Divisão de Trabalhos
ENSINO E APRENDIZAGEM MUSICAL
A educação é construída por processos formais e não-formais, que ocorrem em variadas situações do cotidiano, na família, nas reuniões de caráter religioso, nas rodas de amigos, na escola, em conservatórios e institutos de música, sendo composto pela música e pedagogia, a educação é uma interação social entre professor-aluno e aluno-aluno, nos ambientes de aprendizagem formal e não-formal, segundo Gadotti,
A educação formal tem objetivos claros e específicos e é representada principalmente pelas escolas e universidades. Ela depende de uma diretriz educacional centralizada como o currículo, com estruturas hierárquicas e burocráticas, determinadas em nível nacional, com órgãos fiscalizadores dos ministérios da educação. (GADOTTI, 2005, p. 2).
Na educação formal são propostas matrizes curriculares e atividades a serem realizadas em cada período, há uma estrutura sistemática e formalizada para o ensino nesses ambientes. Já na educação não-formal, ele expressa que:
É mais difusa, menos hierárquica e menos burocrática. Os programas de educação não-formal não precisam necessariamente seguir um sistema sequencial e hierárquico de “progressão”.
Podem ter duração variável, e podem, ou não, conceder certificados de aprendizagem.
(GADOTTI, 2005, p. 2).
Nesse sentido atividades musicais exercidas através dos projetos sociais não-governamentais podem ser consideradas como processo educativo não-formal.
Na sociedade contemporânea, surgiram várias formas de se conhecer e estudar música, sendo que a mesma sempre teve uma relação forte com os aspectos sociais, e muitas vezes não se faz possível dissociá-los do mesmo, conforme aponta Candé (2001). Nesta visão o conhecimento musical foi se disseminando de várias formas, contribuindo para o desenvolvimento cultural e construção de conhecimentos na comunidade, por meio de aulas, ações e atividades, em um ou mais ambientes que compartilhem a construção de conhecimentos. De tal modo, Kleber (2006, p.94) expressa que “a cultura é vista como um importante meio de reconstrução da identidade sociocultural, e a música está entre as atividades de maior apelo para a realização de projetos sociais, principalmente com os jovens adolescentes”, educadores musicais têm se dedicado a uma construção cultural musical através de atividades e ações desenvolvidas em sala de aula, em projetos sociais para comunidades, de acordo com Araújo (2014, p. 1), “o ensino de música, inserido nesses espaços, busca contribuir com a formação cidadã de Crianças, Adolescentes e Jovens (CAJs) que vivem em situações de risco social”, fazer do trabalho de educação musical uma fonte de enriquecimento pessoal e de prazer, desperta no aluno suas potencialidades e pode ajudá-lo a desenvolver o meio sensorial, o afetivo, o físico e o espiritual.
Nas atividades cooperativas o aluno participa de uma forma estruturadas dentro de um grupo, o papel do professor é fundamental para a divisão dessas atividades, orientando e contribuindo para a construção e resolução de questionamentos. Na aula colaborativa, o professor possibilita que os alunos dividam os trabalhos entre eles e negociem resoluções entre si, considerando que os alunos possuem habilidades necessárias para isso, Laranjeira afirma que:
A aprendizagem cooperativa é um modelo de aprendizagem altamente estruturado pelo professor (centrado no professor), enquanto na aprendizagem colaborativa, a responsabilidade do processo de aprendizagem recai principalmente sobre o estudante (centrado no aluno). Na aprendizagem cooperativa é o professor quem organiza, planeja e reparte as atividades, mantendo quase por completo o controle do processo de aprendizagem, enquanto que, na aprendizagem colaborativa são os alunos quem tomam as decisões concernentes a sua própria aprendizagem. (LARANJEIRA, 2010, p. 46)
Nas formas de aprendizagem o agente centrador muda de acordo com o aspecto cooperativo e colaborativo, sendo que ambos podem estar presentes no mesmo período em sala de aula.
RESULTADOS OBTIDOS
Durante as observações e ministração de aulas do PSU pode-se perceber que o processo de aprendizagem ocorre de maneira não-formal pelo fato de ser um projeto não-governamental, com o intuito de ensinar música, adquirir instruções musicais por meio de atividades, exercícios, ensaios e teoria musical, ao final desse processo o aluno não recebe um certificado, mas adquiri conhecimentos de grande importância para a prática musical em grupo.
As observações ocorreram nos meses de maio a agosto de 2017, aos sábados e domingos, sendo esses dias períodos de aulas e ensaios semanais. Procurou-se analisar se aspectos de colaboração e cooperação estavam presentes nas aulas e ensaios.
Figura 1: Prática de cordas friccionadas no Projeto Social União.
Na imagem acima nota-se a prática coletiva de cordas friccionadas por meio da cooperação, na qual o professor é mediador entre o aluno e a prática em sala de aula, em que procurasse observar as dificuldades no tocar e instruir sobre sonorização, afinação e leitura. O estudo da regência ocorre após as aulas de cordas friccionadas, é uma introdução básica para que todos os participantes tenham condições de reger inicialmente algumas músicas tocadas na igreja durante a semana, observou-se a importância de tais práticas nesse ambiente pelo desenvolvimento a partir de conhecimentos adquiridos pelos alunos e professores.
Figura 2: Aula de teoria musical.
A aula de teoria e teclado efetua-se no mesmo horário, utilizando-se do livro tocando hinos para a glória de Deus, que dispõe de lições escritas e tocadas, na qual incentiva ao educando perceber a junção de ambas, alguns alunos que tem uma prática recorrente ensinam aos iniciantes por meio da colaboração, onde os mesmos se tornam mediadores.
Durante as análises constatou-se que o ensino e aprendizagem cooperativo e colaborativo estavam presentes em períodos diferentes no ambiente de sala de aula, como nas atividades desenvolvidas pelos alunos através da regência, ensino do instrumento e organização nas apresentações.
Tabela 1: Atividades desenvolvidas pelos alunos
Atividades Alunos participantes
Regência 11%
Ensino do instrumento 45%
Organização nas apresentações 44%
Antes e durante as apresentações os alunos estavam organizando ensaios e preparando o grupo para apresentarem algumas músicas, 100% dos alunos estavam participando das atividades, eles utilizaram da aplicação de diferentes habilidades adquiridas pelo conhecimento musical, observando e participando de apresentações anteriores, na qual eles dividiram atividades entre si, responsabilizando um para reger e preparar o grupo, outros para tocarem e organizarem o evento no geral, nesse sentido observa-se que os alunos utilizaram da prática colaborativa para o aprendizado no meio coletivo, na qual os aprendizes são agentes da sua própria aprendizagem.
Tabela 2: Aspectos de coletividade nas práticas cooperativas e colaborativas.
Pode-se observar que as duas formas de aprendizagens são aplicáveis a este grupo em questão na qual a prática coletiva de cordas friccionadas contribui para a autonomia, auto realização, disciplina, criatividade, consciência do espaço do outro e o princípio da formação de habilidades para tocar, reger e preparar grupos. No PSU, utilizou-se de aspectos introdutivos de práticas colaborativas, como a autonomia do grupo, a formação de ideias e decisões tomadas, em outros momentos a cooperação foi uma base para a sistematização do conhecimento entre educador e educando, nesse caso a aplicação de ambos, em períodos diferentes no espaço de ensino e aprendizagem contribuem para a prática musical.
CONSIDERAÇÕES
Utilizou-se pesquisas bibliográficas e observações para desenvolver um trabalho de pesquisa-ação, dessa forma percebeu-se que no processo formal ou não-formal, a colaboração e cooperação são ferramentas de aprendizagens que abrangem grupos musicais, no caso o grupo de cordas friccionadas do PSU, formado por estudantes dos instrumentos piano, violino, viola e violoncelo, que tocam coletivamente durante as aulas e ensaios, adquirindo oportunidades de construírem suas habilidades musicais, aperfeiçoando seus talentos independentemente de sua origem.
A cultura e educação são representações positivas para o ensino de música em projetos sociais, conclui-se nesse artigo sobre a importância de ambientes de ensino de música em espaços extracurriculares, através de atividades para comunidade, sendo uma alternativa de transmitir e
Aprendizagens Coletividade nessas aprendizagens
Cooperativa 44%
Colaborativa 56%
construir saberes educacionais, musicais e culturais, na qual as práticas colaborativas e cooperativas são características sociais que possuem suas diferenças e conjunções na educação, a aplicação desses aspectos através de instrução, integração e coletividade apresentou resultados positivos nas atividades realizadas no PSU.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, José Magnaldo de Moura. Educação musical no terceiro setor: as relações do modelo pedagógico de Swanwick com as atividades musicais das ONGs de Mossoró/RN. XII Encontro Regional Nordeste da ABEM Educação musical: formação humana, ética e produção de
conhecimento. São Luiz, 2014.
CANDÉ, Roland De. História Universal da música. Tradução de Eduardo Brandão e Marina Appenzeller. 2. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002. Apostila.
GADOTTI, Moacir. A questão da Educação Formal/Não-Formal. Institut International Des Droits De L’enfant (IDE) Droit à l’éducation: solution à tous les problèmes ou problème sans solution? Sion (Suisse), 18 au 22 octobre, 2005.
KLEBER, Magali. Educação musical: novas ou outras abordagens – novos ou outros protagonistas. Revista da ABEM, Porto Alegre, V. 14, 91-98, mar. 2006. Disponível em:
http://abemeducacaomusical.com.br/revista_abem/ed14/revista14_completa.pdf. Acesso em 25 de maio de 2017.
LARANJEIRA, M. V. Teoría e práctica del aprendizaje colaborativo asistido por ordenador.
Madrid: Editorial Síntesis, 2010.