Entrevista no jornal O Mossoroense
Visita Técnica dias 22 e 23 de março de 2018 Mossoró - Rio Grande do Norte
Entrevistados:
- Ana Paula Cardoso – Jornalista, trabalha a quatro anos e quatro meses
- Argolante Lopes – Desenvolvedor do Site Jornalístico trabalha há 17 no jornal. - Cid Augusto – Jornalista e ex-diretor de redação
- Maricélia - diretora Administrativa (Lorena - comercial)
Pergunta - Podemos começar falando um pouco da história de mudança dos impressos para o digital. Foi uma decisão de diretoria? Como foi essa mudança?
Paula - Foi da diretoria mesmo, não partiu da redação. Lópes - Da diretoria em virtude de vários aspectos.
Paula - sobretudo econômico porque manter um jornal impresso é um custo muito elevado, desde manutenção das máquinas, tinta, distribuição. A mudança para o digital acabou reduzindo muito a equipe não se precisava mais do pessoal da produção e distribuição. E a própria redação passou também por essa redução. Eu fiquei dois anos no impresso e agora estou com dois anos e um pouquinho no digital.
Pergunta – quantas pessoas na equipe da redação.
Paula – Além dos jornalistas tinha também os diagramadores três diagramadores e dois revisores. Total de 14 pessoas.
Pergunta - Então era uma redação grande?
Paula – Era. Agora não tem mais diagramadores, não tem mais revisores e também os repórteres foram diminuindo.
Pergunta – Como era a rotina do impresso?
Ana Paula - Cada Editoria cuidava do seu caderno. Eu trabalhava no Caderno Cotidiano, só escrevia para o Cotidiano. E de vez em quando a gente reversava, duas vezes por mês, para fazer o Caderno de Cultura. A cada 15 dias eu fazia o Caderno de Cultura que só saia aos domingos.
Lópes – Cotidiano, Regional e Universo que é o de Cultura junto com o suplemento da TV. Paula – Tinha o editor geral e os editores de cada página. A editora definia a pauta e dividia. A reunião de pauta era separada por caderno. E a reunião entre os cadernos era feita entre os editores.
Pergunta – Então tinha reunião do editor geral com as editorias específicas. E cada editoria com seus cadernos?
Paula – Isso.
E - Como chegavam as pautas? por e-mail, por telefone?
Paula – Até hoje a maioria das sugestões de pautas chegam por e-mail. E por nossa página no facebook. Muitas também chegam por telefone.
Lópes – Antes mesmo os assuntos, as denuncias chegavam por telefone.
Paula – Antes a gente ia pra rua fazer as matérias, tinha carro exclusivo para a reportagem de rua. Mesmo depois das redes sociais a gente ia para as ruas pegar pauta, não dependia apenas
do que chegava por aqui. Por exemplo, nós aqui ficamos perto do Ibama. O pessoal ia passando e viu uma apreensão grande de animais, por exemplo, então o pessoal vinha aqui nos avisava e corríamos pra lá. O jornal já está há 145 anos a própria população já tem essa referencia.
Pergunta - Aquelas categorias que estão lá no topo do site são as mesmas do ingresso? Lopes – São as mesmas. Praticamente são as mesma que migraram para o digital.
Ana Paula – Cotidiano, Regional, polícia... A gente não tinha Mundo. Que ia dentro do Cotidiano na última página.
Pergunta - Em termo de área de abrangência. Eu li naquele caderno especial, inclusive por Marcio Costa, que a partir de 2011 o jornal ampliou a área. Que ele inclusive ficou responsável em fazer contato com outros municípios?
Argolante Lopes – Ele é local desde a essência, pelo nome já diz. Mas ai ele teve esse projeto de expansão que foi coordenado por Márcio Costa na época. Ele abriu o mercado para o lado do alto oeste, nessa região aqui ao redor de Mossoró. O Jornal chegou a ser distribuído em algumas cidades do interior.
Pergunta – Lá ele diz que passou de oito para oitenta cidades.
Lopes – Aqui na Região oeste deve ter pelo menos 30 cidades. Mas também tem outras regiões. Tem Natal. Só pra você ter uma ideia, o jornal erra impresso e tinha um carro exclusivo para fazer distribuição aqui pelo alto Oeste e outro saía em direção de Natal. Ai distribuía em Aço, Angico que era o caminho.
Pergunta – Esses municípios eram apenas área de distribuição o também de noticiabilidade?
Lopes – Tinha notícias também desses municípios. Tinha correspondentes nos municípios. Pro exemplo: Aço, lá tinha um correspondente parceiro, não era funcionário. Mas eles passavam as notícias todos os dias e assim acontecia em várias regiões. Passavam Release, outras vezes só a pauta. Era Açu, Areia Branca, Apodi, Patu, Região do Mis (Lis). Para ter ideia, além de se ter os correspondentes, em cada cidade dessas tinha um colunista social. Paula – Muitos Continuaram no digital. Hoje são 12 colunistas no site. Tem dois de Pau dos ferros, dois de Mossoró, mais os outros são de cidades distantes, diferentes.
Lopés – Isso também foi uma forma de fixar a marca do jornal na região. Pra falar dessa parte tecnológica. Eu entrei aqui em 2001. Em 2000 o jornal começou a ter a parte eletrônica. Foi o primeiro com a versão eletrônica do que era impresso. Foi o Mossoroense. Ai foi trabalhando em conjunto o que era. Essa página eletrônica era uma cópia do que saía no impresso. Não era pdf, era o conteúdo para site mesmo. A cópia do que saía no impresso. A realidade da redação era outra, virava a noite aqui. O pessoal começava a trabalhar no final da tarde, entrava pela noite, e virava a madrugada. Quando terminavam o serviço deles, fechavam a pagina para impressão, então eu pegava os arquivos copiava e colava na página. O que era de polícia ia par polícia, política em política e era assim que funcionava. Depois é que foi melhorando e passamos a estrutura o site de uma forma mais profissional, digamos assim.
Pergunta - Só ia para o ar depois que saia o jornal?
Lopes - Era uma determinação a empresa, só colocava no site depois que distribuía o jornal. Eu chegava aqui oito da manhã e quando dizia o jornal tá na rua eu botava no site. Geralmente logo depois das 4 da manhã quando o jornal terminava a impressão era encadernado dobra ia logo para distribuição.
Pergunta – E essa ideia de botar para o digital, foi de quem?
Lopes – Foi do editor na época, Cid Augusto, e juntamente com Cliff Oliveira que hoje é da Federação da Indústria. Eles é que fizeram a primeira versão eletrônica do jornal. Isso de 1999 para 2000. Foi até uma parceria que eles fizeram com a UOL.
Paula - O endereço eletrônico era vinculado à UOL. Veio ser mossoroense.com a partir de 2015.
Lopes – Era mossoroense.uol.br. A parceria demorou esse tempo todo entre 2000 a 2015 porque era vantajosa pra gente e pra eles. Pra eles por ter um jornal dessa idade. E pra gente porque configurava lá na parte de jornais da região Nordeste. Na época só tinha o nosso e um de Alagoas.
Pergunta - vocês colocavam o pdf no site?
Lopes – Não, a gente fazia só um print da capa e colocava no site. O impresso sempre foi forte. A questão foi financeira mesmo que inviabilizou.
Pergunta – as notícias exclusivas para internet foram a partir de quando?
Lopes – Só a partir do fim do impresso mesmo. Entre 2009 a 2015 a gente oferecia tanto a parte do conteúdo do site que sempre foi a mesma do impresso, como também podia abrir a imagem e folhar o jornal. Tudo era hospedado no UOL que era nosso provedor. Essas edições podem ser encontradas no Google.
Pergunta – Qual foi sua participação nesse processo?
Lopes – Meu trabalho foi desenvolver as páginas. Todas as páginas de 2001 pra cá fui eu quem fez. A nova página num novo provedor entraram a partir de 2015. O restante está no repositório do UOL. Outubro de 2015. Nossa contrapartida era colocar a barra do UOL e eles disponibilizavam nosso site no site deles com a indicação de jornais da região nordeste. Pergunta – Você se baseou em alguma modelo para fazer o site?
Lopes – Não, os primeiros nos fomos discutindo o saía o que entrava com o próprio Cid Augusto. Os primeiros foram exclusivamente com ele. Depois foi dividido em editorias é que passamos a discutir com os editores de cada assunto junto com ele. Pelo menos as três ultimam versões discutimos com mais pessoas. O site atual é a quinta ou sexta versão de nosso site de notícias. Nas versões anteriores tinha mudança de layout inclusão e retirada de seções.
Pergunta – Você lembra qual a primeira rede social que inseriu na página?
Lopes – As redes sociais foram sendo inseridas aos pouco. Acho que a primeira foi o twitter em 2008. Fez dez anos agora o twitter. O facebook chegou com força pra gente aqui em 2009 quando o jornal fez sua conta. O último foi o Instagram.
Ana Paula – O Instagan foi o ano passado.
Pergunta – Quem que alimenta as redes sociais?
Lopes – As redes sociais são os jornalistas que alimentam. Depois da postagem eles compartilham nas redes. (à tarde a alimentação é como Laise).
E- tem também canal no youtube? Na página parece ter um lik.
Lopes – Teve uma época que nós pensamos em ter um canal de TV na Intenet (TV Mossoroense ou Mossoroense TV, algo assim). Mas a ideia não continuou. Foi até na época de um inverno grande que teve por aqui.
Pergunta – você usa link nas matérias com link complementando com outros recusos como vídeo.
Paula – Uso, mas o último tem dez meses. A equipe é pequena para fazer tudo. Tem um exemplo do vídeo que está postado no nosso canal no youtube. Quando recebemos um vídeo de uma situação inusitada quando a cidade amanheceu com nevoeiro. A aqui sempre foi muito quente. Então entrevistei o pessoal da meteorologia e fiz o link com o vídeo. Os jornalistas fazem tudo. A parte de tecnologia só é chamada quando não estamos conseguindo alguma coisa.
Lopes – Geralmente o pessoal esquece que tem de reduzir a foto para não sobrecarregar o servido, ou faz outro procedimento que está com dificuldade então me chama. Geralmente a foto tem que ser 800x600 e no máximo 200k.
Pergunta – Esse recurso tecnológicos são avaliados? Lopes – Faz muito tem que não fazemos isso.
Paula – O pessoal comenta mais pelas redes sociais. Comentam mais facebook e no Instagram. Lá está o link, percebo que mesmo antes de abrir a matéria eles já comentam. Pergunta – Quanto tempo você posta a matéria nas redes?
Paula – É automático. No final do site já tem o link para eu postar nas redes sociais.
Lopes – O Intagram tem essa limitação de não podermos compartilhar links da página. São apenas fotos. Eu estava lendo a poucos dias que eles pretendem fazer uma grande atualização e nessa atualização iam dá um salto grande na forma de trabalhar deles. Vão permitir que se coloque link nas postagens, que transforme sua conta numa conta comercial, e que possam postar direto de uma página web como faz o facebook.
Paula – Um exemplo de interação. O Estado passou dois meses sem essa vacina. Postei ontem e o pessoal comentou direto no facebook. Por ter menos tempo acho que a iteração do público pelo Instagram tem sido melhor, o número de curtida é maior.
Pergunta – Eu pesquiso outro jornal em Sergipe que mudou de uma semana pra outra do impresso para o digita. Foi no susto. Vocês não tiveram um processo?
Paula – Aqui aconteceu um caso semelhante, foi o Gazeta do Oeste. Estava funcionando e fechou tudo. Não tem mais nem impresso, nem na internet. Mossoró chegou a ter quatro
jornais impressos.
Pergunta - como foi feita a estatística divulgada em 2015 falando do número de acesso do site?
Lopes – Do Google analítico. Essa informação é para consumo interno.
Pergunta – O jornal tinha uma área geográfica de influencia que agora foi ampliada? Paula – Hoje o acesso maior é RN, depois CE, PB e São Paulo.
Pergunta – Com que frequência você monitoram esses dados.
Lopes – Eu faço semanalmente, mas os jornalistas e diretores têm acesso.
Paula – O analytic serve para a gente ver a se tem queda nos acesso. Para saber por que? Quais as matérias que têm mais acesso.
Pergunta - O tema mais acessado é um critério de pauta pra vocês? Paula – Deveria ser, mas não tem sido. Seria bom que fosse.
Pergunta – São quantos jornalistas atualmente? Paula – Só eu e mais uma pessoa à tarde.
Lopes – ( mostrando a tela) No momento aqui tem 14 online,
Paula – Os países que mais acessam BR, França , Peru e Estados Unido (no dia da visita). Lopes – Esse recurso é gratuito. A conta paga tem mais recurso, mas a gente não tem. (mostrou mapa dos acessos por estados RB, CE, SP são os que mais acessam.
Paula – Nós noticiamos mais do Ceará do que da Paraíba. Por isso talvez o maior número de acessos lá. Sobre as tropas federais que foram para o Ceará também vieram pra cá então foi notícia, um general cearense que morreu aqui durante a operação, também foi um assunto que chamou a atenção.
Pergunta – Eu vi que tem muitas matérias sobre violência. É porque é grande a violência, ou porque o jornal considera um assunto importante?
Paula – Tanto porque a cidade é violenta. A cidade tem um índice de violência muito alto, e porque é um tipo de notícia que gera um tráfego grande. Nós damos um tratamento diferente para esse assunto. Os sites mais acessados em Mossoró têm uma pauta muito sensacionalista (Lope – São Bloges de políticos). Fora esse factual, nós também contamos com o trabalho do professor da Ufesa, Tadeu Brandão, ele faz parte do Núcleo de Pesquisa à Violência e ele escreve para o jornal. Tem uma coluna e tem acesso livre para postar no Jornal.
(E - Ele faz esse trabalho voluntariamente?) Ana Paula - É.
Pergunta – Além do Google Analítico vocês usam outro tipo de pesquisa para avaliar o site?
Lopes – Não. A gente usa justamente por ser uma ferramenta oficial, de maior credibilidade. Existem inúmeros sites que oferecem esse serviço, mas escolhemos esse. A nível mundial é o mais respeitado, por ser do Google. Por estar na busca do Google ele tem um algoritmo que é mais respeitado.
Paula – Oficial, fácil e gratuito (reforçou).
Lopes – Visualização de página, número de usurário são dados diferentes. Ele considera um usuário um IP. Visualização de página é realmente o que foi exibido, o que foi visto pelo usuário.
(o ex-editor Cid Augusto chegou no meio da entrevista e participou das respostas. Augusto é filho do proprietário do jornal, é advogado e faz doutoramento em análise do discuros)
Cid Augusto – O online não ficou ate o momento como a gente pretendia. Ele foi planejado. Eu comecei a trabalhar aqui aos 14 anos. Passei 30 anos. Fui demitido em 2016. Emborá esteja aqui todos os dias não interfiro mais. Às vezes eu dou “pitaco”, falo alguma coisa que eu vejo. Mas a ideia, quando fizeram um levantamento e disseram olha não dá mais, o impresso vai fechar. Então falamos olha, do Rio Grande do Norte é o Jornal mais acessado na época na internet, talvez pelo link no UOL, não sei bem dizer o motivo. Também quando fazem a pesquisa Mossoró deve aparecer Mossoroense e a gente foi por esse caminho. A ideia era ter uma equipe bem maior e fazer cobertura na mesma proporção do jornal impresso. Equipe com a mesma proporção. Mas no primeiro momento, ficou muito difícil a questão das indenizações nós ficamos com uma equipe bem reduzida. Mas inclusive essa semana falei sobre isso, dizendo que já era hora de começar...
Pergunta – O jornal enquanto negócio você acha que vale a pena? Cid – Não, sempre deu prejuízo.
Pergunta – O impresso conseguia se sustentar melhor do que o digital?
Cid – Olha quem vai dizer isso melhor é a direção. Meu negócio sempre foi a redação. Eu dirigi a redação. Todos participaram. A passagem para o online foi uma coisa. O que eu percebo é que há uma desconfiança muito grande em relação à publicidade online. Você vai
observar que, não só O Mossoroense, mas vários jornais online vai ter basicamente investimento do poder público. Você não vai ter empresas investindo. Nós temos outro
fenômeno aqui que é o blog. Como hoje todo mundo pode montar um blog, os blogs
policiais têm um apelo popular muito grande e muita gente prefere anunciar nesses blogs. Isso tira da mídia jornalística os anunciantes. Se no jornal impresso nos últimos tempos
estava muito difícil de vender, no online é quase impossível. E é possível se fizer um preço muito baixo.
Pergunta - A área de abrangência do jornal como era?
Cid – Olha! No auge do jornal, a área de abrangência era 70 e poucos municípios. Nos anos 2000 foram o de maior concorrência com outros jornais. Ia pra Natal e no caminho deixava em várias cidades. Era circulação pequena, mas isso partiu de um Congresso que eu fui no Rio de Janeiro, inclusive foi quando a gente fez a parceria com o UOl. Eles estavam oferecendo parceria nesse congresso. Nesse mesmo congresso houve uma palestra de um Frances e ele dizia “olha o jornal que influencia mais não é o que tem o maior número de exemplares, mas os que circulam nos lugares certos”. Então a partir dessa ideia desse cara a gente estudou aqui uma forma de distribuição que embora chegasse dois, três, cinco jornais nas cidades esses jornais fossem para as pessoas que tinham alguma força para difundir o que se publicava. Ia para os assinantes. Uma coisa que eu não gostava. Isso foi uma coisa de
Marcio Costa, deu certo, foi pegar colunistas nessas cidades para serem informantes, repórteres de graça. ( quem tinha diploma era hostilizado). As redações eram
hegemônicamente por provisionados. Eu era provisionado, quando me formei tinha 16 anos de trabalho em jornalismo. Inclusive quando saiu a notícia de minha aprovação no vestibular, e os jornais sempre publicavam e o pessoal costumava a olhar quem era de Mossoró. Ai
Canindé Queiroz ligou pra mim, da Gazeta do Oeste, olha estou ligando pra você não é para dar os parabéns não é pra lamentar. Eu disse lamentar o que Canindé? Ele disse: você está deixando sua condição de profissional para ser um merda de um estudante. Eu disse não você está olhando pelo lado errado. Ele disse e qual o lado certo? Eu vou chegar lá como profissional, vou só aperfeiçoar é pode ser, olhando por esse lado. Comigo ele nunca criou problema não. Tentou mas... Canindé era provisionado, ele é formado em economia, foi reitor da universidade. (Pergunta – Voltanto a área de abrangência do jornal) tinha uma área clara, as tiragens não eram grandes.
(Pergunta – pequenas como? 5 mil exemplares?)
Cid - Coisa de 2.500 jornais. Tem uma coisa que pode interessar a você. Depois que o impresso deixou de circular o número de acesso caiu.
Paula – Como o Mossoroense fechou na mesma época da Gazeta do Oeste. O pessoal achava que não ia deixar de existir também na internet.
Cid – A Gazeta do Oeste num dia, chamou os funcionários e disse, está fechado o jornal. Coincidiu que foi na mesma semana que nós anunciamos a mudança para o online.
Paula – Tivemos que fazer uma campanha par anunciar que o jornal continuava na internet. Cid – O fato é que o fim do impresso representou uma queda do online.
Pergunta – O online do Mossoroense reproduzia as matérias do jornal impresso?
Cid – Não, uns três anos antes nós já postávamos notícias só para o digital. Eram notícias que não podia esperar. Tínhamos dois jornalistas que fazia isso e contava com o apoio da equipe de rua também. No começo a notícia só saía depois do jornal ser distribuído.
Pergunta – Para você foi surpresa o fechamento do impresso.
Cid – Nós não esperávamos. Esse processo foi natural no sentido de que entendíamos haver a necessidade do online, mas paralelo ao impresso.
Pergunta – Qual sua opinião sobre essa mudança do impresso para o digital.
Cid – Eu acho inevitável essa mudança. Ela vai acontecer gradativamente. Os impressos vão se tornar mais raros. Não digo acabar, mas vão se tornar raros. Porque fazer um jornal impresso é muito caro. Para manter o impresso aqui dava em torno de (80 mil) oitenta mil reais/mês. Para uma cidade pequena, onde as tiragens são muito pequenas e os anunciantes se resumem ao poder público e empresas maiores, não tem como manter no interior um jornal impresso.
Cid – Tivemos uma época que aquelas páginas em flip eram muito pesadas. Maricélia Carlos é a diretora Administrativa
Maristela – Jornal as pessoas se habituaram ao impresso aqui na região. E muitos comerciante e leitores ainda preferem o impresso. É um percentual pequeno, mas para o quesito anuncio era mais interessante para o empresário. Achava que tem um resultado melhor, principalmente as pessoas mais antigas. Mas a gente no portal, temos conseguindo, prefeitura, câmara municipal. Mas mesmo assim, quando existia uma demanda maior de