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4 – ENTRE A FUNDAÇÃO E A INVENÇÃO DA ACADEMIA SOBRALENSE DE LETRAS

“Felicitamos Sobral pelo importante acontecimento que veio marcar na história desta Terra, uma verdadeira página de luz”. Correio da Semana, junho de 1922

De acordo com o jornal Correio da Semana de junho de 1922, o que foi a invenção da fundação da Academia Sobralense de Letras - ASL representava para a história de Sobral, “uma verdadeira página de luz”, conforme lemos acima. Por quê? Por que a ASL é inventada no cenário da cidade a partir da constituição de um ritual de fundação que parte do mais conhecido jornal local, o Correio da Semana, até os discursos e textos dos próprios acadêmicos? Qual a “originalidade” sobralense com relação a produção literária do estado em que a literatura era tão “original”? O que havia de tão especial numa Academia de letras numa cidade que se orgulhava de ser supostamente a cidade do interior do Ceará em que havia mais letrados? Em que contexto a ASL foi inventada em sua fundação na cidade e quais foram os seus intelectuais mais significativos? Como se organizou a sua primeira e única revista? O que estaremos chamando de fundação aqui, é algo como que “a demarcação de um centro, de uma origem, de uma cena primitiva”208

, portanto, de um marco a balizar o tempo e justificar e fabricar uma dada memória. Será esse o tom de algumas das questões que procuraremos discutir ao longo deste item. E ainda: será mesmo a partir da ASL que os intelectuais da cidade começarão a construir com mais empenho o arquivo da cidade letrada, pois sendo uma instituição letrada, era mai simples para eles fazerem crer que havia na cidade uma continuidade nas lides literárias, como veremos.

O sentido do arquivo organizado pelos intelectuais da ASEL aponta, em nosso entender, para a etimologia da palavra, como sugere Jacques Derrida, quando estabelece que “Arkhê (...) designa ao mesmo tempo o começo e o comando. Este nome coordena aparentemente dois princípios em um: o princípio da natureza ou da história”, sendo que para o autor, o arquivo é “onde as coisas começam (...) mas também o princípio da lei

208

SUSSEKIND, Flora. O Brasil não é longe daqui. O narrador, a viagem. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 35.

ali onde os homens e os deuses comandam, ali onde se exerce a autoridade, a ordem social”209

, de modo que entendemos que a ASEL procura organizar um princípio para e comandar e de exercer a autoridade sobre o próprio conhecimento pro que seria a história da cidade, ao mesmo tempo em que vislumbra a perspectiva doduzido, encaminhando assim o passado da cidade para o presente dos acadêmicos, mesmo que essa intenção não seja totalmente possível. E esse princípio de comando escolhido é, como já frisamos, a história da Vila. De modo que refletimos que esse princípio estabelece o duplo sentido das tradições inventadas na cidade: a de que essa tradição é da ordem da natureza e da ordem da história, sendo assim, era natural o desenvolvimento intelectual da cidade, comprovado pela autoridade e tradição de sua história.

Sabemos que com relação as duas Academias da cidade, o jornal Correio da

Semana foi muito importante para a difusão e tentativa de naturalização da ideia da

existência dessas agremiações literárias na cidade, à medida em que em Sobral “a imprensa era um importante meio de expressão das diversas frações das camadas dominantes”, e para tanto, “através dos jornais, elas procuravam legitimar, no campo das idéias, suas práticas, comportamentos e atitudes”210

, por isso o jornal será um meio de difusão dos valores da sociedade letrada da cidade que, escrevendo ainda que esporadicamente em suas páginas, fazia dessa prática mais um cabedal simbólico na luta pela afirmação de seus valores intelectuais, de modo que o Correio da Semana será mais um dos elementos a compor o arquivo da cidade letrada. Assim, para o historiador, escolher, selecionar e se debruçar sobre jornais é uma tarefa valiosa em seu caminho de pesquisa, especificamente em nosso caso, quando buscamos a construção e fabricação da fundação da ASL e da ASEL como marcos do que seria umatradição culta de Sobral. O jornal, entendido como documento hoje, já apascentado pela faina dos historiadores que a partir da abertura de novas frentes de trabalho e desafios de pesquisas, com a multiplicidade de temáticas e variadas concepções teóricas, agora livres da suspeição de que sua utilização pelos historiadores não fazia sentido na medida em que, contendo "registros fragmentários do presente, realizados sob o influxo de interesses, compromissos e paixões”211

, não poderiam servir à objetividade e muito menos à

209 DERRIDA, Jacques. Mal de arquivo. Uma impressão freudiana. Op. Cit. p. 11

210 COSTA, Elza Marinho Lustosa da. Sociabilidade e cultura das elites sobralenses. Op. Cit. p. 84 211

LUCA, Tania Regina de. História dos, nos e por meio dos periódicos. In: PINSKY, Carla Bassanezi. (Org.) Fontes históricas. São Paulo: Contexto, 2005. P. 112

verdade da história, e desse modo, não deveriam ser vistos com seriedade pelo historiador.

Em vista dissoagora é possível nos debruçarmos sobre as páginas do Correio da Semana farejando carne humana, sabendo que o jornal é um desses lugares em que as experiências sociais são inscritas, e que em suas páginas encontraremos sentidos e sentimentos, produções de acontecimentos, invenções sobre a realidade, quando nem sempre o que está escrito no jornal e ganha muitas vezes suas páginas mais respeitáveis, não foi de fato “o que aconteceu”, mas aquilo que um pequeno grupo desejava e esperava que acontecesse. A nossa caça, com relação a ASEL, é a invenção da notícia, o desejo do acontecimento, a ânsia no sentido de que, ao se escrever sobre a Academia, ela se tornaria mais real, mais verdadeira. E em Sobral, os jornais foram as “nuvens de gafanhotos de escrita”, como sugere Benjamin, que cobriram o horizonte da cidade, já que desde “1875 até os anos 40 do século passado, a cidade teve mais de 100 jornais. Esse veículo de comunicação constituía na época (...) uma importante via de transmissão de valores”212

, decerto que o Correio da Semana viria a ser, especificamente no contexto das duas Academias literárias, antes da publicação de suas revistas, o principal meio informacional e comunicativo dos desejos e expectativas das duas associações literárias, e também a forma mais concreta de consumo dos ideais dessas sociedades letradas.

No entanto Sobral conheceu, pelo menos é o que lemos na mais conhecida e consistente obra de Sadoc de Araújo, Cronologia Sobralense, escrita em cinco tomos, algumas experiências letradas interessantes antes da criação de sua primeira Academia, agremiação institucionalizada na cidade, caso de uma sociedade literária que se reunia ao ar livre, nos arredores de Sobral, conforme segue:

21 DE ABRIL (5ª feira): é criada a “Caravana Errante” sociedade literária informal com a finalidade de “cultivar todos os ramos da literatura indígena”. A iniciativa foi de um grupo de amantes das letras composto de Craveiro Filho, Lauro Menezes, Deusdet Mendes e Braga Hardi. Não havia estatuto, nem ata, nem arquivo ou outra qualquer formalidade. As reuniões realizavam-se ao ar livre, geralmente nas cercanias da Lagoa da Fazenda.213 (Grifos do autor)

212 COSTA, Elza Marinho Lustosa da. Sociabilidades e cultura das elites sobralenses. Op. Cit. P. 55 213

ARAÚJO, Pe. Francisco Sadoc de. Cronologia sobralense. Volume V – 1911-1950. Sobral: Imprensa Universitária – UVA, 1990. p. 112

A Caravana Errante, criada em 1921, como o próprio nome sugere, errava pelos arredores da cidade, em reuniões informais, mas apenas diletantes, pelo que compreendemos da citação de Araújo. Não havia preocupação em registrar tais reuniões, arquivar, mas por outro lado, dois dos membros daquela sociedade bem pouco tempo depois estariam organizados e institucionalizados em torno da Academia Sobralense de Letras, fundada um ano depois, em 1922, no caso o jornalista Craveiro Filho, um dos mais reconhecidos intelectuais de Sobral, que também participará da fundação da ASEL em 1943, e Lauro Menezes, poeta. Fazia parte dos fundadores da Caravana Errante outro poeta e jornalista reconhecido na cidade, no caso Deusdet Mendes, que não figurará entre os membros da ASL um ano depois.

Com relação a ASL, “uma verdadeira página de luz”, como sugere a citação do jornal, não era de se estranhar que isso acontecesse, pois o próprio Ceará seria lugar também de suposta excelência, já que:

A febre de associações e academias tinha, fatalmente, de contagiar, como de fato contagiou, o Ceará. Aliás, - seja dito de passagem -, verifica-se, logo, que é notávelmente superior, em relação ao das científicas, o número de sociedades literárias, no que confirma a afirmação de José Veríssimo de que, depois do Rio, é o Ceará a terra do Brasil onde é menos apagada a vida literária e maior a sua produção214.

A citação acima de certa forma quer sacramenta uma tradição que não deixa de ser original e que no Ceará produziu associações literárias conhecidas, sendo o caso mais emblemático, a fundação em 30 de maio de 1892, em uma mesa do Café Java, na Praça do Ferreira, centro de Fortaleza, da Padaria Espiritual, com seu jornal O Pão e seus Padeiros215. Mas a febre de associações e academias vinha um pouco mais de longe, mais precisamente com a Academia Francesa216 que começou suas atividades a partir de 1872 e desde a década de 1810 com os Oiteiros217. O fato é que Dolor Barreira em seu texto sobre os Oiteiros na Revista do Instituto do Ceará, já podia sutilmente falar

214 BARREIRA, Dolor. Associações literárias e científicas no Brasil, e particularmente no Ceará –

Oiteiros. In: Revista do Instituto do Ceará. Anno LVII- 1943. p. 148

215

Ver: CARDOSO, Gleudson Passos. Padaria Espiritual, biscoito fino e travoso. Fortaleza: Museu do Ceará/Secretaria da Cultura do Estado, 2006.

216 A Academia Francesa, criada em 1871, com a participação de “cearenses ilustres”, como Capistrano

de Abreu e Thomás Pompeu Sobrinho. Participaram ainda Tristão de Alencar Araripe Júnior, João Lopes Ferreira Junior, Antonio José de Melo, Domingos Olímpio, entre outros. A Academia Francesa deixou de se reunir em 1875.

217 Os Oiteiros eram um grupo de poetas que versejava em homenagem ao Governador Sampaio, isso na

antiga Vila de Fortaleza de N. S. da Assunção, por volta de 1815. O versos declamados eram de louvor ao Governo, seguindo os preceitos básicos da poesia neo-clássica.

e idealizar uma tradição que fatalmente contagiaria o Ceará, com quantidade razoável de sociedades literárias, “notávelmente superior, em relação ao das científicas”. Temos assim que, “a criação do Instituto do Ceará, Academia Cearense de Letras e Centro Literário aponta, dessa forma, para a preocupação que estes sujeitos tiveram em afirmar o seu saber, bem como demarcar sua esfera de atuação”218, com ação mais incisiva em Fortaleza. O “clima literário” no Ceará nessa perspectiva discursiva era de certo modo empolgante. Sobre isso, somos informados que “visitando o Ceará, no começo do século [XX], Aderbal de Carvalho anotava com certo exagero: “Nesse Estado a literatura já chega a ser uma mania. Não há um cearense que não rabisque o seu conto.””219. Estava dada assim a senha para a legitimação em Sobral, para além da suposta tradição enobrecida e letrada da cidade, da criação de academias literárias e um gabinete de leitura.

Mas no caso de Sobral, o que seria esse “contágio” vinha mais ou menos do mesmo período da Academia Francesa, pois a atividade literária organizada começou quando

No ano de 1872, veio residir em Sobral, sua terra natal, o Dr. José Júlio de Albuquerque Barros, mais tarde Barão de Sobral (...) Sua presença em Sobral foi benéfica pelo incentivo que deu às letras, à educação e à construção da Estrada de Ferro de Sobral e do Teatro São João (...) por sua iniciativa, foi criado o Gabinete de Leitura de Sobral, a 18 de fevereiro de 1877. Funcionava no andar térreo da Casa de Câmara de Cadeia; possuía uma boa biblioteca, tendo recebido livros diretamente da França e da Inglaterra. Com isso nasceram vocações literárias como Domingos Olímpio, e o gosto pela arte dramática, que se concretizou na construção do Teatro São João, continuação natural do Theatro Apollo (...) O Gabinete mantinha também uma escola primária, como forma de extensão dos serviços que prestava à comunidade220.

O Gabinete de Leitura fundado pelo Barão de Sobral, assim noticiado pelo jornal

O Sobralense: “Terá logar hoje a installação do Gabinete Sobralense de Leitura nesta

cidade; é de esperar que esta útil instituição encontre nos sobralenses o apoio que merece”221

, é um das primeiras referências oficiais da cidade letrada, a converter um acontecimento considerado um feito significativo, que sempre terá um caráter de

218 CARDOSO, Gleudson Passos. Literatura, imprensa e política (1873-1904). In: NEVES, Frederico de

Castro. SOUSA, Simone de. Intelectuais. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2002. P. 51-52

219

BROCA, Brito. A vida literária no Brasil – 1900. Ministério da Educação e Cultura. Serviço de Documentação.s/d. P. 62

220 GIRÃO, Glória Giovana S. Mont’Alverne. SOARES, Maria Norma. Sobral história e vida. Op.

Cit.p.87-88

fundação na perspectiva de alguns dos discursos oficiaisda intelectualidade sobralense, inclusive por supostamente fomentar vocações literárias, caso citado de Domingos Olímpio Braga Cavalcante. Chama nossa atenção o fato de “naturalmente” o Gabinete de Leitura ter incentivado vocações literárias e gosto pela arte dramática na cidade, como se as “vocações” estivessem guardadas, naturalizadas no temperamento de um povo, a espera da melhor hora para aflorar. O gabinete mantinha uma escola primária e uma biblioteca, essa a primeira a ser franqueada para a população da cidade, funcionando no primeiro piso da Câmara Municipal. O mesmo foi fechado durante a seca de 1877-79, sendo reaberto apenas em 25 de abril de 1886. Essas elucubrações se tornaram paradigmáticas, representativas de uma identidade forçosamente culta, no entanto, estamos lidando com uma “ilha de letrados” uma “estrita minoria” que manejando muito bem os seus discursos em que “se constrói um texto. Fragmentos ou materiais lingüísticos são tratados (usinados, poder-se-ia dizer) neste espaço, segundo métodos explicáveis e de modo a produzir uma ordem”222, se fabula uma história em que não há lugar para nada que não seja excepcional e distinto, assim era que essa “ilha de letrados”, parte da elite, estava sempre ocupando posições estratégicas nas malhas da burocracia ou em atividades liberais de destaque na cidade.

Quando se referem a construção do Teatro São João, considerado mais um dos símbolos da cidade letrada, a partir de 1875, fomentado segundo esse discurso, “o gosto pela arte dramática”, as autoras apenas naturalizam a história, louvam o fausto da construção grandiosa, mas não comentam que “as obras continuaram, porém morosamente, até que, pela verba dotada para socorros públicos na seca de 1877, tomaram impulso, sendo dessa época quase todo o arcabouço”223

, ou seja, temos uma instituição particular recebendo dinheiro que deveria ser carreado para obras públicas contra as secas, beneficiando um grupo de letrados que procurava a efetivação de “espaços nobres e civilizados” na cidade, o que significa dizer mais claramente, que esse espaço considerado nobre seria um espaço de exclusão, por parte de sua intelectualidade com relação ao restante da população.

Mas o que seria a pretensa cidade intelectual, é o próprio Domingos Olímpio que idealiza o perfil desse lugar e aponta para o principal espaço de sociabilidade de sua

222 CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1996. p. 225 223

FROTA, D. José Tupinambá da. História de Sobral. 3ª edição. Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará – IOCE, 1995. P. 497

elite letrada no final do século XIX e início do XX, período em que escreveu JULES VERNE (A Caverna de Ubajara), inspirado no livro daquele autor francês, “Viagem ao Centro da Terra”. Domingos Olímpio organizou uma “caravana (...) o Sergio Saboya, o José Figueira, o Domingos Deocleciano, meu irmão Antonio Raymundo, e partimos a caminho da Ibiapaba224, na direção de São Benedicto”, e observando a gruta localizada na cidade de Ubajara, escreveu um interessante texto sobre o assunto. Sobre a intelectualidade local, escreveu outro texto bastante esclarecedor:

Havia em Sobral, um epicurista das letras, que accumulara, pacientemente, num trabalho erudito, numa bella vivenda do subúrbio da cidade, os notáveis productos da intelligencia humana. As novidades do mundo intellectual chegavam pontualmente, em livros, em revistas, em jornaes à bibliotheca do dr. Thomaz Antonio de Paula Pessoa, escondida naquele recanto de amor, de paz, de felicidade, dos formosos sertões cearenses, como um oásis da arte e do pensamento. Era a casa do Thomaz o foco dos intellectuais de Sobral: ali se reuniam para quebrarem a monotonia patriarchal da vida sertaneja, em palestras adoráveis, em communicações de idéas, de impressões, o Conselheiro Rodrigues Junior, João Adolpho Ribeiro da Silva, Paula Pessoa Filho, José Júlio de Albuquerque Barros e o jurisconsulto Vicente Alvez de Paula Pessoa, quando podiam emergir, fugitivo do seu extenuante trabalho para arejar o espírito numa atmosphera de emanações mais suaves que as do ambiente das leis, dos direitos, dos avisos. Nessa bibliotheca encontrei a “Viagem ao Centro da Terra”.225

(Grifos nosso)

Esse “epicurista das letras”, dono de vasta biblioteca, como escreve Domingos Olímpio, pertencia a uma das mais importantes e influentes famílias estabelecidas na cidade, os Paula Pessoa. Sabemos que a maioria desses livros chegava pelo porto da cidade de Camocim e embarcava de trem rumo a Sobral. Pelos dados recolhidos por Girão226, ficamos sabendo que entre 1847 e 1856, os livros eram o terceiro produto nos itens de importação oriundas da França. Dr Tomaz Antonio de Paula Pessoa era magistrado, tendo iniciado seu curso em Recife e terminado pela faculdade de São Paulo em 1858. Era filho do Senador Francisco de Paula Pessoa, e nasceu no dia 31 de outubro de 1834 em Sobral. Seu pai, o Senador Paula Pessoa nasceu na cidade de Granja, a 115 quilômetros de Sobral, mas veio residir muito cedo na cidade onde fez

224 Ibiapaba é conhecida como Serra Grande, abrigando em sua extensão mais de 6 cidades como

Tianguá, Ubajara, Viçosa do Ceará, Ibiapina, entre outras, está distante de Sobral 150 km.

225 OLÍMPIO, Domingos. JULES VERNE (A Caverna de Ubajara). IN: CRAVEIRO FILHO, O

Centenário . Álbum Histórico commemorativo do 1º Centenário da cidade Sobral. 1941. PP.85-86

226 GIRÃO, Gloria Giovana Saboya Mont’Alverne. As transformações socioculturais em Sobral (1870-

1920). 2001. Dissertação Mestrado em História apresentada ao Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco-Recife. p. 106. O primeiro item era o de Tecidos (algodão, seda, lã); o segundo era o de couros trabalhados.

fortuna criando gado, sendo inclusive chamado pejorativamente por seus adversários, de “O Senador dos Bois”, numa referência aos seus poucos estudos. Dr. Thomaz de Paula Pessoa também se dedicou à vida pastoril, mantendo praticamente a mesma fortuna do pai e seu renome, de modo que poderia facilmente comprar livros importados para a sua biblioteca que tanto impacto causou no jovem Domingos Olímpio. Segundo Monsenhor Vicente Martins, “somente em 1878 aceitou o cargo de Juiz Municipal de Sobral, que exerceu até 1884, quando foi nomeado Juiz de Direito de São Benedito, sendo aposentado ilegalmente em 1889, no Governo Provisório da República”.227

Assim, temos indícios que apontam no final do século XIX uma cidade que certamente vivia o fluxo do consumo e leitura de livros, principalmente nas bibliotecas particulares das pessoas bem situadas econômica, política e socialmente em Sobral, mas no final do século XIX, pois no início do século seguinte, mais precisamente em 1933, temos outra realidade, essa mais pública, digamos assim, pois temos que “a imprensa local lamenta a aversão do sobralense ao livro. Algumas livrarias foram abertas e fecharam, porque ninguém na cidade compra livro”228

. Como explicar essa aversão citada pela imprensa? De que “sobralense” se está falando? E como fica a representação da ASL, inativa nesse período? E ainda: qual o sentido dessa notícia no corpo da imprensa local?

As notícias que vão sendo divulgadas no Correio da Semana procuram legitimar a Academia Sobralense de Letras, apresentá-la como uma obra da intelectualidade e das tradições letradas da cidade, por isso temos nesse sentido a seguinte informação sobre o que seria a oficialização da ASL, nos seguintes termos:

Com a presença do que tem de mais selecto, realizar-se-á no próximo