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CAPÍTULO II – ESTUDO EMPÍRICO

2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO

2.1. DPOC: um desafio para os cuidados de saúde

A população mundial depara-se com o aumento do envelhecimento em consequência do aumento da esperança média de vida, refletindo-se na prevalência de doenças crónicas e progressivas. A DGS estima que em 2050 as pessoas idosas, com 65 anos ou mais, ascenderão a dois mil milhões, o correspondente a cerca de 20% da população mundial (DGS, 2014). Estando a tecnologia sempre a evoluir, deparamo-nos com a melhoria de diagnóstico, tratamento e controlo da doença, levando ao aumento da prevalência das condições de saúde, tornando-se importante a adoção de medidas para assegurar a qualidade dos cuidados. Segundo o Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR, 2018), a esperança de vida dos portugueses ultrapassa os 80 anos (M=81,3 anos), sendo o número de portugueses com mais de 75 anos, superior a 1 milhão.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define doença crónica como “uma doença de longa duração, sem cura, geralmente com progressão lenta dos sintomas que podem ser potencialmente incapacitantes” (OE, 2010, p. 8). A evolução crescente e global do panorama das doenças respiratórias crónicas, relacionado ao sofrimento que acarretam, tem colocado grandes desafios aos sistemas de saúde, uma vez que dita a adoção de ações concretas, com base em políticas públicas para o seu combate (DGS, 2013d), (DGS, 2016a). Ponderou-se a necessidade de dar atenção não só à cura da doença, como também ao controlo da sua progressão e à minimização das consequências, através do desenvolvimento de um conjunto de intervenções organizadas.

A DPOC é uma patologia comum do foro respiratório, causadora de uma substancial incapacidade, diminuição e limitação da qualidade de vida que pode ser prevenida e atenuada, mas não existe nenhum tratamento que cure totalmente a doença.

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Segundo a GOLD (2017, p. 2) a DOPC é entendida como:

“(…) uma doença comum, evitável e tratável que é caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo devido à via aérea e/ou anormalidades alveolares geralmente causadas por exposição significativa a partículas ou gases nocivos.” (nt: tradução do autor). Os principais sintomas da DPOC são a tosse crónica, a dispneia e a expetoração. Para além dos sintomas supracitados, com o agravamento da condição clínica, surgem outros sintomas, nomeadamente, a fadiga, a perda de peso e a anorexia, a depressão e/ou ansiedade. Atualmente a DPOC, integra uma importante posição entre as doenças que mais geram mortalidade e morbilidade em todo mundo. De acordo com estimativas da OMS, em 2004 a DPOC ocupava o 4º lugar, que se apresenta na tabela 1, subindo um lugar desde 2002, podendo chegar ao 3º lugar como causa de morte em 2020 (GOLD, 2018)

Tabela 1 Principais causas de morte, todas as idades, 2004

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Em Portugal, a prevalência estimada da DPOC é de 14,2%, representando cerca de 800 000 pessoas nos diversos estádios da doença, tornando-se numa das doenças cujo predomínio aumentará nos próximos anos (ONDR, 2018). Como revela o estudo “Prevalência da doença pulmonar obstrutiva crónica em Lisboa, Portugal: estudo Burden of Obstructive Lung Disease” que estima uma prevalência da doença de 14,2% em pessoas com 40 ou mais anos de idade (Bárbara et al., 2013).

Em Portugal, segundo os dados disponíveis, nos CSP o número de utentes ativos com o diagnóstico de DPOC tem aumentado de forma sustentada, verificando-se um incremento de 134% em 2016 relativamente a 2011 (DGS, 2017b).

A ocorrência de exacerbações e de comorbilidades contribui para a gravidade da doença, evidenciando a importância de um diagnóstico precoce e um adequado tratamento para uma correta abordagem e eficácia (DGS, 2013d) Segundo a GOLD (2014), a DPOC tem origem em danos provocados nos pulmões durante anos, geralmente relacionados ao tabagismo crónico, sendo uma das principais causas de morbilidade crónica e de mortalidade a nível mundial. Segundo a OMS, a causa primária da DPOC são os fumadores, incluindo os fumadores passivos. O fumo do tabaco é considerado um dos decisivos fatores no desenvolvimento da DOPC como de outras doenças graves. Grande parte das pessoas com DPOC são fumadores ou já foram. A exposição prolongada ao fumo do tabaco é a causa mais importante da DPOC. Segundo a GOLD (2018, p. 45);” a cessação do tabagismo tem a maior capacidade de influenciar a história natural do DPOC. Se os recursos eficazes e o tempo são dedicados à cessação do tabagismo, as taxas de sucesso de longo prazo de 25% podem ser alcançadas. Além das abordagens individuais para a cessação do tabagismo, as proibições legislativas ao tabagismo são eficazes para aumentar as taxas de abandono e reduzir os danos causados pela exposição ao fumo passivo”. Uma diminuição no consumo do tabaco por parte da população, resultaria numa melhoria das condições de saúde da mesma, como a diminuição da prevalência da doença (Cornwell et al., 2010).

Seria de ponderar que a educação para a saúde e o combate ao tabagismo fizessem parte dos currículos escolares (DGS, 2013c). Apesar de em 2016 ter havido 31800 consultas de Cessação tabágica no SNS, a acessibilidade às mesmas é muitas vezes prejudicada por largos tempos de lista de espera (ONDR, 2018). Segundo a DGS (2017a, p. 5) “Estima-se que em 2016 o tabaco tenha sido responsável por 46,4% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crónica”

No entanto nem todos os fumadores desenvolvem DPOC, levando a pensar na existência de outros fatores que conferem maior suscetibilidade para esta doença. A WHO (2017) refere os principais fatores de risco como:

 Tabagismo

 Poluição do ar em ambientes fechados (como o combustível de biomassa usado para cozinhar e aquecer)

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 Poluição do ar

 Poeiras e produtos químicos ocupacionais (vapores e fumos)

A DPOC é uma patologia com impacto na vida dos seus portadores dado que é uma doença crónica, com repercussões no quotidiano, que se manifesta na diminuição da qualidade de vida e implicações a nível familiar, uma vez que limita a atividade social e reduz o tempo de vida (Campos, 2004).

O tratamento da DPOC implica um regime medicamentoso complexo que desafia a sustentabilidade e a eficiência dos sistemas de saúde, com necessidade de adoção de medidas estratégicas regulares, organizacional, estrutural e de avaliação, que permitam assegurar a continuidade, a qualidade e o custo-efetividade dos cuidados.

Na situação de doença crónica, a prescrição de um regime medicamentoso exige a aquisição de conhecimentos e de capacidades para iniciar e manter um tratamento prolongado ou mesmo vitalício.