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Os EPI são os elementos mais importantes para diminuir ou eliminar a possibilidade de riscos de intoxicações ou de contato com os produtos químicos. Porém, devem ser seguidas todas as instruções dos fabricantes e as normas de segurança e medicina do trabalho, para que não haja riscos aos trabalhadores.

Quando as condições de segurança indicadas não são seguidas corretamente, os trabalhadores podem sofrer intoxicações pelo contato direto com estas substâncias por meio das seguintes vias: dermal, inalatória ou digestiva.

8.3.1- Principais EPI

Para evitar riscos de intoxicações aos trabalhadores, recomenda-se o uso dos seguintes itens pelas pessoas que manipulam e que aplicam os produtos:

• Óculos ou viseiras faciais, para evitar respingos nos olhos;

• Luvas de cano comprido, preferencialmente de nitrila ou neoprene;

• Botas de borracha com cano médio ou comprido;

• Calças impermeáveis por cima das botas, para impedir a penetração do produto para o interior da bota;

A SAÚDE DO TRABALHADOR E USO DE EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA

• Avental, principalmente quando utilizar pulverizador costal para a aplicação de produtos;

• Chapéu de aba larga ou boné tipo árabe, para melhor proteger a cabeça;

• Máscaras de proteção respiratória ou com filtro específico para pesticidas de acordo com a recomendação do fabricante para o do agrotóxico a ser utilizado.

Considerações importantes sobre a contaminação por agrotóxicos:

• O potencial de alcance dos agrotóxicos à corrente sanguínea pela via dermal é 10 vezes menor do que pelas demais vias;

• A proteção dermal da face e cabeça deve ser maior em relação ao resto do corpo;

• A manipulação em ambientes fechados, principalmente de produto em pó aumenta o risco de exposição da via respiratória;

• A via oral apresenta os menores riscos de exposição.

8.3.2- Recomendações na Escolha dos EPI

• Os EPI a serem utilizados são indicados pelo receituário agronômico e pelos rótulos e bulas dos produtos;

• Os EPI devem ser utilizados quando em boas condições, de acordo com a recomendação do fabricante e o tipo de produto a ser utilizado, tendo-se o cuidado de observar se não há danos nos mesmos, devendo-se fazer a substituição quando isto ocorrer;

• Os EPI devem possuir Certificado de Aprovação (C.A.) do Ministério do Trabalho;

• Os filtros das máscaras e respiradores são específicos para agrotóxicos e tem data de validade;

• As luvas recomendadas devem ser resistentes aos solventes dos produtos;

• A lavagem do EPI deve ser feita usando luvas e separada das demais roupas da família;

• O EPI deve ser mantido em local limpo, seco, seguro e longe de produtos químicos.

8.3.3- Características e Cuidados no Uso de EPI

• Luvas

As luvas devem ser de cano longo, sem forro e à base de nitrila e ou neoprene, principalmente para produtos de formulação CE. Para produtos com formulações que não contiverem solventes orgânicos, pode-se recomendar luvas impermeáveis à base de PVC. O aplicador deve certificar-se sobre o tamanho ideal para sua mão, utilizando as tabelas existentes no verso da embalagem.

Após o uso, deve-se lavar as luvas ainda nas mãos, a fim de retirar possíveis resíduos, e em seguida pendurá-las pelos dedos para secar à sombra. É importante lembrar que nas aplicações dirigidas para o alto, as luvas deverão estar por cima da manga da camisa. Para as aplicações dirigidas para baixo as luvas deverão estar por dentro da manga da camisa.

AMENTOS DE SEGURANÇA

• Roupas de proteção para o tronco, braços e pernas

As roupas de proteção, atualmente são confeccionadas em tecidos de algodão, com densidade média de 116 a 138 gramas/m2. O tecido de algodão é submetido a uma aplicação de produtos químicos, em alta temperatura e pressão, a fim de torná-lo hidrorrepelente à calda de pulveriza-ção. O avental para o preparo da calda de pulverização é de tecido plástico impermeável. Esse tecido impermeável também é utilizado na parte frontal da calça, como reforço mecânico, o qual faz parte integrante do conjunto para aplicação com o pulverizador costal manual.

As roupas de proteção individual também devem ser utilizadas seguindo as recomendações do fabricante, tendo-se o cuidado de observar se não há furos ou rasgos. Após as pulverizações, a roupa deve ser lavada separadamente das demais roupas da família e colocadas para secar à sombra.

• Proteção dos pés

Recomenda-se o uso de botas de PVC de cano alto, impermeáveis, sem cordões, fechos ou forração e de preferência de cor branca. A utilização de meias de algodão favorece a estabilização da temperatura interna na bota.

• Proteção da face e cabeça

Para a proteção da cabeça, o mais recomendado é o boné árabe, principalmente em aplicações direcionadas para o alto. É confeccionado em tecido hidrorrepelente, ideal para evitar respingos e vazamentos em pulverizador costal. Protege do sol de ambos os lados da cabeça. Nas aplica-ções em pulverizadores tratorizados de barras pode-se optar por chapéu de abas comum, no momento da aplicação.

O protetor facial, ou viseira, é confeccionado em acetato especial anti-embaçante. É utilizado no preparo da calda, para aplicações com o pulverizador costal manual, jato para cima; na revisão e lavagem de pulverizadores e em casos de vazamentos e defeitos nas bicas do pulverizador.

• Proteção dos olhos

Os óculos de proteção foram adaptados dos EPI usados em oficinas e na indústria em geral. Seu uso é mais recomendado para gases, vapores e névoas, com a devida vedação, e em pulveriza-ções direcionadas para cima (cultura de porte alto, estábulos, silo, armazém). Seu uso ainda passa por maiores estudos para a área fitossanitária.

Neste tipo de equipamento os problemas encontrados são de vedação, embaçamento e difícil limpeza. A melhor recomendação atualmente é a viseira facial de acetato. O usuário deverá ob-servar, periodicamente, se não há rachaduras ou furos.

A SAÚDE DO TRABALHADOR E USO DE EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA

• Proteção das vias respiratórias

A recomendação da proteção respiratória deve levar em consideração os seguintes aspectos:

• Ambiente em que será manipulado;

• Formulação do produto (gases + vapores);

• Concentração do tóxico no ambiente de trabalho.

Excluindo-se os produtos fumigantes, para os quais respiradores purificadores de ar não podem ser utilizados, em termos gerais, um respirador para aplicação de agrotóxicos necessita de:

• Filtro mecânico: responsável por reter poeiras e névoas, na manipulação do produto, princi-palmente na pulverização;

• Filtro químico: responsável por segurar os vapores orgânicos, não permitindo, assim, a entra-da destes contaminantes para as vias respiratórias;

• Filtro combinado: quando a exposição se dá a diferentes contaminantes, deve-se usar um filtro mecânico + químico, em um só respirador.

Os procedimentos para o uso de respiradores devem ser:

• Os usuários devem seguir as instruções indicadas toda vez que o respirador for utilizado;

• Se possível, deve-se treinar o usuário na forma correta de colocar o respirador e de fazer a sua vedação;

• Deve ser feito teste de selagem e vedação para cada usuário;

• Não devem ser utilizados por pessoas com barba, pela interferência na vedação;

• As mãos do usuário devem estar limpas no momento de colocar e retirar o respirador;

• Os respiradores devem ser limpos após o uso e guardados em sacos plásticos limpos, e em local seco.

Para a manutenção e troca de filtros dos respiradores devem ser considerados os seguintes fatores:

• Prazo de validade (definido na bula ou no próprio filtro);

• Deformação de filtros: trocar quando a deformação impede a boa vedação ou quando há válvulas com defeitos;

• Saturação de filtros: no caso de filtro mecânico, trocar quando o usuário sentir dificuldade para respirar, caracterizando que o filtro está saturado e/ou entupido;

• Filtro químico e de carvão ativado: trocar quando o usuário começar a sentir cheiro ou gosto do contaminante, isto significa que o filtro químico está saturado.

AMENTOS DE SEGURANÇA