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ENTRADA EM VIGOR DE UMA NOVA CONSTITUIÇÃO

No documento SEFAZ/CE AULA 00. Direito Constitucional (páginas 76-82)

ESQUEMATIZANDO: 1 – Princípios ligados à

VII. ENTRADA EM VIGOR DE UMA NOVA CONSTITUIÇÃO

Meus futuros Auditores-Fiscais do Estado do Ceará, quando uma nova Constituição entra em vigor, ocorre um verdadeiro caos! É toda uma nova ordem jurídica sendo instalada ao mesmo tempo!

Quando isso ocorre, temos um novo ordenamento jurídico. Mas imagine só se o Congresso Nacional tivesse que refazer todas as leis sobre todos os temas tudo de novo! Isso seria inviável.

Dessa forma, quando uma nova CF entra em vigor, é feito um procedimento parecido com o grande dilúvio, onde Deus “aproveitou” a parte que era boa, e “descartou” a parte que não o era. Da mesma forma, as leis que são materialmente compatíveis com a nova CF são aproveitadas, enquanto as leis que são materialmente incompatíveis são descartadas.

Para sabermos então quais leis serão aproveitadas e quais serão descartadas, devemos estudar o controle de compatibilidade. Veja o esquema abaixo:

 Controle de - Controle de Constitucionalidade - Norma vs CF vigente à época de sua elaboração compatibilidade - Controle de Legalidade – Norma infralegal vs Lei

- Juízo de Recepção – Compatibilidade material com a nova CF (Norma elaborada sob a CF ANTIGA vs NOVA CF)

O controle de compatibilidade é dividido em três tipos. O primeiro deles é o controle de constitucionalidade. Ele ocorre quando comparamos a CF com uma norma elaborada sob a vigência da dessa mesma CF. EX: quando comparamos a lei 8.666/93 com a CF 88 ou a lei 6.858/80 com a CF 67/69. O controle de legalidade ocorre quando comparamos uma norma infralegal com uma lei. Ex: quando comparamos a lei 8.666/93 com uma Instrução Normativa que a regulamenta.

Já o Juízo de Recepção ocorre quando comparamos a nova CF com uma norma editada sob a vigência de constituições anteriores. O juízo de recepção é realizado para sabermos se a norma, editada sob a vigência da CF anterior, foi recepcionada ou revogada pela nova Carta Magna.

 Norma Infraconstitucional VS CF ATUAL – Incostitucionalidade /Constitucionalidade  Norma Infraconstitucional VS CF POSTERIOR – Revogação / Recepção

No juízo de recepção, olha-se apenas se o conteúdo da norma é compatível com a nova constituição, independentemente de sua forma.

Quanto ao juízo de recepção, cabem ainda algumas observações:

i. Só se pode recepcionar as normas infraconstitucionais. A CF anterior é totalmente revogada (salvo por disposição expressa da nova Constituição).

ii. As normas infraconstitucionais anteriores à nova CF que forem

materialmente compatíveis com a nova Carta Magna são

recepcionadas.

iii. As normas infraconstitucionais anteriores à nova CF que forem materialmente incompatíveis são Revogadas.

iv. Lei editada em desacordo com a CF vigente à época de sua elaboração, mas materialmente compatível com a nova CF: Uma lei inconstitucional, ou seja, que não foi editada de acordo com a Constituição vigente à época de sua elaboração, jamais deveria ter entrado no ordenamento jurídico e, em regra, não pode produzir efeitos. Dessa forma, ela será inválida, ainda que seja compatível com a nova CF.

v. No juízo de recepção, não interessa o aspecto formal. Só o material (conteúdo).

i. Ex: pode existir um Decreto-Lei ainda válido.

O Decreto-Lei é uma espécie normativa que não existe mais. No entanto, quando a CF88 entrou em vigor, os Decretos-Leis que estavam vigentes e que eram materialmente compatíveis com a CF88 foram recepcionados com o status de Lei Ordinária/Lei Complementar/Decreto Legislativo e assim por diante (a depender de qual é a espécie normativa que a CF88 prevê que regule a matéria).

ii. Ex: Lei Ordinária pode ser recepcionada como Lei Complementar e vice-versa. Caso uma matéria fosse regulada por Lei Ordinária na Constituição anterior e a CF88 estabeleça que essa mesma matéria deve ser regulada por Lei Complementar, e caso também essa Lei

Ordinária seja materialmente compatível com a CF88, ela será recepcionada como Lei Complementar.

Atente-se para o fato de que ela continuará sendo chamada de Lei Ordinária, mas terá status de Lei Complementar. Como exemplo disso, temos o Código Eleitoral (lei nº 4.737/1965), uma Lei Ordinária que foi recepcionada pela CF88 como Lei Complementar. iii. Pode-se recepcionar dois artigos da mesma lei com status

diferentes.

iv. Pode haver mudança de ente federado: Ex: se a Constituição antiga dizia que era competência da União e a nova CF diz que é dos estados, a lei federal é recepcionada como lei estadual.

OBSERVAÇÕES:

 Inconstitucionalidade Superveniente: ocorre quando a lei nasce constitucional e, ao longo do tempo, se torna inconstitucional. Este fenômeno NÃO EXISTE NO BRASIL: uma lei não fica inconstitucional ao longo do tempo, ou ela já nasce inconstitucional ou ela é revogada por uma eventual alteração na CF (ou nova CF).

 Constitucionalidade Superveniente: ocorre quando a lei nasce inconstitucional e, ao longo do tempo, vira constitucional. Exemplo: a lei nasce inconstitucional e, ao longo do tempo, a norma da CF com a qual a lei era incompatível é revogada.

Esse fenômeno também NÃO EXISTE NO BRASIL. Uma lei não fica constitucional ao longo do tempo: ou ela nasce constitucional ou ela nasce inconstitucional.

 Desconstitucionalização: As normas da Constituição anterior que forem compatíveis com a nova CF são admitidas com status infraconstitucional. Já falamos que isso não pode ocorrer no Brasil. A Constituição anterior é totalmente revogada, salvo disposição expressa da nova CF.

 Repristinação: ocorre quando uma lei revogada volta a valer devido à revogação da lei que a revogou. Deu um nó? Hahahaha. A prática é muito mais simples do que o conceito. Observe o raciocínio:

a) Imagine uma “lei A” em vigor. Lei A 

Revoga

Revoga Revoga

b) Agora imagine que seja promulgada uma “lei B” que revogue a “lei A”.

c) Por fim, é promulgada uma “lei C” que revoga a “lei B”. Em regra, a “lei A”, que estava revogada, continua revogada e agora só vigora a “lei C”.

Repristinação: ocorre quando é promulgada uma “lei C” que revoga a “lei B” e a “lei A”, que estava revogada pela “lei B”, volta a valer. Agora ficam vigentes as leis “A” e “C”.

Bem mais fácil com o desenho, não acha? Saiba que não existe repristinação tácita no Brasil. Ou seja, a regra, é que somente a “lei C” fique vigente. No entanto, excepcionalmente, se a “lei C” trouxer expressamente em seu texto, poderá haver a repristinação da “lei A”. Assim, no Brasil, só existe a repristinação expressa. Lei A  Lei B  Lei A  Lei B  Lei C  Lei A  Lei B  Lei C  Única norma vigente  Lei A volta a valer  (repristinação) 

EXERCÍCIOS (Lembre-se de que ao final do curso faremos os exercícios mais recentes da ESAF)

68. (ESAF – 2012 – CGU – Analista de Finanças e Controle) o fenômeno da desconstitucionalização encontra guarida no nosso sistema constitucional.

A desconstitucionalização ocorre quando as normas da Constituição anterior compatíveis com a nova CF são recepcionadas com status infraconstitucional. Isso não ocorreu na CF88, que revogou completamente a Constituição anterior.

Gabarito: Errado.

69. (ESAF - 2006 - CGU - Analista de Finanças e Controle - Área - Correição) Segundo a doutrina majoritária e o Supremo Tribunal Federal, no caso brasileiro, como efeito do exercício do poder constituinte derivado sobre a legislação infraconstitucional existente, no caso da incompatibilidade material da norma com o novo texto constitucional, temos uma inconstitucionalidade superveniente.

Traduzindo a questão, ela pergunta assim: Caso haja uma Emenda Constitucional (fruto do poder constituinte derivado) contrária a alguma lei, essa lei padecerá de inconstitucionalidade superveniente? Resposta: NÃO! O Brasil não adota a tese da inconstitucionalidade superveniente. Essa lei será

simplesmente revogada.

Gabarito: Errado.

70. (ESAF/PFN/2006) Normas não recebidas pela nova Constituição são consideradas, ordinariamente, como sofrendo de inconstitucionalidade superveniente.

O STF adota a teoria de que as normas não recebidas pela nova CF são

revogadas, não adotando a tese da inconstitucionalidade superveniente.

Gabarito: Errado.

71. (ESAF/PFN/2006) A Doutrina majoritária e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal convergem para afirmar que normas da Constituição anterior ao novo diploma constitucional, que com este não sejam materialmente incompatíveis, são recebidas como normas infraconstitucionais.

A constituição anterior, segundo o STF, é totalmente revogada com a promulgação de uma nova CF, não podendo ser recebida nem com status

constitucional, nem infraconstitucional, salvo expressa disposição da nova CF.

Gabarito: Errado.

72. (ESAF/PFN/2006) Uma lei que fere o processo legislativo previsto na Constituição sob cuja regência foi editada, mas que, até o advento da nova Constituição, nunca fora objeto de controle de constitucionalidade, não é considerada recebida por esta, mesmo que com ela guarde plena compatibilidade material e esteja de acordo com o novo processo legislativo. Uma lei inconstitucional, ou seja, que não foi editada de acordo com a Constituição vigente à época de sua elaboração, jamais deveria ter entrado no ordenamento jurídico. Dessa forma, ela será inválida, ainda que seja compatível com a nova CF.

Gabarito: Certo.

73. (ESAF/PFN/2006) Para que a lei anterior à Constituição seja recebida pelo novo Texto Magno, é mister que seja compatível com este, tanto do ponto de vista da forma legislativa como do conteúdo dos seus preceitos.

No juízo de recepção são avaliados exclusivamente os aspectos materiais, ou seja, em relação ao conteúdo da norma.

Gabarito: Errado.

74. (ESAF/PFN/2006) Uma lei federal sobre assunto que a nova Constituição entrega à competência privativa dos Municípios fica imediatamente revogada com o advento da nova Carta.

Ela é recepcionada como lei municipal. Lembre-se de que, no juízo de recepção, apenas é olhada a compatibilidade MATERIAL, não interessando o aspecto formal.

Meus caros Auditores-Fiscais do Estado do Ceará, chegamos ao final de nossa aula de hoje. Continuem firmes e estudem de maneira simples, procurando entender o espírito das normas e não apenas decorando informações.

Lembre-se que A SIMPLICIDADE É O GRAU MÁXIMO DA SOFISTICAÇÃO

(Leonardo da Vinci).

Espero que todos vocês tenham muito SUCESSO nessa jornada, que é bastante trabalhosa, mas extremamente gratificante!

Abraços a todos e até a próxima aula.

No documento SEFAZ/CE AULA 00. Direito Constitucional (páginas 76-82)

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