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3.7 AVALIAÇÕES

3.7.2 Escala de HOEHN E YAHR Modificada (SHENKMAN M L et al., 2001)

3.7.3 Anamnese

Para a realização da baropodometria e estabilometria foi utilizada a Plataforma Baropodométrica Capacitiva EPS KINETEC e o software BIOMECH STUDIO (Letsense group), cuja plataforma possui características mecânicas em dimensões de 57,5cm por 45cm, com um peso total de 3kg e espessura de 5mm (FIGURA 5).

Figura 9 - Imagem do Baropodômetro utilizado neste estudo

Fonte: própria

Os dados obtidos por meio desta plataforma ao longo do processo de análises foram armazenados em computador e apresentados sob a forma de uma ilustração (FIGURA 10), a qual fornece os valores obtidos a partir de cores, sendo que, a cor azul representa os valores de pressão mais baixos, enquanto o vermelho representa os valores de pressão mais altos (FERREIRA, 2017).

Figura 10 - Imagem representativa do programa Biomech Studio

Para determinar o protocolo da baropodometria e estabilometria a ser representado neste estudo, Gimenez et al. (2018) realizaram uma pesquisa em forma de bibliometria, onde destacou-se os seguintes dados mais utilizadas nos artigos encontrados: posição dos participantes; tempo de permanência na plataforma; repetição do exame e variáveis observadas.

Esta pesquisa resultou em um artigo intitulado: “Analyses of Baropodometry Protocols Through Bibliometric Research” foi apresentado e publicado nos anais do 40th Annual International Conference of the IEEE – EMBC, 2018.

Inicialmente, cada participante foi orientado a permanecer parado sobre a plataforma de 15seg a 20seg de forma a ambientar-se com a situação e fornecer um primeiro contato com o baropodômetro.

Em seguida, foi solicitado para que o participante se retirasse do aparelho e em seguida subisse novamente e se posicionasse de forma confortável e habitual, seguindo as posturas solicitadas. Esta técnica tem a vantagem de representar como o paciente se posiciona naturalmente (FERREIRA, 2017). Todos os participantes portadores da DP estavam em estado ON da medicação (fazendo uso de levodopa).

Relativamente sobre o protocolo, foram selecionadas oito posturas diferentes. Para avaliar cada postura, os participantes permaneciam sobre o aparelho ficando na mesma posição por 30seg. Entre uma postura e outro acontecia um intervalo de 60seg. Na sétima e na oitava postura, os participantes eram orientados a caminhar sempre para frente em linha reta.

Para melhor compreensão, segue o protocolo do exame de baropodometria, com ilustrações e descrição da postura solicitada para facilitar o entendimento.

Primeira Postura Figura 11 - apoio bipodal sobre a

plataforma com olhos abertos + estabilometria

Fonte - própria.

Segunda Postura Figura 12 - apoio bipodal sobre a plataforma com olhos fechados +

estabilometria

Fonte – própria.

Terceira Postura

Figura 13 - apoio bipodal com o pé direito na frente com os olhos

abertos + estabilometria.

Quarta Postura

Figura 14 - apoio bipodal com o pé direito na frente com os olhos

fechados + estabilometria

Fonte- própria.

Quinta Postura

Figura 15 - apoio bipodal com o pé esquerdo na frente com os olhos

abertos + estabilometria

Fonte - própria.

Sexta Postura

Figura 16 - apoio bipodal com o pé esquerdo na frente com os olhos

fechados + estabilometria

Fonte - própria.

Sétima Postura:

Figura 17 - avaliação dinâmica com apoio do pé direito

Fonte - própria.

Oitava Postura:

Figura 18 - avaliação dinâmica com apoio do pé esquerdo

3.8 RISCOS E BENEFÍCIOS

Desconfortos e/ou Riscos: A baropodometria é um exame não-invasivo,

sem contra-indicações e não oferece riscos, porém existem fatos a serem considerados, como por exemplo, o constrangimento dos participantes em responderem as questões dos questionários propostos ou diante da dificuldade em permanecer nas posturas solicitadas para realização dos exames, em caso de sentirem-se expostas pelos sintomas da doença, neste caso será respeitado a vontade do participantes em encerrar a pesquisa. De qualquer forma, toda intercorrência que pudesse vir a existir, a Associação Paranaense dos Portadores de Parkinsonismo - APPP, onde as avaliações foram realizadas com participantes portadores de DP, contava com profissionais capacitados para auxiliar nos primeiros socorros até que uma unidade de saúde móvel estivesse no local.

Quanto ao laboratório LASTEC da UTFPR (Laboratório de Saúde e Tecnologia), toda intercorrência que pudesse vir a existir, os primeiros socorros seriam fornecidos pela fisioterapeuta autora da pesquisa, que tem treinamento em primeiros socorros, e caso fosse necessário seria acionado o SAMU, que é o um serviço de atendimento móvel de urgência.

Benefícios: O teste é indicado para identificar os tipos de pés (cavo, plano ou

normal) e tipos de pisada (supinada, pronada ou neutra); os picos de pressão plantar e tempo de contato com o solo durante a marcha e o deslocamento do centro de gravidade do corpo e dos membros inferiores individualmente. A associação do teste com o exame clínico ajuda na identificação de desalinhamentos biomecânicos das articulações dos pés, tornozelos, joelhos, quadris e coluna vertebral. A Baropodometria também verifica a dinâmica da marcha e auxilia na prescrição e confecção de palmilhas posturais. Os dados coletados ficaram disponíveis na literatura para futuras pesquisas e poderão ajudar a direcionar a melhor conduta terapêutica para os pacientes portadores da DP. Foi fornecido feedback individual aos participantes.

3.9 ANÁLISE DE DADOS

Para a análise dos dados os valores das variáveis coletadas foram submetidos ao teste exploratório de assimetria por meio de Kolmogorov-Smirnov. Os dados

descritivos foram apresentados em categoria não paramétrica (distribuição não- normal). Os valores de tendência central foram apresentados em mediana e desvio interquartílico. Para a comparação dos resultados entre os grupos foi aplicado o teste de Kruskal Wallis e o teste de Mann-Whitney. Para as análises foi adotado como significância estatística o valor de p<0,05 e estas foram realizadas utilizando os pacotes estatísticos Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 17.0 (SPSS Inc. Chicago, IL).

4 RESULTADOS

4.1 VARIÁVEIS APRESENTADAS

Foram coletadas um total de 451 variáveis e, destas derivaram 90.200 dados baropodométricos e estabilométricos.

A escolha das variáveis a serem analisadas, foram direcionadas a partir do resultado da revisão bibliométrica de Gimenez et al (2018) e das queixas apresentadas pelos participantes no decorrer da anamnese. Dentre as queixas principais, pode-se citar: 28% perda de equilíbrio; 21% lentidão na marcha; 15% tremor; 14% rigidez muscular; 12% diminuição da força; 10% dores.

Diante disso, as variáveis baropodométricas investigadas foram: estabioliometria estática na posição bipodal com olhos fehados, estabioliometria estática na posição bipodal com olhos abertos, baropodometria dinâmica pé direito, baropodometria dinâmica pé esquerdo, tempo de contato ao solo do pé direito e do pé esquerdo. A partir destas variáveis, foram analisados 10.800 dados.

4.2 CARACTERISTICAS DA AMOSTRA

Os resultados deste estudo apresentam a baropodometria estática e dinâmica e a estabilometria de 100 participantes portadores de DP e 100 participantes hígidos, onde observou-se a predominância no sexo masculino para ambos os grupos (65% para os hígidos e 53% para DP).

Com relação a idade dos participantes portadores de DP, observou-se que o indivíduo mais jovem do grupo DP possuía 57 anos e este, estava inserido dentro do estágio 1,5 da doença, apresentando leves queixas unilaterais. Em contrapartida, o indivíduo de maior idade, que se inseria no estágio 3,0 da doença, possuía 79 anos, já apresentando queixas moderadas de instabilidade postural.

No que diz respeito as idades entre os dois grupos avaliados, observou-se uma proximidade pela mediana na faixa etária entre os participantes, bem como, a massa corporal e a estatura.

No que se concerne à classificação da doença dos indivíduos com DP de acordo com a escala de HOEHN & YAHR modificada, obteve-se a seguinte distribuição: 27% apresentam envolvimento unilateral e axial; 23% doença bilateral

sem déficit de equilíbrio; 37% doença bilateral leve e 13% doença bilateral leve a moderada com instabilidade postural.

Na TABELA 1, segue a análise descritiva dos dados antropométricos dos participantes portadores da DP de acordo com os estágios da doença e dos participantes hígidos.

Tabela 1 - Análise descritiva dos dados antropométricos de acordo com o estágio da doença dos participantes portadores da DP (mediana [desvio interquartílico]). (APÊNDICE D)

Variáveis/ Grupos Hígidos PD Estágios da doença 1,5 2 2,5 3 N 100 100 27 23 37 13 Sexo (M : F) 65 : 35 53 : 47 11 : 16 16 : 7 19 : 18 7 : 6 Idade (anos)* 64 (8) 68 (9) 65 (9) 67 (6) 70 (10) 75 (6) Massa (kg) 69 (22) 70 (15) 74 (12) 69 (15) 68 (16) 70 (11) Estatura (m) 1,67 (0,13) 1,65 (0,12) 1,68 (0,11) 1,60 (0,11) 1,64 (0,12) 1,67 (0,16) * Diferença significativa entre os grupos de DP e hígidos (p = 0,004)

O Quadro 1 apresenta a proporção entre lado dominante e lado afetado para o grupo DP. Nota-se que 62% dos participantes apresentam o lado dominante e o afetado no mesmo segmento, o que pode predispor as oscilações mais acentuadas devido à perda de referência pela dominância do membro.

Quadro 1 - Análise da proporção entre lado dominante e o lado afetado dos participantes com DP.

Análise de proporção entre lado dominante e lado afetado

Lado Afetado Total Direito Esquerdo Lado Dominante Direito N 54 33 87 % Total 54% 33% 87% Esquerdo N 5 8 13 % Total 5,0% 8,0% 13% Fonte: Própria

4.3 ESTABIOLIOMETRIA ESTÁTICA NA POSIÇÃO BIPODAL COM OLHOS

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