Realizada em: 08/10/07
1. Como surgiu o seu interesse pela música?
Eu com a música acho que foi mais influência de... amigos mesmo, tipo, minhas amigas as mesmas meninas da Flauer. A gente começou na escola com quatorze, treze anos a ouvir música e aí veio a idéia de montar a banda e agente foi () sempre se influenciou muito umas as outras: “Ah, uma banda nova que eu ouvi e adorei”. Ai uma apresentava pra outra as bandas e o lance também de montar a banda foi engraçado né que era tipo todas as amigas estavam na banda: eram duas bateristas, três baixistas, não sei quantas guitarristas porque era uma brincadeira antes de começar. Então a graça era agente dizer que tinha uma banda, escolher o personagem de cada uma, escolher o nome, essas brincadeiras, mas é... o lance de fomentar a Flauer, de fazer virar de verdade mesmo só veio bem depois.
2. Porque você escolheu a bateria?
Poxa... eu não sei direito. Agente na época, dessa época né que agente escolheu: “Ah, tá vamos montar a banda” então eu era uma das bateristas. Eu queria aprender a tocar bateria, eu achava a bateria engraçada, achava legal e achava que eu não ia levar o menor jeito pra tocar nada de cordas. É muito minucioso, muito pequeno, é que eu sempre fui desajeitadinha. Não. Eu vou tocar bateria. A brincadeira era essa. Eu achava lega então eu quis aprender a tocar bateria então depois entrei numa aula ai fiquei um pouquinho de tempo pra pegar assim né o básico, depois eu fui aprendendo mais em estúdio mesmo, tocando com as meninas, ouvindo muita música, mas assim bateria foi ‘deu na idéia’, quis tocar, Vou aprender!
3. Tocar bateria é um hobby ou uma profissão?
É um hobby. Absolutamente.
4. Sonhou em ser roqueira e fazer sucesso?
5. Como surgiu a idéia de formar a Flauer?
A idéia de formar a banda foi uma brincadeira de menina em colégio mesmo assim. Somos amigas, estamos sempre uma na casa da outra, uma enfiada dentro da vida da outra, gostamos de coisas muito parecidas e gostamos de rock. Tinha, na época, o Vieira Rock, que era o Festival lá no colégio de bandas e muitas bandas eram nossos contemporâneos aí: “Poxa, vamos fazer uma banda também pra ir pro Vieira Rock e tal”. E começou nessa brincadeira porque os nomes das bandas do Viera Rock eram muito engraçadas, então agente começou a brincadeira: “Ah, vamos fazer uma banda”. Ai deu o nome da Flauer e escolheu o nome de música, ai começou a escrever música. E depois agente foi: “Vamos fazer uma banda mesmo?” “Vamos”. Ai quem não sabia tocar nada, eu, Félix, agente entrou numa aulinha, começou a aprender, ai começou a ir pra estúdio, tirando muito cover assim primeiro né. Depois agente (int) em 2003 entrou Carol na banda e agente começou a fazer o negócio de verdade. Depois de uns dois, três anos que a Flauer começou a idéia agente começou ela de verdade. Dissemos “Poxa, vamos fazer música, vamos tocar”.
6. Então somente depois de três anos ela ganhou forma?
É. Até porque... eu mesma tinha outras bandas na época, então a Flauer como não existia ainda ficou meio que de projeto paralelo. Uma vez na vida agente ia pra estúdio. Então eu tocava na Dead Dools que todo final de semana estava tocando, na época. E eu também toquei na Viver Mata. Então era uma época que estava... A Dead Dools era uma banda só com meninas. A Viver Mata não. Eu era a única menina.
7. Então houve outras bandas além da Flauer?
Eu comecei na Flauer, mas depois da Flauer eu acabei entrando em outras bandas, mas porque também “Ah, baterista. Chama, convida”. Porque baterista a gente conhece poucas né. “Toca bateria, então chama”. Na Dead Dools eu entrei mais porque uma parte das meninas eram lá do Vieira e me conheciam e na Viver Mata também era uma banda de amigos, só que eu era a única menina na banda.
8. Os convites aconteceram porque você era baterista e garota ou porque você era somente baterista?
Porque eu era baterista. A Dead Dools não... a Dead Dools eu nem sei dizer se tinha essa exigência porque a gente sempre foi só meninas, mas na verdade a banda começou sem mim. Eu não estava na banda e aí a vocalista foi fazer intercâmbio. Eu entrei pra cantar aí depois ela voltou como eu tocava bateria eu passei pra bateria e a menina que tocava bateria (péssima, na época, porque ela não tocava) ela foi pra guitarra porque ela tocava guitarra. Ai pronto. Acabou ficando assim a banda. Nunca entrou nem saiu mais ninguém. A Dead Dools ficou nessa formação só com meninas, mas assim nunca teve esse negócio de vender imagem: “Ah, somos uma banda de meninas e somos feministas” e nem nada disso assim. Nenhuma delas. Pelo contrário.
9. Quais artistas inspiraram você?
Ai, pra mim... assim são é artistas que eu gosto até hoje. Muito. É... Alanis Morissete, eu adoro; Janis Joplin, eu adoro. São mulheres. Porque eu gosto muito de vocais
femininos principalmente. É... gosto muito da Marisa Monte. Adoro. Acho fenomenal. Gosto muito da Siona Apple, Bjork. Adoro! Acho Rita Lee né, Mutantes. Acho fenomenal. Eu adoro “Experimentações”. Tinha umas bandas na época que me influenciaram muito “Pearl Jam, Sonic Uf”, Pixes. Eu adorava. Adoro até hoje, mas foram as bandas que eu comecei a ouvir mais. Ai depois vieram outras que influenciaram diretamente a Flauer nessa... a carinha que ela tomou depois que ela começou a virar banda mesmo. Foram as bandas do Movimento “Queer Coorn” de lá dos EUA que são bandas de meninas. A maioria delas... elas SÃO feministas. A maioria delas se intitula feminista e a maioria delas é gay, inclusive, só que elas fazem um somzinho gostoso assim. Então agente não se influenciou muito pelos ideais delas assim porque não é muito a nossa praia, mas pelo lance do som “indie rock” agente gosta muito. E o “Queer Coorn” é meio que uma versão... Um ramo mais novo do indie, mas indie também sempre foi uma coisa que a gente sempre gostou muito. The xxx kine que é uma banda do EUA também que é de meninas que agente adora. Até hoje é um das bandas que agente mais ouve. Pretty Girls Make Grave que é uma banda mais nova também de lá que também é fantástica e não é de meninas, só a vocalista que é menina, mas a banda é fantástica. Sãos as bandas que a gente mais ouvia, que mais ouve.
10. A Flauer ter somente mulheres foi proposital?
Não.
11. Você é fã ou já foi?
Não. Não gosto não tanto que uma das coisas que eu penso dessa coisa de tipo assim, ‘poxa, você ser famosa’. Eu não gosto dessa idéia de você ser formador de opinião e as pessoas seguirem isso, acho que você tem que ter responsa quando você está famoso, lógico que querendo ou não você vai ser formador de opinião, vai ter um grupinho de pessoas que vão, principalmente menininhos mais novos que vão acatar o que você diz e achar lindo e maravilhoso, mas nunca achei que ninguém merecesse tanta idolatria nem iria gostar que fosse comigo.
12. Como foi o aprendizado do aparato técnico?
Eu aprendi a montar bateria até porque eu quis aprender. Meu professor era um amor e por coincidência ele tinha banda também e ele quase sempre tocava nos mesmos shows que eu então ele sempre me ajudava assim a montar a bateria e tal, mas ele falava você tem que aprender porque você vai estar sozinha, vai ter uma hora que você vai estar sozinha e todo baterista tem que saber montar porque normalmente quando você vai para um show ou para um estúdio a bateria, o corpo – que agente fala que são os tambores, ele está montado, o que você tem que montar é só o quê, são os pratos e colocar os tambores na posição que você quer. Agora você não precisa tirar eles e colocar um sobre o outro e tal, mas assim eu sei fazer isso, inclusive ele falava isso pra mim, teve um dia que eu cheguei na aula e estava a bateria toda desmontada, espalhada pelo chão e ele falou: “monte, tipo como se você tivesse que amanhã tirar ela do carro”. Ai eu peguei todos os pezinhos de ferro, coloquei e tudo e fui montado e ele rindo né porque eu me bati obviamente a primeira vez que eu fui montar, mas assim... Tanto que na época da Dead Dools era engraçado porque ele sempre montava a bateria pra mim porque ou ele tocava antes de mim ou depois e ele sabia que eu detestava montar as coisas e o povo ficava: “Ah, porque as meninas da Dead Dools não sabem nem montar
as coisas” Ai ele “hum não sabem eles que eu já fiz você montar uma bateria inteira. Quero ver algum deles aqui montar”. (...) Hoje eu já faço sozinha até porque não tenho mais ele pra montar pra mim, mas sempre que alguém pode... “Quer que eu monte?” Quero. Ai eu chego lá e falo do jeitinho que eu gosto, da altura dos meus braços, mas assim sei montar não é nenhuma complicação, até porque bateria não é igual guitarra que você tem mil efeitos, mil pedais e mil caixas. Ela ta lá, você só bate a única coisa que você tem que fazer é afinar e isso é difícil. Afinar bateria, eu não sei afinar até porque quase ninguém sabe. Afinar bateria é complicado, mas é fácil de manipular ela.
13. Formar uma banda feminina é tão natural quanto uma masculina?
Acho. Eu sou suspeita pra falar porque eu realmente não consigo incorporar, tipo assim quando a gente brinca às vezes perguntam pra gente “poxa como é ser menina no rock?” A mesma coisa que ser menino só que a gente não faz xixi em pé. Tipo assim realmente nunca que a gente teve que enfrentar nenhum tipo de dificuldade nem nada sabe.
Em Salvador é complicado você achar pessoas que toquem rock, por exemplo, meu namorado ele está numa banda agora que já é o terceiro baterista que eles tentam colocar e todas as três vezes que eles estavam sem baterista eles me chamaram pra tocar e eu ‘poxa gente eu gostaria de tocar com vocês (porque é o meu namorado e são amigos meus), mas eu não tenho tempo pra isso’. Até as meninas da Flauer só faltam me matar porque pra arrumar (como elas falaram pra você) pra arrumar um tempo pra eu encaixar a banda é uma complicação ainda mais duas, porque banda você leva coisa pra fazer em casa, não tem como sabe. Então na época foi a mesma coisa, assim, como a Flauer a Dead Dools era mais ou menos o mesmo esquema, tipo tentar colocar pessoas próximas, amigas porque você entrar num estúdio, passar horas com a pessoa, viajar, porque banda viaja, tocar, porque banda toca e não ser uma coisa com pessoas que você tem intimidade, com pessoas que você possa dizer ‘porra, gostei’, que você possa brigar e fazer as pazes, é uma coisa chata sabe. Então a idéia eu acho foi mais ou menos essa, éramos do Vieira também, uma parte da Dead Dolls, a outra era do Marista e a gente já se conhecia, amigas todas, então me chamaram “pô, Mari canta. Pede pra Mari pra ela quebrar o galho enquanto Nat não vem ai depois como eu tocava bateria e a baterista não tocava eu passei pra bateria.
14. Como foi a reação dos pais?
Com meu pai foi engraçadissímo (que a vida toda eu fiz balé né) e na época que eu quis tocar bateria eu tinha saído do balé então ele já ficou arrasado porque eu sai do balé e ai ele começou: “porque minha filhinha vai deixar de ser bailarina pra tocar bateria”. Mas ele achava demais. Ele ia pra todos os shows, contava pra todos os amigos que eu tocava bateria “É rock pesado” (porque a Dead Dools era rock pesado, new metal) e pagava minha aula e eu achava engraçadísssimo e até hoje ele acha engraçado, eu mostro as coisas pra ele, falo que gravei o clip. Na época, tipo assim, foi estranho, mas total apoio, suporte, me levava no show, me buscava no show, comprava meus pratos. Nunca gastei dinheiro com bateria sempre era: “Pai (com manhã), compra aí pra mim” e ele comprava. A gente nunca teve problema não, eu tive pais ótimos não tive problema com isso não.
Com certeza. Com certeza tanto que a gente quando está ensaiando e alguém erra sempre (ela arregala o olho para o lado) e você já olha pra onde foi o foco do erro e vem aquela careta e todo mundo olha, quando sou eu que erro então é terrível – bateria errada não tem quem não perceba. E até às vezes que eu falo a elas ‘gente, em show?!’ elas faziam isso muito. Eu errava alguma coisa, mas assim, voltava rapidinho não era erro assim, a gente sabe que a música não é assim, mas não é aquela coisa – todo mundo da platéia vai perceber – só percebe quem realmente conhece a música de cabo a rabo – a gente. Então ai erravam todas elas olhando pra trás, pra mim... ‘Acabaram de me denunciar’ (sendo enfática). Então a gente, baixo mesmo que é base, mas fica escondido né, toda vez que o baixo está errado todo mundo olha e eu e Fernanda né, baixo e bateria é coladinho então se uma errar a outra erra por tabela. Então sempre, até questões de outras bandas que a gente vai olhar, a gente “Hum”, cds quando a gente está ouvindo, eu fico atenta as coisas, principalmente bateria que é o instrumento que eu toco e assim, um dos lances legais, das bandas que eu gosto “Legal isso ai que eles usaram, bem diferente”, assim tipo, algum solo de guitarra com efeito legal ou a técnica diferente “Legal, olha pra isso”, ai mostro. Quanto à composição de música da Flauer mesmo é muito engraçado porque todo mundo mete o bedelho em tudo. Eu não toco guitarra, mas me meto “Acho que é melhor você fazer assim”. É muito engraçado.
16. Vocês fazem críticas umas as outras?
A gente sempre faz crítica, tipo, “Não gostei”. Tipo assim, alguém faz alguma música e: “Ah ta, vamos começar a fazer”, “Ah, não estou gostando não, gente”, “Não ta não?” “Poxa, eu tô”, “Ah, não tem condição não, tocar isso está muito chato”, “Ah, então vamos fazer outra coisa”, é sempre assim. Ou então é: “Poxa, vamos tirar tal música”, “Vamos” e aí chega todo mundo e uma não tira “Porra, não tirou a música? Tem que tirar. Tem que ter responsa... Não se comprometeu pra tirar? Tira a música ou então avisa que não vai tirar que ninguém tira”. Não tem problema nenhum a gente se conhece desde muito pequena, a gente se mete na vida da outra pra falar qualquer coisa quanto mais banda.
17. Vocês têm uma líder?
Não.
18. Qual a sua opinião sobre isso? A Flauer precisa de uma líder?
Não. A gente sempre conversa dizendo assim a Flauer não é uma democracia é uma unanimidade. Se eu não quiser, eu não faço; e a regra é essa sabe; se Félix não quiser, ela não faz. Então a gente tem que sempre tentar fazer com que as coisas sejam agradáveis pra todo mundo, não é alguém fazer “Vou fazer porque eu sou obrigada”. Assim, claro que às vezes você tem que fazer uma coisa que você não está curtindo, mas você abre a concessão porque você quer, não é porque você está sendo obrigada a isso. Sabe, várias vezes eu falo: “Eu quero declarar aqui bem claro que eu estou morrendo de ódio de vocês e elas dão risada “Eu não queria estar aqui” aí elas: “Você ama a gente”, eu fiz: “Amo. Por isso que eu estou aqui”. Cada um só faz o que quer, sabe, se você está abrindo uma concessão é porque você quer e elas pediram com aquela carinha delas ai você: “Ta bom”.
A gente de vez em nunca recebe convidados no ensaio. A coisa mais difícil do mundo é alguém palpitar sem ser chamado. É uma questão de conveniência. No último ensaio mesmo a gente levou Miguel, que é o namorado da Feu, que ele é operador de som então é aquela história: não adianta você ir todo bem ensaiadinho para um show com a aparelhagem horrível, a equalização péssima porque pro palco é uma coisa, para o público é outra como você está recebendo o som então não adianta você ir com a bateria altona e a guitarra baixinha. A gente falou “Vai Miguel com a gente pro estúdio pra você ter uma noção de como é e ajudar a gente no show” que era no dia seguinte à noite. Ai ele foi e foi com a gente pro show e ajudou a regular na equalização do som, então normalmente é esse tipo de ajuda (...) E eu só to conseguindo lembrar agora de Miguel que tenha... assim que a gente pediu pra ir (...) pra palpitar mesmo. Só consigo lembrar dele.
20. Você conseguiu se concentrar totalmente com a presença do seu namorado no ensaio?
Eu consigo totalmente. Mila que normalmente fica nervosa. Ela não gosta muito dessas coisas, de levar gente pro ensaio, mas ultimamente ela tem andado melhor. A gente até brinca com ela: “Mila vou começar a levar agora cada dia um pra dentro do ensaio. Vou levar toda a minha família pra você lidar com essa coisa de timidez, sabe”. Ela se sente pressionada quando ela está num ambiente... se sente o centro das atenções. Ela não gosta, ela não fica muito confortável.
21. Condução dos trabalhos com alguma ajuda?
Não. Ninguém ajuda
22. Se sente confortável com a linguagem musical?
Não sou expert em bateria, longe de mim. Me sinto completamente confortável (a respeito do que sabe). Eu sou uma pessoa curiosa, não sou muito disciplinada, não treino em casa, não tenho mais tempo pra isso, pra treinar o instrumento em casa até porque é um instrumento complicado. Você pode levar o violão de baixo do braço, a bateria não é assim, mas sou curiosa pergunto as coisas. Quando eu não sei “Vem cá e isso aí é o quê mesmo?”. Ele (referindo-se ao namorado) mesmo me pergunta algumas coisas sobre o tipo de prato, de bateria, de som e eu explico e tal... Mas assim no geral, no que me cabe, no que eu preciso saber, eu sei. Não passo aperto não.
23. Quando começou fazia mais cover ou experimentavam sons?
Olha, na Flauer cover é um parto pra tirar, a gente sempre foi de fazer muita música até porque a banda é meio esquisita assim, o tipo de som, não tem muito cover que combine então normalmente é “Vamos tirar esse cover?”, “Vamos” e acaba fazendo uma versão pra adaptar.
24. Mas e quando vocês começaram?
É isso, a Flauer era assim. A gente começou fazendo música. Até porque foi como eu te falei a gente começou dentro do estúdio, até a gente tocar o primeiro show a gente foi
fazendo com calma, já a Dead Dolls não. A gente praticamente tirou um cd todo de cover da Killy, que era uma banda que a gente gostava muito na época e com pouquíssimas músicas nossas. Ai depois não. Foi mudando, foi invertendo obviamente e a Viver Mata era o contrário a gente não tinha um cover, era só música própria.
25. Quem hoje compõe as canções da Flauer?
É complicada essa pergunta por que não tem... Porque até quando alguém trás, por exemplo, Milinha, ela trás... como ela toca guitarra normalmente ela trás uma coisa que ela escreveu ou então ela pega de alguém, ela “Pô gostei disso, vou pegar” e ai faz a música, faz a base e canta. Quando chega no estúdio ai Feu muda o vocal, ai eu boto a bateria, acaba mudando também a guitarra alguma coisa e ai acelera o ritmo. Não tem como. Mesmo que você traga pronto, vai mudar e vai ficar totalmente diferente de como você trouxe porque cada um vai dando a sua carinha assim pra coisa (...) então não tem como dizer se alguém compõe. É a Flauer, é o processo.
26. Você consegue se ver enquanto baterista?
Eu toco bateria, não sou baterista, tipo assim, eu acho que quando você assume o título “eu sou baterista” é uma responsabilidade de que você toca bem, leva isso a sério e é como eu te falei, bateria pra mim é hobby, quando dá tempo.
27. Então a banda pra você não é um projeto efetivo?
Não. De forma alguma. Pra mim ela pode viver pra sempre como uma coisa que eu adoro fazer.
28. Não consegue se ver vivendo de música?
Não. De forma alguma. Eu acho que perde totalmente a graça. A graça é você fazer de