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Estabelecendo “Árvores de Relacionamentos”

Capítulo 3 Perspectivas para a Rede de Relacionamentos do

3.3. Estabelecendo “Árvores de Relacionamentos”

Para que seja possível atribuir um NSN a um item de suprimento, este deve ser um item básico, ou seja, não poderão existir modelos ou versões para o mesmo. Na indústria aeroespacial, é comum que um produto final (sistema), como, por exemplo, uma aeronave, tenha um alto grau de customização, não sendo considerado um item básico, devido às inúmeras versões ou modelos que visam atender aos diferentes tipos de operação dos clientes finais.

No entanto, um sistema pode ser decomposto em subníveis, os quais são identificados através de conceitos relativos específicos. Então, temos como denominações:

a) sistema – conjunto de partes que interagem para realizar uma função específica (exemplo: automóvel);

b) subsistema - conjunto de partes que interagem para realizar uma função específica de um sistema (exemplo: subsistema de combustível);

c) unidade ou equipamento – parte ativa de um sistema/subsistema com identidade própria (exemplo: bomba de gasolina);

d) módulo ou subconjunto – parte de um equipamento com identidade própria (exemplo: fonte de alimentação); e

e) componente – menor parte de um módulo/unidade/subsistema/sistema (exemplo: resistor). Sendo assim, conforme a figura 3.1, poderemos estabelecer “árvores de relacionamento”, a partir dos itens básicos de um sistema, que podem ser compostos por componentes, módulos, unidades, subsistemas ou do próprio sistema, no caso do mesmo ser um item básico. Essas “árvores” têm em suas raízes o item básico com nível hierárquico mais alto; em seus nós, numa ordem decrescente de grau hierárquico, desde que sejam itens básicos, os subsistemas, as unidades/equipamentos e os módulos/subconjuntos; e, em suas folhas, os respectivos componentes dos mesmos. Portanto, quando as especificações dimensionais, mecânicas, elétricas, físicas, químicas e de desempenho de um item básico corresponderem às do outro (itens intercambiáveis), os nós ou as folhas podem ser permutados. E, ainda, quando essas especificações de um item básico excederem às do outro (item substituto), o seu nó ou a sua folha pode substituir o nó ou a folha do outro.

Figura 3.1 - Árvores de Relacionamentos para Itens Básicos

Fonte: Elaboração própria

Em ambos, a identificação inequívoca dos itens gera novas relações antes improváveis, inclusive de cliente-fornecedor. Assim, na prática, há um universo maior de possíveis relações para o estabelecimento do produto final.

NSN SISTEMA 1 NSN

SUBSISTEMA 1.1 SUBSISTEMA 1.2 NSN SUBSISTEMA 1.k NSN

NSN UNIDADE 1.2.1 NSN UNIDADE 1.2.2 NSN UNIDADE 1.2.l NSN

MÓDULO 1.2.2.1 MÓDULO 1.2.2.2 NSN MÓDULO 1.2.2.m NSN

NÍVEL 2 NÍVEL 3 NÍVEL 4 ‘r’ Referências ‘s’ Referências ‘t’ Referências ‘u’ Referências

Nº de relações possíveis p/ ‘p’ Sistemas = ‘r’ x ‘s’ x ‘t’ x ‘u’ x ‘v’ Referências

NÍVEL 1 NSN SISTEMAp NSN SISTEMA2 NSN

COMPONENTE 1.2.2.2.1 COMPONENTE 1.2.2.2.2 NSN COMPONENTE 1.2.22..n NSN

NÍVEL 5 ‘v’ Referências

Quanto mais perto do topo da “árvore” o item básico estiver, maiores serão as possibilidades de estabelecimento de novas relações. A presença dessas novas possibilidades acirra a concorrência e “enfraquece” os fornecedores diante de negociações de preços, de nível de serviço prestado e de obtenção de informações técnicas/gerenciais. Além disso, a identificação de itens de suprimento comuns a diversos produtos finais/intermediários permite a racionalização dos recursos, com possíveis impactos positivos em todas as funções logísticas.

Figura 3.2 – Fluxo de Informação, de Materiais e de Produtos

Fonte: Towill, Nain & Wilkner (1992)

Portanto, conforme a figura 3.2, a disseminação dessa informação pode se tornar uma contribuição fundamental para integrar as atividades ao longo da cadeia de valor, da geração de matérias-primas ao serviço ao cliente final, proporcionando planejamento e controle mais precisos e decisões mais seguras. Assim, cada elo pode ter conhecimento dos fornecedores de cada item básico que compõem o seu produto final, assim como obter informações técnicas/gerenciais que possibilitem definir novas estratégias de suprimento, aquisição e estoque, caso as compras “descasadas” tornem-se mais atraentes.

Trata-se de um processo interdependente que visa atender a alguma necessidade identificada em um mercado final. Para isso, é necessário uma linguagem comum para a comunicação eficiente e eficaz entre os seus elos, permitindo a interoperabilidade entre os mesmos.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Brasil, 2004a), em seus instrumentos de apoio ao setor produtivo, por intermédio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), objetiva promover, de forma contínua e sistêmica, o uso do poder de compra55 como indutor da qualidade, da produtividade e da capacitação tecnológica, fomentando a capacitação setorial, o desenvolvimento de fornecedores e prospectando

55 Nas vertentes de poder de compra do estado; poder de compra das empresas; e poder de compra dos consumidores.

Sistema de Informação 1 Sistema de Informação 2 Sistema de Informação 3 Empresa 3 Empresa 4 M A T É R I A P R I M A Empresa 1 Sistema de Informação 4 M E R C A D O F I N A L Fluxo de Pedidos

Fluxo de Materiais e Produtos Empresa 2

interessados em projetos cooperativos. Para isso, o ambiente organizacional necessário pressupõe trabalho em rede, interação e cooperação.

O SEBRAE provê consultoria para elaborar, em conjunto com especialistas locais, uma proposta de política de uso do poder de compra a ser adotada pelos governos estaduais e municipais. Em suma, objetiva articular e integrar, nos estados e municípios, os atores envolvidos com as políticas de desenvolvimento da produção, de desenvolvimento tecnológico, de logística e de tecnologia da informação, provendo ações, programas, instrumentos federais em nível local, recursos e assessoria para a implantação da rede institucional.

Espera-se o aumento da qualidade e da produtividade dos produtos e serviços nacionais, reduzindo os custos, aumentando a competitividade das exportações nacionais e a substituição das importações; a promoção do desenvolvimento regional, do desenvolvimento setorial e da criação de pólos de micro e pequenas empresas, possibilitando a geração de emprego e renda, e da melhoria da qualidade de vida; o adensamento e fortalecimento das cadeias produtivas e a capacitação de pólos, incentivando a inovação de produtos através do uso de contratos de desenvolvimento e a disseminação de comportamentos cooperativos.

Em consonância com esses instrumentos de apoio ao setor produtivo, uma análise mais profunda dos itens de suprimento consumidos, fabricados e importados por cada país utilizador do SOC, inclusive o Brasil, pode estabelecer em quais itens cada país é dependente de importação e que mercado potencial isso representa.

Logo, tanto no âmbito do Ministério da Defesa, quanto do setor público civil e do setor privado, pode-se utilizar a informação disponível como base, tanto para a diversificação de seus fornecedores internacionais e locais, como para políticas industriais de desenvolvimento de novos fornecedores nacionais e/ou locais, propiciado pela transferência de conhecimento sobre os itens de suprimento e pela perspectiva de exportação para os países utilizadores do SOC que sejam consumidores dos mesmos, ampliando as possibilidades de coordenação entre os atores do setor aeroespacial brasileiro.