Para PADOVAN (1976) a deglutição atípica foi despertada pela falta de estabilidade de casos ortodônticos já corrigidos, onde após certo tempo apresentavam recidivas. Segundo a autora 60% de portadores de más oclusões apresentam desvios nos padrões de deglutição.
ELLIS, et al (1985) e NAHOUM, (1975) consideram que as desarmonias verticais são mais difíceis de serem tratadas e os resultados obtidos menos estáveis. Entre estas desarmonias, uma que desafia os profissionais é a mordida aberta anterior, que dependendo da sua etiologia pode apresentar um prognóstico favorável ou desfavorável, ALMEIDA, et al (1986).
LOPEZ-GAVITTO et al, em 1985 realizaram um estudo nos E.U.A. com os objetivos de comparar cefalometricamente pacientes com mordida aberta anterior pré-tratamento e amostra com cefalometria normal, enfocar as diferenças ocorridas em pacientes com mordida aberta anterior e avaliar as correlações entre parâmetros esqueléticos e dentais de pacientes tratados, pós-tratamento e intervalo pós- tratamento. A análise dental baseou-se nas distâncias intercaninas e intermolares, além da inclinação do arco mandibular e plano palatal. A análise estatística e comparações de grupos foram realizadas testes para grupo independente. Os resultados mostraram que mais de 35% dos pacientes tratados demonstraram uma mordida aberta anterior de 3 milímetros ou mais (ausência de estabilidade); diminuição da altura facial anterior superior; aumento da altura facial anterior inferior; aumento de ANB e ângulos do plano mandibular e hiperplasia maxilar dento-alveolar total. Alterações nas posições dentárias não foram significativas quando dividiu-se as amostras em pós-tratamento e categoria mordida aberta anterior estabilizada. O subgrupo demonstrou recidiva da mordida aberta anterior com as seguintes características: menos altura dentária mandibular anterior; menor altura facial anterior superior, inferior e posterior.
HUANG et al em 1989 realizaram um estudo com o objetivo de determinar se a terapia com grade lingual tinha efeito na estabilidade na correção da mordida aberta anterior. Os autores recomendaram utilizar o aparelho por no mínimo seis meses ou até que se obtivesse uma sobremordida positiva. O pequeno número de recidivas (quatro) sugeriu que a grade melhorava a estabilidade em pacientes com mordida aberta anterior. A conclusão foi que a razão para o aumento da estabilidade poderia estar associada à modificação da postura, ou posição de descanso lingual.
HUANG, et al 1990, afirmaram que a língua exerce grande influência na recidiva do tratamento ortodôntico. Neste trabalho, os autores utilizavam grades palatinas para promover a correção da postura e função da língua, proporcionando uma oclusão mais estável ao final do tratamento.
NANDA et al, em 1992 com o intuito de enfocar o efeito das alterações nas estruturas dentofaciais na contenção e estabilidade em pacientes tratados redigiram o presente artigo. Observaram que pouca ou nenhuma consideração parecia ser dada às alterações esqueletais pós-tratamento em detrimento da grande importância dada antes e durante o tratamento ortdôntico. Atentaram também que nenhuma
compensação era realizada para o crescimento dento-alveolar e esqueletal dos maxilares, tanto no sentido horizontal quanto no vertical. Os autores sugeriram que a contenção deveria ser diferenciada para cada morfologia das bases dentofaciais. Concluíram que é extremamente importante atentar para o padrão de crescimento, e uma distinção em relação ao tipo de contenção a ser utilizada. A duração da contenção dependeria do status da maturação do paciente. A resposta para a questão da estabilidade à longo prazo é a contenção prolongada-dinâmica, não estática.
Para MARTINS et al (1994), muitos casos de mordida aberta anterior demandam tratamento fonoaudiológico para a efetiva reeducação lingual, pois somente assim a estabilidade do tratamento será alcançada.
AKKAYA e HAYDAR (1996), realizaram um estudo com 10 pacientes que foram tratados com bite blocks posteriores com molas, e foram avaliados por um período de dois anos para testar os efeitos desse aparelho e a incidência de recidiva. Os resultados demonstraram que houve sucesso no tratamento com o bite block posterior com molas em ambos os casos de mordidas abertas esqueléticas e dentárias. Entretanto, o uso de bite blocks de acrílico como contenção durante o período pós tratamento com o crescimento, não preveniu a ocorrência de recidiva.
As pesquisas e a experiência clínica têm demonstrado que o controle do componente vertical da má oclusão é uma das tarefas mais difíceis no tratamento ortodôntico e os resultados obtidos menos estáveis. O tratamento precoce das displasias verticais durante o período de dentadura decídua ou mista tem sido indicado, pois pode reduzir a necessidade de tratamento na dentadura permanente (PEARSON, 2000), quando a cirurgia muitas vezes se torna a única opção viável.
TELLES & PARRA em 2000 com o objetivo de avaliar o comportamento da mordida aberta anterior nos três períodos: antes do tratamento (T1), após o término do mesmo (T2) e pelo menos cinco anos após a remoção da contenção (T3), verificando se havia ou não estabilidade, realizaram o presente estudo. Foram selecionadas sessenta radiografias cefalométricas de perfil, de vinte pacientes de ambos os gêneros, brasileiros e portadores de mordida aberta anterior. Em T2 e T3, quatorze casos apresentaram estabilidade absoluta. Os autores concluíram que uma contenção satisfatória de uma má oclusão era mais complicada do que sua
correção; reduziu-se significativamente a mordida aberta anterior como resultado da terapia, sendo que esta permaneceu constante em T3.
LIMA e OLIVEIRA (2003) propuseram a utilização de uma placa de hawley associada ao bite block para contenção ativa pós tratamento de pacientes que apresentavam mordida aberta anterior. Segundo esses autores, em 35% dos casos em que foram usadas contenções convencionais pós tratamento ortodôntico, houve recidiva após a retirada das contenções. Isso pode ser explicado pelo fato dos ortodontistas não levarem em consideração que alguns pacientes em fase final de tratamento podem estar no surto de crescimento puberal e outros pacientes ainda nem mesmo terem iniciado o surto de crescimento. O controle do aumento vertical da região posterior através deste aparelho, promovendo uma rotação anti-horária da mandíbula, resulta em contenção ativa no controle da recidiva da mordida aberta anterior.
LIMA & OLIVEIRA em 2003 realizaram um estudo laboratorial, no Brasil, com o intuito de avaliar uma contenção ativa a ser utilizada em paciente com padrões esqueléticos de mordida aberta anterior e crescimento remanescente. O uso do bite-block propiciou uma inibição da irrupção dentária espontânea dos elementos envolvidos no aparelho ao longo do crescimento, que é denominado como intrusão relativa. Os autores propuseram um aparelho composto de duas barras transpalatinas baixas; um arco vestibular de hawley, um arco (de mesma espessura do arco vestibular) justaposto às faces palatinas dos dentes anteriores e acrílico na parte oclusal dos posteriores. A confecção deste aparelho deve ser realizada em articulador com montagem em Relação Cêntrica. A conclusão foi que devido ao grande índice de recidivas da mordida aberta anterior deveria ser utilizado este aparelho (Placa de Hawley – Bite-Block) de maneira contínua e ajustado, sempre que necessário, até o fim do crescimento do paciente.
ALMEIDA et al em 2003 com os objetivos de realizarem uma revisão de literatura sobre mordida aberta anterior, estabelecer um protocolo de tratamento durante dentadura mista e apresentar casos clínicos com acompanhamento longitudinal e estabilidade, publicaram o presente artigo. O primeiro caso clínico dizia respeito a um paciente que foi tratado com grade palatina, sendo evidenciada, pelos autores, a estabilidade da correção três anos após o tratamento; no segundo caso o tratamento foi realizado com arco em “W” com grade palatina (nada em
relação à estabilidade deste foi citada pelos autores). No terceiro utilizou-se grade palatina fixa evidenciando o resultado e sua estabilidade três anos pós-tratamento; no quarto caso clínico também com grade palatina, porém associada a um bihélice, corrigiu-se a mordida aberta anterior do paciente, sendo que a má oclusão continuava estável treze anos pós tratamento; porém no caso cinco, optou-se por um aparelho extra-bucal conjugado onde se constatou estabilidade após seis meses. Assim, como no caso quatro, os autores lançaram mão do bihélice com grade palatina fixa para tratar do paciente do caso cinco, associado ao uso de mentoneira noturna. Este caso foi controlado, longitudinalmente, por seis anos, demonstrando estabilidade satisfatória; o mesmo protocolo realizado no caso anterior, foi em que submeteram o paciente sete, tentando o seu acompanhamento se estendido por quatorze anos e com estabilidade. Os autores concluíram que a intercepção da mordida aberta anterior, na fase da dentadura mista, apresentando caráter dento- alveolar, possuía prognóstico mais favorável; assim, em uma época precoce, eliminando-se todos os seus fatores etiológicos e diagnóstico correto, a estabilidade da correção aumenta significativamente.
ALMEIDA em 2003 afirmou que o tratamento precoce melhora a aparência da criança e, conseqüentemente a sua auto-estima. O autor utilizou, há mais de duas décadas associação de mentoneira com grades palatinas (fixas ou removíveis) para tratar a mordida aberta anterior dentária ou esquelética. O autor orientou os pacientes a utilizarem mentoneira à noite por dez a doze horas, com força de quatrocentos ou quatrocentos e cinqüenta gramas de cada lado. É interessante ressaltar a presença de maxila atrésica em associação a mordida aberta anterior. Deste modo, a associação de mentoneira noturna com grade palatina parece ter um melhor efeito de controle vertical sobre a mandíbula e os dentes superiores. Em suas considerações finais, o autor sugeriu que o tempo de tratamento parece ser menor e a estabilidade alcançada permite interferir que a grande maioria dos pacientes tratados na fase de dentadura mista permanece estável.
GANDA et al em 2003 com o objetivo de relatar dois casos clínicos de más oclusões parecidas, causadas por hábitos de sucção não nutritiva, que foram tratadas apenas por procedimentos interceptores. No primeiro caso clínico, a paciente encontrava-se na fase da dentadura mista, presença de mordida aberta anterior e hábito de sucção digital; para tratá-la foi proposto um sistema de três fases: 1ª) atenuação sensorial para desestimular o hábito de sucção digital; 2ª)
técnica interceptiva e 3ª) técnica corretiva. Inicialmente, foi utilizada grade palatina fixa, que após dez meses, visualizou-se recidiva da mordida aberta, deste modo suspendeu-se o uso da placa e fixou-se esporão inferior e aparelho extra bucal para controle vertical. Seis anos após o tratamento (contando após a recidiva) os resultados se mantiveram estáveis. No segundo caso clínico, a paciente possuía mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior, deglutição atípica e interposição lingual durante a fala; assim como no caso anterior, dividiu-se o plano de tratamento em três fases: 1ª) disjunção palatina (Haas) e mentoneira; 2ª) grade palatina fixa para controle de hábito e 3ª) fase de observação. A estabilidade foi confirmada com sete anos e oito meses pós-tratamento.