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RESULTADOS E DISCUSSÕES

No documento ANAIS DE TEXTOS COMPLETOS (páginas 51-57)

Nessa seção buscamos mostrar ao leitor como se deu o processo de delimitação de nossa pesquisa. Em seguida apresentaremos alguns dos procedimentos composicionais empregados para a criação dos exercícios técnicos coletivos para bandas de música.

Delimitação da pesquisa

Ao iniciar essa pesquisa, que é fruto da elaboração do projeto monográfico do autor, pensamos em propor doze seções de exercícios técnicos coletivos para bandas de música que já tivessem experiência.

Cada seção, que iria ser destinada a um dia de ensaio, seria dividida em subseções que seriam compostas por: (1) escalas; (2) progressões harmônicas formadas por encadeamentos dos acordes característicos de cada tonalidade; e (3) um coral a quatro vozes adaptado para os instrumentos da banda.

Ao longo da pesquisa observamos que poucos trabalhos exploraram em seus exercícios técnicos coletivos materiais composicionais advindos das sonoridades dos modos derivados das escalas maiores. Muito menos foram os trabalhos que utilizaram as escalas menor primitiva, menor melódica, menor harmônica, diminuta, tons inteiros e seus modos característicos.

É bem verdade que os autores concordam ao afirmar que essas sonoridades devem ser exploradas, porém, em sua maioria, utilizam apenas o modo maior e eventualmente empregam sua relativa menor. Nesse sentido havíamos proposto que cada seção de exercícios técnicos conteria dois ou três modos derivados das referidas escalas, porém ao realizamos os primeiros esboços percebemos que os exercícios ficaram demasiadamente longos e portando fugiriam do nosso objetivo que era propor uma seção de exercícios técnicos coletivos para preparar os músicos para o ensaio da banda de música.

Percebemos que devido as dimensões ambiciosas de nosso projeto de TCC, o pouco tempo para o aprofundamento teórico e para a elaboração dos exercícios técnicos coletivos decidimos restringir nosso universo de escalas e possibilidades sonoras somente aos materiais sonoros produzidos pelos sete modos derivados da escala menor melódica.

Utilizamos para a construção dos exercícios padrões melódico-motívicos encontrados em alguns dos trabalhos pesquisados.

Decidimos também sugerir algumas articulações, que poderão ser utilizadas de forma alternada ao longo dos exercícios. O termo articulações é entendido como o “conjunto dos movimentos dos órgãos que intervêm na produção de um som, geralmente no sentido de apresentar obstáculos à passagem do ar ou de apresentar determinada forma para estreitar o ducto onde passa o ar”. (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

Vale ressaltarmos que o assunto sobre articulação é de estrema delicadeza, pois tanto os teóricos como os músicos o tratam de formas diferente. Sobre esse assunto Santos (2015, p. 81) nos diz que “é praticamente impossível chegar a uma verdade absoluta a respeito de como devemos realizar a execução dos sinais de articulação nos exercícios para banda. Existe ainda a dificuldade em apresentar os diferentes tipos de articulação nos variados estilos”.

Preocupando-nos em uma limitação de tempo para a realização dos exercícios decidimos que cada seção teria a duração média de sete a oito minutos para cada hora de ensaio. Levando em

consideração que a Banda Sinfônica da UECE ensaia duas horas por dia, nosso aquecimento terá a duração média de quinze a dezesseis minutos.

Processo de construção dos exercícios técnicos coletivos

Como informado anteriormente utilizamos os materiais sonoros produzidos pelos sete modos derivados da escala menor melódica para construirmos nossos exercícios técnicos coletivos.

Segundo Gomes (2006, p. 52) a escala menor melódica:

[...] assume hoje uma importância fundamental não apenas por se assemelhar a escala Maior (objetivo pelo qual foram feitas tais alterações. Alteração do VII grau – herda a sensível da menor harmônica dando-lhe a mesma estabilidade tonal; alteração de VI grau – corrige o intervalo melodicamente incômodo de 2ªA da menor harmônica. Difere da escala Maior apenas no III grau abaixado em 1 semitom) mas também pela representatividade exercida pelo seu campo harmônico e modos respectivos dentro do âmbito geral da música, seja no contexto Maior ou menor. Esta escala possibilita um tipo de harmonia bem mais exótica do que a escala Maior e concebe grande parte do som da música popular moderna.

As escalas derivadas dos graus I, II, III, IV, V, VI e VII da escala menor melódica são denominadas respectivamente: menor melódica, dórico b9, lídio aumentado (ou lídio #5), lídio dominante (ou lídio b7), mixolídio b13, lócrio #2 (ou lídio 9ªM) e super lócrio (ou alterada).

Dentre as diversas tonalidades possíveis de serem utilizadas escolhemos o modo de G menor melódico para realizarmos os exercícios de aquecimento. Abaixo segue figura com a representação gráfica de todos os modos derivados desta escala.

Figura 5 - Modos derivados da escala de Gm menor melódica

Fonte: Elaborado pelo autor

Há um consenso entre os autores estudados sobre a importância da utilização de notas longas, escalas, intervalos, arpejos, progressões harmônicas e corais a quatro vozes adaptados para as bandas de música em suas propostas metodológicas.

Cada uma das sete seções de nossos exercícios foi dividida em sete subseções, onde os instrumentos estão dispostos em uníssono. Ao final de cada subseção, a escala é ilustrada harmonicamente, ou seja, a escala gera o seu acorde caraterístico conforme sua aplicação no contexto funcional e harmônico. Este acorde é disposto em sua abertura de vozes mais característica, podendo variar, é claro. Por isso, a sétima subseção traz quatro outras possibilidades de abertura de vozes do mesmo acorde caraterístico.

Figura 6 – Redução da grade do maestro contendo exemplo de exercício técnico coletivo proposto para a Banda de Sinfônica da UECE

Fonte: Elaborado pelo autor.

Para a abertura das vozes dos acordes utilizamos as orientações dadas por Bill Boyd (1991) que em seu livro Intermediate Jazz Chord Vocing for Keyboard nos mostra diversas possibilidades de aberturas de vozes de acordes que são característicos da música contemporânea e especificamente para grupos de jazz.

É importante ressaltar que não é intuito dessa pesquisa aplicar os conceitos e as técnicas do gênero musical jazz, mas sim, tomar emprestado as concepções de aberturas das vozes de acordes utilizadas por Boyd (1991).

Para a distribuição dos timbres dos instrumentos utilizamos os conselhos de instrumentação e orquestração dados por Samuel Adler (2006) que em seu livro The Study of Orchestration nos mostra em detalhes diversas informações sobre as características idiomáticas dos diversos

instrumentos das famílias das cordas, sopros e percussões. Como nosso trabalho é específico para os instrumentos de sopro, nos detivemos a analisar somente a parte da obra que nos interessa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Verificamos que no Brasil existem poucas publicações que discutem o ensino coletivo de instrumentos musicais em bandas de música e menos ainda sobre a prática de exercícios técnicos coletivos.

Averiguamos que há divergências entre os autores sobre a utilização da expressão

“aquecimento”, pois alguns defendem a utilização do termo atividades técnicas, atividades de preparação técnica, atividades técnico-musicais, exercícios técnicos de rotina, fundamentos, entre outros.

Também verificamos que o aprofundamento do estudo pode contribuir para a expansão da pesquisa científica na área de educação musical voltada para o desenvolvimento de atividades pedagógico-musicais que visam o aprimoramento técnico de bandas de música.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ADLER, S. The Study of Orchestration. Ed. Norton - 3th edition. New York, 2002.

ALVES DA SILVA, L. E. Musicalização Através da Banda de Música Escolar: Uma Proposta de Metodologia de Ensaio Fundamentada na Análise do Desenvolvimento Musical dos seus Integrantes e na Observação da Atuação dos “Mestres de Banda”. 2010. Tese (Doutorado em Música). Centro de Letras e Artes, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2010.

BARBOSA, J. L. Da Capo: método elementar para o ensino coletivo e/ou individual de instrumentos de banda. Regência. Belém: Fundação Carlos Gomes, 1998. 248 p.

______. Da Capo Criatividade. Regência. v. 1. Jundiaí, São Paulo: Keyboard Editora Musical, 2010a. 125 p.

______. Da Capo Criatividade. Regência. v. 2. Jundiaí, São Paulo: Keyboard Editora Musical, 2010b. 142 p.

_____. Da Capo: por uma abordagem integral no ensino de instrumentos de banda. In: Revista Weril, v. 26, n. 162, p. 11 – 12, 2006.

BOYD, B. Intermediate Jazz Chord Voicing for Keyboard. Hall Leonard Publishing Corporation. 1991.

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Disponível em:

<https://www.priberam.pt/dlpo/articula%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 21 de jul. 2018.

GOMES, A. Harmonia 2. 2006.. Disponível em:

<http://musicaeadoracao.com.br/recursos/arquivos/tecnicos/teoria/harmonia_funcional_1.pdf>.

Acesso em: 21 de jul. 2018.

PRODANOV, C.C. Metodologia do trabalho científico [recurso eletrônico]: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico / Cleber Cristiano Prodanov, Ernani Cesar de Freitas. – 2. ed. – Novo Hamburgo: Feevale, 2013.

SANTOS, T. S. dos. Atividades de Preparação Técnica em Bandas de Música de Três

Territórios de Identidade Baianos: uma proposta baseada nas necessidades didáticas. Salvador, 2015. p. 132. Dissertação (Mestrado em Música). Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2015.

TODD IV, A. A. A More Effective Middle School Band Warm Up. Houston, 2011.

WHITENER, S. A Complete Guide to Brass: Intruments end Techinque. 2. ed. New York:

Shirmer Books, 1997.

RAY, S.; ANDREOLA, X. O alongamento muscular no cotidiano do performer musical: estudos, conceitos e aplicações. Revista Música Hodie. 5, v., n 1, 2005, RAY, p. 21-34. Disponível em:

<https://www.revistas.ufg.br/musica/article/view/2652>. Acesso em: 21 de jul. 2018.

EIXO 2 – REPERTÓRIOS VARIADOS PARA UMA EDUCAÇÃO MUSICAL EM

No documento ANAIS DE TEXTOS COMPLETOS (páginas 51-57)