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Dr Lawrence Pazdur Notas de uma palestra (sem data).

Anton Szandor LaVey Sumo Sacerdote da Ordem Negra

7 Dr Lawrence Pazdur Notas de uma palestra (sem data).

s F r e d e r ic k s o n , B. G. Hou> to Respond to Satanism [Como Responder ao

Satanismo]. Concordia, 1 9 8 8 . p. 14.

“R C

A í e d r A l d a

D o r ”

Na casa da dor, há dez m il santuários.

— Aleister Crowley

€ ! u nada sabia a respeito da grande batalha cósmica entre Aquino e LaVey para ter o controle do que o público pudesse pensar acerca do satanismo. Isto porque me achava profundamente envolvido no que chamávamos de “a coisa profunda”, ou “a coisa preta”. O que, definitivamente, não era “a Coisa Certa”!

Do que ouvíamos dizer, por pessoas ligadas ao ocultismo, achá­ vamos que tanto Aquino como LaVey ou estavam passando de leve sobre a superfície do satanismo, ou então estariam agindo como “promotores de venda” de uma mercadoria, alardeando suas quali­ dades para o público, a fim de atraí-lo para “a coisa profunda”. De qualquer modo, não eram objeto da nossa preocupação. Estáva­ mos nos desenvolvendo sobre os fundamentos do que havíamos aprendido em nossos vários encontros satânicos e prosseguindo até além da bizarra metafísica de Aquarius.

O poder da magia fluía através de mim como nunca antes. Detesto dizer isto, mas o satanismo assumido é algo muito pareci­ do com um sistema de “marketing de rede”. Ou seja, eu me senti “arremessado para cima” para vir a me tornar um distribuidor de “produtos”. Desde que conseguira os meus “sete” adeptos, que

assinaram o pacto com o diabo, fiquei em condições de ser ordena­ do no sacerdócio satânico e nos níveis mais elevados — europeus — da Maçonaria. Satanás, de fato, “honra” seus escravos enquanto estiverem lhe dando resultados.

Ele começou a me conceder pequenas “gratificações adicio­ nais”, especialmente depois de ter me tornado sacerdote satânico. Narcóticos fluíam como água pelos nossos grupos. Eu tinha tudo de que necessitava e nunca pagava um centavo sequer. As coisas simplesmente apareciam, de algum modo. Pequenos “milagres”, e às vezes nao tão pequenos assim, aconteciam.

Descobrimos, por meio de nossa cristalomancia (arte de visão física através de relances de olhar em espelhos, cristais ou vidros con­ vexos) que um grupo satânico rival tinha surgido, não muito distan­ te de nós, proveniente de uma igreja jesuíta. Percebemos que estavam até mesmo envolvidos com o sacrifício de crianças — uma prática que, pelo menos até então, eu considerava repreensível.

Nossos grupos declararam guerra espiritual a eles por meio da magia, e maldições fluíram de nós para eles e deles para nós com enorme rapidez. Uma noite, um ataque astral entrou em nosso quarto na forma de enorme e obscura figura, toda paramentada, com um punhal na mão. Enviamos nossos demônios para atacá-la, e dela não sobrou nada. Em uma semana, o grupo rival fez as ma­ las e mudou-se da cidade; declaramos então a vitória, promovendo uma grande festa.

Como sacerdote de Satanás, eu podia, agora, ministrar ceri­ mônias de pacto. Nunca me esquecerei de uma delas em particu­ lar. Havíamos estabelecido o nosso “sério” templo satânico no sótão de uma enorme casa que alugáramos, próximo da Universidade Marquette, em Milwaukee. Havíamos pintado a parede do fundo do sótao totalmente de preto e colocado um enorme círculo mági­ co sobre o chão. Este era o local onde fazíamos nossos rituais “mais pesados”, por ser o ponto mais secreto da casa. Naturalmente, não permitíamos que nenhum de nossos alunos de “feitiçaria branca” entrasse ali.

Nesse local, eu me sentava num trono e ministrava como sa­ cerdote do Desolado — “o Poderosíssimo Príncipe Lúcifer” — com as pessoas ajoelhadas diante de mim, despindo-se de seu corpo e alma e entregando-os a ele, por meu intermédio. Enquanto cum­ pria-se esse antigo ritual, eu sentia a presença de Lúcifer em todo o

m eu ser. Era como estar envolto num lençol de fogo intenso, que

queimava, e às vezes, meu cérebro parecia estar derretendo. Quan­ do eu falava, acreditava que era Lúcifer que estava falando por meu intermédio, embora não tenha como confirmar que era isso mes­ mo. Como já foi dito, Lúcifer — diferentemente de Deus — não pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, e, portanto, poderia ser um dos príncipes do inferno — como os chamávamos. Contudo, fosse quem fosse, dizia ser Lúcifer.

Por vezes, a voz que falava fazia vibrar as vigas daquele velho porão, e pequenas porções de poeira, de teias de aranha e de pó de madeira caíam sobre nós. Eventualmente, a pessoa que estava fa­ zendo o pacto encolhia-se para trás com medo daquela voz, e eu me sentia profundamente satisfeito em meu interior.

Certa noite, uma mulher não se encolheu de medo. Sem ne­ nhum constrangimento, sem receio algum, ajoelhou-se diante de seu novo “dono” no centro do círculo mágico, dentro de um triân­ gulo de manifestação.

Isto não é o que normalmente ocorre. O círculo é usado pe­ los praticantes da magia e pelos feiticeiros, de modo geral, para protegê-los de ataques demoníacos (ou, no caso da Wicca, para reprimir o cone de poder que se eleva de dentro do corpo dos bruxos). O triângulo de manifestação geralmente é colocado fora do círculo, e é onde o demônio tem permissão de aparecer, nas nuvens da fumaça do incenso. Assim, o feiticeiro fica dentro do círculo mágico e a energia do demônio é retida e concentrada dentro do triângulo. Naquele tempo, entretanto, achávamos que não precisávamos de proteção alguma em relação aos demônios. Na verdade, dávamos boas-vindas à presença deles e até à posses­ são do nosso corpo.

Assim, aquela mulher ajoelhou-se bem no meio do que consi­ derávamos o “ponto de impacto” dos demônios e prostrou-se, ro­ gando que todo demônio do inferno viesse para ela. Ela jurou pertencer a Lúcifer de corpo, alma e espírito.

No encerramento da cerimônia, depois de ter vestido o manto de adoradora do diabo e escrito o seu nome no pacto, o poder ficou muito mais intenso ao meu redor. As muralhas tremeluzentes de ofuscante energia branca ao meu redor penetraram, queiman­ do, na mente dela também. Então formou-se uma pirâmide de poder que se arremeteu até as vigas do teto como um rojão, e o lugar voltou a ficar escuro e em silêncio, exceto... pelo ruído ca­ racterístico de algo como uma moeda de prata de um dólar caindo no piso de madeira negra, ali onde estávamos.

Nós dois abrimos os olhos e... veja! Uma medalha dourada (talvez de bronze ou latão), não muito pequena, ainda rodopiando no chão, até que parou. Ficou então com sua face voltada para cima, e nela estava estampada um dos selos de Lúcifer. Tudo o que podemos dizer é que aquela medalha surgiu do ar, pois não havia mais ninguém no templo do porão!

Naturalmente, a candidata ficou emocionada, pegou o me­ dalhão e depois passou a usá-lo como um pendente, levando-o para onde quer que fosse. Ela olhou para mim com temor, pois “eu” tinha feito algo aparecer do nada (se bem que eu nem sabia como aquilo tinha acontecido). Claro que eu não mencionei nada a ela de que tudo acontecera sem meu conhecimento e participação alguma de minha parte. O que acontecera é nas áreas do espiri­ tismo, como sendo obra de um médium físico, um fenômeno bastante raro de ocorrer. Assim, ambos nos sentimos bem satis­ feitos com nós mesmos. Era mais um “ossinho” que Satanás lan­ çava para o seu cachorro (eu) a fim de mantê-lo interessado na “brincadeira”.

R R o d . A - v i v A d e S a I a i i á s !

O que o astuto leitor por certo já observou na vida de pessoas como eu, praticantes do ocultismo, é que elas se encontram numa constante busca para obter mais conhecimentos ocultos, pois “apren­ dem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade”

(2 Tm 3.7). Isto quer dizer que eu passei minha vida indo de um lugar para outro, atrás de novas iniciações, novas ordens secretas, novos princípios do conhecimento ocultista. É verdade.

Aleister Crowley, meu ídolo de então (provavelmente no sen- q

tido mais literal possível), observou certa vez que o caminho de ^ quem conhece a magia (daquele que já está num estágio avançado) - é bastante semelhante ao alpinismo — esporte que ele conhecia ^ muito bem. Disse ele que na magia, assim como acontece no es­

porte de escalar montanhas, é tudo uma questão de permanente ^ esforço para subir, com pouco tempo para descanso.

O alpinista praticamente não tem tempo para descansar quan­

do se encontra na parte íngreme de uma grande montanha, segu- 14: rando-se com os dedos ou pinos encravados na rocha.

E uma situação em que ocorre um desgaste contínuo de energias até a exaustão muscular e que exige muita força de vontade. E muito raro o alpinista chegar a uma parte plana ou a um ponto sem declive em que possa finalmente descansar. E é isso que o praticante da magia vive. Se relaxar, se “afrouxar” por um pouco mais de tem­ po, corre o risco de se soltar do seu gancho e cair no “abismo”, que é, como já foi dito, o equivalente ao inferno no ocultismo, onde se acaba morrendo de “acidente” causado pela magia.

Isso acontece, em parte, porque na magia há sempre quem queira ou arruinar ou acabar com a vida de outros praticantes. É tal como ser um atirador. Há sempre alguém querendo provar ser melhor do que outros. As compensações por esse tipo de interação selvagem são muitas, pois há uma crença de que quem mata outro participante da magia recebe todo o poder de que o

morto era dotado, e ainda os seus demônios e a sua sabedoria, em herança. Deste modo, aquele que mata vários outros bem desenvolvidos na magia acaba ficando com um enorme poder.

Por exemplo, quando, numa determinada ocasião, o avião em que estava LaVey desapareceu no radar , os boatos na confraria eram de que ele fora assassinado secretamente por sua filha Zeena, que assim se "beneficiaria”, recebendo toda a sabedoria do seu pai, todo o seu poder mágico e os seus poderosos demoníacos. Aparen­ temente, esses boatos não correspondiam a verdade, mas esse tipo de coisa de fato ocorre com certa freqüência com satanistas menos conhecidos. E por que não?... O que, nessa sua ética totalmente distorcida, impediria de ocorrer tais guerras para obterem mais poder? É a sobrevivência do mais forte, não é?

Outra razão para dedicarmos um permanente esforço em bus­ car novas iniciações, mais conhecimentos e maior poder é que Satanás fica empurrando seus adeptos para a frente. E a velha técnica de se conseguir alguma coisa com incentivos e, depois, com ameaças, se a pessoa fraquejar. Nessa “roda-viva” de Satanás, não dá para saber nunca o que a gente está para obter. Ele é um capataz demasiadamente cruel, que espera 1 1 0% de seus escra­ vos. Assim, o satanismo tem suas estranhas formas de legalismo, tal como ocorre em qualquer religião que Satanás tenha criado, por todos os séculos.

Fica-se permanentemente sob uma forte tensão, pois, se di­ m inuir um pouco que seja o ritmo do nosso progresso, então, de duas, uma: ou isso fará com que a gente caia no seu desagrado total (condição em que ele nos expulsa, com a perda de todos os seus favores, podendo ate nos matar), ou um outro adepto da magia, em ascensão, nos ultrapassará, recebendo de Satanás um “poder extra” de magia que o capacitará a matar-nos ou, pelo menos, nos reduzir à condição de um debilóide total. E tal como no jogo C alabouços e D ragões, exceto que os riscos são inimagina- velmente mais elevados.

Essa situação leva o adepto da magia a ser um superempreen- dedor. Isso o torna extremamente ocupado, sem condições de dar um passo para trás e não tendo tempo para considerar, de um modo crítico, o que realmente está fazendo na vida. E desse modo que Satanás gosta de ver seus servos! E no contexto dessa desesperada, quase desvairada busca por obter “mais luz, mais sabedoria, mais verdade” que o estranho episódio narrado a seguir deve ser entendido.

R V i n d A d o s I l u m i n ó i d e s

Eu nao tinha compreendido muito bem o fenômeno dessa luz ofus­ cante que experimentara quando da evidente presença de Lúcifer (ou, pelo menos, diante de energias luciferianas). De quando em quando, Orion deixava escapar um riso de escárnio alusivo à “luz”, mas ele se mantinha irredutivelmente calado a esse respeito. Eu nunca lhe disse que, por vezes, havia passado por estranhas expe­ riências de “fundir a cuca”, e não sei se ele dispunha de outros meios para saber disso.

Por vezes, ele fazia veladas referências aos I llu m in a ti (vocá­ bulo latino que significa “Iluminados”). Fora-me dito, alguns anos antes, por um grão-mestre druida, que Illu m in a ti era um termo que se referia aos níveis mais elevados da magia e do druidism o, também conhecido como “A Grande Irmandade Branca”, ou a A... A... (que significa A rgen tin iu m A strum , ou “Ordem da Estrela de Prata”).

Eu já tinha também ouvido dizer que os Illu m in a ti eram lí­ deres de uma conspiração internacional de judeus, de anciãos de Sião, de jesuítas, extraterrestres malignos, comunistas ou ban­ queiros (ou de todos eles), que procurariam destruir os Estados Unidos. Como eu me mantinha demasiadamente ocupado, não dava tempo para sequer investigar e assim descobrir se quaisquer das explicações acima tinham algo a ver com a verdade. Nos me­ ses que se seguiram à minha experiência inicial de “epifania”

daquela luz branca, quente e ardente, Orion fez obscuras refe­ rências aos Illum inatti.

Então, numa noite, passei por uma experiência bastante fora do comum. Não posso dizer se foi um sonho ou se foi real, mas foi uma viagem para fora do meu corpo físico (que se chama de proje­ ção astral). O fato é que as conseqüências do que aconteceu foram definitivamente reais.

Aquela altura, eu já era um “viajante astral” freqüente. Saía do meu corpo repetidas vezes, por várias razões. Eu vinha prati­ cando a projeção astral por quase dez anos. No entanto, naquele dia em particular, foi muito diferente. Fui arrancado do meu cor­ po antes que pudesse me dar conta do que estava acontecendo. A imagem que eu tinha era a de ter sido puxado para cima, indo pelos “caminhos” da Árvore da Vida em direção à região de Binah, ou Saturno.1

Essa estranha e involuntária viagem levou-me a um enorme templo escuro, em meio a estrelas que giravam próximas do que parecia ser o anelado planeta Saturno. O templo era completa­ mente escuro, sem reflexo algum em sua superfície. Era angular, estranho e diferente de qualquer estrutura que eu tivesse já visto, exceto que o motivo arquitetônico predominante era o trapézio. (O trapézio é uma das formas mais sagradas para Satanás, por motivos por demais complexos para relatar aqui.)

As torres do templo inclinavam-se o suficiente para deixar qualquer um apreensivo, e, até mesmo do exterior, os ângulos e a geometria do lugar pareciam fora de padrão. Fui levado a uma porta trapezoidal, que era ainda mais escura do que o próprio tem­ plo, se é que isso seria possível.

Uma vez dentro daquele templo negro, observei haver salas externas cheias de uma misteriosa luz esverdeada. O lugar parecia ser de fato real, e dei uns beliscões em mim mesmo para ver se eu não estava dormindo, mas não senti nada. O que eu sentia era a lisura do piso, gelado e negro, sob os meus pés descalços, e a pele arrepiada em todo o meu corpo como uma realidade.

Saturno “Kerridwen “Cronos” Vênus “Afrodite" Rhiannon Mercúrio “Thoth” “Hermes” Terra “Gaia'’ Deméter' A ÁRVORE DA VIDA:

REGIÕES PLANETÁRIAS E “DEUSES”

Turbilhões Primordiais (Centro Galáctico)

M 7

Alguém se aproximou, vestido com um simples manto bran­ co. Era um senhor honrado e de certa idade, com uma bela cabeça de cabelos brancos e ondulados, tendo um delicado bigode bem aparado. Ele nao era, absolutamente, quem eu esperaria encontrar

"3 C i l e d r i l d a D o r

num lugar como aquele. Com uma voz amável e ressonante, ele cumprimentou-me e apresentou-se como sendo “Mestre H ”.

Disse-me que seria o meu mentor e guia e me convidou a segui-lo, dirigindo-se às partes interiores daquela soturna cidadela negra. Nada poderia ter-me preparado para o que me esperava.

A C A t e d r A l d A D o r

O salão ao qual entrei assemelhava-se a um templo, talvez tão am­ plo quanto o de uma igreja de bom tamanho. Não havia em que sentar-se, apenas um altar em forma trapezoidal numa plataforma um pouco elevada, no centro. O altar era feito de um concreto aparente e rústico. Nele havia vigas de ferro retorcido projetando- se em todas as direções e estavam visivelmente manchadas de san­ gue. Uma dessas vigas levantava-se atrás do altar formando uma rude cruz de cabeça para baixo. Por trás do altar, havia um trono, num plano mais elevado, que chamava a atenção de um modo impressionante. Era preto, absolutamente liso, e estava vago. Sen­ ti-me um pouco aliviado por não haver ninguém nele sentado. Contudo, era a única coisa naquele lugar que tinha uma aparência tranqüilizante.

Meu distinto guia voltou-se para mim e começou a gesticular com muito entusiasmo, mais ou menos como se fosse o maestro de uma orquestra. E disse, então, sem alardes:

— Bem-vindo à Catedral da Dor.

Com estas palavras, luzes com um brilho obscuro surgiram silenciosamente por trás das paredes daquele amplo lugar, e eu fi­ quei tão assustado com o que vi que senti-me tomado de forte aflição. As paredes, que antes pareciam pedras pretas lisas e incli­ nadas, revelaram-se como sendo totalmente de vidro transparente, retendo em seu interior um fluido também transparente. Flutuan­ do dentro daquele fluido, havia dezenas, se não centenas, de cor­ pos humanos, nus! Estavam todos mortos, a maioria deles com a expressão de um intenso terror, demonstrado por uma contração

em sua face congelada. Muitos estavam mutilados, de modo tal que me causaram asco.

Na sua maior parte, aquela grotesca vitrina, semelhante a um aquário, continha corpos de pessoas jovens. Quase todos pa­ reciam estar entrando na fase adulta, mas entristeci-me ao ver que havia ainda muitos meninos e meninas, e até criancinhas de menos de três anos, flutuando junto com os demais. Era como se estivessem preservados, flutuando num formaldeído ou em alguma funesta substância, tal como uma coleção de borboletas do inferno.

Aquele cenário demoníaco circundava-me de todos os lados, exceto de um, daquele salão que agora dava para ver que tinha nove lados. Nove é um dos números mais apreciados pelos satanistas, pois é o único número que se reduz a si mesmo, sem­ pre.2 Somente a parede atrás do trono se mostrava ainda como sendo de pedra preta.

— Esses aí são os filhos do Mestre — proclamou meu guia, com um estranho orgulho em sua voz. — Não são belos?

Minha garganta ficou tão seca que eu nem conseguia dar-lhe uma resposta. É incrível, mas de um modo sinistro muitos deles eram belos. Envergonho-me de ter reagido com certa lascívia à vista de muitas das mulheres que flutuavam à minha frente. Era como se eu estivesse tendo o pesadelo mais desagradável que se possa imaginar, mas tudo me parecia ser muito real.

— Todos os que morrem desta maneira são privilegiados de pertencerem ao Mestre — explicou-me H. — E agora você perren- ce a ele também, para sempre!

Sua últim a afirmação foi como um mau agouro já consu­ mado, fazendo sentir-me atingido por dolorosa punhalada de terror, já me vendo flutuando atrás das paredes de vidro daque­ le maldito lugar.

Antes que tivesse condições de falar ou de fazer qualquer coi­ sa, um raio de luz caiu do teto, trovejando, vindo de cavernas não vistas, atingindo o trono escuro com uma luz tão intensa e brilhan­

L ü c i f e r D es lr o n Ad o

te que fez com que eu nao conseguisse mais ver aquelas horríveis imagens dos corpos flutuantes ao meu redor.

Saindo daquele feixe de luz, surgiu um enorme ser, difícil de

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