3. ENQUADRAMENTO INSTITUCIONAL
3.4. Equipa de “Trabalho”
Cada vez mais é importante que o ser humano esteja rodeado de pessoas que o façam crescer, pensar, duvidar e, acima de tudo, construir a sua história pessoal. A constante ocorrência de situações imprevisíveis e problemáticas constituem momentos de reavaliação por parte do ser humano. E são estes momentos que o fazem construir os seus próprios conhecimentos e ideologias.
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No entanto, como já foi dito anteriormente, o facto de ter ao seu redor pessoas diferentes, com conhecimento e espírito de evolução faz com este esteja em constante descoberta e conflito com as mudanças e com o progresso, tendo sempre um “pilar de segurança”. Esta confusão de ideias, filosofias e conhecimentos faz com que, o ser humano, comece a criar os seus próprios princípios acerca das situações que vão surgindo no seu contexto. Esta constante evolução e descoberta está presente em todo o ano do EP e deve ser entendida, pelo EE, como um momento de aprendizagem e de enriquecimento. O EP é caraterizado pela constante incidência de situações não controláveis e que influenciam as práticas educativas. Estas situações podem estar relacionadas, por exemplo com a adaptação das situações de aprendizagem devido à falta de alunos, adaptação de todo o plano de aula devido às condições climatéricas ou até mesmo a alteração completa de um exercício, no decorrer da aula. Aqui, é importante que o EE esteja consciente que estas situações, imprevisíveis, acontecem e são contornáveis. É importante que o EE se sinta seguro e confiante em toda as suas ações. E a equipa de trabalho pode ser uma mais-valia na superação de algumas ocorrências. Esta equipa funciona como um porto seguro em que existe a partilha de experiências, conhecimentos e filosofias. Com estas “discussões saudáveis” os EE estão englobados e envolvidos na partilha de novos conhecimentos e ideologias educativas. Devem aproveitar todos esses momentos para completar, ainda mais, a sua “mala docente”. Assim, a equipa de trabalho é um forte alicerce no ano de EP e o EE tem que ter noção disso para aproveitá-la da melhor forma.
Tenho a noção de que neste ano de EP se não tivesse, sempre, comigo o meu NE não teria aproveitado nem aprendido tanto como o fiz. Todas as minhas angústias, medos e perturbações foram combatidas em equipa para atingir a superação. Sinto que esta equipa e todos os momentos que partilhámos, ao longo deste ano, foram significativos no meu crescimento docente, pessoal e social. A professora orientadora, o professor cooperante e o NE integraram esta equipa de trabalho, contemplando-nos, sempre, com novas perspetivas e saberes.
Um dos membros da equipa de “Trabalho” é a PO. Com esta desenvolvi uma relação de confiança, respeito e cumplicidade. Ao longo deste ano foi uma
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conselheira e um apoio nos piores e melhores momentos. Desde o primeiro dia que soube que seria um ano cansativo, desgastante e trabalhoso, mas, também, um ano de partilha de conhecimentos, de experiências e, acima de tudo, um ano de completa descoberta com a PO. Sem dúvida que, sem ela tudo seria mais difícil. Lembro-me de como me senti no primeiro momento em que reunimos.
“Hoje tive a minha primeira reunião com a professora orientadora da faculdade. Sabia que o nosso primeiro encontro era mais um passo nesta nova fase e que já não havia volta a dar. Estava iniciado o meu ano de estágio profissional. Um friozinho na barriga acompanhou desde a porta de casa até à porta do gabinete da professora. Apesar de já a conhecer de outros anos, o nervosismo e a ansiedade estiveram presentes. A meu ver, isto esteve relacionado com o fato de não a querer desiludir e, acima de tudo, de a querer impressionar. No pensamento estava presente esta ideologia: “Ser melhor que hoje e superar-me amanhã”.”
(Diário de Bordo – Reunião com Prof. Orientadora, outubro de 2016)
Com ela partilhei as minhas angústias, experiências, dificuldades e os meus “pequenos grandes sucessos”, pois acredito que devemos atribuir valor aos momentos de sucesso e vivê-los de forma intensa e única, não esquecendo a sua reflexão para que mais vezes aconteçam. Escutei tudo o que me dizia e aproveitava todos os momentos de partilha para enriquecer, mais, a minha “mala docente” pois era conhecimento sábio, sempre com uma “pitada” de experiência. Apesar de não ter sido uma figura muito presente no dia-a-dia da escola, esteve, sempre, por dentro de todo o meu processo de formação.
“Quero que seja uma pessoa presente e que me veja a crescer em todas dimensões profissionais. Uma vez que a conheço sei que é uma pessoa disponível, acessível e que pretende formar professores de EF de excelência. Sei que o meu núcleo de estágio está em boas mãos.”
(Diário de Bordo – Reunião com Prof. Orientadora, outubro de 2016)
O PC por outro lado, foi uma figura mais presente no processo uma vez que, integrou a comunidade educativa, na qual estou inserida, e acompanhou, de perto, todo o processo educativo. Este, sem dúvida, que foi um elemento essencial da equipa, uma vez que foi o interveniente mais presente em todo meu processo de formação.
“O Professor Cooperante é uma das peças fundamentais nesta etapa de formação do EE. Este deve acompanhar todo o percurso do EE, bem como ajudá-lo nas suas inquietações constantes. O meu PC já foi meu professor de EF nas idades mais baixas, isto é, nunca o tive como professor
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de EF, mas sim o seus EE. Será uma coincidência? Não sei, talvez o destino. . . Apesar de este não se lembrar de mim, eu nunca esqueço uma cara. “
(Diário de Bordo – Prof. Cooperante, setembro de 2016)
Foi um elemento ativo e transmissor de conhecimento/experiências. Apesar de ter sido um elemento supervisor e dinamizador das atividades criadas e desenvolvidas, conseguiu criar momentos de partilha e de sucesso para o NE. A sua intervenção foi sistemática sendo o elemento mais próximo da minha prática e o que conheceu todo o processo de ensino que desenvolvi. Era uma figura que valorizava, bastante, as reflexões de todos os acontecimentos e que conseguia proporcionar momentos de discussão em seio NE.
“No final da aula, após ter comentado com o professor alguns aspetos da aula, este sugeriu-me alguns pressupostos que podiam fazer a diferença e que, acima de tudo, podiam “elevar” o nível da aula bem como otimizar as aprendizagens dos alunos.”
(Reflexão nº 87 6º K – Atletismo, maio de 2017)
Foi um professor aberto a novas práticas e perspetivas, o que facilitou o nosso trabalho, uma vez que conseguimos inovar e criar situações diferentes, divertidas e diversificadas. Não tem medo de inovar nem de sair da sua zona de conforto. Como foi meu PC, no ensino básico, lembro-me, vagamente, dos seus métodos e as suas abordagens.
“Ao princípio, quando descobri que ia ser o meu PC fiquei entusiasmadíssima e ansiosa pois era uma figura que já conhecia e que já tinha estado presente, em algum momento, na minha vida. Tenho a certeza que os seus conhecimentos e as suas filosofias irão encher, mais um pouco, a minha “mala docente”. Com ele irei vivenciar momentos únicos da minha vida docente que irão influenciar as minhas perspetivas, as minhas filosofias, os meus conhecimentos e, acima de tudo, a minha identidade docente. Este irá ter um papel fundamental na prática pedagógica, bem como nos meus momentos reflexivos. Irá ser um modelador nos momentos de angústias e nos momentos das facilidades. E, com ele, pretendo potenciar as minhas maiores fraquezas e promover os meus momentos de sucesso.”
(Diário de Bordo – Prof. Cooperante, setembro de 2016)
Tornou-se uma figura portadora de conhecimento e com um leque de experiências variado que nos apoiou durante todo o processo. E com as suas novas práticas, novas filosofias e novos métodos acrescentou e enriqueceu este ano de formação. Contudo, sinto que poderia ter sido uma pessoa, ainda, mais
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presente em todo processo. Por vezes, tínhamos que ser nós próprios, EE, a questioná-lo acerca da nossa intervenção. Erámos presenciados com a sua opinião e com a sua filosofia somente quando era questionado ou quando algum elemento do NE apresentava um tema para discussão. Foi um elemento ativo, sem dúvida, mas era necessário que os EE fizessem dele isso mesmo. Pensava que iria ser um tutor com uma ação diferente, mais crítica e reflexiva. Gostava de ter sido questionada, que me colocassem em dúvida, que não me dessem certezas, que me fizessem pensar. E que, acima de tudo, valorizassem os meus erros, sendo motivos de aprendizagem.
“Após três meses da prática de ensino não posso deixar de reparar que existe um sentimento de desilusão nos meus dias. Esperava que as minhas aprendizagens fossem mais profundas, isto é, estava à espera de críticas constantes e construtivas. Queria que me pusessem à prova, que me questionassem e que, acima de tudo, me ajudassem a crescer. Sinto que vou ter que, constantemente, fazer introspeções e autorreflexões para melhorar as minhas práticas. Sinto que é com a partilha de experiências e de opiniões, que ocorrem entre o meu núcleo de estágio, que irei ter uma evolução e um crescimento mais profundo, sistemático e “rico” das minhas práticas docentes. Espero, que com o passar do tempo, o meio em que estou inserida me proporcione mais aprendizagens. Preciso e quero evoluir. Quero que me questionem, que me critiquem e que digam que estou errada. Só assim irei criar a minha conceção de ensino.”
(Diário de Bordo – Pensamentos, dezembro de 2016)
O NE é outro elemento essencial da “equipa de trabalho” neste ano de formação. Funciona como um pilar e um porto de abrigo para os choros, para as angústias e, também, para as conquistas. O NE em que fiquei inserida foi um NE que engloba indivíduos que se conheciam há bastante tempo e que pretendiam o sucesso de todos. Era um NE de “velhos amigos”.
“O NE é um dos intervenientes mais importantes no ano de EP. O meu foi escolhido ao milímetro. Fizemos de tudo para ficarmos juntos, uma vez que já nos conhecíamos e que queríamos partilhar este ano de EP juntos. Entre nós existe uma grande cumplicidade e admiração que muitos invejam. Somos bons amigos e por isso pretendemos apoiar e vivenciar, juntos, as derrotas e as vitórias uns dos outros. Isto sim será um NE invejável.”
(Diário de Bordo – Núcleo de Estágio, setembro de 2016)
Foi um grupo que em todo o seu percurso académico trabalhou junto e, por isso, já conheciam as dificuldades e capacidades de cada um, podendo, assim, desenvolver e otimizar a sua capacidade de interajuda. Com eles partilhei os
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momentos mais difíceis, bem como os meus sucessos. Deste NE tive compreensão, carinho, respeito e cumplicidade. Considero que foi o meu “ombro amigo” nas minhas dificuldades como também nas minhas vitórias. A troca de conhecimentos, de experiências e, acima de tudo, de dúvidas foi uma constante nesta nossa caminhada. Juntos melhoramos e refletimos, constantemente, acerca da nossa intervenção docente e de todo o processo de ensino. Agora percebo porque é que os colegas do ano passado diziam que era muito importante o NE. Tenho a perfeita noção que foi um elemento fulcral neste ano de formação. No seio dele caíram-me lágrimas de tristeza, de angustia, ansiedade e de nervosismo, mas com ele, também, vivenciei momentos únicos de felicidade pura. Momentos inesquecíveis e inexplicáveis. Com ele fui feliz no meu Ano da Verdade.