Com a visibilidade política obtida no ambiente valorizada e reconhecida pelos políticos, especialmente em períodos eleitorais, com a relação entre os votos obtidos pelos parlamentares em 2010 e sua popularidade em 2013 e, principalmente, porque os políticos mais populares no Twitter durante as eleições de 2014 tenham obtido mais votos, é possível se reconhecer uma relação entre estes dois indicadores, ainda que seja prematuro estabelecer o sentido desta relação. O sucesso eleitoral dos maiores usuários do Twitter indica que há relação entre o capital político do parlamentar e seu capital social no ambiente virtual, mas não é possível se afirmar em que medida um influencia o outro ou em que sentido – se os políticos com maior capital político (votos obtidos) atraem mais seguidores no ambiente virtual ou se aqueles parlamentares mais populares na rede social estão obtendo mais votos por conta desta popularidade.
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Ainda que a popularidade no Twitter seja conquistada através um grande número de seguidores, esta popularidade pode não se traduzir em influência do parlamentar neste ambiente (CHA et al., 2010). E, mesmo que esta influência seja conquistada, este capital social virtual pode sofrer uma taxa de conversão alta para se transformar em capital político, ou seja, em votos obtidos (MIGUEL, 2003). Os dados deste trabalho indicam que, quando está em campanha política o político posta mensagens com maior frequência; e quando posta em ritmo mais intenso no Twitter, o político obtêm maior número de seguidores; e um número maior de seguidores está relacionado a um número maior de votos. Os parlamentares que postaram mais mensagens e conquistaram mais seguidores no Twitter obtiveram mais sucesso na campanha eleitoral. Os Deputados campeões de votos são, via de regra, populares no ambiente virtual. As análises apontam para a conclusão de que a visibilidade e a popularidade dos perfis parlamentares no Twitter têm correlação com o número de votos obtidos nas eleições.
Alguns políticos são relativamente populares entre seus pares na rede social, mas têm relativa popularidade no Twitter como um todo – como no caso do Deputado Nelson Marchezan Junior, seguido por 77 colegas, mas com número relativamente baixo de popularidade junto ao público externo, com cerca de 5 mil seguidores. Outros têm boa popularidade no Twitter, porém são pouco seguidos por seus colegas parlamentares – como o Deputado Irmão Lázaro, celebridade no Twitter com 166 mil contas seguidoras, mas apenas duas delas de colegas parlamentares. A regra, no entanto, é que os políticos populares para o público externo também o são para seus colegas de Congresso – como o Senador José Serra, segundo parlamentar mais seguido no Twitter, com 1,3 milhões de seguidores, e primeiro parlamentar mais popular entre seus pares, com 225 vínculos de atenção de outros parlamentares.
Os parlamentares mais populares se posicionam no Twitter como celebridades, tanto nas conexões com o público externo, como com seus pares: são seguidos bem acima da média, mas seguem de volta um pequeno número de contas. O Senador Aécio Neves, por exemplo, é seguido por 318 mil perfis e segue apenas 39 outras contas; é seguido por 142 parlamentares e segue de volta apenas 17 colegas. Este padrão de conexão seguidor–celebridade entre políticos é corroborado pela conclusão que políticos seguem outros políticos não conforme sua filiação partidária, mas segundo sua afinidade no uso e seu nível de apropriação do Twitter, ou seja, aqueles que se conectam mais com seus correligionários também se conectam mais com políticos de outros partidos.
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O comportamento utilitarista e personalista da maioria dos políticos durante as eleições é confirmado por diferentes indicadores de uso do Twitter durante as eleições. Quando o político tem pretensões eleitorais, mantém ou aumenta seu esforço em aparecer aos eleitores, postando mais mensagens, conectando-se mais a outras contas e buscando popularidade na rede social. Quando, porém, o político está fora da corrida eleitoral, abandona a comunicação via Twitter ou mantém um uso protocolar. Os políticos não candidatos a qualquer cargo eleitoral e que estavam no final de seus mandatos foram os que menos utilizaram a rede para postar mensagens e um dos grupos que mais abandonou suas contas após as eleições.
Dentre os políticos em campanha, os parlamentares não reeleitos fizeram menos uso do Twitter, enquanto muitos entre os reeleitos fizeram inclusive uso de panfletagem eletrônica, ao fixar seu “santinho” de campanha como imagem de capa em sua conta na rede social. O aumento na atividade do Twitter por parte da maioria dos parlamentares durante as eleições de 2014 corrobora a conclusão de Marques e Sampaio (2011), que observaram ter havido uma maior concorrência pela atenção dos usuários do Twitter entre as campanhas eleitorais de 2010. Se, durante as eleições de 2010, o Twitter se revelou como “[...] uma rede de ligação que une outras diferentes redes existentes na internet e que pouco se tocavam” (Idem, p. 214), o que supor do Twitter em sua versão de 2014, com público virtual multiplicado e percentual de adesão pelos políticos tendo atingido a saturação?
De maneira geral, políticos em campanhas eleitorais têm demonstrado que dispensam pouca atenção aos recursos de interação da plataforma, tendendo à autopromoção e ao compartilhamento de informações gerais, fugindo dos debates mais controversos (PANAGIOTOPOULOS; SAMS, 2012). Ainda que muitos políticos estejam usando as redes sociais e ainda que boa parte deles tem elevado nível de atividade no Twitter, nem toda informação postada pelos políticos promove a transparência dos mandatos e gestões públicos; ter uma conta no Twitter e interagir com as pessoas não significa, necessariamente, promover accountability (GOLDBECK, GRIMES e ROGERS, 2010). Enquanto os parlamentares celebridades continuam crescendo significativamente suas popularidades no Twitter, os partidos políticos perdem relevância do ponto de vista das conexões de entrada, porque os seguidores dos congressistas buscam mais as pessoas dos políticos ou seguem políticos independente de suas filiações partidárias.
Entre o início e o final do período analisado neste trabalho, aumentou a visibilidade da pessoa do parlamentar no ambiente virtual e diminuiu a relevância do partido político, indicando um
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aumento no individualismo e no personalismo político expresso ou retratado na rede social, o que corrobora a afirmação de Maria D’alva Kinzo de que “[...] as campanhas eleitorais [...] não se centram nos partidos como atores distintos; [...] os eleitores estão expostos a uma disputa muito mais entre candidaturas individuais” (KINZO, 2005, p. 68). A troca ou renovação parlamentar após as eleições não apenas aumentou a fragmentação partidária, mas também pulverizou a atenção do público aos conteúdos postados pelas bancadas políticas representadas no Congresso Nacional.
De volta às hipóteses que guiaram o percurso deste trabalho, compreende-se aqui que a primeira afirmação foi confirmada pelos dados, ou seja, os parlamentares comportam-se de forma individualista e personalista no Twitter, buscam a promoção de suas imagens políticas com vistas ao resultado eleitoral. Já em relação aos partidos políticos, suas representações no ambiente virtual replicam suas conexões e interações fora do ambiente virtual, porém com exceções importantes, com alguns pequenos partidos obtendo maior importância relativa na rede social e outros grandes partidos jogando um papel secundário no Twitter. Com algumas ressalvas, conclui-se aqui que o ambiente virtual repete o quadro descrito sobre o sistema político brasileiro pela teoria política.