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Espaçabilidade e algebrabilidade fortemente fechada

Abrimos a seção com um resultado referente à interpolação de sequências via funções holo- morfas. Na demonstração deste resultado usaremos muitas das ideias fornecidas em [17, Section 2].

Proposição 2.3.1. Seja 𝐸 um espaço de Banach separável, e seja 𝑈 um domínio de existência em 𝐸. Então:

(𝑎) Para cada sequência (𝑥𝑛)∞𝑛=1de pontos distintos de 𝑈 que satisfaz lim𝑛→∞𝑑𝑈(𝑥𝑛) = 0, existe

uma função 𝑓 ∈ ℋ(𝑈 ) tal que lim

𝑛→∞|𝑓 (𝑥𝑛)| = ∞ e 𝑓 (𝑥𝑛) ̸= 𝑓 (𝑥𝑚)

sempre que 𝑛 ̸= 𝑚.

(𝑏) Para cada sequência (𝑥𝑛)∞𝑛=1 de pontos distintos de 𝑈 que satisfaz lim𝑛→∞𝑑𝑈(𝑥𝑛) = 0, e

cada sequência (𝛼𝑛)∞𝑛=1em C, existe uma função 𝑓 ∈ ℋ(𝑈) tal que 𝑓 (𝑥𝑛) = 𝛼𝑛para cada 𝑛 ∈ N.

Para provar a Proposição 2.3.1, precisaremos dos seguintes dois lemas.

Lema 2.3.2 (veja [17, Lema 2.2]). Seja 𝐸 uma espaço de Banach, e seja 𝑈 um subconjunto aberto em 𝐸. Para cada conjunto finito 𝐷 ⊂ 𝑈 ∖𝐵̂︀ℋ(𝑈 ) existe uma função 𝑓 ∈ ℋ(𝑈 ) tal que

|𝑓 (𝑦)| > sup

̂︀

𝐵ℋ(𝑈 )|𝑓 | para cada 𝑦 ∈ 𝐷.

Lema 2.3.3 (veja [1]). Seja (𝛽𝑛)∞𝑛=1 uma sequência de pontos distintos em C de modo que

lim𝑛→∞|𝛽𝑛| = ∞, e seja (𝛼𝑛)∞𝑛=1 uma sequência arbitrária em C. Então existe uma função

𝑓 ∈ ℋ(C) tal que 𝑓 (𝛽𝑛) = 𝛼𝑛 para cada 𝑛.

Demonstração da Proposição 2.3.1. Como a propriedade (𝑏) segue prontamente da propriedade (𝑎) e do Lema 2.3.3, é necessário apenas demonstrar a propriedade (𝑎). Pelo Teorema 1.1.5, 𝑈 compõe-se da união de conjuntos abertos 𝐴𝑗 tais que

𝐴𝑗 ⊂ 𝐴𝑗+1 e 𝑑𝑈((𝐴̂︂𝑗)

ℋ(𝑈 )) > 0

para cada 𝑗. Seja (𝑥𝑛)∞𝑛=1 uma sequência de pontos distintos de 𝑈 tal que lim𝑛→∞𝑑𝑈(𝑥𝑛) =

0. Defina 𝐵𝑗 := (𝐴̂︂𝑗)

ℋ(𝑈 ) para cada 𝑗 ∈ N. Desse modo, após substituir (𝐵𝑗) ∞

𝑗=1 por uma

subsequência conveniente, obtemos que

𝐷𝑗 := {𝑥𝑛: 𝑛 ∈ N} ∩ (𝐵𝑗+1∖ 𝐵𝑗)

é um subconjunto finito e não-vazio de 𝑈 ∖ 𝐵𝑗 para cada 𝑗 ∈ N. Portanto, pelo Lema 2.3.2,

podemos encontrar 𝜙𝑗 ∈ ℋ(𝑈 ) tal que

|𝜙𝑗(𝑦)| > 1 > sup 𝐵𝑗

para cada 𝑦 ∈ 𝐷𝑗 e cada 𝑗 ∈ N. Daí,

lim

𝑛→∞sup𝐵

𝑗

|𝜙𝑗|𝑛= 0 e 𝑛→∞lim |𝜙𝑗(𝑦)|𝑛 = ∞ (2.3.1)

para cada 𝑦 ∈ 𝐷𝑗 e cada 𝑗 ∈ N. Assim, segue de (2.3.1) que existe 𝑛1 ∈ N tal que 𝑔1 := 𝜙𝑛11

satisfaz

sup

𝐵1

|𝑔1| ≤ 2−1 e |𝑔1(𝑦)| ≥ 2 + ‖𝑦‖2

para cada 𝑦 ∈ 𝐷1. Novamente por (2.3.1), podemos encontrar 𝑛2 ∈ N tal que 𝑔2 := 𝜙𝑛22 satisfaz

sup

𝐵2

|𝑔2| ≤ 2−2 e |𝑔2(𝑦)| ≥ 3 + ‖𝑦‖2+ |𝑔1(𝑦)|

para cada 𝑦 ∈ 𝐷2. Se aplicarmos (2.3.1) mais uma vez, então podemos encontrar 𝑛3 ∈ N tal

que 𝑔3 := 𝜙𝑛33 satisfaz sup 𝐵3 |𝑔3| ≤ 2−3 e |𝑔3(𝑦)| ≥ 4 + ‖𝑦‖2+ ∑︁ 𝑖<3 |𝑔𝑖(𝑦)|

para cada 𝑦 ∈ 𝐷3. Logo, obtemos uma sequência (𝑔𝑗)∞𝑗=1 em ℋ(𝑈 ) tal que

sup 𝐵𝑗 |𝑔𝑗| ≤ 2−𝑗 e |𝑔𝑗(𝑦)| ≥ 𝑗 + 1 + ‖𝑦‖2+ ∑︁ 𝑖<𝑗 |𝑔𝑖(𝑦)| (2.3.2)

para cada 𝑦 ∈ 𝐷𝑗 e cada 𝑗 ∈ N. Assim, concluímos que a série∑︀∞𝑖=1𝑔𝑖 converge uniformemente

em cada subconjunto 𝐵𝑗 para uma função 𝑔 ∈ ℋ(𝑈 ). Além disso, temos

|𝑔(𝑦)| = ⃒ ⃒ ⃒ ⃒ ⃒ ∞ ∑︁ 𝑖=1 𝑔𝑖(𝑦) ⃒ ⃒ ⃒ ⃒ ⃒ ≥ |𝑔𝑗(𝑦)| − ∑︁ 𝑖<𝑗 |𝑔𝑖(𝑦)| − 1 (2.3.3)

para cada 𝑦 ∈ 𝐷𝑗 e cada 𝑗 ∈ N. Segue das desigualdades (2.3.2) e (2.3.3) que

|𝑔(𝑦)| ≥ 𝑗 + ‖𝑦‖2

para cada 𝑦 ∈ 𝐷𝑗 e cada 𝑗 ∈ N. Usaremos agora um argumento devido a Hervier [13], o qual

𝑉𝑛𝑚 := {𝜑 ∈ 𝐸: 𝜑(𝑥𝑛) − 𝜑(𝑥𝑚) ̸= 𝑔(𝑥𝑛) − 𝑔(𝑥𝑚)}

é aberto e denso em 𝐸. Segue pelo teorema de Baire que existe 𝜑 ∈⋂︀

𝑛̸=𝑚𝑉𝑛𝑚. Afirmamos que

𝑓 = 𝑔 − 𝜑 satisfaz a Propriedade (𝑎). Com efeito, 𝑓 (𝑥𝑛) − 𝑓 (𝑥𝑚) ̸= 0 e fixado 𝑗 ∈ N,

|𝑓 (𝑥𝑛)| ≥ |𝑔(𝑥𝑛)| − |𝜑(𝑥𝑛)|

≥ 𝑗 + ‖𝑥𝑛‖2− ‖𝜑‖‖𝑥𝑛

= 𝑗 + (‖𝑥𝑛‖ − ‖𝜑‖/2)2− ‖𝜑‖2/4

≥ 𝑗 − ‖𝜑‖2/4

sempre que 𝑥𝑛∈⋃︀∞𝑖=𝑗𝐷𝑖. Fixe 𝐶 > 0. Sejam 𝑗0 e 𝑛0 números naturais tais que

𝑗0 ≥ 𝐶 + ‖𝜑‖2/4 e 𝑥𝑛

⋃︁

𝑖=𝑗0 𝐷𝑖

sempre que 𝑛 ≥ 𝑛0, o que é possível pois 𝐷𝑗 é finito para cada 𝑗 ∈ N. Segue que |𝑓 (𝑥𝑛)| ≥ 𝐶

sempre que 𝑛 ≥ 𝑛0, e portanto lim𝑛→∞|𝑓 (𝑥𝑛)| = ∞.

Relembre que um subconjunto 𝐿 de um espaço localmente convexo 𝐸 é dito ser localmente determinante em zero quando para cada vizinhança aberta e conexa 𝑈 de zero e cada 𝑓 ∈ 𝐻(𝑈 ), se 𝑓 = 0 em 𝑈 ∩ 𝐿, então 𝑓 = 0 em 𝑈 .

Se 𝑈 ⊂ C é uma vizinhança aberta e conexa de zero, então sabemos que qualquer sequência em 𝑈 que converge a zero é localmente determinante em zero. No entanto, este resultado não é verdadeiro para dimensões maiores do que um. Com efeito, basta considerar a função holomorfa 𝑓 : C2 → C definida por 𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑥𝑦, e notar que 𝑓(𝑥, 0) = 0 ̸= 𝑓(1, 1) para qualquer 𝑥 ∈ C.

Apesar do resultado não funcionar para dimensões maiores, o seguinte resultado devido a J. M. Ansemil e S. Dineen é verdadeiro:

Teorema 2.3.4 (veja [4]). Seja 𝐸 um espaço localmente convexo metrizável e separável, e seja 𝐿 um conjunto localmente determinante em zero. Então 𝐿 contém uma sequência que converge a zero que é localmente determinante em zero.

Com este resultado em mãos, podemos agora demonstrar uma proposição que exercerá papel crucial na construção de um espaço vetorial fechado em ℰ (𝑈 ) ∪ {0}.

Proposição 2.3.5. Seja 𝐸 um espaço de Banach separável, e seja 𝑊 um subconjunto aberto de 𝐸. Se 𝑎 ∈ 𝜕𝑊 e 𝛿 > 0, então existe uma sequência (𝑥𝑝)∞𝑝=1 em 𝑊 tal que

(𝑎) sup𝑝∈N‖𝑎 − 𝑥𝑝‖ < 𝛿 e lim𝑝→∞𝑥𝑝 = 𝑎.

(𝑏) Se 𝑈 é um subconjunto aberto e conexo de 𝐸 tal que 𝑎 ∈ 𝑈 e 𝑓 ∈ ℋ(𝑈 ) satisfaz 𝑓 (𝑥𝑝) = 0

sempre que 𝑥𝑝 ∈ 𝑈 , então 𝑓 = 0.

Demonstração. Sem perda de generalidade, podemos supor que 𝑎 = 0 ∈ 𝜕𝑊 . Se 𝑈 é uma vizinhança aberta e conexa de zero, então 𝑈 ∩ 𝐵(0; 𝛿/2) ∩ 𝑊 é um subconjunto não-vazio. Pelo teorema da Identidade, se 𝑓 ∈ 𝐻(𝑈 ) e 𝑓 = 0 em 𝑈 ∩ 𝐵(0; 𝛿/2) ∩ 𝑊 , então 𝑓 = 0 em 𝑈 . Portanto, 𝐵(0; 𝛿/2) ∩ 𝑊 é localmente determinante em zero. Segue do Teorema 2.3.4 que existe uma sequência (𝑥𝑝)∞𝑝=1 em 𝐵(0; 𝛿/2) ∩ 𝑊 tal que lim𝑝→∞𝑥𝑝 = 0 e (𝑥𝑝)∞𝑝=1 também é localmente

determinante em zero, o que implica as propriedades (𝑎) e (𝑏).

Antes de exibir uma demonstração que comprove que o conjunto ℰ (𝑈 ) é espaçável, precisa- remos de mais duas proposições.

Proposição 2.3.6. Sejam 𝐸 um espaço de Banach separável e 𝑈 um subconjunto aberto de 𝐸. Seja (𝑥𝑛)∞𝑛=1 uma sequência densa de 𝜕𝑈 , i.e., (𝑥𝑛)∞𝑛=1 é uma sequência em 𝜕𝑈 tal que

{𝑥𝑛 : 𝑛 ∈ N} = 𝜕𝑈. Então 𝑈 não é um domínio de existência de 𝑓 ∈ ℋ(𝑈) se, e somente se,

existirem (𝑖, 𝑗) ∈ N × N, um subconjunto aberto 𝐺 de 𝐸 e uma função 𝑓 ∈ ℋ(𝐵(𝑥̃︀ 𝑖; 1/𝑗)) que

satisfaçam as seguintes condições: (𝑎) ∅ ̸= 𝐺 ⊂ 𝐵(𝑥𝑖; 1/𝑗) ∩ 𝑈 .

(𝑏) 𝑓 =𝑓 em 𝐺.̃︀

Demonstração. Demonstraremos a implicação não-trivial. Suponha que 𝑈 não seja o domínio de existência de 𝑓 ∈ ℋ(𝑈 ); em particular 𝜕𝑈 ̸= ∅. Assim, existem subconjuntos abertos 𝑉, 𝑊 de 𝐸 e uma função 𝑓 ∈ ℋ(𝑉 ) que satisfazem as condições (𝑎)-(𝑐) na definição de domíniõ︀

de existência. Visto que podemos supor que 𝑊 é uma componente conexa de 𝑈 ∩ 𝑉 , existe 𝑎 ∈ 𝑉 ∩ 𝜕𝑈 ∩ 𝜕𝑊 . Logo existe 𝑗 ∈ N tal que 𝐵(𝑎; 1/𝑗) ⊂ 𝑉 . Podemos escolher 𝑖 ∈ N tal que 𝑥𝑖 ∈ 𝐵(𝑎; 1/2𝑗). Daí,

𝑎 ∈ 𝐵(𝑥𝑖; 1/2𝑗) ⊂ 𝐵(𝑎; 1/𝑗) e 𝐵(𝑥𝑖; 1/2𝑗) ∩ 𝑊 ̸= ∅.

Portanto, se 𝐺 := 𝐵(𝑥𝑖; 1/2𝑗) ∩ 𝑊 , então

̃︀

𝑓 |𝐵(𝑥𝑖;1/2𝑗) ∈ ℋ(𝐵(𝑥𝑖; 1/2𝑗)), ∅ ̸= 𝐺 ⊂ 𝐵(𝑥𝑖; 1/2𝑗) ∩ 𝑈 e 𝑓 = 𝑓 |̃︀𝐵(𝑥𝑖;1/2𝑗) em 𝐺.

Proposição 2.3.7. Seja 𝑋 um conjunto arbitrário, e seja 𝒜 uma álgebra de funções 𝑓 : 𝑋 → C. Se existem uma função 𝑓 ∈ 𝒜 e uma sequência (𝑥𝑘)∞𝑘=1 em 𝑋 tais que lim𝑘→∞|𝑓 (𝑥𝑘)| = ∞,

então 𝒜 contém um subespaço vetorial de dimensão infinita.

Demonstração. É suficiente demonstrar que a sequência (𝑓𝑛)∞𝑛=1 é linearmente independente. Suponha 𝑔 := 𝜆1𝑓 + 𝜆2𝑓2+ · · · + 𝜆𝑛𝑓𝑛= 0. Se 𝜆𝑛̸= 0, então lim 𝑘→∞|𝑔(𝑥𝑘)| = lim𝑘→∞|𝑓 𝑛(𝑥 𝑘)| ⃒ ⃒ ⃒ ⃒ ⃒ 𝜆1 𝑓𝑛−1(𝑥 𝑘) + 𝜆2 𝑓𝑛−2(𝑥 𝑘) + · · · + 𝜆𝑛 ⃒ ⃒ ⃒ ⃒ ⃒ = ∞,

o que é uma contradição. Logo 𝜆𝑛= 0. O mesmo argumento mostra que 𝜆𝑛−1= 0, 𝜆𝑛−2= 0, . . .,

𝜆1 = 0.

Agora sim temos todos os ingredientes necessários para mostrar que ℰ (𝑈 ) é espaçável. Teorema 2.3.8. Seja 𝐸 um espaço de Banach separável, e seja 𝑈 um domínio de existência conexo em 𝐸. Então o conjunto ℰ (𝑈 ) é espaçável.

Demonstração. Sejam (𝑥𝑛)∞𝑛=1 uma sequência densa de 𝜕𝑈 e 𝛿 ∈ (0, 1). Para cada par (𝑖, 𝑗) ∈

N × N defina 𝐵𝑖𝑗 := 𝐵(𝑥𝑖; 1/𝑗), e seja {𝑉𝑖𝑗𝑘 : 𝑘 ∈ 𝐴𝑖𝑗 ⊂ N} o conjunto de todas as componentes

conexas de 𝐵𝑖𝑗 ∩ 𝑈 . Pelo Lema 1.1.10 existe 𝑎𝑖𝑗𝑘 ∈ 𝐵𝑖𝑗 ∩ 𝜕𝑈 ∩ 𝜕𝑉𝑖𝑗𝑘 para cada (𝑖, 𝑗) ∈ N × N e

cada 𝑘 ∈ 𝐴𝑖𝑗. Como o conjunto

𝐴 := {(𝑎𝑖𝑗𝑘, 𝑉𝑖𝑗𝑘) : (𝑖, 𝑗) ∈ N × N e 𝑘 ∈ 𝐴𝑖𝑗}

é enumerável, podemos escrever

𝐴 = {(𝑦𝑗, 𝑊𝑗) : 𝑗 ∈ N}.

Segue da Proposição 2.3.5 que para cada 𝑗 ∈ N existe uma sequência (𝑦𝑗𝑘)∞𝑘=1 em 𝑊𝑗 tal que

(𝑖) sup𝑘∈N‖𝑦𝑗− 𝑦𝑗𝑘‖ < 𝛿𝑗 e lim𝑘→∞𝑦𝑗𝑘 = 𝑦𝑗.

(𝑖𝑖) Se 𝑉 é um subconjunto aberto e conexo em 𝐸, 𝑓 ∈ ℋ(𝑉 ), 𝑦𝑗 ∈ 𝑉 e 𝑓 (𝑦𝑗𝑘) = 0 sempre que

𝑦𝑗𝑘 ∈ 𝑉 , então 𝑓 = 0.

𝑦11 //𝑦12 || 𝑦13 //𝑦14 || . . . 𝑦21  𝑦22 << 𝑦23 || 𝑦24 == . . . }} 𝑦31 << 𝑦32 ~~ 𝑦33 << 𝑦34 ~~ . . . .. . ... >> .. . ... . .. Isto é, (𝑧1, 𝑧2, 𝑧3, . . .) = (𝑦11, 𝑦12, 𝑦21, 𝑦31, 𝑦22, . . .). Defina 𝒜 := {𝑓 ∈ ℋ(𝑈 ) : 𝑓 (𝑧𝑘) = 0 para cada 𝑘 ∈ N}.

Afirmamos que o espaço vetorial 𝒜 satisfaz as propriedades desejadas. Com efeito, é claro que 𝒜 é uma subálgebra fechada de (ℋ(𝑈 ), 𝜏𝑐). Ademais, temos 𝒜 ⊂ ℰ(𝑈 ) ∪ {0}. De fato,

caso contrário, encontraríamos 𝑓 ∈ 𝒜 ∖ (ℰ (𝑈 ) ∪ {0}). Logo, seguiria da Proposição 2.3.6 que existiriam um subconjunto aberto 𝐺 de 𝐸 e uma função 𝑓 ∈ ℋ(𝐵̃︀ 𝑖𝑗) tais que

∅ ̸= 𝐺 ⊂ 𝐵𝑖𝑗 ∩ 𝑈 e 𝑓 =𝑓 em 𝐺.̃︀

Como podemos supor que 𝐺 é uma componente conexa de 𝐵𝑖𝑗∩ 𝑈 , podemos supor que 𝐺 = 𝑊𝑝

para algum 𝑝 ∈ N. Assim, 𝑦𝑝 ∈ 𝐵𝑖𝑗 e (𝑦𝑝𝑘)∞𝑘=1 é uma sequência em 𝑊𝑝 ⊂ 𝐵𝑖𝑗 tal que 𝑓 (𝑦̃︀ 𝑝𝑘) =

𝑓 (𝑦𝑝𝑘) = 0 para cada 𝑘 ∈ N. Desse modo, segue da propriedade (𝑖𝑖) que 𝑓 = 0. Portanto, pelõ︀

teorema da identidade 𝑓 = 0, o que é claramente uma contradição.

Vejamos que 𝒜 contém um subespaço vetorial de dimensão infinita. Visto que 𝛿 ∈ (0, 1) e sup𝑘∈N‖𝑦𝑗 − 𝑦𝑗𝑘‖ < 𝛿𝑗 para cada 𝑗 ∈ N, segue prontamente que lim𝑘→∞𝑑𝑈(𝑧𝑘) = 0. Para cada

𝑘 ∈ N tome

𝑧𝑘∈ 𝑈 ∖ {𝑧𝑘 : 𝑘 ∈ N},

de modo que ‖𝑧𝑘− 𝑧𝑘‖ < 2

−𝑘. Seja (𝑤

𝑘)∞𝑘=1 a sequência em 𝑈 definida por

(𝑤1, 𝑤2, 𝑤3, 𝑤4, . . .) := (𝑧1, 𝑧1′, 𝑧2, 𝑧2′, 𝑧3, 𝑧3′, . . .).

Desse modo, temos claramente lim𝑘→∞𝑑𝑈(𝑤𝑘) = 0. Agora, escolha uma subsequência (𝑤𝑘)

constituída por pontos distintos de (𝑤𝑘)∞𝑘=1 e que satisfaça

{𝑤𝑘 : 𝑘 ∈ N} = {𝑤𝑘: 𝑘 ∈ N}.

É evidente que lim𝑘→∞𝑑𝑈(𝑤𝑘) = 0. Com o objetivo de aplicar a Proposição 2.3.1(𝑏), tomemos

(𝛼𝑘)∞𝑘=1 ⊂ C tal que 𝛼𝑛 = 0 sempre que 𝑤𝑛∈ {𝑧𝑘 : 𝑘 ∈ N} e 𝛼𝑛 = 𝑛 sempre que 𝑤𝑛∈ {𝑧

𝑘 :

𝑘 ∈ N}. Assim, pela Proposição 2.3.1(𝑏), existe uma função 𝑓 ∈ ℋ(𝑈 ) tal que 𝑓 (𝑤𝑘) = 𝛼𝑘

para cada 𝑘 ∈ N. Segue que 𝑓 ∈ 𝒜 e lim𝑘→∞|𝑓 (𝑧𝑘)| = ∞. Portanto, pela Proposição 2.3.7 a

demonstração está completa.

Vejamos agora que com o auxílio da Proposição 2.2.1, podemos melhorar o último resultado. Teorema 2.3.9. Seja 𝐸 um espaço de Banach separável, e seja 𝑈 um domínio de existência conexo em 𝐸. Então o conjunto ℰ (𝑈 ) é fortemente fechadamente algebrável.

Demonstração. Defina

𝒜 := {𝑓 ∈ ℋ(𝑈 ) : 𝑓 (𝑧𝑘) = 0 para cada 𝑘 ∈ N},

onde (𝑧𝑘)∞𝑘=1 é a sequência em 𝑈 que foi construída na demonstração do Teorema 2.3.8. Ob-

viamente o subconjunto 𝒜 é uma subálgebra fechada de (ℋ(𝑈 ), 𝜏𝑐). Ademais, relembre que

no Teorema 2.3.8 provamos que 𝒜 ⊂ ℰ(𝑈 ) ∪ {0}. Desse modo, basta mostrar que a álgebra 𝒜 contém um conjunto infinito de geradores algebricamente independentes. Para mostrar isto, iniciemos com a mesma argumentação utilizada na demonstração do Teorema 2.3.8. Para cada 𝑘 ∈ N seja

𝑧𝑘∈ 𝑈 ∖ {𝑧𝑛: 𝑛 ∈ N}

de modo que ‖𝑧𝑘− 𝑧𝑘‖ < 2

−𝑘. Seja (𝑤

𝑘)∞𝑘=1 a sequência em 𝑈 definida por

(𝑤1, 𝑤2, 𝑤3, 𝑤4, . . .) := (𝑧1, 𝑧1′, 𝑧2, 𝑧2′, 𝑧3, 𝑧3′, . . .).

Segue que lim𝑘→∞𝑑𝑈(𝑤𝑘) = 0, pois lim𝑘→∞𝑑𝑈(𝑧𝑘) = 0. Logo podemos encontrar uma sub-

sequência (𝑤

𝑘)∞𝑘=1 de pontos distintos de (𝑤𝑘)∞𝑘=1 tal que

{𝑤𝑘: 𝑘 ∈ N} = {𝑤𝑘 : 𝑘 ∈ N} e lim 𝑘→∞𝑑𝑈(𝑤

𝑘) = 0.

De agora em diante, para cada 𝑗 ∈ N usaremos a notação

onde |𝐴| denota o número de elementos pertencentes ao conjunto 𝐴. Com o propósito de aplicar a Proposição 2.3.1(𝑏), tome (𝛼1𝑗)∞𝑗=1 ⊂ C tal que 𝛼1𝑗 = 0 sempre que 𝑤𝑗 ∈ {𝑧𝑘 : 𝑘 ∈ N}

e 𝛼1𝑗 = 𝑙(𝑗) sempre que 𝑤𝑗 ∈ {𝑧𝑘: 𝑘 ∈ N}. Assim, obtemos pela Proposição 2.3.1(𝑏) que

exite 𝑓1 ∈ ℋ(𝑈 ) tal que 𝑓1(𝑤𝑗) = 𝛼1𝑗 para cada 𝑗 ∈ N. Tomemos agora (𝛼2𝑗)∞𝑗=1 ⊂ C tal

que 𝛼2𝑗 = 0 sempre que 𝑤𝑗 ∈ {𝑧𝑘 : 𝑘 ∈ N} e 𝛼2𝑗 = |𝑓1(𝑤𝑗)|𝑙(𝑗) sempre que 𝑤𝑗∈ {𝑧𝑘: 𝑘 ∈ N}.

Consequentemente, pela Proposição 2.3.1(𝑏), podemos encontrar 𝑓2 ∈ ℋ(𝑈 ) tal que 𝑓2(𝑤𝑗) = 𝛼2𝑗

para cada 𝑗 ∈ N. Agora, se tomarmos (𝛼3𝑗)∞𝑗=1 ⊂ C tal que 𝛼3𝑗 = 0 sempre que 𝑤𝑗∈ {𝑧𝑘 : 𝑘 ∈ N}

e 𝛼3𝑗 = ∏︀𝑚<3|𝑓𝑚(𝑤𝑗′)|𝑙(𝑗) sempre que 𝑤

𝑗 ∈ {𝑧

𝑘 : 𝑘 ∈ N}, então novamente pela Proposição

2.3.1(𝑏), existe 𝑓3 ∈ ℋ(𝑈 ) tal que 𝑓3(𝑤𝑗) = 𝛼3𝑗 para cada 𝑗 ∈ N. Prosseguindo, obtemos uma

sequência (𝑓𝑛)∞𝑛=1 em 𝒜 tal que

|𝑓1(𝑤′′𝑘)| = 𝑘 e |𝑓𝑛(𝑤′′𝑘)| = ∏︁ 𝑚<𝑛 |𝑓𝑚(𝑤𝑘′′)| 𝑘 (2.3.4) para cada 𝑛 ∈ N ∖ {1} e cada 𝑘 ∈ N, onde (𝑤𝑘′′)∞𝑘=1 é a única subsequência de (𝑤𝑘′)∞𝑘=1 tal que

{𝑤𝑘′′: 𝑘 ∈ N} = {𝑧𝑘: 𝑘 ∈ N}. Portanto, pela Proposição 2.2.1 a demonstração está completa.

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