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A responsabilidade civil possui diversas espécies, sendo dividida em diferentes institutos jurídicos. Nos próximos itens, serão tratadas as principais formas de responsabilidade quanto ao direito violado.

5 Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

3.4.1 Responsabilidade civil objetiva

Acerca do instituto da reparação civil, o ordenamento civil já havia instituído a teoria da culpa como pressuposto para analisar a responsabilidade. No entanto, a partir da codificação do sistema civil em 2002 e de seu art. 927, parágrafo único, passou-se a admitir a aplicação da teoria da responsabilidade objetiva, veja-se:

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

O surgimento da responsabilidade civil objetiva, está relacionado ao aumento da população e principalmente ao desenvolvimento industrial, pois a realidade social gerou novas situações em que não era possível apenas se basear no conceito tradicional da culpa para fins de responsabilização. (CAVALIERI FILHO, 2020)

Em seus estudos, Carlos Roberto Gonçalves (2020, p. 46), explica que a regra geral do instituto civil é a fundamentação da responsabilidade na ideia de culpa, mas sendo esta insuficiente para atender às imposições do progresso social, o legislador fixou os casos especiais em que deve ocorrer a obrigação de indenizar, independentemente da regra geral, veja-se:

A reparação do dano tem como pressuposto a prática de um ato ilícito. Sem prova de culpa, inexiste a obrigação de reparar o dano. Entretanto, em outros dispositivos e mesmo em leis esparsas, adotaram‐se os princípios da responsabilidade objetiva, como nos arts. 936, 937 e 938, que tratam, respectivamente, da responsabilidade do dono do animal, do dono do edifício e do habitante da casa; e ainda arts. 927, parágrafo único, 933 e 1.299, que dizem respeito, respectivamente, à atividade potencialmente perigosa; à responsabilidade dos pais, tutores, curadores e patrões; e à responsabilidade decorrente do direito de vizinhança. A par disso, temos o Código Brasileiro de Aeronáutica, a Lei de Acidentes do Trabalho e outras leis especiais, em que se mostra nítida a adoção, pelo legislador, da responsabilidade objetiva.

Para fundamentar a responsabilidade objetiva, a teoria do risco surgiu a partir da imposição da responsabilidade civil objetiva como um princípio norteador estabelecido no parágrafo único do art. 927 do Código Civil. Conforme essa teoria, determinadas pessoas que exercem certas atividades que constituem risco de dano para outrem, são obrigadas a reparar o fato negativo, independente de culpa.

Neste sentido, a cláusula geral da responsabilidade objetiva, não exige prova de culpa do agente, para que haja a reparação do dano, isso porque se encontra naturalmente presumida a responsabilidade. Sendo assim, não há necessidade de comprovação de dolo ou culpa do

agente, mas é fundamental a conexão dos pressupostos da conduta humana com o dano.

(GONÇALVES, 2020)

3.4.2 Responsabilidade civil subjetiva

A responsabilidade subjetiva é a regra da responsabilidade civil imposta no ordenamento jurídico brasileiro e decorre de um fato em que há os pressupostos necessários para configurar os elementos da reparação que são o nexo causal com o dano, este causado de forma dolosa ou culposa. (CAVALIERI FILHO, 2020)

Nos ensinamentos de Carlos Roberto Gonçalves, na obra “Responsabilidade Civil”

(2020, p. 48), o instituto da responsabilidade civil subjetiva:

Diz-se, pois, ser “subjetiva” a responsabilidade quando se esteia na ideia de culpa. A prova da culpa do agente passa a ser pressuposto necessário do dano indenizável.

Nessa concepção, a responsabilidade do causador do dano somente se configura se agiu com dolo ou culpa.

Nesta toada, a autora Diniz (2005), seguindo o mesmo entendimentos dos demais autores, a exemplo de Giselda Hironaka, compreende que a espécie subjetiva encontra justificativa no dolo ou na culpa para reparar o lesado, sendo necessária a prova de um desses elementos para que surja o dever de indenizar.

Assim sendo, o dever de reparação pressupõe o dolo ou a culpa do agente sob o prisma do instituto da responsabilidade civil e, se o dano foi provocado exclusivamente por quem suportou as consequências, ou se decorreu de caso fortuito ou força maior, será indevido o dever de reparação por outrem. (NADER, 2016)

Porém, se ocorre o desabamento de um prédio, provocando danos morais e materiais aos seus moradores, e após instrução probatória no processo judicial, o dano ocorreu devido ao erro de cálculo na fundação sendo erro do profissional que agiu com imperícia, será devido a responsabilidade de reparação de danos porém, caso o fato jurídico tenha ocorrido por um abalo sísmico, não haverá a obrigação de indenizar pelo profissional. (NADER, 2016)

Portanto, entende-se que na espécie da responsabilidade civil subjetiva, será da vítima o dever de comprovação de todos os pressupostos para configurar a reparação civil, fundada na teoria da culpa, incluindo o dolo, que se caracteriza por ser a intenção de causar o dano e a culpa, podendo ser caracterizada por três diferentes modos, que são de negligência, imprudência ou imperícia. (TARTUCE, 2020)

Neste capítulo foram abordados as considerações históricas, os conceitos relevantes, os requisitos e as espécies do instituto da responsabilidade civil. Assim, desta forma, passa-se à apresentação da teoria da responsabilidade pressuposta, tema central do presente trabalho.

4 A TEORIA DA RESPONSABILIDADE PRESSUPOSTA

A teoria da responsabilidade pressuposta vem sendo discutida nos últimos tempos como método de impor um instituto que consiga fundamentar e justificar uma proposta voltada à organização de um novo sistema de responsabilidade civil, pois o reconhecimento da normatividade dos princípios constitucionais e a definitiva consagração da tutela de interesses existenciais e coletivos, conquistas da ciência jurídica, ampliaram imensamente o objeto protegido pelo direito em face da atuação lesiva. (HIRONAKA, 2010)

A técnica da responsabilidade pressuposta foi objeto de tese de livre docência da professora Giselda Hironaka (2005) e representa uma tentativa de aplicação de uma nova perspectiva de responsabilidade civil, através de um critério geral da responsabilidade subjetiva sem culpa e leva-se em conta a teoria da mise en danger, ou seja, o risco qualificado da atividade, que enseja uma potencialidade de dano de grave intensidade, visto o impacto que a insuficiência da culpa está produzindo com os novos casos de danos na sociedade cada vez mais globalizada.

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