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TRANSPORTE DE SPIN

4.5 EFEITO HALL DE SPIN E EFEITO HALL DE SPIN INVERSO

O efeito Hall de spin (SHE - Spin Hall Effect) ´e um fenˆomeno de transporte predito em 1971 por Dyakonov e Perel [17, 18]. Este efeito consiste no aparecimento de uma acumula¸c˜ao de spinsnas laterais de uma amostra pela qual passa uma corrente el´etrica. Spins com polariza¸c˜oes opostas se acumulam em sentidos opostos. O termo efeito Hall despin foi introduzido por Hirsch em 1999 [128].

Apesar do efeito Hall despinter algumas similaridades com o efeito Hall convencional, no qual cargas de sinais opostos, na presen¸ca de um campo magn´etico, s˜ao deflexionadas em sentidos opostos da lateral do condutor para compensar a for¸ca de Lorentz, o efeito Hall de spin n˜ao necessita de um campo magn´etico.

O efeito Hall de spin foi observado em semicondutores [19, 129] trinta anos depois de ser predito por Dyakonov e Perel. Ao incidir luz na regi˜ao em que h´a ac´umulo de spins devido ao SHE, a luz refletida se torna circularmente polarizada, assim como a polariza¸c˜ao por efeito Kerr. Dessa forma, foi poss´ıvel verificar o SHE experimentalmente atrav´es da ´optica.

A origem do efeito Hall de spin em metais n˜ao-magn´eticos est´a na intera¸c˜ao spin -´orbita, intera¸c˜ao relativ´ıstica entre o spin do el´etron e o seu movimento orbital. Para que exista o efeito Hall em metais normais ´e necess´ario que estes metais apresentem impurezas ou defeitos de forma que a intera¸c˜ao spin-´orbita nos potenciais gerados pelos defeitos/impurezas espalhem anti-simetricamente os el´etrons de condu¸c˜ao de acordo com suas polariza¸c˜ao de spin. Dessa forma, a existˆencia de uma corrente de carga fluindo atrav´es de um condutor n˜ao-magn´etico que apresente espalhamento spin-´orbita, levar´a a uma corrente Hall despine por conseguinte a uma acumula¸c˜ao despinsnas extremidades do condutor transversalmente `a corrente de carga.

Opostamente, uma corrente pura despinfluindo atrav´es de um condutor n˜ao-magn´etico que apresente intera¸c˜ao spin-´orbita far´a com que surja um corrente de carga transver-salmente `a primeira, e por conseguinte surgir´a tamb´em uma acumula¸c˜ao de carga nas extremidades do condutor transversal `a corrente de spin. O efeito Hall de spin inverso

Figura 4.12 Ilustra¸c˜ao dos efeitos Hall de spin (a) e Hall de spin inverso (b). No primeiro, uma corrente de carga n˜ao polarizada emspinao atravessar um condutor n˜ao-magn´etico com espalhamento

spin-´orbita tem suas cargas, com polariza¸c˜oes despinopostas, acumuladas em extremidades opostas do condutor, extremidades estas transversais `a corrente de carga, gerando assim uma corrente pura despin

transversal `a corrente de carga. No segundo, uma corrente pura de spin gera uma corrente de carga transversal `a primeira.

(ISHE - Inverse Spin Hall Effect) ´e utilizado nesta tese, como j´a mencionamos ante-riormente, em experimentos de gera¸c˜ao de corrente pura de spin em sistemas do tipo FM/NM, onde o material ferromagn´etico pode ser um condutor ou isolante e o metal normal ´e um condutor n˜ao-magn´etico que apresenta espalhamento spin-´orbita como a platina. ´E importante notar que caso a corrente de carga seja spin-polarizada tanto o SHE quanto o ISHE ocorrer˜ao.

A obten¸c˜ao das rela¸c˜oes entre as correntes despin e a de carga, tanto no SHE quanto no ISHE podem ser obtidas de acordo com a formula¸c˜ao desenvolvida por Takahashi e Maekawa [130], onde s˜ao considerados os efeitos do espalhamento spin-´orbita nos trans-portes de carga e de spin em metais normais (n˜ao-magn´eticos). O efeito Hall de spin e o efeito Hall despin inverso s˜ao discutidos levando em conta mecanismos de side-jump e de espalhamento skew scattering [131–134].

Consideramos que o el´etron de massa m e velocidade ˆp/m = (!/i)∇!/m ao passar pr´oximo a uma impureza localizada na posi¸c˜ao !ri sente um campo magn´etico efetivo dado por:

!

onde E!(!r) = −(1/e)∇!V(!r), sendo e a carga do el´etron, e V(!r) o potencial gerado pela impureza localizada no metal normal (NM) na posi¸c˜ao!ri, e cuja express˜ao ´e dada por:

V(!r) = Vimp !

i

δ(!r−!ri). (.) A intera¸c˜ao do el´etron, com polariza¸c˜ao despin!σ, com a impureza leva ao acoplamento spin-´orbita representado pelo seguinte potencial:

Vso(!r) =−µBσˆ·B!ef(!r) =ηSOσˆ·*!V(!r)×∇!/i+

, (.)

onde ˆσ ´e o operador despin de Pauli eηso ´e o parˆametro de acoplamento spin-´orbita. O potencial total devido `as impurezas,U(!r), ´e a soma do potencial de impurezas ordin´arias

V(!r) com o potencial spin-´orbitaVso(!r): U(!r) =V(!r) +Vso(!r).

Na presen¸ca de um potencial de impurezas U(!r), o espalhamento de el´etrons de condu¸c˜ao entre estados |!kσ) de momento !k e spin σ ´e descrito pela amplitude de es-palhamento dada por:

U(kσ!!(kσ =(!k#σ#|U|!kσ)=Vimp * δσ!σ+iηsoσˆσ!σ ·(!!k#)+ ! i ei((k(k!)·(ri, (.) ˆ

σ ´e a matriz de Pauli e VimpK i

ei((k−(k!)·(ri representa os elementos de matriz do potencial fun¸c˜ao-δ fraco V(!r)≈VimpK

i

δ(!r−!ri).

Podemos calcular a velocidade do el´etron !vσ

(k no estado |!kσ) na presen¸ca de um po-tencial spin-´orbita, tomando os elementos matriciais !vσ

(

k = (!k+σ#|vˆ|!k+σ) do operador velocidade ˆv =dr/dtˆ entre os estados espalhados|!k+σ). Estes estados podem ser escritos em primeira ordem de perturba¸c˜ao da seguinte forma:

|!k+σ)=|!kσ)+! i |!k#σ) VimpK i ei((k−(k!)·(ri ξ(k−ξ(k! +iδ , (.)

onde ξ(k ´e a energia cin´etica do el´etron dada porξ(k = (!k)2/2m−εF. Assim, a velociade ´e dada por:

!v(σk = !!k

m +

σ

(k. (.)

(kσ ´e a velocidade anˆomala e pode ser escrita como:

(kσHSJ(ˆσσ!σ× !!k

m), (.)

ondeγSJ

H ´e o parˆametro de acoplamento adimensional devido ao espalhamentoside-jump, e ´e dado por:

γHSJ = mηso0 tr = !η¯soFτ0 tr = η¯so kFl, (.)

onde o tempo de espalhamento ´e dado por τ0

tr = 1/? (2π/!)nimpN(0)V2 imp @ , e nimp ´e a concentra¸c˜ao de impurezas. ¯ηso = k2

Fηso ´e o parˆametro adimensional de acoplamento spin-´orbita, kF ´e o momento de Fermi e l =vFτ0

tr ´e o livre caminho m´edio. Como pode ser visto na express˜ao .para a velocidade anˆomala, esta ´e perpendicular `a velocidade usual do el´etron, de forma que ao se deslocar em um material que apresente acoplamento spin-´orbita devido `a impurezas, o el´etron sofre um desvio perpendicular `a sua trajet´oria. Podemos calcular a corrente que surge devido ao acoplamento spin-´orbita. Para isto, introduzimos o operador de corrente para el´etrons de condu¸c˜ao com spin σ,

ˆ Jσ =e! (k $ !!k/m+σ ( k % a(kσa(kσ, (.)

onde e ´e a carga do el´etron (e =−|e|). Podemos escrever a corrente total de carga J!c e a corrente total de spin J!s como:

!

Jc =J!+J! =J!c#HSJ *

ˆ

z×J!s#+

! Js=J!−J! =J!s#HSJ* ˆ z×J!c#+ , (.) onde: ! Jc# =e! ( k !!k m $ f(k+f(k % , (.) ! Js# =e! ( k !!k m $ f(k−f(k % . (.) f(kσ =E a (kσa(kσ F

´e a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao de um el´etron com energia ξ(k espin σ e ˆz ´e o vetor de polariza¸c˜ao. Os segundos termos nas equa¸c˜oes . e.s˜ao as correntes Hall de carga e de spin induzidas pelo espalhamento side-jump. Em adi¸c˜ao `a contribui¸c˜ao de side-jump, existe a contribui¸c˜ao de skew scattering que tem origem no espalhamento anisotr´opico devido a intera¸c˜ao spin-´orbita e que modifica a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao do el´etron.

Baseando-se na equa¸c˜ao de transporte de Boltzmann no estado estacion´ario, a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao f(kσ ´e calculada da seguinte forma:

!v(k·∇!f(kσ +eE! ! ·!(kf(kσ = " ∂f(kσ ∂t # esp , (.)

onde!v(k =!!k/m,E! ´e o campo el´etrico externo e (f(

/∂t)esp ´e o termo de colis˜ao devido a espalhamentos com impurezas. Usando as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao de Boltzmann [130], a fun¸c˜ao distribui¸c˜ao pode ser escrita como:

f(kσ ≈f0(k)−σf0(ξ(k) ∂ξ(k µN(!r) +τtr ∂f0(k) ∂ξ(k ×?!v(k−γHSSσˆσσ×!v(k @ ·∇!µσN(!r). (.) γSS

H ´e o parˆametro adimensional devido aoskew scattering, f0(k) ´e a fun¸c˜ao distribui¸c˜ao de Fermi, µσ

!

E =∇!φ´e o campo el´etrico, µN = (µ−µ)/2 ´e a acumula¸c˜ao despinsdevido aospin-flip causada pelo acoplamento spin-´orbita, σδεF ´e o deslocamento de energia do equil´ıbrio global, e por fim τtr0

tr/[1 + (2/3)¯η2

soN(0)] ´e o tempo de relaxa¸c˜ao de transporte.

!

Jc# eJ!s# definidas na equa¸c˜oes.e.podem ser reescritas utilizando-se a express˜ao dada em .da seguinte forma:

! Jc# =!jcH* ˆ z×!js+ , (.) ! Js# =!jsH* ˆ z×!jc+ , (.) onde γHSJ HSS H = ¯ηso[1/(kFl) + (2π/3)N(0)Vimp] .

As equa¸c˜oes . e . mostram claramente que um corrente de spin!js induz uma corrente de carga transversal a esta e dada por!jH

cH*

ˆ

!js+

, e uma corrente de carga

!jc induz uma corrente de spin transversal `a!jc e dada por!jH

sH*

ˆ

!jc+

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