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Efeitos da Alienação Parental sobre a prole

4 ALIENAÇÃO PARENTAL

4.4 Efeitos da Alienação Parental sobre a prole

Com o passar do tempo e a intensificação das práticas de alienação parental sobre a criança, é comum que esta desenvolva a Síndrome da Alienação Parental, como visto, podendo chegar a níveis tão altos de rejeição ao genitor alienado que torne irreversível o quadro apresentado. Note-se que o ódio da criança instrumento da alienação decorre não somente das mensagens negativas que escuta sobre seu genitor, mas também do receio de que o genitor alienante o rejeite caso mostre alguma afeição pelo genitor alienado. (GARDNER, disponível em < http://www.alienacaoparental.com.br/textos-sobre-sap-1/o-dsm-iv-tem-equivalente>; acesso em 29/09/2015).

Com inúmeros pensamentos conflitantes, é comum que, em momentos de visitação, a criança ou adolescente apresente inúmeros sintomas psicossomáticos. É o medo em gostar de estar na presença do genitor alvo e, consequentemente, desagradar o alienante; o receio de que o que o genitor alienante afirme seja verdade e algo possa acontecer a sua própria integridade; o desconforto por tem que ir a um lugar no qual a criança/adolescente não tem certeza se gostaria de estar. Tudo isso gera sentimento de

extrema angústia para a criança, que desenvolve diversos sintomas claramente identificáveis.

Gardner destaca que em dias de visitação, quando o agente alienador está presente no local, a aflição da criança ou adolescente tende a ser ainda maior. Isto porque, a criança teme que se sua expressão for de felicidade por ver o genitor atacado, o genitor alienante pode rejeitá-lo. Por conta disso, distúrbios de ansiedade são extremamente comuns em casos leves e moderados de Síndrome da Alienação Parental, enquanto que nos casos mais severos o elemento raiva é mais latente. (GARDNER, disponível em < http://www.alienacaoparental.com.br/textos-sobre-sap-1/o-dsm-iv-tem- equivalente>; acesso em 29/09/2015).

Atualmente, há diversos estudos na comunidade científica e jurídica acerca dos efeitos da alienação parental sobre a saúde emocional de suas vítimas. Larissa Tavares Vieira e Ricardo Alexandre Aneas Botta relatam que as sequelas nas crianças/adolescentes são:

[...]vida polarizada e sem nuances; depressão crônica; doenças psicossomáticas; ansiedade ou nervosismo sem razão aparente; transtornos de identidade ou de imagem; dificuldade de adaptação em ambiente psicossocial normal; insegurança; baixa autoestima; sentimento de rejeição, isolamento e mal estar; falta de organização mental; comportamento hostil ou agressivo; transtornos de conduta; inclinação para o uso abusivo de álcool e drogas e para o suicídio; dificuldade no estabelecimento de relações interpessoais, por ter sido traído e usado pela pessoa que mais confiava; sentimento incontrolável de culpa, por ter sido cúmplice inconsciente das injustiças praticadas contra o genitor alienado.(TAVARES,ANEAS. Acesso em: 03/09/2015).

A criança, levada a se afastar de seu genitor, acaba perdendo um referencial muito importante na sua vida, cuja ausência é sentida não só durante a infância e adolescência, como em toda a vida. É de conhecimento geral a importância da figura materna e paterna na vida dos filhos, o que evita o desenvolvimento de diversos distúrbios psicológicos na criança. Podevyn acrescenta que “o vínculo entre a criança e o genitor alienado será irremediavelmente destruído. Com efeito, não se pode reconstruir o vínculo entre a criança e o genitor alienado, se houver um hiato de alguns anos” (PODEVYN, disponível em <http:// http://www.apase.org.br/94001- sindrome.htm> acesso em 01/10/2015).

Quanto maior o tempo para identificar que se trata de alienação parental maiores são as mazelas trazidas à vida da criança/adolescente. Muitas vezes as sequelas são irreversíveis e afetarão suas vidas para sempre. Transtornos de ansiedade, comportamento hostil, baixo rendimento devido à falta de atenção na escola, isolamento, depressão, tendência ao suicídio e insegurança são algumas consequências psíquicas e comportamentais sofridas pelos filhos afetados pela alienação parental.

Observa-se, ademais, que os efeitos da alienação parental variam, em geral, de acordo com a sua idade no momento do fim do relacionamento dos pais, aspectos próprios de sua personalidade e sua relação com os pais. Assim, por exemplo, um pai que sempre foi presente na vida dos filhos tem sua ausência muito mais sentida pelas crianças ou adolescentes quando da separação/divórcio. Mais que isso, faz com que o filho sofra ainda mais por não entender como seu pai, que sempre foi bom para ele, agora representa alguém que deva ser odiado e rejeitado.

Pais que praticam a alienação parental atuam de forma típica. Ao invés de deixar o filho com o pai quando tem algum afazer que não o permite cuidar da criança, deixam com amigos, avós, parentes e, até mesmo, vizinhos, na ideia de que já que o outro não deseja mais o relacionamento ou fez algo que desagradou o alienante, este deve sofrer, permanecendo longe dos filhos.

Outra atitude corriqueira é não aceitar pequenos atrasos na hora de devolver a criança à casa em que vive após a visitação. Histórias são inventadas para não permitir que o genitor alvo tenha contato com a criança fora dos horários determinados judicialmente. Os filhos se sentem rejeitados, não amados e, por conta disso, desenvolvem repulsa ao genitor atacado.Tudo é motivo para discussão e a criança, sofrendo com o clima de guerra e disputa entre os pais, acaba cada vez mais se afastando do genitor alienado, já que o agente alienador sempre encontra uma maneira perspicaz de culpar o outro pelas brigas e desentendimentos.

Douglas Darnall, soube tratar muito bem desta questão, afirmando que:

As crianças, ao contrário do genitor afastado, estão totalmente indefesas para ajudar a si mesmas. Só lhes resta esperar que os adultos resolvam o problema para libertá-los desse pesadelo. Se a intervenção não acontece, acriança fica abandonada e crescerá com pensamentos disfuncionais. (DARNALL,

Disponível em: <http://www.apase.org.br/94003-umaanilise.htm>. Acesso Em: 29/09/2015).

Ainda convém lembrar que é extremamente provável que, ao atingir a idade adulta e ampliar suas percepções, o filho desenvolva um complexo de culpa que o assolará por longo período. Além disso, a decepção em descobrir que foi manipulado por seu genitor pode transformar a admiração em repulsa. A tendência é que o filho se volte – aí sim por conta própria, mas em decorrência de muitos anos de engano – contra o genitor que praticou a alienação.

Alguns filhos tentam, inclusive, se aproximar dos pais, mas, muitas vezes, o passar do tempo destrói os laços de afeto e carinho antes existentes. Outros, por sua vez, se vêem tão desorientados com a descoberta de que foram controlados por tanto tempo que se afastam do único genitor com o qual mantinham contato.

Desta feita, percebe-se a existência de efeitos extremamente nocivos à prole, que é suficientemente inteligente para captar as mensagens maliciosas do genitor alienante, mas não madura a ponto de notar as intenções com as quais o pai ou a mãe que pratica a alienação parental age. E, se não compreende as motivações, encara como verdade o que lhe é informado e, por conta disso, cria verdadeira repulsa contra o outro genitor. O genitor alienador, cego em seu ódio e desejo de vingança, não consegue vislumbrar os malefícios que causa à seu filho, quando insere em sua mente a figura de um pai/mãe ruim e que não tem apreço por seu filho, lhe causando dor e sofrimento.