá ser citado pessoalmente. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 12.962, de 8/4/2014)

§ 3º Quando, por 2 (duas) vezes, o oficial de jus-tiça houver procurado o citando em seu domicílio ou residência sem o encontrar, deverá, havendo suspeita de ocultação, informar qualquer pessoa da família ou, em sua falta, qualquer vizinho do dia útil em que voltará a fim de efetuar a

cita-ção, na hora que designar, nos termos do art. 252 e seguintes da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Parágrafo acrescido pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 4º Na hipótese de os genitores encontrarem--se em local incerto ou não sabido, serão citados por edital no prazo de 10 (dez) dias, em publica-ção única, dispensado o envio de ofícios para a localização. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

Art. 159. Se o requerido não tiver possibilidade de constituir advogado, sem prejuízo do próprio sustento e de sua família, poderá requerer, em cartório, que lhe seja nomeado dativo, ao qual in-cumbirá a apresentação de resposta, contando-se o prazo a partir da intimação do despacho de no-meação.

Parágrafo único. Na hipótese de requerido pri-vado de liberdade, o oficial de justiça deverá per-guntar, no momento da citação pessoal, se deseja que lhe seja nomeado defensor. (Parágrafo único acrescido pela Lei nº 12.962, de 8/4/2014)

Art. 160. Sendo necessário, a autoridade judiciá-ria requisitará de qualquer repartição ou órgão pú-blico a apresentação de documento que interesse à causa, de ofício ou a requerimento das partes ou do Ministério Público.

Art. 161. Se não for contestado o pedido e tiver sido concluído o estudo social ou a perícia rea-lizada por equipe interprofissional ou multidis-ciplinar, a autoridade judiciária dará vista dos autos ao Ministério Público, por 5 (cinco) dias, salvo quando este for o requerente, e decidirá em igual prazo. (Caput do artigo com redação dada pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 1º A autoridade judiciária, de ofício ou a re-querimento das partes ou do Ministério Público, determinará a oitiva de testemunhas que compro-vem a presença de uma das causas de suspensão ou destituição do poder familiar previstas nos arts. 1.637 e 1.638 da Lei nº 10.406, de 10 de ja-neiro de 2002 (Código Civil), ou no art. 24 desta Lei. (Parágrafo com redação dada pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 2º (Revogado pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 3º Se o pedido importar em modificação de guarda, será obrigatória, desde que possível e ra-zoável, a oitiva da criança ou adolescente, respei-tado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida.

(Pa-rágrafo acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação)

§ 4º É obrigatória a oitiva dos pais sempre que eles forem identificados e estiverem em local co-nhecido, ressalvados os casos de não compareci-mento perante a Justiça quando devidamente cita-dos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, e com redação dada pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 5º Se o pai ou a mãe estiverem privados de liberdade, a autoridade judicial requisitará sua apresentação para a oitiva. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 12.962, de 8/4/2014)

Art. 162. Apresentada a resposta, a autoridade ju-diciária dará vista dos autos ao Ministério Público, por cinco dias, salvo quando este for o requerente, designando, desde logo, audiência de instrução e julgamento.

§ 1º (Revogado pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 2º Na audiência, presentes as partes e o Mi-nistério Público, serão ouvidas as testemunhas, colhendo-se oralmente o parecer técnico, salvo quando apresentado por escrito, manifestando--se sucessivamente o requerente, o requerido e o Ministério Público, pelo tempo de 20 (vinte) nutos cada um, prorrogável por mais 10 (dez) mi-nutos. (Parágrafo com redação dada pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 3º A decisão será proferida na audiência, po-dendo a autoridade judiciária, excepcionalmente, designar data para sua leitura no prazo máximo de 5 (cinco) dias. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 4º Quando o procedimento de destituição de poder familiar for iniciado pelo Ministério Público, não haverá necessidade de nomeação de curador especial em favor da criança ou adolescente. (Pará-grafo acrescido pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017) Art. 163. O prazo máximo para conclusão do pro-cedimento será de 120 (cento e vinte) dias, e ca-berá ao juiz, no caso de notória inviabilidade de manutenção do poder familiar, dirigir esforços para preparar a criança ou o adolescente com vis-tas à colocação em família substituta. (Caput do ar-tigo com redação dada pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

Parágrafo único. A sentença que decretar a perda ou a suspensão do poder familiar será averbada à margem do registro de nascimento da criança ou do adolescente. (Parágrafo único acres-cido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação)

Seção III Da Destituição da Tutela

Art. 164. Na destituição da tutela, observar-se-á o procedimento para a remoção de tutor previsto na lei processual civil e, no que couber, o disposto na Seção anterior.

Seção IV

Da Colocação em Família Substituta Art. 165. São requisitos para a concessão de pedi-dos de colocação em família substituta:

I – qualificação completa do requerente e de seu eventual cônjuge, ou companheiro, com ex-pressa anuência deste;

II – indicação de eventual parentesco do reque-rente e de seu cônjuge, ou companheiro, com a criança ou adolescente, especificando se tem ou não parente vivo;

III – qualificação completa da criança ou adoles-cente e de seus pais, se conhecidos;

IV – indicação do cartório onde foi inscrito nas-cimento, anexando, se possível, uma cópia da res-pectiva certidão;

V – declaração sobre a existência de bens, di-reitos ou rendimentos relativos à criança ou ao adolescente.

Parágrafo único. Em se tratando de adoção, observar-se-ão também os requisitos específicos.

Art. 166. Se os pais forem falecidos, tiverem sido destituídos ou suspensos do poder familiar, ou houverem aderido expressamente ao pedido de colocação em família substituta, este poderá ser formulado diretamente em cartório, em petição assinada pelos próprios requerentes, dispensada a assistência de advogado. (Caput do artigo com re-dação dada pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação)

§ 1º Na hipótese de concordância dos pais, o juiz:

(Primitivo parágrafo único renumerado pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, e caput do parágrafo com redação dada pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

I – na presença do Ministério Público, ouvirá as partes, devidamente assistidas por advogado ou por defensor público, para verificar sua con-cordância com a adoção, no prazo máximo de 10 (dez) dias, contado da data do protocolo da pe-tição ou da entrega da criança em juízo, tomando por termo as declarações; e (Inciso acrescido pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

II – declarará a extinção do poder familiar. (Inciso acrescido pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 2º O consentimento dos titulares do poder familiar será precedido de orientações e esclare-cimentos prestados pela equipe interprofissional da Justiça da Infância e da Juventude, em espe-cial, no caso de adoção, sobre a irrevogabilidade da medida. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação)

§ 3º São garantidos a livre manifestação de vontade dos detentores do poder familiar e o di-reito ao sigilo das informações. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, e com redação dada pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 4º O consentimento prestado por escrito não terá validade se não for ratificado na audiência a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, e com redação dada pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 5º O consentimento é retratável até a data da realização da audiência especificada no § 1º deste artigo, e os pais podem exercer o arrependimento no prazo de 10 (dez) dias, contado da data de pro-lação da sentença de extinção do poder familiar.

(Parágrafo acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, e com redação dada pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

§ 6º O consentimento somente terá valor se for dado após o nascimento da criança. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação)

§ 7º A família natural e a família substituta recebe-rão a devida orientação por intermédio de equipe técnica interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convi-vência familiar. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, e com redação dada pela Lei nº 13.509, de 22/11/2017)

Art. 167. A autoridade judiciária, de ofício ou a requerimento das partes ou do Ministério Público, determinará a realização de estudo social ou, se possível, perícia por equipe interprofissional, de-cidindo sobre a concessão de guarda provisória, bem como, no caso de adoção, sobre o estágio de convivência.

Parágrafo único. Deferida a concessão da guarda provisória ou do estágio de convivência, a criança ou o adolescente será entregue ao interessado,

mediante termo de responsabilidade. (Parágrafo único acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação) Art. 168. Apresentado o relatório social ou o laudo pericial, e ouvida, sempre que possível, a criança ou o adolescente, dar-se-á vista dos autos ao Ministério Público, pelo prazo de cinco dias, de-cidindo a autoridade judiciária em igual prazo.

Art. 169. Nas hipóteses em que a destituição da tutela, a perda ou a suspensão do poder familiar constituir pressuposto lógico da medida princi-pal de colocação em família substituta, será ob-servado o procedimento contraditório previsto nas seções II e III deste Capítulo. (Expressão “pátrio poder” substituída por “poder familiar” pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação)

Parágrafo único. A perda ou a modificação da guarda poderá ser decretada nos mesmos autos do procedimento, observado o disposto no art. 35.

Art. 170. Concedida a guarda ou a tutela, observar--se-á o disposto no art. 32, e, quanto à adoção, o

contido no art. 47.

Parágrafo único. A colocação de criança ou ado-lescente sob a guarda de pessoa inscrita em pro-grama de acolhimento familiar será comunicada pela autoridade judiciária à entidade por este res-ponsável no prazo máximo de 5 (cinco) dias. (Pa-rágrafo único acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009, publicada no DOU de 4/8/2009, em vigor 90 dias após a publicação)

Seção V

Da Apuração de Ato Infracional Atribuído a Adolescente

Art. 171. O adolescente apreendido por força de ordem judicial será, desde logo, encaminhado à autoridade judiciária.

Art. 172. O adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será, desde logo, encaminhado à autoridade policial competente.

Parágrafo único. Havendo repartição policial especializada para atendimento de adolescente e em se tratando de ato infracional praticado em coautoria com maior, prevalecerá a atribuição da repartição especializada, que, após as providên-cias necessárias e conforme o caso, encaminhará o adulto à repartição policial própria.

Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante violência ou grave ameaça a pessoa, a autoridade policial, sem prejuízo do dis-posto nos arts. 106, parágrafo único e 107, deverá:

I – lavrar auto de apreensão, ouvidos as teste-munhas e o adolescente;

II – apreender o produto e os instrumentos da infração;

III – requisitar os exames ou perícias necessá-rios à comprovação da materialidade e autoria da infração.

Parágrafo único. Nas demais hipóteses de fla-grante, a lavratura do auto poderá ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada.

Art. 174. Comparecendo qualquer dos pais ou responsável, o adolescente será prontamente liberado pela autoridade policial, sob termo de compromisso e responsabilidade de sua apre-sentação ao representante do Ministério Público, no mesmo dia ou, sendo impossível, no primeiro dia útil imediato, exceto quando, pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social, deva o adolescente permanecer sob internação para ga-rantia de sua segurança pessoal ou manutenção da ordem pública.

Art. 175. Em caso de não liberação, a autoridade policial encaminhará, desde logo, o adolescente ao representante do Ministério Público, junta-mente com cópia do auto de apreensão ou bole-tim de ocorrência.

§ 1º Sendo impossível a apresentação imediata, a autoridade policial encaminhará o adolescente a entidade de atendimento, que fará a apresen-tação ao representante do Ministério Público no prazo de vinte e quatro horas.

§ 2º Nas localidades onde não houver entidade de atendimento, a apresentação far-se-á pela au-toridade policial. À falta de repartição policial es-pecializada, o adolescente aguardará a apresen-tação em dependência separada da destinada a maiores, não podendo, em qualquer hipótese, ex-ceder o prazo referido no parágrafo anterior.

Art. 176. Sendo o adolescente liberado, a autori-dade policial encaminhará imediatamente ao re-presentante do Ministério Público cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência.

Art. 177. Se, afastada a hipótese de flagrante, houver indícios de participação de adolescente na prática de ato infracional, a autoridade policial

en-caminhará ao representante do Ministério Público relatório das investigações e demais documentos.

Art. 178. O adolescente a quem se atribua autoria de ato infracional não poderá ser conduzido ou transportado em compartimento fechado de veí-culo policial, em condições atentatórias à sua dig-nidade, ou que impliquem risco à sua integridade física ou mental, sob pena de responsabilidade.

Art. 179. Apresentado o adolescente, o repre-sentante do Ministério Público, no mesmo dia e à vista do auto de apreensão, boletim de ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados pelo cartório judicial e com informação sobre os ante-cedentes do adolescente, procederá imediata e in-formalmente à sua oitiva e, em sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas.

Parágrafo único. Em caso de não apresentação, o representante do Ministério Público notificará os pais ou responsável para apresentação do adoles-cente, podendo requisitar o concurso das Polícias Civil e Militar.

Art. 180. Adotadas as providências a que alude o artigo anterior, o representante do Ministério Público poderá:

I – promover o arquivamento dos autos;

II – conceder a remissão;

III – representar à autoridade judiciária para aplicação de medida socioeducativa.

Art. 181. Promovido o arquivamento dos autos ou concedida a remissão pelo representante do Minis-tério Público, mediante termo fundamentado, que conterá o resumo dos fatos, os autos serão con-clusos à autoridade judiciária para homologação.

§ 1º Homologado o arquivamento ou a remis-são, a autoridade judiciária determinará, con-forme o caso, o cumprimento da medida.

§ 2º Discordando, a autoridade judiciária fará remessa dos autos ao Procurador-Geral de Justiça, mediante despacho fundamentado, e este ofere-cerá representação, designará outro membro do Ministério Público para apresentá-la, ou ratificará o arquivamento ou a remissão, que só então es-tará a autoridade judiciária obrigada a homologar.

Art. 182. Se, por qualquer razão, o representante do Ministério Público não promover o arquiva-mento ou conceder a remissão, oferecerá represen-tação à autoridade judiciária, propondo a instau-ração de procedimento para aplicação da medida socioeducativa que se afigurar a mais adequada.

§ 1º A representação será oferecida por petição, que conterá o breve resumo dos fatos e a classifi-cação do ato infracional e, quando necessário, o rol de testemunhas, podendo ser deduzida oral-mente, em sessão diária instalada pela autoridade judiciária.

§ 2º A representação independe de prova pré--constituída da autoria e materialidade.

Art. 183. O prazo máximo e improrrogável para a conclusão do procedimento, estando o adoles-cente internado provisoriamente, será de qua-renta e cinco dias.

Art. 184. Oferecida a representação, a autoridade judiciária designará audiência de apresentação do adolescente, decidindo, desde logo, sobre a decretação ou manutenção da internação, obser-vado o disposto no art. 108 e parágrafo.

§ 1º O adolescente e seus pais ou responsável serão cientificados do teor da representação, e notificados a comparecer à audiência, acompa-nhados de advogado.

§ 2º Se os pais ou responsável não forem locali-zados, a autoridade judiciária dará curador espe-cial ao adolescente.

§ 3º Não sendo localizado o adolescente, a au-toridade judiciária expedirá mandado de busca e apreensão, determinando o sobrestamento do feito, até a efetiva apresentação.

§ 4º Estando o adolescente internado, será re-quisitada a sua apresentação, sem prejuízo da no-tificação dos pais ou responsável.

Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade judiciária, não poderá ser cumprida em estabelecimento prisional.

§ 1º Inexistindo na comarca entidade com as ca-racterísticas definidas no art. 123, o adolescente deverá ser imediatamente transferido para a loca-lidade mais próxima.

§ 2º Sendo impossível a pronta transferência, o adolescente aguardará sua remoção em reparti-ção policial, desde que em Sereparti-ção isolada dos adul-tos e com instalações apropriadas, não podendo ultrapassar o prazo máximo de cinco dias, sob pena de responsabilidade.

Art. 186. Comparecendo o adolescente, seus pais ou responsável, a autoridade judiciária procederá à oitiva dos mesmos, podendo solicitar opinião de profissional qualificado.

§ 1º Se a autoridade judiciária entender ade-quada a remissão, ouvirá o representante do Mi-nistério Público, proferindo decisão.

§ 2º Sendo o fato grave, passível de aplicação de medida de internação ou colocação em re-gime de semiliberdade, a autoridade judiciária, verificando que o adolescente não possui advo-gado constituído, nomeará defensor, designando, desde logo, audiência em continuação, podendo determinar a realização de diligências e estudo do caso.

§ 3º O advogado constituído ou o defensor no-meado, no prazo de três dias contado da audiên-cia de apresentação, oferecerá defesa prévia e rol de testemunhas.

§ 4º Na audiência em continuação, ouvidas as testemunhas arroladas na representação e na de-fesa prévia, cumpridas as diligências e juntado o relatório da equipe interprofissional, será dada a palavra ao representante do Ministério Público e ao defensor, sucessivamente, pelo tempo de vinte minutos para cada um, prorrogável por mais dez, a critério da autoridade judiciária, que em seguida proferirá decisão.

Art. 187. Se o adolescente, devidamente notifi-cado, não comparecer, injustificadamente, à au-diência de apresentação, a autoridade judiciária designará nova data, determinando sua condução coercitiva.

Art. 188. A remissão, como forma de extinção ou suspensão do processo, poderá ser aplicada em qualquer fase do procedimento, antes da sentença.

Art. 189. A autoridade judiciária não aplicará qual-quer medida, desde que reconheça na sentença:

I – estar provada a inexistência do fato;

II – não haver prova da existência do fato;

III – não constituir o fato ato infracional;

IV – não existir prova de ter o adolescente con-corrido para o ato infracional.

Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, es-tando o adolescente internado, será imediata-mente colocado em liberdade.

Art. 190. A intimação da sentença que aplicar me-dida de internação ou regime de semiliberdade será feita:

I – ao adolescente e ao seu defensor;

II – quando não for encontrado o adolescente, a seus pais ou responsável, sem prejuízo do de-fensor.

§ 1º Sendo outra a medida aplicada, a intima-ção far-se-á unicamente na pessoa do defensor.

§ 2º Recaindo a intimação na pessoa do ado-lescente, deverá este manifestar se deseja ou não recorrer da sentença.

Seção V-A

Da Infiltração de Agentes de Polícia para a Investigação de Crimes contra a Dignidade

Sexual de Criança e de Adolescente (Seção acrescida pela Lei nº 13.441, de 8/5/2017) Art. 190-A. A infiltração de agentes de polícia na internet com o fim de investigar os crimes previs-tos nos arts. 240, 241, 241-A, 241-B, 241-C e 241-D desta Lei e nos arts. 154-A, 217-A, 218, 218-A e 218-B do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), obedecerá às seguintes regras: (Artigo acrescido pela Lei nº 13.441, de 8/5/2017)

I – será precedida de autorização judicial devi-damente circunstanciada e fundamentada, que estabelecerá os limites da infiltração para obten-ção de prova, ouvido o Ministério Público;

II – dar-se-á mediante requerimento do Minis-tério Público ou representação de delegado de polícia e conterá a demonstração de sua necessi-dade, o alcance das tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível, os dados de conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas;

III – não poderá exceder o prazo de 90 (noventa) dias, sem prejuízo de eventuais renovações, desde que o total não exceda a 720 (setecentos e vinte) dias e seja demonstrada sua efetiva necessidade, a critério da autoridade judicial.

§ 1º A autoridade judicial e o Ministério Público poderão requisitar relatórios parciais da operação de infiltração antes do término do prazo de que trata o inciso II do § 1º deste artigo.

§ 2º Para efeitos do disposto no inciso I do § 1º deste artigo, consideram-se:

I – dados de conexão: informações referentes a hora, data, início, término, duração, endereço de Protocolo de Internet (IP) utilizado e terminal de origem da conexão;

II – dados cadastrais: informações referentes a nome e endereço de assinante ou de usuário re-gistrado ou autenticado para a conexão a quem endereço de IP, identificação de usuário ou código de acesso tenha sido atribuído no momento da conexão.

§ 3º A infiltração de agentes de polícia na inter-net não será admitida se a prova puder ser obtida por outros meios.

Art. 190-B. As informações da operação de infil-tração serão encaminhadas diretamente ao juiz responsável pela autorização da medida, que ze-lará por seu sigilo. (Artigo acrescido pela Lei nº 13.441, de 8/5/2017)

Parágrafo único. Antes da conclusão da ope-ração, o acesso aos autos será reservado ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de polícia responsável pela operação, com o objetivo de ga-rantir o sigilo das investigações.

Art. 190-C. Não comete crime o policial que oculta a sua identidade para, por meio da inter-net, colher indícios de autoria e materialidade dos crimes previstos nos arts. 240, 241, 241-A, 241-B, 241-C e 241-D desta Lei e nos arts. 154-A, 217-A, 218, 218-A e 218-B do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal). (Artigo acrescido pela Lei nº 13.441, de 8/5/2017)

Parágrafo único. O agente policial infiltrado que deixar de observar a estrita finalidade da investi-gação responderá pelos excessos praticados.

Art. 190-D. Os órgãos de registro e cadastro pú-blico poderão incluir nos bancos de dados próprios, mediante procedimento sigiloso e requisição da autoridade judicial, as informações necessárias à efetividade da identidade fictícia criada. (Artigo acrescido pela Lei nº 13.441, de 8/5/2017)

Parágrafo único. O procedimento sigiloso de que trata esta Seção será numerado e tombado em livro específico.

Art. 190-E. Concluída a investigação, todos os atos eletrônicos praticados durante a operação deverão ser registrados, gravados, armazenados e encaminhados ao juiz e ao Ministério Público, juntamente com relatório circunstanciado. (Artigo acrescido pela Lei nº 13.441, de 8/5/2017)

Parágrafo único. Os atos eletrônicos registra-dos citaregistra-dos no caput deste artigo serão reuniregistra-dos em autos apartados e apensados ao processo criminal juntamente com o inquérito policial, assegurando-se a preservação da identidade do agente policial infiltrado e a intimidade das crian-ças e dos adolescentes envolvidos.

No documento ESTATUTO DACRIANÇA E DOADOLESCENTE (páginas 42-51)