• Nenhum resultado encontrado

no Ensino Fundamental I em Mutuípe – BA

MARIZELIA OLIVEIRA DA SILVA E ADRIANA MARTINS DA SILVA BASTOS CONCEIÇÃO

Introdução

Atualmente, passamos por uma crise ambiental que está se tornando um mo- mento histórico vivido pelo ser humano. Uma crise que tem em suas raízes a desequilibrada relação do ser humano com outros seres e com a natureza. (QUINTAS, 2004) Torna-se notório que tal situação ambiental passa de maneira despercebida por parte da sociedade, o que torna o problema maior ao analisar a situação em nível mundial.

Em um contexto no qual as atividades antrópicas eram visíveis na degra- dação do meio ambiente, representantes de 108 países do mundo se reuniram com a intenção de introduzir a ideia do desenvolvimento sustentável, um mo- delo de crescimento econômico menos consumista e mais adequado ao equilí- brio ecológico. Tal evento ocorreu em 1992, na cidade do Rio de Janeiro, e ficou conhecido como a Rio 92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambien- te e Desenvolvimento. Após esse evento, a temática ambiental se tornou um assunto corriqueiro e prioritário no Brasil. No entanto a percepção ambiental trazida pelos indivíduos é distorcida da realidade, principalmente em relação às atividades desenvolvidas em seu cotidiano.

178 MARIZELIA OLIVEIRA DA SILVA E ADRIANA MARTINS DA SILVA BASTOS CONCEIÇÃO

Contudo surge a necessidade de ponderar a sustentabilidade na produção socioespacial. As atividades antrópicas são, em sua maioria, responsáveis pela deterioração do meio ambiente, portanto, existe a necessidade de que o homem respeite e zele pela natureza como um todo, não exclusivamente na localidade onde vive. A Rio 92 teve o intuito de decidir que medidas deveriam ser adotadas para diminuir a degradação ambiental e garantir a existência de outras gerações. A partir dessa perspectiva, a educação ambiental pode prover algumas direções imprescindíveis para o estabelecimento de um ambiente saudável. Portanto, deve-se estimular o equilíbrio na relação entre o homem e o ambiente o mais cedo possível, incentivando, no indivíduo, atitudes eco compatíveis.

Sabe-se que a percepção ambiental é a consciência adquirida pelo homem sobre o ambiente em que está inserido, ou seja, o indivíduo passa a tomar cons- ciência do local em que vive, aprendendo a proteger e cuidar do mesmo. A partir dessa análise feita pelo homem, ele começa a se ver como parte do ambiente, o que promove mudanças em suas atitudes frente à preservação do meio.

As atitudes e/ou manifestação apresentadas são resultados das percepções construídas de maneira individual e coletiva, de como se sucedeu a construção do conhecimento, das apreciações e expectativas de cada pessoa.

Segundo Luzzi (2014), a definição de Educação Ambiental (EA) adotada deve estar estreitamente ligada à visão construída sobre a realidade em que se vive, já que toda ação é resultado da compreensão, da interpretação de algo que con- figure sentido, o que torna apropriado abordar os problemas ambientais do presente com uma interpretação própria do problema, a fim de avançar nessa aventura de construção de sentidos que significa aprender a aprender.

Nesse contexto, a Educação Ambiental envolve em sua prática pedagógica a formação de um sujeito que aprende com os conhecimentos científicos sem dis- criminar os saberes tradicionais, o que torna possível a tomada de decisões para com o meio ambiente no qual está inserido, de forma responsável e consciente. É presumível assegurar que exatamente na Educação Infantil os cuidados estão associados à sobrevivência e à construção da identidade da criança. Por- tanto, os conceitos construídos na infância provavelmente o acompanharão du- rante a vida inteira. Logo, o desempenho de um sujeito amadurecido e a sua posição em relação à natureza pode ter seus motivos ainda na infância.

Nesse contexto, o ambiente escolar, por ser considerado um espaço social que forma identidades e adquire fundamental importância para a concretiza- ção desse processo, deve promover interações entre as pessoas e destas com o meio ambiente.

179

PERCEPÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL I EM MUTUÍPE – BA

Segundo Derdyk (1989), a noção de percepção está relacionada à noção de imagem. E o mapa mental pode ser definido exatamente como o conjunto de imagens que cada indivíduo carrega em seu sistema cognitivo, proveniente das diversas vivências de seu cotidiano. Com isso, percebe-se que os mapas mentais podem ser utilizados como uma técnica que busque abstrair a percepção do indivíduo acerca do ambiente em que está inserido, resgatando, por meio das imagens, pensamentos, atitudes e sentimentos.

Ao identificar se de fato há uma diferença na forma como os alunos da zona rural se veem inseridos no ambiente em comparação à forma como os alunos da zona urbana, será possível determinar que ter contato com elementos do ambiente natural, nesta fase do desenvolvimento humano, contribuirá para a construção de um cidadão que se reconhece como parte do meio.

A Educação Ambiental em todos os níveis de ensino, inclusive no Ensino Fun- damental, deve ser trabalhada de modo a incentivar a construção de valores so- ciais, informações, aptidões, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, de forma que promova a qualidade de vida e a sustentabilidade. Desse modo, uma vez que os princípios e valores apresentados à criança ser- virão como alicerce no desenvolvimento ético e moral do sujeito, existe a necessi- dade de conhecer a percepção ambiental que as crianças estão formando mediante os ensinamentos a que estão expostas. Dessa forma, identificar como as crianças, ainda no Ensino Fundamental I, estão construindo suas percepções de acordo com o ambiente em que estão inseridas servirá de base à elaboração de estratégias me- todológicas que as conduzam a uma formação consciente e futuramente se tornem cidadãos atuantes em seu ambiente, promovendo mudanças sociais.

Dessa maneira, objetivou-se comparar como o contato com o ambiente in- fluencia na percepção ambiental de crianças do 5º ano do Ensino Fundamental I nos diferentes ambientes escolares, rural e urbano, analisando a percepção ambiental das crianças de acordo com o ambiente em que estão inseridas.