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3. ENQUADRAMENTO INSTITUCIONAL

3.5. Turmas

3.5.2. Turma Partilhada

A turma partilhada foi uma turma do 2ºciclo do ensino básico, 6º ano. Era constituída por 27 alunos, 12 alunos do sexo feminino e os restantes do sexo masculino. Sendo a turma partilhada, em NE, distribuímos a turma por períodos e, consoante as nossas ocupações externas, decidimos quem lecionava em cada período. Como a minha ocupação mais exigente acabaria no final do segundo período fiquei responsável por lecionar o terceiro período à turma do ensino básico. Previa que fosse uma turma mais complicada do que a residente, pois era maior, com idades mais baixas e com comportamentos mais perturbantes. Não sabia muito bem que postura e que comportamento devia

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adotar neste contexto. Deveria programar e estruturar aulas em que o estilo “militar” e por comando estivesse presente ou devia proporcionar aprendizagens em que promovesse o estilo da descoberta guiada em que o aluno teria um papel mais autónomo e liberal nas aulas de EF. A meu ver, e após várias reflexões, cheguei à conclusão que devia de encontrar um equilíbrio entre estes dois estilos de ensino em que, na base da minha ação estivessem os valores e as crenças que faziam parte da minha conceção de ensino e da minha visão escolar. No entanto, também, na minha prática docente deveriam estar presentes valores e filosofias que me constituem enquanto ser humano, inserido numa sociedade. Consegui, com a ajuda do NE, do professor cooperante e com as minhas reflexões, constantes, “encontrar-me”.

“Durante estes dois períodos letivos, raramente, levantei a voz na minha turma residente ou tomei uma atitude mais rígida e “agressiva” . . . Como disse anteriormente, nesta turma do 6 ano sinto que tenho que adotar uma postura mais séria, assertiva e “rígida” para mostrar que as aulas de EF não são para brincar. Mas, ao mesmo tempo, consigo criar um equilíbrio entre a rigidez e a liberdade. Sei que são bons miúdos e que estão, completamente, empenhados nas tarefas que proponho. Por vezes, esse entusiamo é tanto que adotam comportamentos mais impróprios, mas sei que não o fazem por mal. São crianças.”

(Reflexão da Aula nº78 e 79 – Voleibol, maio de 2017)

“Sinto que são alunos muito irrequietos e que não têm as regras muito presentes. Não sei se o fazem como forma de testar a minha “paciência”, mas é certo que, nesta aula, chegou quase ao fim. Foi uma realidade completamente diferente do que estava habituada, uma vez que a minha turma residente é uma turma muito tranquila e sossegada. Por isso, fiquei num entrave: não quero ser muito “militar” nem quero ser muito “liberal”. Se fosse professora militar não ia ter muitos resultados, mas sim muitas preocupações e dores de cabeça, se fosse professora “liberal” não sei se os resultados apareciam, mas, tenho a certeza, que não ia ter muitas preocupações. Não quero tornar as aulas como treinos e ser muito exigente e rígida uma vez que os alunos, nestas idades, querem é, nas aulas de EF, divertirem-se. Por isso, após vários pensamentos e várias reflexões acho que vou adotar uma postura mais “descontraída”, isto é, irei ser exigente e não deixarei passar os maus comportamentos nem as faltas de educação, mas, no que diz respeito às atividades desportivas terei que criar ambientes divertidos, diversificados e competitivos, com o intuito de os envolver nas atividades e dos os tornar mais responsáveis pelas suas ações.”

(Reflexão da Aula nº76 e 77 – Frisbee, abril de 2017)

Estes “pequenitos” como tinham uma enorme predisposição para as aulas de EF, tornava-se fácil e, de certa forma, “divertido” lecionar-lhes aulas. Também a

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sua grande envolvência e participação nas atividades motivam-me para construir e elaborar situações de aprendizagens novas e diferentes. Creio que era uma turma que me desafiava, constantemente, a querer e a ser melhor, na minha intervenção. Apesar de serem “pequenitos” continham poder crítico e reflexivo. Eram alunos que me questionavam acerca das matérias abordadas e, por vezes, transmitiam algumas sugestões. As suas questões e sugestões fizeram com que “fosse para casa”, após as aulas, estudar e procurar as respostas pretendidas. Era uma turma em que era preciso estar seguro de todo o conhecimento transmitido e de todas as situações que se propunha, nas aulas. Estas suas caraterísticas próprias fizeram com que eu, enquanto EE, realizasse uma procura, constante, da excelência docente e, por isso mesmo, com eles, o meu desejo de procura e de conhecimento expandiu-se. Com eles fui uma melhor professora de EF.

Era uma turma invejável e desejável. Podiam ser muito irrequietos e faladores, mas, mesmo assim, a sua forma de ser conquistava cada um. Como é óbvio, havia momentos em que tinha que ser mais rígida e ríspida, mas foi, principalmente, nos primeiros contactos que tivemos. Rapidamente consegui, com algum esforço e com a aplicação de algumas estratégias que respeitassem os meus valores e que se regessem por eles, nas minhas aulas.

Uma das estratégias que utilizei para melhorar o cumprimento das regras e, assim, ter um comportamento aceitável foi a construção, em conjunto, do mapa das regras que devia estar presente nas aulas de EF. Esta estratégia que adotei deu-lhes importância no processo de aprendizagem, bem como em todo o planeamento das aulas. Esta foi uma das estratégias que adotei para os cativar e para os envolver nas aulas de EF, apesar de não ser muito necessário pois nestes escalões mais baixos não existem problemas de faltas de material, comportamento ou de “não querer fazer a aula”. Por eles, tinham, todo o dia, aula de EF.

“Em relação à estratégia que apliquei, logo na primeira aula, está a resultar uma vez que, os alunos, “trouxeram” o trabalho de casa. Em turma foi definido quatro regras que deviam de ser seguidas por todos. Era obrigatório todos cumprirem. Eu, enquanto, professora, defini uma e o resto foram os alunos. Foi uma estratégia que adotei e que, a meu ver, irá resultar uma vez que

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o não cumprimento das regras irá trazer consequências para a equipa. Fiquei entusiasmada com a adesão por parte dos alunos, não estava à espera. . .”

(Reflexão da Aula nº78 e 79 – Voleibol, maio de 2017)

Foi uma turma que adorei trabalhar. O fato de serem “pequenitos” cativou-me ainda mais, pois adoro trabalhar com crianças e presenciar o seu crescimento. Como é óbvio, também gostei da minha turma residente, mas são contextos totalmente diferentes. Na turma residente não necessitei de ser tão rígida e tão dura, pois estes têm outra maturidade, enquanto que na turma partilhada, em certos momentos, percebi que estavam a testar os meus limites e por isso tinha que assumir uma figura clara de autoridade. Mas, como disse anteriormente, estas situações aconteceram, principalmente, nos primeiros momentos. Pode ter sido devido à passagem, novamente, do professor que decorre, sempre, no início de cada período uma vez que é a turma partilhada.

Contudo, ao longo do tempo consegui estabelecer uma relação de proximidade com a turma em que na sua base estavam valores como a confiança e o compromisso. Com minha personalidade e com a “vida” destes “pequenitos” foi fácil criar esta relação, pois ambas as partes estavam direcionadas para isso mesmo. Com eles não houve medo de experimentar novas estratégias, novas situações e novas dinâmicas pois eles “atiravam-se” de cabeça a tudo que era proposto. Foram excecionais. Saio com a sensação de dever cumprido.

“Devo confessar que estou entusiasmadíssima para trabalhar com estes “pequenitos”. Sei que não será fácil e que me vão por à prova, mas, gostando do que se faz, isso é o menos. Quero estar com eles, conhecê-los, aprender com eles e ensinar-lhe tudo o que sei. Quero torná-los grandes.”

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