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2. Revisão de literatura

2.5 A gestão estratégica do e-Learning no Ensino Superior

2.5.4 Elementos de um plano estratégico para o e-Learning

Um plano estratégico para o e-Learning pode delinear-se num conjunto de elementos orientadores, que contemplam: (i) a visão e (ii) as razões que fundamentam a utilização do e-Learning numa IES (e que devem ser desenvolvidos em simultâneo), além dos (iii) princípios orientadores da estratégia, (iv) objectivos, resultados e produtos que se pretende atingir, e (v) as ações e atividades que devem ser executadas para tal (Bullen, 2014; 2015; Bullen & Bourlova, 2015).

Nos termos de Bullen, a visão será uma descrição clara e concreta da forma como a instituição se perspetiva quando um dado plano estratégico para o e-Learning se encontrar plenamente implementado. A visão deve ser o resultado de um conjunto de contributos dos diversos níveis orgânicos e académicos, que desenvolvem a suas próprias visões, contudo consistentes com a visão global (institucional) para o e-Learning.

Sobre os fundamentos (rationale) para a adoção atual do e-Learning por parte das IES, Bullen, menciona o seguintes:

 corresponder de forma flexível às necessidades dos alunos;

 aumentar o acesso a cursos e outras formações;

 gerir os vários cursos, no caso de campus dispersos;

 melhorar os processos de ensino e de aprendizagem (qualidade);

 preparar os alunos para novas exigências do mercado;

Sobre os princípios orientadores da estratégia para o e-Learning, Bullen (2014;2015) releva a sua importância na governação das iniciativas de e-eLearning. Citando Bates (2007), este sugere como princípios de base, que:

a. os benefícios da utilização e-Learning devem ser claramente identificados antes do arranque e desenvolvimento da iniciativa;

b. as unidades, faculdades, escolas, departamentos académicos deverão construir e tomar decisões sobre a forma como e e-Learning se interliga e pode ser utilizado para cumprimento dos seus objetivos;

c. o e-Learning não deslocará ou colocará em risco o trabalho dos docentes, antes irá reforçar o seu papel no ensino e na aprendizagem por forma a melhorar as práticas pedagógicas;

d. será evitada a sobrecarga de trabalho docente, decorrente da utilização do e- Learning, criando estruturas e serviços de suporte central ao ensino por via do e-Learning;

e. será dada prioridade ao desenvolvimento profissional docentes, de forma a que estes passem a possuir formação adequada para a utilização do e- Learning;

f. que os custos de desenvolvimento de iniciativas ou programas de e-Learning seja controlado por meio de uma abordagem de gestão de projetos, bem como a centralização de recursos num centro de ensino e aprendizagem com estreita relação com os serviços tecnológicos (redes, sistemas e aplicações).

Sobre os objetivos e resultados estratégicos, Bullen refere que estes correspondem ao enunciado sobre o que a instituição espera alcançar pela implementação e execução do

plano estratégico devendo estesser alinhados com o plano estratégico global da instituição.

Sobre as ações, atividades a executar, Bullen, considera-as como fatores-chave para atingir objetivos estratégicos e os resultados a forma de atingir esses objetivos.

Embora não seja possível estabelecer uma estrutura e práticas singulares na abordagem e desenvolvimento de um plano estratégico para o e-Learning, identificam-se perspetivas diversas que, no contexto do ES, estabelecem elementos orientadores para uma estratégia institucional de incorporação das TIC com base:

a. na capacidade de inovação, fundamentando a abordagem numa avaliação sobre as atuais capacidades institucionais e de que forma se pode implementar uma estratégia inovadora, com o suporte das tecnologias (Salmon, 2005; 2014; Salmon et al., 2008);

b. num processo evolutivo que considera fases de abordagem, como a visão estratégica, o planeamento e a implementação, de acordo com as dimensões tecnológica, organizacional e pedagógica, requerendo a avaliação diagnóstica do nível de desenvolvimento das seguintes condições: visão e planeamento estratégico, ensino e aprendizagem, desenvolvimento profissional docente, gestão das TIC e e-Learning.

A partir de autores como Ahmad, Farley e Naidoo (2012); Boezerooij et al. (2007); Fearon et al. (2012); Madar e Willis (2014); Salmon (2014); MacKeogh e Fox (2009) poderemos sistematizar algumas linhas orientadoras deste tópico, designadamente:

a) o desenvolvimento de uma estratégia de e-Learning implica uma visão sobre os objetivos institucionais;

b) é fundamental o suporte e envolvimento das estruturas de gestão e direção (técnicas, científicas, pedagógicas, administrativas);

c) que as estratégias top down dificilmente serão produtivas em meios académicos tradicionais;

d) estabelecer modelos de abordagem que incorporem uma cultura de e- Learning na organização;

e) que a cultura organizacional influencia a adoção do e-Learning, pelo que se deve entender as interações organizacionais e o papel desempenhado pelos diferentes stakeholders;

f) que os projetos de e-Learning têm custos e investimentos, e que este fator influencia a competitividade da organização, bem como os (pré) conceitos e discursos sobre o e-Learning;

g) que o potencial do e-Learning nas universidades pode gerar visões institucionais convergentes ou divergentes;

h) que a implementação efetiva de uma estratégia de e-Learning implica (para as universidades) adaptabilidade e flexibilidade para ultrapassar as contingências financeiras e culturais.

A identificação de um quadro comum de abordagens estratégicas para a adoção do e-Learning no ES, revela-se assim uma tarefa complexa, pela diversidade das IES, e pelos modelos organizacionais inerentes a cada uma delas. Em especial quando o sistema de ensino superior contempla universidades e politécnicos, que na sua estrutura são unidades organizacionais muito distintas. A revisão de literatura neste tópico demonstra que em termos internacionais as universidades estão atentas ao conjunto de desafios estratégicos necessários para a adoção do e-Learning; contudo a nível nacional não se encontra literatura que transpareça essa preocupação como um fenómeno vigente.

Em síntese, apesar dos muitos elementos orientadores existentes não existem prescrições para a elaboração de estratégias de e-Learning, dada a diversidade organizacional. Não é suposto que seja cumprida uma estrutura padrão na elaboração deste recurso. Estabelece-se como único critério de qualidade de uma estratégia de e- Learning “…the extent to which the plan provides concrete and realistic goals and strategies for achieving those goals.” (Bullen & Bourlova, 2015).