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Enquadramento hidrogeológico

No documento Sociedade Polis Litoral Sudoeste, S.A. (páginas 102-106)

B. Porção emersa

4.2.9. Enquadramento hidrogeológico

Embora o estuário do Mira se localize no limite entre duas massas de água subterrânea de grandes dimensões – i) a Zona Sul Portuguesa da Bacia do MiraZona Sul Portuguesa da Bacia do MiraZona Sul Portuguesa da Bacia do Mira e ii) a Zona Sul Portuguesa da Bacia do SadoZona Sul Portuguesa da Bacia do Mira Zona Sul Portuguesa da Bacia do SadoZona Sul Portuguesa da Bacia do SadoZona Sul Portuguesa da Bacia do Sado – é sobre a primeira que este se desenvolve (Figura 19). Refira-se inclusivamente que a massa de água subterrânea Zona Sul Portuguesa da Bacia do Mira se desenvolve integralmente na bacia hidrográfica do rio Mira.

Esta massa de água subterrânea é maioritariamente suportada por formações geológicas de reduzida aptidão aquífera, nomeadamente xistos e grauvaques, ou seja, formações geológicas antigas do Maciço Hespérico. Contudo, as areias, arenitos e cascalheiras do Plio-Quaternário, que ocupam aproximadamente 13% da área da massa de água subterrânea, permitem a individualização de um aquífero regional poroso, de reduzida espessura, mas relativamente mais produtivo do que as formações cristalinas subjacentes.

Pontualmente, as formações cristalinas apresentam maior produtividade, embora esta condicionada às condições de alteração e de fraturação, que permitem o desenvolvimento de aquíferos descontínuos de importância local. Por drenância, as formações do Plio-quaternário assumem um importante papel na recarga das formações paleozoicas.

A reduzida aptidão aquífera da massa de água subterrânea revela-se na envolvente direta ao projeto pela quase ausência de captações de água subterrânea. O baixo consumo de água subterrânea é particularmente importante para a ausência de situações de descida acentuada dos níveis piezométricos e de avanço da cunha salina.

Fonte: adaptado de ARH Alentejo (2012).

Figura 19 – Captações de água subterrânea

Apesar de o Plano de Gestão das Bacias Hidrográficas (PGBH) Integradas na Região Hidrográfica 6 ter classificado 83% da área da massa de água subterrânea Zona Sul Portuguesa da Bacia do Mira como tendo uma vulnerabilidade à poluição baixa, na envolvente da área de intervenção, devido sobretudo ao afloramento das rochas detríticas do Plio-Quaternário, a vulnerabilidade à poluição é intermédia a alta.

Fonte: adaptado de ARH Alentejo (2012).

Figura 20 – Vulnerabilidade à poluição

A massa de água subterrânea Zona Sul Portuguesa da Bacia do Mira foi classificada em bom estado químico e quantitativo, cumprindo os objetivos ambientais estipulados pela Diretiva Quadro da Água (Diretiva 2000/60/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de outubro de 2000, que estabelece um quadro de ação comunitária no domínio da política da água).

Um aspeto particularmente interessante identificado no PGBH é a existência de potencial interação do rio Mira com as águas subterrâneas. Ao longo de toda a sua extensão poderão existir ecossistemas com algum grau de dependência de águas subterrâneas e que embora não esteja devidamente avaliado justifica uma adequada atenção às relações rio-aquífero.

Fonte: adaptado de ARH Alentejo (2012)

Figura 21 – Potencial associação das linhas de água superficiais às águas subterrâneas

4.2.10. Síntese

O projeto localiza-se numa zona de transição entre o domínio marinho e terrestre e a sua área de influência direta abrange exclusivamente formações geológicas recentes. Nas intervenções em meio aquático ocorre uma cobertura sedimentar arenosa que atapeta os fundos do trecho terminal do estuário do Mira. Na zona de transição para o meio terrestre são abrangidas areias de praia e dunas, esta última unidade geológica fazendo parte de um sistema dunar com particular desenvolvimento a noroeste da praia da Franquia. Este sistema dunar, embora com diversas extensões relativamente estabilizadas, apresenta zonas afetadas pela erosão eólica, à qual estarão em parte associados os efeitos do pisoteio gerado pelas passagens frequentes em direção à praia do Carreiro da Fazenda.

A área de intervenção em meio aquático é marcada pela reduzida profundidade dos fundos e pelo desenvolvimento de um banco arenoso localizado em frente à praia da Franquia, cuja presença já era evidente no final do século XIX. O progressivo assoreamento ao longo dos anos conduziu ao crescimento deste banco arenoso que atualmente possui extensas porções acima da cota +1 m (ZH) e que fica parcialmente emerso em período de baixa-mar. Este banco arenoso separa um canal próximo da praia das Furnas e um canal próximo da praia da Franquia, ambos sujeitos, ao longo dos anos, a variações na sua posição. Não obstante variações diversas, as tendências globais mostram que entre 1899 e 2013, o canal próximo da praia da Franquia migrou para norte, enquanto o canal próximo da praia das Furnas, no mesmo período, se deslocou para sul.

Os problemas de erosão são evidentes em todas as praias da área de intervenção. No caso da praia da Franquia, a erosão é particularmente evidente no troço central, apresentando um areal emerso muito estreito, que junto ao promontório a Oeste praticamente desaparece em período de praia-mar. Na praia das Furnas verificam-se duas situações evolutivas diferenciadas. Na face virada ao estuário são evidentes os problemas de erosão (praia com extensão muito reduzida e perfil em arriba do maciço dunar), enquanto na face oceânica se verifica, em geral, um avanço da praia nos últimos sessenta anos (embora sujeita a episódios de erosão no decurso de tempestades, como as ocorridas no final do ano de 2013/início de 2014, e que poderão justificar o perfil em arriba do maciço dunar em grande parte da sua extensão). Na praia do Carreiro da Fazenda a erosão é observável pelo perfil em arriba do sistema praia-duna.

Embora o projeto se desenvolva sobre a massa de água subterrânea Zona Sul Portuguesa da Bacia do Mira, não abrange nenhum aquífero de importância regional ou local, nem captações de água subterrânea.

O projeto não interfere com nenhuma área de exploração ou de interesse do ponto de vista dos recursos geológicos. O Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina identifica o trecho terminal do estuário do Mira e as estruturas lapiezadas que se definem na plataforma de abrasão marinha exposta entre as praias do Farol e do Carreiro da Fazenda (Lapiaz da Pedra do Patacho) como pontos de interesse geológico/geossítios.

No documento Sociedade Polis Litoral Sudoeste, S.A. (páginas 102-106)