ORGANOGRAMA 9 – Proposta de organização com base na situação atual
3 REVISÃO DA LITERATURA
3.1 DOUTRINA MILITAR TERRESTRE
3.1.3 O ambiente operacional
O ambiente operacional, segundo o manual de campanha de Operações, “é o
conjunto de condições e circunstâncias que afetam o espaço onde atuam as forças
militares e que interferem na forma como são empregadas”. Neste sentido, o ambiente
operacional é marcado por três dimensões: física, humana e informacional (BRASIL,
2017c, p. 2-2).
A dimensão física se refere à capacidade da F Ter atuar em áreas estratégicas
definidas como prioritárias, no território nacional ou fora dele. Já a humana é afeta aos
“fatores psicossociais, políticos e econômicos da população local, assim como suas
estruturas, seus comportamentos e interesses”. Por fim, a dimensão informacional
relaciona os sistemas empregados para “obter, produzir, difundir e atuar sobre a
informação”
39.
Segundo a nova DMT, “as recentes e sucessivas mudanças em todos os
campos do poder têm produzido significativos reflexos no modo de operar das forças
armadas” (BRASIL, 2014, p. 4-5).
Alguns aspectos do ambiente operacional devem ser considerados na definição
das capacidades das forças militares:
a) o caráter difuso das ameaças;
b) a dificuldade de caracterizar o oponente na população;
c) a prevalência dos enfrentamentos, de forma crescente, ocorrerem em
áreas humanizadas;
d) a proliferação das novas tecnologias em materiais de emprego militar,
permitindo que indivíduos ou grupos não estatais disponham desses meios e os
utilizem como arma;
e) a dificuldade de definição de linhas de contato entre os beligerantes;
f) o montante de recursos financeiros destinados aos assuntos de defesa;
g) o grau de envolvimento de todas as expressões do poder nacional na
prevenção de ameaças, no gerenciamento de crises e/ou na solução de conflitos
armados;
h) a consciência de que forças militares, isoladamente, não solucionam os
conflitos armados;
i) o posicionamento da opinião pública (nacional e internacional) quanto ao
emprego da força;
j) o achatamento dos níveis decisórios, provocado, por exemplo, pelo avanço
tecnológico;
k) a inobservância de batalhas que decidam o conflito;
l) o emprego dos meios cibernéticos, informacionais e sociais como instrumentos
de guerra, fragilizando as fronteiras geográficas;
m) a utilização da informação como arma, afetando diretamente o poder de
combate dos beligerantes;
n) a visibilidade imposta pela mídia instantânea no ambiente operacional;
o) a valorização das questões humanitárias e do meio ambiente;
p) a velocidade da evolução da situação; e
q) o ambiente interagências das operações (BRASIL, 2017c, p. 2-3 e 2-4, grifo
nosso).
Segundo Morgado (2007, p. 30), observa-se uma tendência ao combate
ocorrido dentro do ambiente urbano, em virtude do grau de defesa proporcionado por
este ambiente. Isto, segundo o autor, “obriga as tropas a adaptarem suas estratégias,
táticas, material, viaturas e munições a esse novo ambiente operacional”.
A permanência da população dentro das cidades e a transmissão dos combates
ao vivo pela mídia, seja através [sic] da Internet ou pela televisão, foram novos
dados com os quais os comandantes militares tiveram de raciocinar durante as
operações
40.
Cipriano (2004, p. 15) afirma que a principal diferença entre uma área urbana
e outros ambientes reside no grande número de habitantes (designados como
não-combatentes), espalhados por toda a cidade e desenvolvendo suas atividades nas
áreas centrais e nas industriais, geralmente com uma concentração residencial maior
nas periferias.
Com isso, o manual de DMT destaca alguns dos fatores que afetam os conflitos
armados na Era do Conhecimento: a dimensão humana, o combate em áreas
humanizadas, a importância das informações, o caráter difuso das ameaças, o
ambiente interagências, as novas tecnologias e sua proliferação e o espaço
cibernético (BRASIL, 2014, p. 4-5 à 4-7). Estes fatores se alinham com alguns dos
aspectos destacados acima na definição das capacidades da F Ter.
Os morteiros, por se tratarem de um armamento de tiro indireto
41(UNITED
STATES OF AMERICA, 2007, p. 1-1, tradução nossa), tendo cada tiro afetado pelas
condições atmosféricas e pelas características da fabricação da arma, fazem com que
tiros realizados com os mesmos dados não caiam no mesmo lugar, formando uma
elipse no solo denominada zona batida (BRASIL, 2000c, p. 1-3 e 5-39). Dada a
caracterização do ambiente operacional supracitada, fatores como a dimensão humana,
o caráter difuso das ameaças e o combate em áreas humanizadas crescem de
importância na análise do apoio de fogo indireto das SU mecanizadas.
O primeiro deles, conforme o manual de DMT (2014, p. 4-5), refere-se ao
aumento da consciência da sociedade quanto ao custo de soluções bélicas para os
conflitos, conduzindo mudanças na forma como os combatentes atuam e como estes
lidam com a população, refletindo no armamento e no equipamento empregado, na
natureza e no adestramento da tropa.
O fator “combate em áreas humanizadas” corrobora com aspectos já
mencionados neste trabalho, sendo caracterizado pela nova DMT da seguinte forma:
O ambiente operacional tornou-se congestionado, uma vez que as operações
tendem a ser desenvolvidas prevalentemente em áreas humanizadas ou no seu
entorno. A presença da população e de uma miríade de outros atores dificulta a
identificação dos contendores e aumenta a possibilidade de danos colaterais
decorrentes das operações militares. Isso não quer dizer que a letalidade de
um exército deva ser reduzida, mas que ela deve ser seletiva e efetiva.
Somado aos aspectos da dimensão humana, esse fator impôs que as
“Considerações Civis” assumissem a condição de fator preponderante para a
tomada de decisão em todos os níveis de planejamento e condução das
operações (BRASIL, 2014, p. 4-5, grifo nosso).
Por último, nota-se que com o caráter difuso das ameaças, “a declaração formal
de guerra entre Estados deixou de ser a regra. Em um ambiente de incertezas, passou
a ser mais difícil a identificação do adversário dominante, regular ou não”
42. Ivy (1998
43,
apud FERREIRA, B, 2012, p. 9) cita um relato de uma experiência de combate de
tropas de cavalaria ocorridas em um conflito na Bósnia que define bem este conceito:
41