—John, o que você me enviou? —Eu perguntei no momento em que ele disse olá, ignorando as gentilezas habituais.
—Eu queria saber quando você estaria de volta de suas férias.
Não havia nenhuma maneira de John acreditar que eu tinha ido de férias para minha propriedade familiar. Por um lado, ele me conhecia muito bem. Por outro lado, o advogado pessoal de Smith trabalhava no mesmo escritório, o que descobrimos por acidente. Mas meu meio-irmão mais velho era nada se não educado.
—Voltei. —Disse. —E estava olhando para os papéis que você enviou para o escritório ontem. Acho que não sei o que eles querem dizer.
—É a transferência de gerenciamento que você pediu. —Houve uma longa pausa.
—Então não estou mais no comando da propriedade?
—Eu pensei que você ficaria satisfeita. —Mesmo por telefone, eu ouvi sua confusão.
—Estou! —Eu disse correndo. —Eu só quero entender o porquê. Eu não quero ficar animada se ela vai jogar isso no meu colo amanhã.
Houve uma pausa na outra extremidade, então John aclarou sua garganta. —Eu supus que deveria correr com isso para você. Presumi que seu marido, ao deixar os papéis e conversarmos, que você lhe pediu para lidar com esse negócio.
Minhas mãos alcançaram uma cadeira e eu a puxei para mim. Tive a sensação que não deveria estar de pé quando ouvisse isso.
—Os documentos tinham suas assinaturas. —Prosseguiu John.
169 —Claro. —O zumbido no meu cérebro estava me privando de quaisquer declarações mais úteis. Eu tinha assinado papéis sobre a propriedade, acrescentando Smith como um proprietário legal, mas algo me disse que eu tinha lhe dado ainda mais controle.
—Seu marido me pediu para assumir o controle da propriedade até que pudesse ser transferida ou vendida.
Um peso que eu nunca tinha percebido que estava em meu peito subiu quando ele falou. Lágrimas formaram-se imediatamente em meus olhos, e eu tentei piscar. Através do estúdio, Lola parou em seu caminho para olhar fixamente para mim. Eu a acenei e girei a cadeira para encarar a janela, para que ela não estivesse a par do espetáculo que eu estava dando.
—Belle? —John perguntou. —Se você não consentiu...
—Não. —Disse um pouco depressa demais. —Quero dizer... não, eu consinto. As coisas ficaram um pouco loucas aqui. Eu não sabia que Smith tinha resolvido.
—É estranho. Sua mãe ameaçou por anos processar a propriedade ou vendê-la, mas nunca pareceu uma decisão certa para você. Não tive nenhuma dúvida quando o Sr. Price apareceu com seus melhores interesses no coração.
Parece um bom homem.
—E você soa como um irmão mais velho protetor. —Brinquei suavemente.
—Isso traz outro ponto que eu gostaria de discutir com você. —Ele tropeçou enquanto falava, e eu me preparei para a má notícia que eu estava esperando quando fiz a chamada. —Eu gostaria que você considerasse vender a propriedade para mim.
—Mas... —Eu balancei a cabeça para limpá-la. —Eu nunca percebi que você queria.
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—Eu não queria tirá-la de você. Eu ainda não quero, embora haja um embasamento legal que deveria ser minha.
—Isso é novidade para mim. —Eu manejei.
—Por favor, não ache que eu estou ameaçando você. —John disse rapidamente. —Eu não sonharia em tomá-la, mas se você está pensando em vender espero que você considere vendê-la para mim. Eu sei que há algum debate sobre se eu sou um Stuart.
—Nunca houve um debate. —Disse em uma voz firme. —Não deixe que uma pessoa faça-o duvidar de quem você é. Mas eu sinto muito, não há como eu vender a propriedade.
—Compreendo.
—Porque você sempre teve tanto direito a ela quanto eu. —Acrescentei antes que ele pudesse ter a ideia errada. —Talvez seja a hora para um Stuart com boas intenções assumir o comando.
—Você está dando para mim? —Eu podia ouvir sua incredulidade através do telefone.
—Imagine quão irritada minha mãe vai ficar. —Ela provavelmente não falará muito de mim, embora eu aprecie o fato.
—Eu não vou expulsá-la.
Ele deveria.
—Mas eu estou em negociações com a BBC.
Eu me encolhi, porque mesmo com o meu nome removido da propriedade do imóvel, eu não queria Philip vendo isto como uma oferta de paz. —Eu suponho que é a sua decisão.
—Smith garantiu os direitos exclusivos de locação para a próxima série. —
171 Ele continuou. —Philip Abernathy estava sendo difícil, e ele viu uma oportunidade. Ele passou o resto do processo para mim.
—Então eles não vão mais filmar em sua casa. —Eu não podia deixar de sorrir.
—Só em Stuart Hall. —Ele confirmou.
—Você realmente é o melhor.
—Eu poderia dizer o mesmo de você. —Ele disse com um suspiro. —Dado que um acordo foi alcançado, embora eu esteja esperando os contratos, Mary concordou em desistir do processo.
—Você é um mago? —Perguntei, meio séria.
—Não, eu sou um advogado. Nunca subestime minha profissão. —Ele parou por um momento. —Você se casou com um homem inteligente, Belle.
E um homem gentil, e um homem subapreciado, eu adicionei silenciosamente. Enquanto passava os últimos dias acusando meu marido de não se importar, ele vinha trabalhando nos bastidores para me libertar dos fardos do meu passado. Eu não perderia Stuart Hall. Ele entendia isso mais do que a maioria, e ele me entendia mais do que ninguém.
Agradeci a John e desliguei. Correndo em direção à porta, peguei minha bolsa do chão.
—Já de saída? —Lola falou.
—Sim, e você deve também. É véspera de Natal. —Eu a lembrei.
—Nem todos nós temos um pedaço sexy de homem para arrastar sob o visco.
Nós teríamos que trabalhar sobre isso, eu decidi, mas por agora eu precisava chegar em casa para o melhor presente que recebi durante todo o ano:
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