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As águas podem apresentar perigos – agentes de natureza biológica, química e física que podem causar um dano à saúde do homem. A origem e procedência destes perigos incluem:

9.2.1- Natural ou Inerente

A composição da água pode apresentar diferenças. Se avaliarmos a variabilidade de composição das águas minerais, verificamos que algumas são mais ricas em carbonatos, outras em fluoretos ou nitratos, outras em gás sulfídrico, etc. Algumas águas são consideradas pesadas ou salobras, pelo conteúdo de sais dissolvidos que apresentam. Alguns destes componentes podem sobrecarregar algumas funções orgânicas do homem, como a função renal, como os sais. Além destes, as águas podem apresentar uma microbiota própria, que inclui microrganismos patogênicos, como a Aeromonas hydrophila, Plesiomonas shigelloides, Listeria monocytogenes, Yersinia enterocolitica e cianobactérias, também chamadas de cianofíceas (algas azuis). As pri-meiras causam infecções, e as últimas podem liberar toxinas hepatotóxicas na massa de água.

Animais selvagens como as aves e roedores do campo, podem ser fonte de contaminação microbiana (bactérias e parasitos). Outra classe de perigo, de natureza física, é a radioatividade.

9.2.2- Decorrentes de Atividade Agrícola e Pastoril

As águas superficiais podem se contaminar por arraste de substâncias químicas usadas em plan-tações, em especial nitratos e pesticidas. Estes contaminantes podem também percolar pela ter-ra, contaminando lençóis de água subterrâneos, sobretudo quando são freáticos (acúmulo de água de chuva que, ao encontrar uma camada rochosa, se mantém a poucos metros da superfície do solo). Águas subterrâneas contidas em bolsões de rocha, apresentam barreiras físicas que conferem um grau maior de proteção, mas que ainda podem apresentar estes contaminantes. A atividade pastoril pode ser fonte de contaminação principalmente de perigos de natureza microbiológica. Os animais podem apresentar em suas fezes, bactérias e parasitos patogênicos que, alcançando as águas superficiais, as contaminam. Os patógenos mais comuns são parasitos (Taenia spp., entre outros), a Salmonella spp., as Escherichia coli patogênicas e a Listeria monocytogenes. Esta última bactéria pode ser encontrada naturalmente na água e no solo, como pode também estar presente no intestino de animais domésticos e selvagens. Estes patógenos podem contaminar as águas subterrâneas, quando as mesmas não são profundas e o tipo de solo que se interpõe entre a superfície e a massa de água não é capaz de filtrar ou depuração.

9.2.3- Como Conseqüência de Contato com Fezes Humanas

A deposição de fezes humanas na superfície do solo pode carrear microrganismos para as águas superficiais. Da mesma forma, o esvaziamento de latrinas e de fossas em águas superficiais ou subterrâneas. Em áreas próximas das cidades, deve-se atentar para a possibilidade de poços desativados estarem sendo usados para descarga de esgoto doméstico, pois a área ocupada pela massa de água subterrânea pode ter quilômetros de extensão. O homem pode ser uma fonte importante de microrga-nismos patogênicos, que incluem bactérias (Salmonella spp., Shigella spp.), vírus (hepatite infecciosa, Rotavírus) e parasitos (Entamoeba hystolitica, Cryptosporidium parvum, Taenia spp.).

9.2.4- Por Despejo de Esgoto de Cidades, que Inclui Dejetos Domésticos e Industriais, nas Águas Superficiais

Esta prática é fonte de contaminantes de natureza biológica (todos os microrganismos de transmissão fecal, como bactérias, vírus e parasitos humanos e animais) e substâncias químicas (detergentes, metais pesados como o mercúrio e o chumbo, outras substâncias tóxicas derivadas do petróleo, usadas pelas indústrias).

9.2.5- Contaminantes Ambientais, em Decorrência, Por Exemplo, da Emissão de Gases Tóxicos por Veículos Automotores

Considerando todas as naturezas de perigos que podem estar presentes nas águas e o fato da vida humana não existir sem suprimento adequado de água, entende-se a preocupação, em nível naci-onal e internacinaci-onal, sobre a potabilidade da água e a ausência de perigos que possam afetar a saúde do homem. Os estabelecidos na Portaria 1469/00, do Ministério da Saúde, tem por base as disposições da Organização Mundial da Saúde, órgão da ONU (Organização das Nações Unidas).

ÁGUA POTÁVEL

Com relação aos especificados na Portaria, existem duas atividades de suma importância para a garantia da potabilidade da água, a saber:

• O controle de qualidade da água para consumo humano, definida como o conjunto de atividades, exercidas de forma contínua, pelo(s) responsável(eis) pela operação do sistema ou de solu-ções alternativas de abastecimento de água, destinadas a verificar se a água fornecida à população é potável, assegurando a manutenção desta condição.

• A vigilância da qualidade da água para consumo humano, como sendo o conjunto de ações adotadas continuamente pela autoridade de saúde pública para verificar se a água consumida pela população atende aos requisitos da Norma e para avaliar os riscos que os sistemas e soluções alternativas de abastecimento de água representam para a saúde humana.

A vigilância da água é considerada muito importante. Recomenda-se a avaliação da sua compo-sição e a realização de análises microbiológicas, para certificar a condição de potabilidade.

Para avaliar a qualidade microbiológica da água potável, são usados grupos de bactérias indicadoras, que apesar de não serem patogênicas em condições normais da bactéria e do consu-midor, podem caracterizar a origem de contaminantes, a qualidade do tratamento da água e a proteção da água tratada. São, basicamente, os seguintes grupos:

1. Bactérias heterotróficas – podem estar presentes nas águas superficiais e subterrâneas, de forma natural. Entretanto, seu número em águas tratadas é indicador de condições de trata-mento ou de contaminações posteriores ao tratatrata-mento.

2. Bactérias do grupo coliforme – este grupo é composto por enterobactérias que são comuns no meio ambiente e que não são consideradas nocivas ao homem. Assim, este grupo está presente nas águas superficiais e nos lençóis freáticos. Este grupo está adaptado ao meio ambiente, onde fazem parte do ciclo de decomposição da matéria orgânica (vegetais e ani-mais). A temperatura de desenvolvimento deste grupo é a de 350C. Em águas profundas e águas tratadas, este grupo não está presente; se presente, indica que a proteção natural da massa de água subterrânea apresenta falhas ou que o tratamento da água foi insuficiente ou ainda que a água tratada sofreu recontaminação posterior.

3. Bactérias do grupo coliforme de origem fecal – este grupo se diferencia do grupo anterior, por ser composto de enterobactérias que tem como habitat natural o intestino de animais de sangue quente, incluindo o homem. Em nível de laboratório, é separado do grupo anterior, por ser capaz de se desenvolver também na temperatura de 44,50C. Quando a análise laboratorial está restrita à determinação de bactérias do grupo coliforme, alguns autores consideram que sua presença é indicativa da presença do grupo de origem fecal. A presença de coliformes de origem fecal, também denominados de termotolerantes, é indicativo da presença de outros organismos entéricos que apresentam a mesma sensibilidade e tem a mesma capacidade de permanência no meio ambiente. Estes organismos são outras enterobactérias, que inclui

patogênicos como a Salmonella Typhi (agente da febre tifóide), Shigella dysenteriae (agente da desinteria bacilar), outras Salmonella spp. e Shigella spp., além de Escherichia coli patogênicas.

Os coliformes de origem fecal ou termotolerantes, não conseguem permanecer por longos períodos no meio ambiente, pois este não é o seu habitat natural e a competição entre os microrganismos tende a deslocá-los ou eliminá-los. Por isto, comparado com outros grupos indicadores, sua presença está relacionada com contaminação de origem fecal (direta ou indireta), recente. Os organismos patogênicos mais freqüentemente encontrados nas águas e que tem a mesma origem e procedência fecal, são, entre outros, o Vibrio cholerae, os vírus entéricos e os parasitos (protozoários e helmintos).

4. Escherichia coli – este é um gênero de enterobactéria que pertence ao grupo dos coliformes de origem fecal. A sua importância como indicadora está no fato de que para este gênero não existe um representante ambiental, o que equivale a dizer que, toda vez que for isolada e identificada a E.coli na água, independente da temperatura de incubação, caracteriza-se a contaminação de origem fecal. É capaz de multiplicar-se na água não contaminada (sem matéria orgânica) e a tendência é ser eliminada por processo de depuração bacteriana no meio ambiente.

5. Enterococos ou estreptococos de origem fecal – este grupo pertence à Família Streptoccocaceae, encontrados naturalmente nos intestinos de animais de sangue quente, de onde são eliminados pelas fezes. O grupo em questão é muito utilizado para avaliação da potabilidade da água. É um grupo que apresenta maior resistência do que a E.coli no meio ambiente, embora, também, não seja capaz de multiplicação. Sua resistência no meio ambien-te o torna indicador de contaminação passada e é próxima à dos parasitos e vírus entéricos.

6. Fagos entéricos - Os fagos são vírus que parasitam e podem matar bactérias. Em geral, os fagos são específicos com relação ao gênero de bactéria que parasitam. Como indicadores de contaminação de origem fecal, os mais utilizados são os colifagos, que estão relacionados com a Escherichia coli habitante normal do intestino de animais de sangue quente. São mi-crorganismos que podem permanecer por longos períodos no meio ambiente e que, apresen-tam a mesma resistência dos vírus patogênicos entéricos, como o agente causal da hepatite e de diarréias virais. Os shigelafagos tem papel indicador diferenciado: como o gênero Shigella é encontrado exclusivamente no homem (é seu único reservatório reconhecido, apesar da capacidade de se adaptar no intestino de outros primatas), a presença deste grupo indicador é interpretada como contaminação fecal humana.

7. Outros grupos ou gêneros – Outros grupos podem ser usados como indicadores. No caso de água potável, em especial os mananciais e as águas superficiais, é importante a avaliação da presença de cianobactérias (cianofíceas, algas azuis). Em função da espécie presente, um núme-ro alto destas bactérias pode significar presença de toxinas. Dentre as espécies pnúme-rodutoras de toxina, pode-se citar a Mycrocistis, produtora de microcistina e Aphazenimon. Outros microrga-nismos como a Pseudomonas aeruginosa e o Clostridium perfringens, que estão presentes no solo, são usados pra avaliar falhas no sistema de captação de águas minerais e de fontes.

ÁGUA POTÁVEL