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EQUIPE MÍNIMA PARA ATENDIMENTO DE ATÉ 40 ADOLESCENTES EM CUMPRIMENTO DE MSE DE INTERNAÇÃO

Nº DE PROFISSIONAIS CARGO/FUNÇÃO 01 Diretor 01 Coordenador técnico 02 Assistentes Sociais 02 Psicólogos 01 Pedagogo

01 Advogado (defesa técnica)

Demais profissionais necessários para o desenvolvimento de saúde, escolarização, esporte, cultura, lazer, profissionalização e

administração de acordo com a necessidade da unidade Educadores21

Fonte: NASCIMENTO; Viviane, 2018

Em 2018 o CASE Pitimbu contava com um (01) diretor, um (01) vice-diretor, um (01) coordenador técnico, uma (01) assistente social, três (03) psicólogos, duas (02) pedagogas, cinco professores, uma (01) técnica de enfermagem, três (03) equipes de educadores e demais profissionais que compunham a equipe no auxílio de atividades extras (motoristas, cozinheiros, técnicos administrativos). Essa equipe era responsável para auxiliar nas atividades dos dois (02) Centros de Atendimento Socioeducativo – CASE Pitimbu I e II – não atendendo aos critérios de equipe mínima preconizado pelo Sinase o que ocasionava diversos transtornos para o funcionamento da unidade.

Quanto a estrutura física do CASE Pitimbu, essa não atendia alguns dos critérios estabelecidos no Sinase. De acordo com os parâmetros arquitetônicos para unidades de atendimento socioeducativo de internação, em seu art. 16, é necessário:

[...] edificar as unidades de atendimento socioeducativo separadamente daqueles destinados para adultos do sistema prisional, ficando vedada qualquer possibilidade de construção em espaços contíguos ou de qualquer forma integrada a estes equipamentos (BRASIL, 2013, seção III, Art. 16).

Ao lado do CASE Pitimbú encontra-se a Penitenciária Estadual de Parnamirim – PEP, o que se configura uma violação dos parâmetros e motivo de muita discussão, raiva e revolta entre os adolescentes, pois segundo eles, alguns educadores gostam de ironizar que o destino deles encontra-se “bem no muro ao lado”. O projeto arquitetônico dos Centros Educacionais deve “prever um núcleo comum de administração para os casos de construção de mais de uma Unidade de atendimento no mesmo terreno de forma que os setores previstos possibilitem um fluxo ordenado de pessoas e veículos” (BRASIL, 2012, p. 69). Uma vez que o CASE Pitimbu possui duas unidades, isso foi implementado, no entanto, o acesso interno entre as duas unidades ainda é dificultoso, sendo necessário que seja realizada uma adequação da estrutura

21 A relação numérica de educadores deverá considerar a dinâmica institucional e os diferentes eventos

internos, entre eles férias, licenças e afastamento, encaminhamentos de adolescentes para atendimentos técnicos dentro e fora dos programas socioeducativos, visitas de familiares, audiências, encaminhamentos para atendimento de saúde dentro e fora dos programas, atividades externas dos adolescentes.

que possibilite a circulação mais rápida e adequada para quem precisa estar em constante movimento entre as duas unidades, em especial os educadores. Esse problema da dificuldade do acesso prejudica, inclusive, a segurança interna e externa do local, fato este que já possibilitou diversas fugas dos adolescentes.

No ano de 2012 foi decretado pela juíza titular da Vara de Infância, Juventude e do Idoso de Parnamirim, a interdição total do CASE Pitimbu. Um dos principais motivos da interdição foi a necessidade de reforma estruturante de ordem física, sanitária, hidráulica e elétrica das instalações de todos os espaços da unidade, iniciando-se pelo núcleo de contenção VI, diante da situação de absoluta e inadmissível insalubridade e deterioração em que se encontrava. Para desinterdição, era necessário que fosse sanado todas as irregularidades apontadas nos relatórios de inspeção do Ministério Público, da SUVISA e da Corregedoria Geral da Justiça do Estado. A sentença proferida determinou ainda que no prazo de 60 dias fossem procedidas as medidas necessárias para sanar as irregularidades relacionadas à péssima qualidade da alimentação servida aos internos da unidade; bem como a construção de quadra poliesportiva na unidade no prazo de seis meses (RIO GRANDE DO NORTE, 2012). Por conseguinte, somente em 2015 o o CASE Pitimbu foi liberado para funcionamento. Todavia, fazendo um panorama da estrutura que hoje encontra-se na unidade, temos ainda diversos problemas que mesmo após a reformulação não mudaram, destaque para a alimentação, não produzida na unidade, mas sim terceirizada que quando chega estragada na instituição, é apenas jogada fora e os adolescentes são obrigados a ficarem em jejum durante a respectiva refeição.

A segurança da instituição também é outro ponto a ser frisado, tendo em vista que a unidade funciona com menos educadores do que o preconizado pelo Sinase, não tem câmeras funcionando do lado de fora da unidade, a instituição é cercada por um matagal, que dificulta a visão do entorno pelos seguranças, e facilita a fuga dos adolescentes da unidade e deixa a unidade desprotegida. Isso prejudica a segurança do patrimônio, dos funcionários e dos adolescentes o que vai contra todos os parâmetros normativos.

São esses elementos que caracterizam a inclusão perversa ou inclusão precária dos adolescentes no acesso a produção, consumo e cidadania. Como apontado por José de Souza Martins no livro “a sociedade vista do abismo: novos estudos sobre exclusão, pobreza e classes sociais”, é através da condição fragilizada - no acesso ao trabalho precarizado, moradia em situação irregular, assim como diversas outras situações extremas de vulnerabilidade - que se apresenta a degradação moral, muitas vezes enfrentada por essa classe social pauperizada para ter condições mínimas de acesso a bens e serviços. Todavia, a reflexão que o autor traz em seu texto vai além do aspecto condicionante desse sujeito, diz respeito a forma como enquanto

sujeito social equivocadamente ele é compreendido; seu papel, sua sociabilidade, suas contribuições. A forma como muitos autores do campo das ciências sociais abarca em suas análises, trazendo o lócus da questão para o binômio inclusão versus exclusão social, não possibilita um exame mais rigoroso da realidade, tendo em vista que estes sujeitos participam da movimentação da economia do país, sendo inclusive os maiores consumidores segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito entre os anos 2015 e 2018. A análise que deve ser feita é de que forma é realizado esse acesso e em que condições. Quando se fala que numa determinada comunidade verifica-se que praticamente todos os moradores possuem celulares smartphones e acesso a internet, mas nenhum deles tem acesso a tratamento de esgoto, saneamento básico e água filtrada, o que está se colocando em questão é a precarização e a forma perversa do acesso a bens e serviços.

Enquanto em cumprimento de sentença por cometimento de ato infracional o adolescente encontra-se em uma instituição de privação de liberdade que tem como dever primar por seus direitos básicos – alimentação, saúde, educação, moradia, lazer, entre outros – mas na prática os direitos básicos são negligenciados e os adolescentes expostos a uma nova sentença; a da sociedade que odeia os direitos humanos.

Os adolescentes têm direito a seis (06) refeições diárias, sendo elas o desjejum, o lanche da manhã, o almoço, o lanche da tarde, a ceia e o lanche da noite. Como dito anteriormente, todas essas refeições são produzidas fora da instituição, por uma equipe terceirizada que é paga para realização desta tarefa e entrega na unidade. É muito comum que pelo menos um item ou uma refeição completa venha estragada e os adolescentes tenham que ficar esperando a próxima refeição para saciar a fome. No CASE Pitimbu a refeição é a mesma para os adolescentes e toda a equipe que se encontra de plantão ou em horário de trabalho. Isso foi uma forma de aproximação e, sobretudo, de demonstrar e assegurar que a comida ofertada aos adolescentes é de qualidade, de modo que desde a pessoa da hierarquia mais baixa até a mais alta tem acesso a mesma refeição. Porém, é certo que sempre que podem os integrantes das equipes trazem algo a mais na bolsa para complementar as refeições, sobretudo, depois de se familiarizarem com a comida para saber qual não lhe cai bem e qual com certeza nunca mais vai ingerir. Já aos adolescentes só restam duas opções: comer ou aguardar a próxima refeição que talvez tenha um gosto melhor. Pelo número reduzido de educadores, troca de plantões e organização da rotina da unidade, algumas refeições são realizadas dentro dos alojamentos, na área de convivência. O problema dessa prática está no lixo acumulado nos alojamentos que finda na proliferação de insetos dentro dos alojamentos, pois nem sempre é realizado limpeza pelos adolescentes nos alojamentos.

No tocante à saúde, a unidade não dispõe dos mínimos recursos. Não existe uma sala da enfermaria nem kit de primeiros socorros, então se a única técnica de enfermagem de plantão precisar utilizar algum material para segurança e primeiros atendimentos na própria instituição, terá de comprar com recursos próprios. Quando algum adolescente se queixa de estar passando mal, são horas e mais horas dando o benefício da dúvida, aguardando a autorização da direção da unidade e a disponibilidade de motorista para que esse adolescente seja levado a uma Unidade de Pronto-Atendimento, ainda tendo que ouvir coisas como “só quer ir passear”, “se ficasse deitado passaria logo”, “é só uma desculpa para tentar fuga”. Então ficar doente na instituição e ser levado prontamente para atendimento é um privilégio raramente concedido.

Um clínico geral vai na unidade a cada quinze dias para atender os casos mais graves. A triagem é feita pela equipe técnica, com observações dos educadores, para designar quem está encenando e quem realmente precisa de atendimento. Um adolescente que arranja muita confusão dificilmente vai estar entre essa lista sem ser um caso de vida ou morte. A técnica de enfermagem separa as medicações dos adolescentes que tem acompanhamento continuamente – normalmente medicamentos psicotrópicos – para que os educadores, nos horários certos, deem os medicamentos aos respectivos adolescentes. Não é muito difícil relatos de queixas dos adolescentes que não tomaram a medicação no dia anterior e após chamado o educador para saber o motivo, ser relatado que a medicação foi dada conforme previsto.

A educação também é pauta de muitas queixas na instituição. A rotatividade de professores é muito grande, devido a desistências por estresse, medo, entre outros motivos, o que dificulta o aprendizado contínuo dos adolescentes na unidade. Quando os adolescentes chegam na instituição, é realizada uma entrevista sociopsicopedagógica para identificar, entre outras coisas, a série que o adolescente encontrava cursando ou havia parado de estudar com o objetivo de retomar os estudos dentro da unidade. Muitos adolescentes não têm mais histórico escolar ou não sabem dizer com precisão em quais níveis pararam os estudos, o que dificulta na hora de definir suas turmas. Nesses casos são realizados alguns testes para nivelar na série que mais se aproxima ao nível de conhecimento apresentado, conversado também com a família do adolescente e tendo disponibilidade de turma e professor da série em questão, o adolescente passa a frequentar as aulas. Todavia, a realidade da instituição, com déficit de professores, faz com que a maior parte não seja contemplada nas atividades escolares e os que têm, nem sempre são retirados dos alojamentos para assistir as aulas, em virtude do déficit de educadores para que sejam retirados com segurança os adolescentes dos alojamentos e dado continuidade a rotina normal dos outros internos. Então são priorizadas as atividades que mais adolescentes poderão participar, ou na pior alternativa, nenhum adolescente sai do alojamento.

As moradias dos adolescentes, enquanto estão cumprindo medida socioeducativa são seus alojamentos. Cada alojamento é composto por três camas fixas de concreto. Além dos quartos, há uma área de convivência para que eles possam fazer as refeições, local que também fica a televisão disponibilizada para os alojamentos. Cada alojamento comporta também um banheiro, com sanitário e chuveiro e uma área de serviço. As estruturas não são as melhores e com a falta de cuidado e zelo dos adolescentes, porque não reconhecem naquele lugar a sua moradia temporária, enquanto estão cumprindo uma sentença por ter infringido leis, acaba que o local se configura numa verdadeira prisão com condições insalubres e precárias, conforme imagens a seguir:

Alojamento dos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa do CASE Pitimbu

Imagem – Banheiro dos alojamentos

Fonte: NASCIMENTO; Viviane, 2018

Imagem – Área de serviço dos alojamentos

Fonte: NASCIMENTO; Viviane, 2018

Alguns dos alojamentos não possuem energia elétrica, pois os adolescentes arrancam as fiações para produzir faíscas e colocar fogo nos colchões em dias de motim.

No primeiro dia de estágio da autora, bastaram poucos minutos para que conseguisse visualizar alguns aspectos mais aparentes da questão social disfarçados sob formas de insalubridade, condições precárias de higiene e limpeza, lotação e que repercutiam em adolescentes famintos: por liberdade, individualidade, atenção, respeito e acesso a direitos. Essa primeira faceta surge como límpida e crua, mas ao mesmo tempo ela é tão menosprezada e encoberta que pode parecer inofensiva. No entanto, ela se desvela sob forma de insatisfações, inconformações e frustrações e têm repercussões que num primeiro momento pode vir a ser um choque, tendo em vista a forma com que esses adolescentes dão vozes aos seus descontentamentos: através de motins com queima de colchões, batidas de grades, tentativas de fuga, gritos de ódio.

A autora nos seus primeiros escritos do diário de campo apontava essas questões como problemas de resolutividades tão simples e via a situação como um todo enquanto falta de vontade de gestores e demais membros que compõem a instituição. Todavia, ao estudar melhor o assunto, ir mais a fundo no problema, a partir de leitura de teses, dissertações e artigos antigos sobre a instituição, alguns escritos há dez anos atrás, percebia as mesmas problemáticas apontadas. Isso fez com que começasse a se indagar: no quê que isso implica? Todos esses apontamentos que ela e mais algumas pessoas veem como problemas são realmente problemas? E se são problemas, são problemas para quem? Quem se encontra omisso? Quem não está fazendo o seu trabalho? A quem se deve cobrar essas respostas? Disso, se parte para a segunda faceta.

Para explicar a segunda faceta a autora novamente recorre a algumas anotações do diário de campo. Nele se encontram relatos sobre transições comportamentais que dizem respeito aos estágios temporais de adaptação – desde a entrada na instituição do adolescente até o momento atual que ele se encontra – que em mais de 80% dos casos se reflete em mudanças consideradas positivas sobre os valores apreendidos da medida socioeducativa, a incorporação de novas perspectivas de vida, a crescente sociabilidade do adolescente a partir dos laços construídos dentro da instituição, o não envolvimento com entorpecentes e a melhora da qualidade de vida através das atividades de lazer, de uma boa alimentação e o comprometimento com a educação ofertada.

Essas e outras mudanças observadas nos adolescentes refletem em relatórios com pareceres favoráveis que implicam a saída do adolescente da instituição – pela percepção de que o mesmo apreendeu as práticas necessárias, internalizou o que propõe a medida socioeducativa contribuindo com melhorias na sua formação e, portanto, encontra-se apto para

a reinserção na comunidade – fazendo com ele consiga progressão para medida socioeducativa em meio aberto ou sua medida socioeducativa seja extinta.

Não é possível distinguir a real natureza dessas mudanças comportamentais dos adolescentes: se somente uma forma resignada de parar de lutar contra esses sistema e cumprir da maneira mais tolerável possível a medida socioeducativa para sair da instituição o quanto antes; se a medida socioeducativa na vida desse adolescente realmente teve um impacto positivo, ele pode refletir sobre o ato infracional cometido e pretende abandonar a prática de delitos; ou diversas outras possibilidades. O que se pode pensar a respeito é o que acontecerá após a saída desse adolescente da instituição, independentemente de suas escolhas.

Após a entrada do adolescente na instituição de privação de liberdade é disponibilizado para sua permanência um kit com toalha, colchão, itens de higiene básico e a partir das visitas, os próprios parentes dos adolescentes ficam responsáveis por trazer alguns itens como escova de dente, creme dental, sabonete, barbeador, camisa branca e calção azul (roupa padrão), chinelo preto ou azul, folhas de ofício para que eles possam utilizar para escrever e fazer algumas atividades artísticas e uma roupa para que eles possam ir as audiências (calça e camisa). É especialmente delicado o contato dos adolescentes com seus familiares, em todos os sentidos. Como relatado por muitos deles durante o processo de estágio, aquele momento é dedicado a esquecer o inferno que vivem lá dentro e se transportarem para um lugar em que eles são conhecidos e reconhecidos para muito além da sentença que estão cumprindo.

Em relação ao lazer, os adolescentes têm atividades de educação física e jogam futebol no campo de areia ou na quadra poliesportiva, mas com a aposentadoria do professor de educação física essa atividade ficou delegada a ajuste dos educadores e nem sempre ocorrem nos dias e horários anteriormente previstos. Os adolescentes também têm aulas de informática, que na prática são utilizadas para que eles joguem nos computadores. No tempo livre, eles ficam nos próprios alojamentos confeccionando origamis e demais lembrancinhas de papel para as famílias nos dias de visita.

Por se tratar de uma unidade de internação, o CASE Pitimbu funciona numa rotina estruturada em um cronograma semanal preparado pela equipe de pedagogas. Todavia, apesar de serem preparados semanalmente, os cronogramas diariamente são revisados para análise de possíveis necessidades de alteração e/ou adequação de acordo com a dinâmica da unidade. Os serviços prioritários giram em torno do atendimento psicológico, pedagógico e social pela equipe técnica; atendimento clínico e psicológico quando necessário; educação; atividades recreativas e cursos profissionalizantes.

Devido a parcerias que a FUNDASE tem com outros órgãos do governo e empresas, periodicamente são ofertados na instituição cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e Serviço Social da Indústria (SESI), com o objetivo de capacitar os adolescentes e propiciar uma oportunidade de vivenciar novas experiências. No ano de 2017, foram ofertados os cursos de alvenaria, organizado em parceria com o SENAI; panificação; Cine SESC (Serviço Social do Comércio); oficinas de informática; customização de camisas; elaboração de enfeites natalinos com materiais recicláveis; ação de incentivo à leitura; oficinas de arte e apresentações artísticas; e ações de educação em saúde, com oficinas de prevenção as doenças sexualmente transmissíveis.

Em 2018, estavam previstos os cursos de auxiliar de garçom; agente de limpeza e conservação, realizados pelo SENAC, com duração de 160 horas cada. E, ainda, os cursos de pintor de obras, de pedreiro e alvenaria executados pelo SENAI, também com carga horária de 160 horas cada. A autora, enquanto estagiária na instituição, acompanhou a execução no CASE Pitimbu do curso de agricultor orgânico em que foi construída uma horta orgânica de 300m². Esse curso teve carga horária de 80h e foi executado em duas turmas, com dez(10) alunos cada, no período vespertino. Em seu conteúdo estavam previstas as seguintes temáticas: técnicas da produção orgânica, manejo do solo, produção de sementes e mudas, transplante, colheita, comercialização e logística de produtos orgânicos. Essa ação foi realizada através do Projeto Plantando a Paz, fruto de uma parceria entre a FUNDASE e a Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (PRONATEC). Na imagem, a seguir, vemos a construção da horta orgânica durante as primeiras fases de execução do projeto:

Imagem 5 – Construção da horta orgânica pelos adolescentes do CEDUC Pitimbú

Todos esses cursos realizados, apesar de muitas vezes serem de curta duração e com turmas pequenas – devido ao protocolo de segurança da instituição – foram muito bem recebidos pelos adolescentes, de modo que praticamente sempre há adesão de todos os selecionados para a atividade e as tarefas são muito bem desempenhadas. Devido ao tamanho das turmas, são priorizados, para cada curso ofertado, os adolescentes que ainda não realizaram algum dos cursos ou encontram-se sem participar das atividades na instituição.

É uma tarefa muito complexa restringir direitos de uma parcela da população que encontra-se vivenciando em todas as esferas, uma inclusão perversa, pois é exatamente esse o perfil dos adolescentes em conflito com a lei; passaram a vida privados do acesso até mesmo do mínimo para suprir suas necessidade básica, vivenciando os mais diversos conflitos, sendo a morte sua vizinha da porta ao lado, armas e tráfico uma realidade não muito distante.

3.2 Direitos negados ou garantidos ao adolescente egresso, autor do ato infracional, da medida socioeducativa de privação de liberdade no processo da reinserção social

A cotidianidade apresentada anteriormente, através das expressões da negação do acesso