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Energia mecˆ anica

No documento 18 de Junho de (páginas 56-59)

4.3.1

Exerc´ıcios

Exerc´ıcio 58

Aplique o operador gradiente (4.10) em (4.13), como indicado em (4.9), e mostre que esta opera¸c˜ao realmente recupera o vetor for¸ca el´astica ⃗F = −kxˆı.

Exerc´ıcio 59

Aplique o operador gradiente (4.10) em (4.14), como indicado em (4.9), e mostre que esta opera¸c˜ao realmente recupera o vetor for¸ca gravitacional ⃗F = −mgˆȷ.

Exerc´ıcio 60

A massa m na Figura3.4est´a localizada na posi¸c˜ao

⃗r = xˆı + y ˆȷ. Mostre que o diferencial deste vetor

posi¸c˜ao ´e d⃗r = dxˆı + dy ˆȷ. Agora vamos efetuar

uma mudan¸ca de coordenadas. Das coordenadas cartesianas (x e y) para coordenadas polares (l e

θ): x = l cos θ, y = l sin θ, com l constante. Mostre

que o diferencial do vetor posi¸c˜ao torna-se

d⃗r =−l sin θ dθˆı+ l cos θ dθˆȷ

=−y dθˆı+ x dθˆȷ. (4.20) Calcule o vetor velocidade d⃗r/dt, dividindo o dife-

rencial da posi¸c˜ao (4.20) pelo diferencial do tempo

dt. Mostre que este vetor velocidade ´e perpendi- cular ao vetor posi¸c˜ao ⃗r = xˆı + y ˆȷ. Mostre que o

m´odulo deste vetor velocidade ´e

v = d⃗r

dt = l ˙θ. (4.21) Exerc´ıcio 61

Determine explicitamente a energia potencial (4.17) para o pˆendulo simples.

Exerc´ıcio 62

Considere a trajet´oria circular do pˆendulo mos- trado na Figura3.4. Esta trajet´oria pode ser des- crita usando o sistema polar (ou esf´erico) de coor- denadas apresentado no ApˆendiceCfazendo r = l e

ϕ = π/2. Como r e ϕ s˜ao constantes, ent˜ao seus di- ferenciais s˜ao nulos. Assim o operador gradiente em coordenadas polares (C.5), adaptado `a trajet´oria circular de raio l no plano XY , pode ser re-escrito como ∇ = θˆ l d dθ. (4.22)

Da geometria plana sabemos que o arco compreen- dido pelo ˆangulo dθ numa circunferˆencia de raio l ´

e l dθ. Ent˜ao, no sistema polar de coordenadas, o vetor deslocamento infinitesimal ao longo de uma circunferˆencia de raio l ´e d⃗s = ldθ ˆθ, um vetor

na dire¸c˜ao do versor ˆθ (tangente `a trajet´oria) de m´odulo ldθ. Mostre que o vetor velocidade tangen- cial ´e

v = l ˙θ ˆθ. (4.23) Seguindo este modelo, a componente tangencial da for¸ca peso (a ´unica parte da for¸ca resultante que realmente realiza trabalho, pois a outra parte est´a na dire¸c˜ao radial, perpendicular ao deslocamento, pode ser escrita como ⃗Fθ = −mg sin θ ˆθ. Ent˜ao

use a defini¸c˜ao (4.8) para mostrar que a energia potencial calculada por

V =−θ 0 Fθ· d⃗s (4.24) ´

e igual `a energia potencial encontrada em (4.17). Feito isto, use a prescri¸c˜ao (4.9), com o gradiente na forma (C.5), para recuperar ⃗Fθ=−mg sin θ ˆθ.

4.4

Energia mecˆanica

Considere um sistema contendo apenas for¸cas con- servativas. Ent˜ao, usando a defini¸c˜ao (4.8) de ener- gia potencial, podemos substituir o trabalho pela energia potencial correspondente (∆W = −∆V ) no Teorema7para obtermos

∆T = ∆W =−∆V

⇒ ∆T + ∆V = ∆(T + V ) = 0. (4.25)

Este resultado ´e simplesmente surpreendente pois, em geral, tanto a energia cin´etica T quanto a ener- gia potencial V variam ao longo de uma determi- nada trajet´oria, ou seja, s˜ao fun¸c˜oes do tempo. A ´

ultima express˜ao em (4.25) est´a nos dizendo que a soma T + V ´e uma constante. Al´em disso, como os extremos de qualquer trajet´oria podem ser escolhi- dos arbitrariamente, ent˜ao a soma T + V deve ser independente do tempo, ou seja, ´e uma quantidade conservada. Encontrar uma quantidade conservada ´

e como encontrar uma agulha em um palheiro. Esta quantidade conservada merece um nome pr´oprio: energia mecˆanica,

Cap´ıtulo 4. Leis de conserva¸c˜ao I 4.4. Energia mecˆanica

Portanto, a energia mecˆanica de um sistema con- tendo for¸cas conservativas ´e uma quantidade con- servada. Isto justifica o adjetivo “conservativo” para as for¸cas conservativas. Um sistema con- tendo somente for¸cas conservativas ser´a denomi- nado tamb´em de sistema conservativo. Bem, en- contramos ent˜ao a outra lei de conserva¸c˜ao (al´em da conserva¸c˜ao do momentum linear):

Teorema 8 (Energia mecˆanica)

A energia mecˆanica em um sistema conservativo ´e uma quantidade conservada,

∆E = 0, E = T + V. (4.27) N˜ao podemos esquecer que a defini¸c˜ao (4.8) de energia potencial somente est´a estabelecida para sistemas conservativos, ou seja, quando o trabalho numa trajet´oria fechado qualquer ´e nulo. Para sis- temas n˜ao-conservativos, n˜ao ´e mais verdade que o trabalho depender´a apenas das posi¸c˜oes inicial e final, impossibilitando assim a defini¸c˜ao de uma fun¸c˜ao (potencial) da posi¸c˜ao. Al´em disto, n˜ao po- demos garantir que toda energia trocada com um sistema n˜ao-conservativo ser´a armazenda somente nas formas de energia cin´etica e potencial, pois pode haver perdas por qualquer processo dissipa- tivo, como atrito, por exemplo.

Exemplos, coment´arios e aplica¸c˜oes. Vamos tomar novamente um oscilador harmˆonico cons- titu´ıdo por uma massa m e uma for¸ca el´astica de constante k como exemplo. Em um determinado instante de tempo t qualquer, a energia mecˆanica (4.26) deste sistema, juntando os resultados da Se¸c˜ao4.2, defini¸c˜ao (4.6), e da Se¸c˜ao4.3, express˜ao (4.13), ´e E = T + V = 1 2m ˙x 2+1 2kx 2, (4.28)

na qual fizemos a escolha V (0) = 0. Este sis- tema ´e um excelente caso de estudo porque n´os te- mos a equa¸c˜ao hor´aria x(t) determinada como uma fun¸c˜ao expl´ıcita do tempo, a express˜ao (3.80),

x(t) = A cos(ω0t + ϕ), ω0= √

k

m. (4.29)

Podemos ver claramente que tanto a energia cin´etica T quanto a energia potencial V est˜ao vari- ando no tempo. No entanto, quando substitu´ımos (4.29) em (4.28) (fa¸ca o Exerc´ıcio 63), obtemos

uma energia mecˆanica constante (independente do tempo), E =1 2kA 2=1 2 2 0A 2. (4.30)

Considere agora uma massa m em queda livre de uma altura h acima da superf´ıcie da Terra. Des- preze qualquer tipo de dissipa¸c˜ao. Em um deter- minado instante de tempo t qualquer, a energia mecˆanica (4.26) deste sistema, juntando os resul- tados da Se¸c˜ao4.2, defini¸c˜ao (4.6), e da Se¸c˜ao4.3, express˜ao (4.14), ´e

E = T + V = 1

2m ˙z

2+ mgz (4.31)

na qual fizemos a escolha V (0) = 0. Este sis- tema tamb´em ´e um excelente caso de estudo, pois tamb´em temos a equa¸c˜ao hor´aria z(t) determinada como uma fun¸c˜ao expl´ıcita do tempo, express˜ao (3.35),

z(t) = h−1

2g t

2. (4.32)

Podemos ver claramente que tanto a energia cin´etica T quanto a energia potencial V est˜ao vari- ando no tempo. No entanto, quando substitu´ımos (4.32) em (4.31) (fa¸ca o Exerc´ıcio 64), obtemos uma energia mecˆanica constante (independente do tempo),

E = mgh. (4.33) O pˆendulo da Figura 3.4 ´e tamb´em um ´otimo exemplo de um sistema conservativo. O m´odulo do vetor velocidade da massa m pode ser calculado se- guindo o procedimento descrito no Exerc´ıcio (60). A energia potencial deste pˆendulo foi calculada an- teriormente, express˜ao (4.17). Ent˜ao, a energia mecˆanica deste pˆendulo pode ser escrita na forma

E = T + V = 1 2I ˙θ 2+ Iω2 0(1− cos θ), (4.34) com I = ml2, ω0= √ g l. (4.35)

Embora n˜ao tenhamos uma fun¸c˜ao simples para ex- pressar a equa¸c˜ao hor´aria θ(t) explicitamente em fun¸c˜ao do tempo, como nos casos anteriores, para verificarmos que a energia mecˆanica (4.34) ´e de fato independente do tempo, isto pode ser verificado fa- cilmente calculando a equa¸c˜ao hor´aria θ(t) numeri- camente (fa¸ca o Exerc´ıcio65).

4.4. Energia mecˆanica Cap´ıtulo 4. Leis de conserva¸c˜ao I

Vimos que o Princ´ıpio 2faz uso de uma quanti- dade vetorial conservada (constante no tempo) du- rante a intera¸c˜ao entre dois ou mais corpos isola- dos. Ap´os a introdu¸c˜ao do conceito operacional de massa (inercial), esta quantidade conservada foi denominada de momentum linear total do sistema isolado. Vimos tamb´em, ap´os a defini¸c˜ao de for¸ca, que a varia¸c˜ao temporal do momentum linear indi- vidual ´e igual `a for¸ca agindo em um corpo. Por- tanto, se a for¸ca atuando em um corpo ´e nula, po- demos afirmar que o vetor momentum linear deste corpo ´e constante no tempo, ou seja, ´e uma quan- tidade conservada. Este resultado est´a em pleno acordo com o Princ´ıpio 1. Naturalmente, estare- mos interessados em um sistema f´ısico constitu´ıdo por dois ou mais corpos interagindo entre si. No entanto, por comodidade, vamos concentrar nossa aten¸c˜ao em apenas dois corpos interagentes. N˜ao havendo for¸cas externas, ent˜ao a for¸ca resultante ´

e nula, pois as for¸cas internas cancelam-se aos pa- res. Entretanto, o momentum linear resultante n˜ao ´

e nulo, pois n˜ao h´a cancelamento por pares para o momentum linear. Ao inv´es de cancelar, o mo- mentum linear resultante permanece constante no tempo (veja o Teorema6),

F = d

dt⃗p ⇒ ⃗p(t1) = ⃗p(t2) se

F = ⃗0. (4.36)

Uma quantidade conservada ´e extremamente ´

util. Vejamos alguns exemplos. Considere dois cor- pos de massas iguais, m1 = m2 = m, movendo-se

na mesma dire¸c˜ao, mas em sentidos opostos, com velocidades ⃗v2 =−⃗v1. Ap´os um certo intervalo de

tempo, estes dois corpos ir˜ao colidir entre si. O que sabemos? Sabemos que num certo instante t1, an-

tes da colis˜ao, o momentum linear total era nulo,

p(t1) = ⃗p1(t1) + ⃗p2(t1) = m1⃗v1(t1)− m2⃗v1(t1) = 0.

Supondo que estes dois corpos estejam isolados, ent˜ao, devido `a lei de conserva¸c˜ao (4.36), o mo- mentum linear total ap´os a colis˜ao deve permane- cer com o mesmo valor que tinha antes da colis˜ao. Assim, num certo instante t2 depois da colis˜ao de-

vemos ter ⃗p(t2) = 0. Portanto h´a duas possibili- dades para o movimento posterior `a colis˜ao: (1) os dois corpos permanecem unidos em repouso (cho- que perfeitamente inel´astico), ou (2) os dois corpos invertem completamente o sentido de suas velocida- des, as quais continuam tendo m´odulos iguais (cho- que perfeitamente el´astico).

Numa situa¸c˜ao “sim´etrica” `a anterior, imagine um corpo em repouso. Para ser mais preciso, su- ponha que este corpo seja a part´ıcula sub-atˆomica k´aon K0, a qual ´e eletricamente neutra (vejaAven-

turas das Part´ıculas). Expontaneamente, o k´aon transforma-se (decai) em duas outras part´ıculas, K0 → π++ π, denominadas de p´ıons (de cargas

opostas e massa iguais). Antes do decaimento, o momentum linear ´e nulo (k´aon em repouso). Ap´os o decaimento, o momentum linear deve ser o mesmo de antes, pois o processo de decaimento n˜ao envolve for¸cas externas. Portanto, os p´ıons devem sair ap´os o decaimento com velocidades opostas. Isto ´e o que observamos no laborat´orio.

Nos dois exemplos anteriores, todos os resulta- dos que obtivemos decorreram somente da lei de conserva¸c˜ao (4.36) para o vetor momentum linear, independentemente do que ocorre exatamente no momento de uma colis˜ao ou de um decaimento (ou de uma explos˜ao). Se lembramos que os processos f´ısicos envolvidos no momento da colis˜ao s˜ao terri- velmente complexos, a lei de conserva¸c˜ao (4.36) ´e “A Ferramenta”. Na verdade s˜ao trˆes leis de con- serva¸c˜ao: uma para cada eixo independente. Entre- tanto, nem sempre h´a conserva¸c˜ao do momentum linear nos trˆes eixos simultaneamente. Pode ha- ver uma for¸ca externa agindo somente em um eixo, ou somente em dois eixos. O resultado importante a ser gravado ´e: se uma componente da for¸ca re- sultante ´e nula, ent˜ao o momentum linear naquela dire¸c˜ao ´e conservado:

Fi= 0 ⇔ pi(t1) = pi(t2)

ou mvi(t1) = mvi(t2). (4.37)

Esta ´e uma forma expl´ıcita do Teorema 6, isto ´e, escrita em termos de componentes.

A B vA vB h t = 0 t > 0 g θ

Figura 4.1: O corpo A escorrega sem atrito sobre o corpo B, o qual desliza horizontalmente sem atrito. Ambos est˜ao sob a a¸c˜ao da gravidade.

No documento 18 de Junho de (páginas 56-59)