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Edição de cor

No documento DENTRO (páginas 112-116)

7. Pós-Produção

7.4 Edição de cor

Ao mesmo tempo que decorreu a edição de som, procedemos à edição de cor. Nesta etapa a diretora de fotografia, entrou no projeto de forma mais intensa que anteriormente e dirigiu o processo, juntamente com o editor que continuou o seu trabalho a seguir à montagem. Devido a alguma inexperiência da parte de todos nós a lidar com o software, nomeadamente com o

DaVinci Resolve, esta fase levou algum tempo a entrar em desenvolvimento avançado,

implicando um período de aprendizagem e de rotinas com o programa. Ainda assim após os primeiros dias da sua utilização o editor começou a ficar bastante familiarizado com o programa e o trabalho foi fluindo cada vez mais eficazmente.

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7.4.1 Correção de cor

Esta etapa é a principal durante o processo inicial do tratamento da cor no filme. Aqui os elementos das filmagens que precisam de ser trabalhados são pormenorizadamente analisados e a correção de tons de pele e luz são feitas. Esta parte do trabalho deixa a base para trabalhar a parte estética da imagem.

Inicialmente é tratada a correção de temperatura de cor, exposição e o matching entre planos. Isto significa que nesta primeira fase não é conferido ao filme nenhum tipo de look pretendido, focando em aspetos técnicos concretos e a sua correção. Foi importante para os envolvidos familiarizarem-se com a leitura de scopes, uma ferramenta utilizada pelo programa que facilita a compreensão da cor que está presente na imagem, desde contraste, saturação e balanceamento de cores, todos os fatores que constituem a imagem teriam de estar bem presentes na mente do editor para que conseguisse normalizar cada plano do ponto de vista do equilíbrio de cores correto. Este trabalho é um processo demorado e minucioso, implicando um cuidado muito preciso com o tratamento que é dado à imagem, devido ao carácter técnico que está presente e por ser algo que é objetivo nesta fase, o tratamento tem de equilibrar a cor, exposição, contraste e torna-los uniformes ao longo do filme, conferindo-lhe a base da correção de cor. Cores como a iluminação noturna de rua, que estava fora do nosso controlo, que tornam a imagem excessivamente amarela foram retificadas, equilibrando melhor a cor e conferindo à imagem um aspeto mais natural. Acompanhei o trabalho dos meus colegas periodicamente, também pelo facto da objetividade da tarefa, ainda que já inicialmente fosse importante ter em mente o que seria preciso para conferir um determinado look a cada cena do filme, lembrando sempre qual será o resultado final pretendido.

Figura 75 – A correção de cor. O processo de correção de tonalidades.

Assim que esse trabalho terminou, o editor focou-se posteriormente na correção dos tons de pele e outros problemas de cor como exposição ou cores que sobressaiam demais. Nesta fase as cores que podem influenciar a pele dos atores e figurantes são suavizadas, trazendo um aspeto mais credível e correto em termos de iluminação. Este é o passo final na parte da edição de cor que se foca em corrigir problemas da imagem em raw e deixa depois o caminho aberto para ser

102 dado o look final e com estas correções feitas estava na hora de iniciar a seguinte fase na edição de cor.

Figura 76 – Edição de cor da cena 2. Antes (à esquerda) e depois (à direita).

7.4.2 Look

Preparada a base da cor do filme, o editor e diretora de fotografia começaram a tratar da cor no seu ponto de vista mais criativo. Aqui era conferido ao filme o aspeto desejado do ponto de vista estilístico, que permitia conferir a uma determinada cena um certo tipo de emoção através da cor utilizada. O seu uso serve para acentuar certas características da cenografia ou iluminação e que ao sobressair conferem ao filme um aspeto estético que é para o espectador uma fonte de informação quase subconsciente. Aqui a liberdade dada aos meus colegas foi igualmente grande, oferecendo espaço para trabalharem as suas ideias da melhor maneira expondo o seu sentido criativo da edição, mas sempre baseando o tratamento da imagem em aspetos concretos que eram pretendidos e que haviam sido falados e discutidos anteriormente entre todos.

Para o filme, o look a dar era por vezes muito específico a cada cena. No entanto, era nossa intenção conferir ao filme um certo tipo de cor que fosse algo consistente e característico do filme ao longo da sua duração. Muita atenção foi dada às cores quentes como o vermelho, para conferir às cenas em que era utilizado um aspeto emocional mais forte. Exemplos disso são os momentos de maior tensão no filme que são pontuados com algumas luzes e cores vermelhas e quentes enfatizando o escalar de emoções. Por outro lado em momentos mais calmos e controlados, era conferido um aspeto mais frio e suave, invocando mais um sentido de tranquilidade, como é percetível no início da história.

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Figura 77 – Edição de cor da cena 4. Antes (à esquerda) e depois (à direita).

De resto, estas decisões e edições da estética do filme serviam para acentuar elementos já presentes e pensados na conceção da ideia estilística do filme. Porém, houveram outros momentos em que a edição de cor tornou certas cenas mais funcionais e conferiu-lhes um aspeto que não era possível controlar sem ser num momento de Pós-Produção. Falo de cenas como a primeira e última. Na primeira é dado um aspeto de pôr-do-sol conferindo à cena o ponto cíclico pretendido, sabendo que era pretendido que a curta terminasse no nascer-do-sol. Este aspeto substituiu o look original da cena que era de um dia nublado e uniforme, não destacando nada do ponto de vista visual nem oferecendo à cena um tema narrativo como posteriormente surgiu, com o final do dia aa chegar, a noite a aproximar-se como que dando entrada à aventura, para além de dar um toque de misticismo à cena, com cores quase de sonho no céu e refletidas na água do rio. No final por outro lado era preciso dar a entender que o sol estava a nascer e com as imagens filmadas isso era possível de mostrar mas difícil de ligar com a cena imediatamente anterior, para isso foi reduzida a quantidade de luz e aplicado um look mais azulado à cena para melhor fazer a ligação da noite com o aparecer dos primeiros raios solares.

Figura 78 – Edição de cor da cena 1. Antes (à esquerda) e depois (à direita).

Pensando na primeira exibição do filme que seria feita no Auditório Ilídio Pinho, na Escola das Artes da Universidade Católica do Porto, era preciso testar a imagem e conferir-lhe as modificações necessárias para que a imagem fosse a melhor possível. Devido a algumas complicações o projetor do auditório não era o melhor para representar aquilo que estava presente no filme e assim algumas alterações específicas para essa exibição foram levadas a

104 cabo, mantendo em mente que existiria depois uma versão normalizada, que se destinaria a exibições em outros locais.

Depois disto foram aplicadas correções finais, suavizando algumas cores ainda muito proeminentes e corrigindo outros elementos da imagem, como por exemplo aspetos de cenografia que eram possíveis mascarar com o programa. Finalizando estes aspetos e em conjunto com o fim do trabalho de edição de som o filme estava pronto a ser terminado.

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