ORGANOGRAMA 9 – Proposta de organização com base na situação atual
3 REVISÃO DA LITERATURA
3.1 DOUTRINA MILITAR TERRESTRE
3.1.5 Elementos do Poder de Combate da Força Terrestre
3.1.5.1 A função de combate Fogos
Antes de realizar um maior aprofundamento nesta FC, cabe uma oportuna
diferenciação entre o tiro de morteiro e o tiro de artilharia. Pereira, em seu trabalho de
investigação aplicada relativo a este tema, expõe que:
A artilharia de campanha (AC) constitui-se como um multiplicador do potencial
de combate por excelência, destacando-se pela capacidade de bater pontos
importantes, iluminar o campo de batalha, executar fogos de contrabateria e
bater posições inimigas com proteção. Os Morteiros proporcionam o apoio de
fogos imediato e contínuo às unidades de manobra, complementando e
reforçando os fogos diretos destas unidades. Apesar de executarem igualmente
tiro indireto, destacam-se da AC pelo seu emprego contra objetivos com pouca
ou nenhuma proteção, e contra objetivos próximos, com grande desenfiamento
ou inopinados (PEREIRA, 2016, p. 1, grifo nosso).
Os fogos, no sentido amplo da palavra, representam a utilização de artefatos
cinéticos ou de atuadores não cinéticos sobre alvos designados, visando causar
danos materiais, baixas de pessoal, além de impactar no moral das forças inimigas
(BRASIL, 2015c, p. 1-3).
No caso de emprego de morteiros, considerar-se-á apenas os fogos cinéticos,
ou seja, aqueles com “capacidade de lançar artefatos cinéticos (granadas, foguetes e
mísseis), a fim de obter determinado efeito, letal ou não, atuando a longa distância”.
53A FC Fogos se relaciona com a FC Movimento e Manobra por meio de tarefas que
permitam à uma força operativa alcançar uma posição vantajosa sobre o inimigo, sendo
duas funções de combate inseparáveis e complementares nas ações de combate, sob o
risco de reduzir as possibilidades de sucesso nas operações no caso de um emprego
dissociado (BRASIL, 2015c, p. 2-7).
Segundo a concepção funcional para os Fogos do Exército dos EUA, os fogos
devem ser precisos, operados de maneira igualmente precisa, produzindo os efeitos
desejados nos alvos designados. Ela ainda aborda outras características, tais como a
rapidez no emprego, a efetividade, a multifuncionalidade, adequado alcance e
letalidade apropriada, permitindo o emprego nas operações no amplo espectro
(UNITED STATES OF AMERICA, 2017, p. V, tradução do autor).
O aumento na urbanização ao redor do mundo impõe que o Exército opere em
terrenos urbanos complexos. Esta tendência irá influenciar mudanças na
doutrina, organização, adestramento, material, liderança e educação, pessoal,
infraestrutura e regulamentos (acrônimo, em inglês, DOTMLPF-P). O apoio de
fogo em ambientes urbanos é desafiador em virtude à proximidade de alvos e
não-combatentes, dificuldades em identificar e mensurar alvos, e às restrições
nas regras de engajamento (ibidem, p. 6, tradução do autor).
Neste mister, reveste-se de importância os cuidados para o planejamento do
apoio de fogo, a execução do fogo propriamente dita e a integração dos meios
disponíveis. O planejamento visa alcançar a eficiência do apoio de fogo, enquanto a
execução é a materialização deste apoio, integrando medidas de coordenação que
permitam a obtenção dos melhores efeitos, a proteção de tropas amigas e a rápida
atuação das forças. Por último, a integração, muito ligada ao C², é “o processo pelo
qual se proporciona o máximo rendimento da função ao ligar-se automaticamente a todos
os meios de aquisição com os sistemas de armas”, em busca de uma resposta imediata
às ameaças (BRASIL, 2015c, p. 2-1).
Para a execução das atividades e tarefas relativas a esta FC, a doutrina prevê
princípios norteadores que a fundamentam, quais sejam: precisão, adequabilidade,
sincronização, presteza e atuação em rede (BRASIL, 2015c, p. 2-5). Estes princípios
estão alinhados com os constantes da publicação doutrinária do Exército
norte-americano ADP 3-09, conforme cita o panfleto do Comando de Adestramento e
Doutrina dos EUA (TRADOC) (UNITED STATES OF AMERICA, 2017, p. 8 e 9):
PRECISÃO – Os fogos devem propiciar, com um alto grau de precisão e
confiabilidade, um efeito coordenado em um alvo específico, mediante controle,
correção e guiamento das trajetórias dos projéteis.
ADEQUABILIDADE – Os fogos devem ser adequados, adaptáveis e versáteis,
com a capacidade de alcançar gradualmente os efeitos desejados, por meio de
capacidades letais e não letais.
SINCRONIZAÇÃO – Os fogos devem ser organizados no tempo, no espaço e
na finalidade para produzir o efeito desejado na hora e local determinados. Nesse
contexto, a aplicação dos meios e métodos deve estar de acordo com o plano de
operações, para assegurar tempestivamente os efeitos letais e não letais em
apoio à conquista dos objetivos estabelecidos pelo comandante.
PRESTEZA – Os fogos devem ser empregados de modo a atender plena e
prontamente, às necessidades das forças apoiadas.
ATUAÇÃO EM REDE – Os fogos devem contar com um sistema de armas
conectado, que favoreça o comando e controle, permitindo uma rápida busca,
seleção e engajamento de alvos de acordo com a intenção do comandante
(BRASIL, 2015c, p. 2-5).
Ainda conforme este manual, os fogos devem ter a capacidade de operação
sob quaisquer condições meteorológicas, com precisão, flexibilidade de emprego
(com apoio em 360º, capaz de cobrir toda a área dentro de seu alcance útil), aplicados
de maneira conjunta com vistas aos resultados mais eficientes e que assegurem a
consciência situacional e a proteção ao fratricídio e, por último, integrados e
coordenados com a utilização do espaço aéreo
54.
Os fogos se classificam quanto aos seus aspectos táticos e técnicos. O manual
da FC Fogos elenca uma série de classificações (2015, p. 2-10 à 2-14), de acordo
com cada situação de emprego. A figura 2 ilustra bem essa classificação.
FIGURA 2 – Classificação dos fogos quanto aos aspectos táticos e técnicos
Fonte: Brasil, 2015c, p. 2-11 e 2-12
No que se refere ao foco deste estudo, pode-se destacar, quanto ao aspecto
técnico da forma, o tiro por peça, característico dos morteiros do Pel C Mec. O manual
EB70-MC-10.346 – Planejamento e Coordenação de Fogos, reeditado em 2017,
define que o tiro por peça “são aqueles fogos executados por uma única peça sobre
determinado alvo”, com a finalidade de buscar, geralmente, efeitos de sinalização,
iluminação, inquietação, ou no emprego de munições inteligentes, descartando, no caso
do morteiro, o efeito de destruição, característico do fogo direto (BRASIL, 2017a, p. 2-7 e
2-8).
Fogos de inquietação – fogos de menor intensidade, normalmente de cadência
intermitente, executados em período de relativa calma para causar baixas,
perturbar o descanso do inimigo, abater-lhe o moral e dificultar-lhe os
movimentos [...]
Fogos de sinalização – assinalam objetivos ou pontos no terreno para a
localização, identificação ou balizamento. São desencadeados mediante a
realização de disparos por peça, utilizando munições fumígenas, explosivas ou
de iluminação sobre o ponto que se deseja assinalar [...]
Fogos de iluminação – facilitam a observação, a condução de fogos indiretos,
a execução de fogos diretos, o movimento ou outras atividades noturnas das
unidades. São utilizadas granadas iluminativas lançadas por obuseiros,
morteiros ou carros de combate (BRASIL, 2017a, p. 2-8 e 2-9).
Para bem cumprir suas missões, “os sistemas de apoio de fogo são
estruturados para um trabalho integrado, coordenado e sincronizado entre si e com
os elementos de manobra” (BRASIL, 2015c, p. 2-14).
Para isso, estes sistemas devem atender a alguns princípios, além dos já
citados e daqueles previstos para as operações: a centralização do comando e a
descentralização da execução, visando o máximo rendimento dos meios; a
oportunidade e continuidade do fogo, obtidas quando cada objetivo é batido no
momento oportuno, independente das circunstâncias e características do ambiente
operacional e da evolução do combate; a obtenção e manutenção da superioridade,
proporcionando ao comando maior liberdade de ação; e profundidade, resguardadas
as características e o alcance de cada armamento (BRASIL, 2015c, p. 3-1 e 3-2).
Para a perfeita execução do apoio de fogo, é mister um judicioso planejamento
de fogos que, segundo o manual de Planejamento e Coordenação de Fogos, é uma
atividade que se destina a promover a busca de alvos visando à aquisição dos meios
conforme a doutrina vigente, com o propósito de cumprir uma missão operativa com
o máximo de segurança e rendimento (BRASIL, 2017a, p. 1-1). Este planejamento é
influenciado por dois fatores, que corroboram com os objetos do presente estudo:
Oportunidade de ataque ao alvo – nem sempre o objetivo será batido logo após
a sua identificação e localização pelos meios de busca. A situação tática poderá
determinar que um alvo seja engajado pelo fogo somente após ser constatada
uma situação vantajosa. [...]
Efeitos colaterais e legalidade – os efeitos provenientes do emprego de fogos
podem gerar morte de civis, gerar escombros, atuar negativamente no moral da
tropa e comprometer a opinião pública. Para o planejamento de fogos, devem
ser respeitados os princípios do Direito Internacional dos Conflitos Armados
(DICA) (BRASIL, 2017a, p. 2-12 e 2-13).
Cabe ao comandante do Esqd C Mec coordenar o apoio de fogo de sua SU
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devendo integrar os fogos com a manobra. A célula de fogos da SU é composta pelo
Cmt (CAF), pelo oficial de fogos da subunidade (OFSU), que pode ser um oficial
subalterno de artilharia ou um observador avançado (OA), além dos adjuntos ao
OFSU (Adj OFSU), que via de regra é um sargento orgânico da unidade de manobra
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