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ORGANOGRAMA 9 – Proposta de organização com base na situação atual

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.3 CONSEQUÊNCIAS PARA A VARIÁVEL DEPENDENTE

4.3.3 Doutrina

Por derradeiro, encerrando as discussões acerca dos resultados, é possível

determinar as formas de emprego mais adequadas, considerando o exposto sobre a

organização, o pessoal e o material.

A pesquisa revelou que os Pel C Mec e os Esqd C Mec possuem estruturas

muito flexíveis, capazes de se moldar de forma a melhor atender às demandas do

combate. Verificou-se que a formação de pelotões provisórios é, segundo a doutrina,

uma saída lógica para a solução de condutas durante os conflitos. Contudo, como já

fora mencionado, esta mudança na organização demanda tempo e coordenações que

podem, na prática, não existir. Foi notório, durante a análise do questionário 2, que o

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Com base nas definições existentes nos manuais C 6-1 (BRASIL, 1997, p. 1-6), MD35-G-01

(BRASIL, 2007, p. 23) e C 20-1 (BRASIL, 2009, p. A-11).

emprego centralizado de morteiros é a forma mais adequada para uma série de

operações desenvolvidas por um Esqd C Mec.

Dessa forma, entende-se que a formação centralizada como regra aumenta a

flexibilidade da SU, sem a perda da capacidade de apoio de fogo indireto.

Descentralizar uma ou mais peças, em reforço ou em apoio direto a um ou mais

pelotões é, em boa medida, uma forma de emprego mais racional.

Com isso, considerando a estrutura exposta no organograma 8, com um Pel

Mrt Me a 03 (três) seções, cada uma a 02 (duas) peças de morteiro, esta fração

poderia receber as seguintes missões táticas ou situações de comando:

a. Ação de conjunto: todas as peças de morteiro atuariam centralizadas, em

proveito de todos os pelotões da SU;

b. Apoio direto: uma ou mais seções podem ser passadas em apoio direto a

um ou mais Pel C Mec, permanecendo a comando do Pel Mrt Me;

c.Reforço: uma ou mais seções podem ser passadas para o comando de um

ou mais Pel C Mec, ficando vinculado a este(s), inclusive no que se refere à logística;

e

d. Reforço de fogo: possibilidade do Pel Mrt Me ou de uma Seç Mrt Me ser

passada para outro Esqd C Mec, reforçando os fogos desta SU. Essa missão tática

será determinada pelo Cmt Rgt.

Percebe-se que o emprego descentralizado, com as seções em apoio direto ou

em reforço, uma para cada Pel C Mec, permitirá um emprego semelhante com o atual,

em um caso de emprego, por exemplo, em uma missão de reconhecimento, onde o

Esqd C Mec poderá receber até 03 (três) eixos de reconhecimento e uma frente de

até 12 quilômetros, conforme já fora elencado na revisão da literatura. A diferença é

que cada pelotão receberia uma peça de morteiro a mais, aumentando sua

capacidade de apoio de fogo indireto. Neste caso, a central de tiro irá trabalhar em

prol de apenas uma seção de morteiros, que poderá ser a seção que apoia o Pel C

Mec que realiza o esforço principal da SU. Percebe-se, assim, que há um aumento

notório das valências já existentes, com uma melhor capacidade de comando e

controle e maior potência dos fogos.

FIGURA 5 – Seções em apoio direto durante um reconhecimento

Fonte: o autor

A figura 5 foi feita em escala, de modo a dar a melhor impressão possível de

como o emprego poderia ocorrer, considerando as capacidades dos morteiros médios

mais atuais, com alcance próximo de 6 Km. A forma de emprego ilustrada é muito

semelhante à prevista como regra nos manuais, com a diferença de que cada pelotão

contará com uma peça a mais de morteiro e que todos esses elementos poderão

contar com o controle e a coordenação centralizadas na central de tiro do pelotão.

Prosseguindo na análise das possibilidades de emprego, uma outra opção que

permite fogos em toda a frente da SU, mantendo um mínimo de centralização, seria

passar uma seção em apoio direto ou em reforço para um pelotão e manter o restante

do pelotão de morteiros médio em ação de conjunto, apoiando os outros dois Pel C

Mec. A seguir, a figura 6, também feita em escala, ilustra bem essa situação,

corroborando com o fato de que a flexibilidade e a modularidade desejadas para as

tropas mecanizadas não serão prejudicadas com essa nova estruturação do apoio de

fogo indireto. No exemplo a seguir, a central de tiro realizará os cálculos e ajustes para

as duas seções que permanecerem no Pel. A seção destacada em Ap Dto deverá

prover seus próprios cálculos.

FIGURA 6 – Uma seção em apoio direto, com o pelotão menos em ação de conjunto

Fonte: o autor

Para outras missões, como uma flancoguarda, onde a SU ocupará posições de

bloqueio, em uma formação mais compactada (com frentes que variam até 3

quilômetros), a ação de conjunto se mostra mais viável e permite o máximo do efeito

da massa e uma melhor capacidade de comando e controle. Possibilidade semelhante

se visualiza em operações de vigilância, onde áreas de engajamento são planejadas

a fim de destruir o inimigo pelo emassamento de fogos. A figura 8, na página seguinte,

mostra um exemplo esquemático desse emprego.

Nos casos de emprego centralizado, observou-se nos questionários uma

preocupação quanto à observação e condução do tiro. Primeiramente, a própria

doutrina aponta que o tiro indireto poderá ser conduzido por qualquer combatente,

existindo, inclusive, um manual que trata do assunto. Em segundo lugar, há um

entendimento, baseado na interpretação das missões do grupo de exploradores dos

Pel C Mec, de que em virtude de sua posição avançada em relação aos demais

elementos do pelotão, estes possuem condições de realizar a observação avançada

dos tiros de morteiro. Por fim, o novo manual de Planejamento e Coordenação de

Fogos (2017, p. 2-28) define que cada pelotão possuirá um observador (Obs Pel),

integrante da célula de fogos da SU, sugerindo que este poderá ser o adjunto ou

qualquer outro militar com conhecimento técnico.

FIGURA 7 – Pelotão em ação de conjunto durante uma flancoguarda

Fonte: o autor

Essa nova proposta de emprego de morteiros nos Esqd C Mec é válida para

ambos os calibres, sendo que, no caso do calibre de 120mm, verifica-se uma maior

facilidade em se manter os meios centralizados, em ação de conjunto, em virtude do

maior alcance deste. Caberá ao comandante, baseado nos fatores da decisão, decidir

a melhor forma de empregar seus morteiros. Todas as situações supracitadas foram

consolidadas em uma Nota de Coordenação Doutrinária, constante do Apêndice D

deste trabalho.