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ESTÉTICA E MODA MASCULINA

3.2.1. Estética e moda

As discussões que envolvem a estética em grande parte, remetem a paradigmas sempre abertos a novas respostas e expostos a constantes questionamentos, o que é próprio de uma ciência que de acordo com a definição de Aranha (1993), estuda as questões ligadas à arte, como o belo, o feio, o gosto, os estilos e as teorias da percepção artística. Do ponto de vista filosófico, a estética estuda o belo e o sentimento que este desperta nos homens.

O termo estética, de acordo com Löbach (2001), provém do vocábulo grego aesthesis, com o significado de faculdade de sentir, percepção totalizante, sensibilidade, sensação. A idéia de sensibilidade, por sua vez, acolhe tanto a sensação, que remete a uma condição individual, quanto ao sentimento, que pressupõe uma adesão comunitária.

Bonfim (1998), afirma que a imagem ou plástica de cada objeto carrega em si um significado que a partir da relação com o usuário possibilita exprimir o estado da sua subjetividade, e o significado só poderá ser percebido na

‘experiência estética’.

Considerando essa relação entre produto e usuário, Bonfim (1998, p. 19) diz “é uma relação onde ocorre a percepção e a avaliação da estética [...]

envolve quatro níveis: o objeto, o bio-fisiológico, o psicológico e o sociológico”.

Desse modo, deduz que na produção do belo, tem-se o domínio da estética.

Assim, o design, entre outras atividades que contribuem para a configuração de nosso meio, o produto industrial torna-se um objeto de estudo da estética. “Sabe-se que os valores estéticos não são encontrados apenas no campo da arte [...], mas também do Design” (BONFIM, 1998).

Dessa forma, o encontro da arte com a máquina faz com que os historiadores de arte, filósofos e estetas, ao longo dos anos, reflitam sobre os efeitos causados por esse encontro. A prática que liga a beleza à forma,

deduzida das leis de produção e de utilização de materiais e as interpretações surgidas resultam no que Lobach (2001) denomina de estética industrial.

Abrem-se, desse modo, os paradigmas sobre o belo, a criatividade, o produto industrializado, a estética, o homem, a forma e o mundo.

Para Löbach (2001), este processo de comunicação estabelecido entre o produto e o usuário, em sua totalidade, é tema de uma estética do design. Tal estética envolve processos variáveis, que não se limitam à descrição dos objetos - suas características formais -, mas que também devem considerar as relações entre as pessoas e os objetos.

A forma do produto industrial, ao ser considerada o eixo central da estética do objeto, é resultado das relações recíprocas que se estabelecem entre os elementos configurativos, sendo estes os responsáveis por provocar no usuário a reação de aceitação, rejeição ou neutralidade perante o produto (LOBACH, 2001).

Lobach (2001) também co nsidera que na “estética da informação”, que envolve o processo de consumo visual dos objetos estéticos, e na “estética de valor”, que refere-se à importância dos objetos estéticos para o usuário, decorrente dos seus conceitos subjetivos de valores inerentes às normas sócio-culturais envolvidas, é inerente o processo de relacionamento entre produto industrial-usuário (mensagem-receptor).

Sobressai, assim, a problemática da resposta do usuário. Conforme Löbach (2001, p. 171), a “percepção é um processo pelo qual uma aparência estética se transforma em significado”. É um processo subjetivo, que pode ser influenciado tanto pela imagem atual da percepção, motivada por interesses, como pela memória de cada pessoa, relativa às experiências anteriores, aos conceitos de valor e às normas sócio-culturais.

Assim também o design de moda insere a qualidade estética (LOBACH, 2001) como um fator que envolve vários aspectos de pesquisa para elaboração da criação, a influência de padrões de cores, texturas, formas e dos mai s variados setores produtivos e sociais, estabelecendo a adequada tendência ao gosto do consumidor.

Para Filho (2007), a estética do objeto, o design, o estilo e a simbologia do produto são pontos destacados como importantes para que a indumentária seja concebida e comercializada na contemporaneidade.

A estética do objeto é concernente aos "sinais e às características formais propriamente ditas do produto. Isto é, refere -se à adoção de um determinado partido estético-formal” (por exemplo: formas orgânicas, geométricas ou combinadas, eventuais adornos, cores, acabamentos, dentre outros) e, por sua vez, subordinado ao estilo e seus atributos adotados na organização visual do objeto. (FILHO, 2007, p. 97). Os estudos e pesquisas realizadas, referentes a estética do produto, são de fundamental importância para definição final do projeto.

O estilo do produto é carregado de apelos emocionais, além do estético, que agregam valores e sensações ao produto e estimula o consumo do produto em si. Em relação à construção da imagem simbólica do produto, o autor discorre:

"A imagem simbólica do produto é construída pela incorporação do estilo de vida e por certos valores culturais de pessoas e grupos s ociais, conectando -se também a determinadas características sensíveis e emocionais do us uário consumidor. Do ponto de vista da teoria de comunicação do produt o, relaciona se diretamente com contextos sociais e fatores econômicos, políticos e espirituais, que caracterizam uma determinada sociedade numa det erminada época, em term os de tradiç ão, classes sociais diferencia das em prestígio e poder, estágio de desenvolvimento tecnológico, dentre outros". (FILHO, 2007, p. 107)

Lobach, (2001) reitera que o valor estético depende das aparências sociais, está sujeito a mudanças constantes e, é específico de cada estrato social. A estética é um conceito dinâmico, pois, sofre constantes variações. O produto industrial hoje considerado belo pelo usuário talvez não o seja amanhã, por terem sido estabelecidos novos valores estéticos personificado em um produto novo, que passa a ser referência de belo para o usuário, ou seja, o belo é uma construção da sociedade em movimento.

No espaço ocupado pelo homem, rodeado de adornos e objetos, cria-se o entorno para atender as suas necessidades e, para isso, precisa-se de produtos adequados ao seu uso, o que implica observar a conduta dos seus usuários. Voltar-se para o consumidor é conhecer a sua cultura, necessidades, valores, suas possibilidades econômicas e emocionais (LOBACH, 2001).

Nesse momento, de acordo com o autor supracitado, tem-se no profissional do design o responsável por criar os objetos voltados para o

conforto e bem-estar do usuário, aquele que agrega valores referentes à forma, função, praticidade, ergonomia e estética.

Desse modo, busca-se, na estética do objeto, uma forma para a beleza que tanto envolve o consumidor pelo apelo visual quanto pelo atendimento aos seus desejos de prazer e felicidade (LOBACH, 2001).

A partir do exposto pode-se inferir que, em design, é possível pensar no ponto, nas linhas, na cor, nas manchas e no volume, a partir das emoções relacionado ao cotidiano do público alvo.

3.2.2. O vestuário masculino como uma das expressões da

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