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Enquadramento Curricular da Disciplina de TIC

6. Prática Pedagógica

6.2. Enquadramento Curricular da Disciplina de TIC

O XIX Governo Constitucional assumiu no seu Programa a educação como fator determinante para o futuro do País, com o objetivo principal de aumentar a qualidade e o sucesso escolar. Para isso, o Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho pretende reforçar o espaço de decisão dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, de forma a permitir a otimização da gestão dos recursos disponíveis de acordo com as necessidades concretas dos alunos (Preâmbulo do Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho).

Para melhorar a qualidade do que se ensina e do que se aprende, o referido diploma procedeu à introdução de um conjunto de alterações destinadas a criar uma cultura de rigor e de excelência, através da implementação de medidas no currículo dos ensinos básico e secundário. Essas medidas passaram, fundamentalmente, por aumentar a autonomia das escolas na gestão do currículo, por uma maior liberdade de escolha das ofertas formativas, pela atualização da estrutura do currículo, nomeadamente através da redução da dispersão curricular, e por um acompanhamento mais eficaz dos alunos, através de uma melhoria da avaliação e da deteção atempada de dificuldades. Com o presente diploma, os docentes têm liberdade na implementação de metodologias baseadas nas suas experiências, práticas individuais e colaborativas, bem como é reforçada a autonomia

pedagógica e organizativa das escolas (Preâmbulo do Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho).

O reforço da autonomia da escola é realizado através da oferta de disciplinas de escola e pela possibilidade de criação de ofertas complementares, bem como por uma flexibilização da gestão das cargas letivas a partir do estabelecimento de um mínimo de tempo por disciplina e de um total de carga curricular. Há flexibilidade na duração das aulas, eliminando-se a obrigatoriedade de organizar os horários de acordo com tempos letivos de 45 minutos ou seus múltiplos (Preâmbulo do Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho).

Os resultados a obter da aprendizagem, de forma a serem fiáveis, resultam de processos de avaliação interna, acompanhados de provas e exames, fornecendo indicadores da consecução das metas curriculares e dos conteúdos disciplinares definidos para cada disciplina (Preâmbulo do Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho).

Relativamente à organização curricular, o artigo 8.º, ponto 1, aprova as matrizes curriculares do 1.º, 2.º e 3.º ciclo do ensino básico, que integram Disciplinas6 (ponto 2,

alínea a), carga horária semanal mínima de cada uma das disciplinas (alínea b) e carga horária total a cumprir (alínea c). O ponto 3 do mesmo artigo, também alterado pelo Decreto-Lei n.º 91/2013, de 10 de julho, faz referência ao desenvolvimento das disciplinas, sendo da responsabilidade do professor titular de turma, no caso do 1.º ciclo, em articulação com o conselho de docentes, e do conselho de turma, no caso dos 2.º e 3.º ciclo.

Neste sentido, no que diz respeito à disciplina de TIC, de acordo com o artigo 11.º, nº1 do Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, as alterações introduzidas fizeram com que tenha início no 7.º ano de escolaridade, garantindo aos alunos mais jovens uma utilização segura e adequada dos recursos digitais e proporcionando condições para um acesso universal à informação, funcionando sequencialmente nos 7.º e 8.º anos, semestral ou anualmente, em articulação com uma disciplina criada pela escola, designada por “oferta de escola”. Na escola Secundária c/ 3º Ciclo Camilo Castelo Branco a opção foi por, tanto no 7º como no 8º ano, a disciplina funcionar semestralmente, com aulas de 1h30m.

Pelo facto de ser preocupação do XIX Governo Constitucional a promoção do sucesso escolar e o aumento da qualidade do ensino, houve necessidade de proceder a alguns ajustamentos ao Decreto-lei n.º 139/2012, de 5 de julho, que, por um lado,

contribuem para a integração no currículo de componentes, fortalecem o desempenho dos alunos e proporcionam um maior desenvolvimento das suas capacidades, e, por outro, reforçam a autonomia pedagógica e organizativa dos estabelecimentos de educação e ensino no que respeita à gestão da componente curricular e também de outras componentes do currículo. Assim, foi aprovado o Decreto-Lei n. º 91/2013, de 10 de julho, que, no entanto, no que diz respeito à disciplina de TIC, não sofreu alterações.

As metas curriculares foram homologadas, no Ensino Básico, para as disciplinas de Português, de Matemática, de TIC, de Educação Visual e de Educação Tecnológica, através do Despacho N. º 10874/2012 de 10 de agosto, constituindo-se como orientações recomendadas para as referidas disciplinas para o ano letivo 2012/2013 e, posteriormente, tornadas vinculativas, devendo ser respeitadas na execução dos programas em vigor. Com o Despacho N. º 15971/2012 de 14 de dezembro, definiu-se o calendário de implementação das Metas Curriculares, de forma vinculativa.

As metas curriculares definem as aprendizagens essenciais a realizar pelos alunos em cada disciplina, por ano de escolaridade ou, caso se justifique, por ciclo, destacando o que dos programas deve ser objeto primordial de ensino e identificam os desempenhos que traduzem os conhecimentos a adquirir e as capacidades que se querem ver desenvolvidas. Constituindo-se como referenciais para a avaliação interna e externa, com especial relevância para as provas finais de ciclo e exames nacionais, são, também, um meio privilegiado de apoio à planificação e à organização do ensino, incluindo a produção de materiais didáticos (Despacho N. º 15971/2012 de 14 de dezembro).

Segundo o anexo I a que faz referencia a alínea nº 1 do artigo 2.º do Despacho N. º 15971/2012 de 14 de dezembro, a aplicação obrigatória das metas curriculares, para a disciplina de TIC, concretiza-se no ano letivo 2014/2015, para o 7º e 8º ano.

As metas curriculares “Estão organizadas em domínios, subdomínios e objetivos gerais, completados por descritores precisos e avaliáveis (…) ”, e, conforme referido anteriormente, estabelecem as aprendizagens essenciais a realizar pelos alunos na disciplina de TIC, no 7.º e 8.º ano de escolaridade. Constituem “ (…) um referencial para professores e encarregados de educação, ajudando-os a encontrar os meios necessários para que os alunos desenvolvam as capacidades e os conhecimentos indispensáveis ao prosseguimento dos seus estudos e às necessidades da sociedade contemporânea. A sua formulação convocou dados científicos, bem como recomendações produzidas no âmbito da Agenda

Digital Europeia7 e da OCDE8, que sublinham a importância de, desde cedo, os alunos utilizarem as TIC como ferramentas de trabalho.” (Horta, Mendonça e Nascimento, 2012, p.1).

Com a reformulação da disciplina, o objetivo é “ (…) promover o desenvolvimento de conhecimentos e capacidades na utilização das tecnologias de informação e comunicação, que permitam uma literacia digital generalizada, tendo em conta a igualdade de oportunidades para todos os alunos. Há que fomentar nos alunos a análise crítica da função e do poder das tecnologias de informação e comunicação e desenvolver neles a capacidade de pesquisar, tratar, produzir e comunicar informação através das tecnologias, paralelamente à capacidade de pesquisa nos formatos tradicionais (livros, revistas, enciclopédias, jornais e outros suportes de informação).” (Horta, Mendonça e Nascimento, 2012, p.1).

A disciplina de TIC, nos dois anos de escolaridade, 7.º e 8.º, assume-se de caráter prático e está organizada através dos seguintes domínios:

• Informação; • Produção;

• Comunicação e Colaboração9;

• Segurança − abordado de forma transversal nos outros domínios atrás referidos (Horta, Mendonça e Nascimento, 2012, p.2).

Segundo as metas curriculares de TIC, os conteúdos a abordar para o 7.º ano de Escolaridade são os seguintes:

• A informação, o conhecimento e o mundo das tecnologias;

• Utilização do computador e/ou de dispositivos eletrónicos similares em segurança;

7 O objetivo geral da Agenda Digital é extrair benefícios económicos e sociais sustentáveis de um

mercado único digital, com base na Internet rápida e ultra-rápida e em aplicações inter-operáveis.

8 A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico é uma organização cuja missão, na

essência, a de auxiliar Governos e sociedade a aproveitarem plenamente as vantagens da globalização, fazendo face aos desafios económicos, sociais e de governação que acompanham aquele fenómeno.

9 Este domínio é abordado apenas no 8.º ano, devido às restrições legais relacionadas com o limite

mínimo de idade exigido para a criação de um endereço de correio eletrónico num servidor público/comercial.

• Pesquisa de informação na Internet; • Análise da informação na Internet; • Produção e edição de documentos;

• Produção e edição de apresentações multimédia (Horta, Mendonça e Nascimento, 2012, pp.5-8).

Segundo as metas curriculares de TIC, os conteúdos a abordar para o 8.º ano de Escolaridade são os seguintes:

• Conhecimento e utilização adequada e segura de diferentes tipos de ferramentas de comunicação, de acordo com as situações de comunicação e as regras de conduta e de funcionamento de cada ambiente digital;

• Uso da língua e adequação linguística aos contextos de comunicação através da Internet;

• Comunicação e colaboração em rede; • Pesquisa de informação;

• Análise da informação; • Gestão da informação;

• Exploração de ambientes computacionais (Horta, Mendonça e Nascimento, 2012, pp.9-14).

Para além dos conteúdos atrás referidos, existem subdomínios de desenvolvimento, que não são de abordagem obrigatória, podendo ser incluídos na planificação da turma, em qualquer um dos anos de escolaridade:

• Dados e estatísticas; • Imagem e vídeo;

Para cada ano de escolaridade, a partir de uma cuidada avaliação diagnóstica, deverá ser desenvolvida, de forma autónoma, a planificação pelo professor. Caso o resultado da avaliação e o ritmo de trabalho que a turma alcance o justifique, poderá o professor optar, em cada ano letivo, por selecionar um dos três subdomínios atrás referidos (Horta, Mendonça e Nascimento, 2012, p.2).

Desde que entram na sala de aula, os alunos devem ser utilizadores ativos dos computadores, das redes e da Internet e, partir das metas curriculares, os professores devem “ (…) criar situações de promoção da autonomia dos alunos, em que estes assumem o papel de exploradores, orientados pelo professor. Assim, as metas não devem ser entendidas como uma listagem de conteúdos a transmitir aos alunos de forma sequencial e única, devem antes ser vistas como objetivos finais de aprendizagem, independentemente da sequência que o professor decida implementar em cada ano de escolaridade.” (Horta, Mendonça e Nascimento, 2012, p.2).

No contexto de trabalho em sala de aula, deverá ser privilegiada “ (...) a participação dos alunos em pequenos projetos, na resolução de problemas e de exercícios práticos contextualizados na produção de um projeto/produto.” A sua resolução deve ser efetuada no computador, permitindo ao aluno encarar a utilização das aplicações informáticas “ (…) não como um fim em si, mas como uma ferramenta poderosa para facilitar a comunicação, a colaboração, o tratamento de dados e a resolução de problemas.” Deve ser considerada, também, a realização de “ (…) pequenos projetos colaborativos com alunos de outras escolas portuguesas e com escolas de outros países otimizando as potencialidades de comunicação e colaboração que as TIC permitem” (Horta, Mendonça e Nascimento, 2012, pp.2-3).

Para que se cumpram as regras na utilização de ambientes digitais e, desta forma, sejam promovidos comportamentos seguros, existem um conjunto de questões que devem estar sempre presentes na sala de aula, a saber: “ (…) segurança na utilização dos computadores, de outros dispositivos eletrónicos similares e da Internet (…) “. Assim, o foco deve estar em questões relacionadas com a “ (…) proteção de dados, com o respeito pelos direitos de autor e de propriedade intelectual, com a proteção da privacidade e com a segurança dos utilizadores e dos próprios equipamentos.” (Horta, Mendonça e Nascimento, 2012, p.3).

“A avaliação dos alunos nesta disciplina tem de ser articulada de forma coerente com o seu caráter prático e experimental. Enfatizando os conhecimentos e capacidades

adquiridos através de experiências educativas diferenciadas, a avaliação deve ter um carácter continuado, permitindo ajustamentos no processo de ensino” (Horta, Mendonça e Nascimento, 2012, p.3).

6.3. Reflexão sobre a prática pedagógica na