EM JEITO DE APONTAMENTO FINAL
Num mundo que se apresenta globalizado, onde é importante sabermos explorar as interfaces que o pensar globalmente e agir localmente reclamados situam, de forma continuada, a educação urbana emerge a gerar interactividade com o aprendente. Possibilita‐lhe desenvolver processos educativos, enaltece o valor de construção e da socialização do conhecimento, sabendo que a internet se revela um recurso disponível a impulsioná‐la. As pessoas de todas as idades, em qualquer tempo, espaço, contexto, podem agir como sujeitos da sua própria aprendizagem, entendida como espaço de possibilidades múltiplas.
Nos tempos que correm, cada vez mais, se evidencia que a mudança política, social, económica, cultural, provocou reacções na educação, desencadeou múltiplos movimentos focados nas regiões, nas cidades, a solicitar estruturas com capacidade de agregação da população. São diversos os desafios que lançam aos diferentes sectores da sociedade, à vida quotidiana. Desta forma, compreende‐se a cidade muito capaz de fornecer recursos de valor proactivo para a transformação social, para a inclusão (Viana & Serrano, 2010), para a coesão social. As cidades combinam espaços formais, não formais e informais de educação/formação, que se organizam do pré‐escolar ao ensino superior, com valor elevado na construção da aprendizagem ao longo da vida. Desta forma, constituem‐se
como meios culturais férteis em novas iniciativas de educação, a colocarem o cidadão de todas as idades e condições sociais em primeiro plano.
Neste contexto, a educação urbana ganha potencial suportada pelas tecnologias, uma vez que possibilita o desenvolvimento de sujeitos autónomos, facilita aprender de forma significativa e interdisciplinar e permite tomar decisões integradas e contextualizadas. No entanto, é uma acessibilidade que alerta para a necessidade de regular a qualidade das informações disponíveis, porque com implicações fortes na construção do conhecimento. É uma acessibilidade que ganha força se dialogante com os diferentes intervenientes que actuam no planeamento, na gestão, no desenvolvimento da cidade, interrogando‐nos sobre:
‐ Qual a relação com a realidade, que interactividade com o meio, efectivamente, permite?
‐ Que relação com o quotidiano do aprendente/cidadão?
‐ Como explorar a vivência digital e interactiva?
‐ Como explorar a mistura entre o virtual e o real?
‐ Que relação com a exploração das redes metropolitanas sem fios de alta velocidade?
‐ Qual o diálogo a desenvolver entre engenheiros, arquitectos, educadores, construtores, governantes,qual o diálogo a desenvolver entre os intervenientes‐chave implicados na organização/imagem/perfil da cidade? Que diálogos já se estabelecem?
A educação urbana apresenta‐se na forma multidisciplinar, onde as múltiplas fontes de conhecimento poderão estar disponíveis e ser usadas de forma integrada nos processos de aprendizagem, tornados profícuos se alavancados pelas tecnologias de informação e comunicação.
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GLOBALIZAÇÃO, FORMAÇÃO E APRENDIZAGEM
Helena de Sousa Leite Agrupamento de Escolas Professor João de Meira
INTRODUÇÃO
“Globalização, formação e aprendizagem”… três conceitos tão profundos quanto intrinsecamente relacionados. Este facto, por um lado, dinamiza este estudo, mas por outro dado, complexifica‐o. Considera‐se que estes conceitos giram em torno de um conceito igualmente abrangente que não podemos descurar – a cidadania, que sugere o conjunto de atitudes de cooperação, de reciprocidade e de participação numa comunidade, tendo em vista manter e reforçar o sentido de identidade, de coesão e continuidade dessa mesma comunidade.
Nas últimas três décadas, as interacções transnacionais conheceram uma intensificação dramática, desde a globalização dos sistemas de produção e das transferências financeiras à disseminação, a uma escala mundial, de informação e imagens através dos meios de comunicação social ou às deslocações em massa de pessoas, quer como turistas, quer como trabalhadores migrantes ou refugiados. A extraordinária amplitude e profundidade destas interacções transnacionais levaram a que alguns autores as vissem como ruptura em relação às anteriores formas de interacções transfronteiriças, um fenómeno novo designado por “globalização”
(Santos, 2001).
Neste sentido, Giddens (1998) define globalização como “a intensificação de relações sociais mundiais que une localidades distantes de tal modo que os acontecimentos locais são condicionados por eventos que acontecem a muitas milhas de distância e vice‐versa”.
Relativamente ao fenómeno da globalização, ao qual a sociedade portuguesa não fica imune, onde a educação e a formação constituem factores‐chave para enfrentar esse desafio, torna‐se imperioso realçar que este impõe uma dinâmica de aprendizagem permanente como condição para o aperfeiçoamento constante das