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A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que estatui as normas que regulam as relações individuais e coletivas de trabalho, nela previstas, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, contém em seu texto capítulo que trata sobre segurança e medicina do trabalho. Os arts. 166 e 167 dessa norma estão voltados especificamente ao equipamento de proteção individual e estabelecem a obrigatoriedade do empregador no fornecimento gratuito de equipamento adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e certificado por órgão fiscalizador:

Art. 166 – A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, equipamento de proteção individual adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados.

Art. 167 – O equipamento de proteção só poderá ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho. (BRASIL, 1943).

Também conhecido pela sigla EPI, o equipamento de proteção individual tem sua definição e regras de utilização disciplinadas pela Norma Regulamentadora (NR) nº 6, de 1978, e suas alterações. De acordo com essa NR equipamento de proteção individual é “[...] todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho". A mesma norma ainda define “uma variação denominada ‘equipamento conjugado de proteção individual’, que significa uma única ferramenta que concentra vários dispositivos de proteção que um fabricante tenha conseguido associar”. (SILVA, 2017, p. 62).

Tuffi Messias Saliba (2016, p. 25) declara que os EPIs são “[...] de grande aplicação no controle de risco” por ocasião da instalação de equipamento de proteção coletiva ou, ainda, na impossibilidade de aplicação desse equipamento, além de constituírem “medida imprescindível nas situações de emergência”.

Homero Batista Mateus da Silva (2017, p. 62) refere que os EPIs devem ser fornecidos gratuitamente aos empregados, equiparando-se ao fornecimento de uniforme ou ferramenta de trabalho. Contudo, com fundamento no art. 458 da CLT, não são considerados uma forma indireta de salário, ainda que o empregado possa leva-lo para casa e fazer uso dele fora do horário de trabalho. O autor acrescenta

que o fornecimento dos equipamentos deve ser feito mediante recibo escrito, conforme preceitua a NR-6, no item 6.6.1 ‘Cabe ao empregador quanto ao EPI: (...) (h) registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico’. (SILVA, 2017, p. 65-66). “Todos os equipamentos têm de estar relacionados analiticamente na ficha de entrega de EPIs [...]”. (VENDRAME, 2013, p. 67).

De acordo com Dennis de Oliveira Ayres e José Aldo Peixoto Corrêa (2011, p. 15) o uso de EPIs auxilia na redução de doenças profissionais e lesões provocadas por acidentes do trabalho; no entanto, se esses equipamentos forem fornecidos, mas os empregados não forem treinados e conscientizados sobre a importância de sua utilização, de nada adiantará. Entendem os autores que periodicamente, com o objetivo de preparar o trabalhador para o uso dos equipamentos individuais, sem que ofereçam resistência ou tenham dificuldades, devem ser desenvolvidas campanhas para educação e aceitação desse uso. Todos os empregados devem ter consciência que “um EPI destinado a determinada atividade pode não ser indicado para outra diferente, pois, certamente, não atuará com a mesma eficiência e, em consequência, não oferecerá a proteção necessária”. (AYRES; CORRÊA, 2011, p. 45).

Importante destacar que a guarda e conservação dos EPIs são responsabilidades dos trabalhadores, sendo seu uso obrigatório e, havendo sinais de danificação ou ocorrendo extravio, sua substituição pela empresa deve ser imediata. (AYRES; CORRÊA, 2011, p. 42). Nos dizeres de Silva (2017, p. 61), “[...] a recusa injustificada ao uso dos equipamentos constitui justa causa para a rescisão do contrato de trabalho [...]”.

Em que pese o fornecimento gratuito dos equipamentos de proteção individual, treinamentos, campanhas de conscientização de sua importância, a obrigatoriedade do uso sob pena de rescisão contratual, há trabalhadores que não os usam. Por essa razão deve haver fiscalização por parte do empregador a quem cabe tal incumbência e a quem será atribuída a responsabilidade pelo descumprimento da legislação, ainda que reste comprovado que o trabalhador recebeu o equipamento e se recusou a usar ou foi negligente com sua própria saúde. “O empregador deveria ter punido o empregado recalcitrante, com as formas de advertência, suspensão ou rescisão”. (SILVA, 2017, p. 65).

No que concerne à parte final do art. 166 da CLT, que dispõe que os EPIs deverão ser fornecidos quando “as medidas de ordem geral” não oferecerem completa proteção aos trabalhadores, infere-se que outras medidas devem ser adotadas antes de se lançar mão do uso de equipamentos individuais. Em conformidade com esse dispositivo, Silva (2017, p. 63) afirma que a Norma Regulamentadora nº 9 (NR-9), que disciplina a elaboração e implementação do Programa de prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), aponta que os EPIs têm baixa eficiência e atenta que sua utilização somente deve ocorrer em caso de insucesso de “outras medidas, mais genéricas e mais eficazes, que tentem neutralizar na fonte os agentes agressivos, mediante alteração do processo produtivo ou do modo de operação”. Para o autor:

A norma é tão eloquente quanto a prioridade absoluta das medidas de ordem geral que chega a dizer que o fornecimento dos equipamentos de proteção individual deve ser feito mediante comprovação da ‘inviabilidade técnica’ das demais tentativas, lançando luzes sobre o pouco explorado tema da exigência de demonstração, administrativa ou judicial, que nada mais havia a ser feito naquela atividade econômica, a não ser o fornecimento dos EPIs. (SILVA, 2017, p. 63).

De ressaltar, que a adoção de EPIs deve se dar em situações específicas e legalmente previstas, como quando as medidas de proteção coletiva são inviáveis, ou nos casos de emergência, ou, ainda, no período de implementação de medidas de proteção coletiva. Contudo, há situações onde o uso do EPI é indispensável, ou aconselhável, ou, ainda, sugerido. São os casos de ingresso em espaços confinados, mergulho e o trabalho com fluidos corpóreos (uso indispensável), de exposições residuais mesmo após implantação dos equipamentos de proteção coletiva (uso aconselhável) ou quando empregados não expostos utilizam o equipamento para dar exemplo aos trabalhadores expostos (uso sugerido). (VENDRAME, 2013, p. 66).

Como apontado, os EPIs são instrumentos que devem ser utilizados como forma de proteção e prevenção contra os riscos presentes no meio laboral, de forma a garantir um mínimo de segurança ao trabalhador. Seguindo no assunto segurança e medicina do trabalho, o próximo ponto tratará da saúde ocupacional.

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