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4.2 MODELAGEM FUNCIONAL

4.2.2 Estabelecer estruturas funcionais

A subdivisão da função global visa facilitar a busca por princípios de solução. Neste trabalho, a decomposição da estrutura funcional pode ser feita através da análise de sistemas técnicos existentes. Outro aspecto que pode orientar o estabelecimento da

estrutura funcional são as necessidades dos clientes nas quais o verbo formador da declaração não for ser, estar ou ter. Para esses casos, Fonseca (2000) recomenda verificar se tal necessidade não é, na verdade, uma função que deve ser implementada pelo produto.

Após a proposição da função global, demonstrada na figura 4.3, fez-se necessário um refinamento e um encadeamento dessas funções segundo a seqüência de procedimentos adotados e praticados pelos maricultores. A figura 4.4 mostra então o agrupamento das funções parciais como a função global do equipamento, considerando somente a hipótese deste estar embarcado em alguma das embarcações listadas no capítulo 2 deste trabalho.

Vale lembrar, conforme apontam Roozenburg & Eekels (1995), que o desenvolvimento de estruturas funcionais não é um fim, mas um meio que deve permitir a descoberta de soluções úteis para o problema. Portanto, há que se ter cuidado com o nível de detalhamento necessário, para que não haja perda de tempo.

Considerando que o equipamento deveria se adequar às embarcações existentes e ao processo de manejo atualmente proposto, não é possível traçar uma seqüência de funções diferente das atualmente empregadas no manejo.

A análise de sistemas de transporte similares, o estudo e acompanhamento do manejo executado pelos produtores e a pesquisa de princípios de solução encontrados em outras atividades descritos no capítulo 1 e 2 deste trabalho, possibilitou o detalhamento das funções parciais, auxiliares e elementares.

Figura 4.4 – Refinamento da função global.

A especificação do projeto, segundo Forcellini et al, (2005), continua a ser o critério principal, no entanto, faz-se necessário imaginar princípios de solução para poder confrontar as estruturas alternativas. A observação da seqüência de funções realizadas para efetuar o manejo embarcado e consequentemente as funções decompostas.

É importante ressaltar que a estrutura funcional baseou-se na análise dos procedimentos adotados, uma vez que o sistema de cultivo, as lanternas e as embarcações usadas não se alteraram e não fazem parte do escopo do projeto.

Assim como foi estabelecida a função global, as demais funções parciais foram determinadas em conjunto com a equipe de projeto, incluindo os especialistas em maricultura que determinaram a seqüência usada e a seqüência que pode vir a ser usada nos cultivos.

Desta forma, apresentam-se a seguir os desdobramentos das funções parciais e a determinação de funções elementares. As funções parciais foram separadas em FP1 – Alcance e fixação do espinhel; FP2 - Fixação / Liberação de Lanternas do Espinhel; FP3 - Deslocamento de Lanternas.

A partir destas funções foram encontradas as funções elementares com suas respectivas entradas e saídas no Quadro 4.2.

Quadro 4.2 - Descrição das funções parciais e elementares com suas definições das entradas e das saídas do diagrama de blocos da estrutura funcional.

Função Pa rcia l Função Elem ent a r

Descrição Entradas Saídas

FE 1.1 Alcançar Espinhel Espinhel solto

Espinhel conectado a sistema de deslocamento

FE 1.2 Içar Espinhel C/ ou S/ lanternas Espinhel submerso

Espinhel em posição de manejo

FE 1.3 Fixar / trilhar Espinhel na embarcação Espinhel içado Espinhel apoiado

F 1 - Al can ce e fi xação de espi nh el FE 1.4

Soltar Espinhel do sistema de fixação / Trilhamento

Espinhel conectado a sistema de fixação/

trilhamento Espinhel solto

FE 2.1 Alcançar lanternas Lanterna na água

Lanterna em posição que facilite o deslocamento

FE 2.2

Fixar lanternas no equipamento de deslocamento Lanternas soltas no convés Lanterna fixada no equipamento FE 2.3

Posicionar operador do equipamento nos controles de operação

Operador executando outras funções

Operador no controle do sistema

FE 2.4 Soltar lanterna do Espinhel

Lanterna presa no

Espinhel Lanterna solta

FE 2.5 Soltar bóia do Espinhel Bóia presa ao Espinhel Bóia solta

FP 2 -

Fixação / Liberação d

e Lanternas

do Espinhel

FE 2.6

Fixar bóia no Espinhel / Embarcar

Continuação Quadro 4.2 - Descrição das funções parciais e elementares com suas definições das entradas e das saídas do diagrama de blocos da estrutura funcional.

Fu nç ão P ar cial Fun ção Eleme n tar

Descrição Entradas Saídas

FE 3.1

Acionar sistema de deslocamento

vertical das lanternas Sistema parado Sistema acionado

FE 3.2

Efetuar controle do sistema de deslocamento vertical Lanterna e aplicação de força Velocidade de ascensão controlada FE 3.3

Acionar sistema de deslocamento horizontal Aplicação de força horizontal Controle do deslocamento horizontal FE 3.4

Posicionar lanterna no ponto de fixação no Espinhel

Espinhel apoiado e embarcação deslocada

para o ponto de fixação Lanterna posicionada

FE 3.5

Interromper e manter estável a

lanterna Sistema acionado Sistema parado

FE 3.6 Fixar a lanterna no Espinhel Lanterna solta Lanterna fixa FE 3.7 Fixar bóia junto à lanterna Bóia Solta Bóia fixa

FE 3.8 Soltar lanterna do equipamento

Lanterna fixa no

equipamento Lanterna solta

FP3 - D esl oca m en to ver ti cal e hori z. das La nter nas FE 3.9

Deslocar equipamento para posição da lanterna

Aplicar força para deslocar a embarcação para a próxima lanterna

Posicionar equipamento para manejo

A demonstração gráfica da seqüência de cada função parcial e os fluxos de material, energia e sinal, facilitam a visualização do posicionamento das funções elementares na seqüência de operação do equipamento. O desdobramento da Função Parcial 1 está demonstrado na figura 4.5. A da Função parcial 2 na figura 4.6 e a função parcial 3 na figura 4.7.

Figura 4.6 – Desdobramento da Função Parcial 2 – F 2

Figura 4.7 – Desdobramento da Função Parcial 3 – F3

As funções Auxiliares não estão diretamente ligadas às funções designadas essenciais para a resolução do problema do projeto. Entretanto, as funções auxiliares permitem com que as demais funções sejam melhoradas e ou otimizadas, contemplando de uma maneira mais ampla os problemas detectados no decorrer do projeto como demonstrado no Quadro 4.3.

Nesse caso específico, após as pesquisas de campo e a experimentação por parte da equipe de projeto das tarefas de manejo, ficou clara a necessidade de expansão das funções previamente detectadas como essenciais mas que devem ser apresentadas como funções complementares.

Para exemplificar, pode-se citar o exemplo da função auxiliar denominada “Possibilitar instalação do equipamento em diferentes tipos de embarcações”. Em função da variedade de embarcações existentes e das mais diversas configurações de casco, o equipamento deveria ter a função de se adequar às diferentes dimensões presentes nas embarcações analisadas.

Quadro 4.3 - Descrição das funções Auxiliares do diagrama de blocos da estrutura funcional.

FA 1 Aumento de estabilidade FA 2 Ampliação de área de trabalho

FA 3 Possibilitar instalação do equipamento em diferentes tipos de embarcações

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