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4. Resultados

4.4 Efeitos da quantidade de alimento sobre a determinação de castas

Com a realização de 300 transferências de larvas conseguimos uma taxa de 75,7% (n= 227) de natalidade de fêmeas (rainhas e operárias) produzidas in vitro. Os poucos machos obtidos não foram considerados para esta parte do trabalho.

Em T. angustula obtivemos uma produção de 60, 6% de rainhas, sendo que estas

foram obtidas na a faixa de 35 a 60 µL de alimento larval, não havendo sobreposição com a produção de operárias que foram produzidas apenas na faixa de 15 a 30 µL de alimento larval (tabela V).

Em F. varia obtivemos 58% de rainhas que foram produzidas na faixa de 30 a 60 µL de alimento larval, enquanto as operárias foram produzidas apenas na faixa de 15 a 35 µL de alimento larval, portanto, nesta espécie houve uma sobreposição nas quantidades de 30 e 35 µL de alimento larval, quando houve a produção mútua de operárias e rainhas (tabela V).

Em N. testaceicornis obtivemos 35,7% de rainhas comuns e 6,7% de

rainhas-miniatura. As operárias foram produzidas na faixa de 15 a 40 µL de alimento larval, as rainhas comuns foram produzidas na faixa de 40 a 60 µL de alimento larval, e as rainhas-miniatura foram produzidas apenas nas quantidades de 25, 30 e 35 µL de alimento larval. Portanto, nesta espécie houve sobreposição nas quantidades de 25, 30 e 35 µL de alimento larval, quando houve a produção de operárias e rainhas-miniatura, e também na quantidade de 40 µL de alimento larval, quando houve a produção de operárias e rainhas comuns (tabela V).

Constatamos que apenas em T. angustula não houve a produção de indivíduos pertencentes a duas castas diferentes para uma mesma quantidade de alimento larval. Salientamos que somente em N. testaceicornis houve a produção de rainhas-miniatura. Ainda observamos que em nenhuma das três espécies houve a produção de indivíduos intermediários (intercastas).

Tabela V: Taxa de emergência de operárias, rainhas e rainhas-miniatura em função da variação da quantidade de alimento oferecida às larvas de Tetragonisca angustula, Frieseomelitta varia e Nannotrigona testaceicornis criadas in vitro.

VA (µL)

Tetragonisca angustula Frieseomelitta varia Nannotrigona testaceicornis

NT Operárias Rainhas NT Operárias Rainhas NT Operárias Rainhas

Rainhas-miniatura % % % % % % % 15 10 8 100 0 0,0 10 10 100 0 0,0 10 5 100 0 0,0 0 0 20 10 7 100 0 0,0 10 9 100 0 0,0 10 9 100 0 0,0 0 0 25 10 9 100 0 0,0 10 8 100 0 0,0 10 7 87,5 0 0,0 1 12,5 30 10 6 100 0 0,0 10 4 57,2 3 42,8 10 6 66,7 0 0,0 3 33,3 35 10 0 0,0 7 100 10 3 37,5 5 62,5 10 8 80,0 0 0,0 2 20,0 40 10 0 0,0 7 100 10 0 0,0 6 100 10 4 66,7 2 33,3 0 0,0 45 10 0 0,0 8 100 10 0 0,0 8 100 10 0 0,0 5 100 0 0,0 50 10 0 0,0 10 100 10 0 0,0 7 100 10 0 0,0 3 100 0 0,0 55 10 0 0,0 9 100 10 0 0,0 10 100 10 0 0,0 8 100 0 0,0 60 10 0 0,0 5 100 10 0 0,0 8 100 10 0 0,0 7 100 0 0,0 Total 100 30 39,4 46 60,6 100 34 42,0 47 58,0 100 39 55,7 25 35,7 6 8,6

Ao compararmos o peso dos indivíduos recém-emergidos produzidos in vitro e de exemplares produzidos naturalmente nas colônias das três espécies, notamos que de maneira geral as rainhas produzidas in vitro possuíram peso inferior àquelas produzidas naturalmente. Ao realizarmos o teste de Mann-Whitney para o peso de rainhas (rainhas naturais e rainhas produzidas in vitro, exceto rainhas miniatura) e operárias (operárias naturais e operárias produzidas in vitro), notamos que existe diferença significativa entre os dois grupos para as três espécies (p< 0,0001).

Quando analisamos os indivíduos produzidos in vitro entre si, notamos que as rainhas possuíram um peso bastante superior ao obtido pelas operárias e pelas rainhas-miniatura. Foi possível notar que o peso dos indivíduos recém-emergidos exibiu variação diretamente proporcional à quantidade de alimento oferecido às larvas (figura 10). Utilizando o coeficiente de Spearman para análise de correlação das amostras par a par, percebemos que o peso dos indivíduos produzidos in vitro se correlacionou positivamente com a quantidade de alimento oferecido às larvas para as três espécies: T. angustula (p= 0,9024), F. varia (p= 0,9120) e N. testaceicornis (p= 0,9123).

Figura 10: Peso médio dos indivíduos naturais e criados in vitro recém-emergidos de Tetragonisca angustula, Frieseomelitta varia e Nannotrigona testaceicornis.

Operárias in vitro Rainhas in vitro

Rainhas in vitro Operárias in vitro

Rainhas-miniatura

Operárias in vitro Rainhas in vitro

Realizamos análise dos componentes principais das três medidas morfométricas realizadas tanto nas fêmeas naturais (Rainhas e operárias naturais) quanto nas fêmeas criadas in vitro para as três espécies. Verificamos que a largura máxima da cabeça e a distância entre as tégulas foram as duas variáveis que mais contribuíram para explicar nossos dados, e por isso, foram utilizadas nas análises dos componentes principais.

Analisando as medidas morfométricas para T. angustula observamos a existência de dois grupos distintos de fêmeas, o primeiro grupo foi formado pelas rainhas e compreendeu as rainhas naturais e aquelas criadas in vitro com as quantidades de 35, 40, 45, 50, 55 e 60 µL de alimento larval; o segundo grupo foi formado pelas operárias e compreendeu as operárias naturais e aquelas criadas in vitro com as quantidades de 15, 20, 25 e 30 µL de alimento larval. Notamos claramente que as rainhas exibiram ambas as medidas (largura máxima da cabeça e distância entre as tégulas) maiores que as operárias (figura 11).

Figura 11: Análise dos componentes principais entre a largura máxima da cabeça (mm) e a distância entre as tégulas (mm) realizadas nas fêmeas de Tetragonisca angustula criadas in vitro com quantidades variadas de alimento e naquelas coletadas nas colônias (naturais).

Analisando as medidas morfométricas para F. varia observamos a existência de dois grupos distintos de fêmeas, o primeiro grupo foi formado pelas rainhas e

compreendeu as rainhas naturais e aquelas criadas in vitro com as quantidades de 30, 35, 40, 45, 50, 55 e 60 µL de alimento larval; o segundo grupo foi formado pelas operárias e compreendeu as operárias naturais e aquelas criadas in vitro com as quantidades de 15, 20, 25 e 30 µL de alimento larval. Notamos que houve uma sobreposição de ambos os grupos devido aos indivíduos produzidos com a quantidade de 30 µL de alimento larval que originaram tanto rainhas quanto operárias. As rainhas exibiram ambas as medidas (largura máxima da cabeça e distância entre as tégulas) maiores que as operárias (figura 12).

Figura 12: Análise dos componentes principais entre a largura máxima da cabeça (mm) e a distância entre as tégulas (mm) realizadas nas fêmeas de Frieseomelitta varia criadas in vitro com quantidades variadas de alimento e naquelas coletadas nas colônias (naturais).

Analisando as medidas morfométricas para N. testaceicornis observamos a existência de três grupos distintos de fêmeas, o primeiro grupo foi formado pelas rainhas e compreendeu as rainhas naturais e aquelas criadas in vitro com as quantidades de 40, 45, 50, 55 e 60 µL de alimento larval; o segundo grupo foi formado pelas operárias e compreendeu as operárias naturais e aquelas criadas in vitro com as quantidades de 15,

20, 25 e 30, 35 e 40 µL de alimento larval; e o terceiro grupo foi formado pelas rainhas-miniatura naturais e aquelas criadas in vitro com as quantidades de 25 e 30, 35 µL de alimento larval. Notamos que houve uma sobreposição dos dois primeiros grupos devido aos indivíduos produzidos com a quantidade de 40 µL de alimento larval que originaram tanto rainhas quanto operárias, porém o terceiro grupo, das rainhas-miniatura, ficou claramente segregado dos dois primeiros grupos. As rainhas comuns exibiram ambas as medidas (largura máxima da cabeça e distância entre as tégulas) maiores que as operárias, enquanto as rainhas-miniatura possuem a largura máxima da cabeça menor do que rainhas comuns e operárias, e a distância entre as tégulas intermediária (figura 13).

Figura 13: Análise dos componentes principais entre a largura máxima da cabeça (mm) e a distância entre as tégulas (mm) realizadas nas fêmeas de Nannotrigona testaceicornis criadas in vitro com quantidades variadas de alimento e naquelas coletadas nas colônias (naturais).

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