NÍVEL COMPORTAMENTAL E SOCIAL
2.3 VARIÁVEIS MODERADORAS SUGERIDAS E INCLUSAS
2.3.3 Estado Civil
Poucos estudos fazem a relação entre o estado civil e a adoção da tecnologia. No entanto, descobriu-se que o estilo da vida dos solteiros é sinônimo de ser independente, valente e prático; é decidir como se viver com suas próprias regras, como gastar o tempo livre e como fazer as tarefas domésticas e as atividades diárias. E a Internet na vida dos solteiros é muito importante, não só porque é um lugar onde se pode ter uma oportunidade no reconhecimento do mundo, possibilitando a interação com muitos sites, clubes, serviços e associações de solteiros, mas também como meio de encontrar a cara metade em aplicativos de relacionamentos (SUCH-PYRGIEL, 2014).
Do outro lado, o matrimônio fornece uma estabilidade psicológica, pois acredita-se que o casal demonstre altos níveis de similaridade em seus valores, atitudes e comportamentos (HELSPER e WHITTY, 2010). E, em se tratando de TICs, as pessoas casadas tendem a ser mais racionais com o uso de smartphones do que os solteiros, uma vez
que elas têm mais compromissos e responsabilidades relevantes com trabalho, a família e deveres sociais e financeiros, e consequentemente menos tempo livre para a utilização (ALJOMAA et al., 2016). Considerando que para o presente estudo o termo “sozinho” será caracterizado pelas pessoas que apresentam o estado civil: solteiro, divorciado e viúvo; e para a nomenclatura “acompanhado” estarão relacionados os indivíduos que são casados e em união estável, surgem as sub-hipóteses que no Brasil:
H3.15: A influência da moderadora estado civil sobre o construto Expectativa de Desempenho é mais intensa em consumidores de smartphone acompanhados.
H3.16: A influência da moderadora estado civil sobre o construto Expectativa de Esforço é mais intensa em consumidores de smartphone sozinhos.
H3.17: A influência da moderadora estado civil sobre o construto Preço é mais intensa em consumidores de smartphone acompanhados.
De acordo com as cinco dimensões propostas por Aljomaa et al. (2016), os solteiros apresentam mais o uso excessivo, influencia psicossocial e tecnológica, e preocupação com o smartphone. Já os casados, são mais propensos ao uso para verificar questões relativas à saúde. Helsper e Whitty (2010) corroboram ao informar que há evidências que sugerem que homens e mulheres acreditam que seu parceiro não deve se envolver em certos tipos de atividades online, porque para muitos, elas são consideradas como atos de infidelidade. Ainda os autores afirmam que a internet apresenta-se como uma nova ferramenta para verificar as atividades e pensamentos ou sentimentos ocultos do cônjuge, o que conduz muitos casais a controlar e vigiar o comportamento do outro, por meio de aplicativos. Em uma pesquisa realizada por Hoggan, Dutton e Li (2011) em nível global, descobriu-se que os japoneses, que são conhecidos pela adoção de alta tecnologia, são mais relutantes em abraçar relacionamentos amorosos pela internet, enquanto os brasileiros sentem-se mais confortáveis em conhecer pessoas on-line. Whitt (2008) menciona que muitas vezes essas relações virtuais transformam-se em relacionamento presencial. Nos Estados Unidos, o uso das redes sociais, tais como o Facebook, provocou o divórcio de um a cada cinco casais (GARDNER, 2013).
Dessa forma, considerando que a motivação hedônica é proporcionada pelo interesse à inovação e os sentimentos de prazer e divertimento com a tecnologia e que a influência social
como aquela em que há a percepção pelo consumidor de que outras pessoas importantes, tais como amigos e familiares, usem a TIC, considera-se as sub-hipóteses que no Brasil:
H3.18: A influência da moderadora estado civil sobre o construto Motivações Hedônicas é mais intensa em consumidores de smartphone sozinhos (solteiros, divorciados e viúvos).
H3.19: A ação da moderadora estado civil sobre o construto Influência Social é mais intensa em consumidores de smartphone sozinhos (solteiros, divorciados e viúvos).
Dessa forma, estudos comprovam que as TICs influenciam o comportamento das pessoas, seja para ajudar em assuntos profissionais, pessoais e de relacionamentos amorosos (ALJOMAA et al., 2016; HELSPER e WHITTY, 2010; SUCH-PYRGIEL, 2014) como também inibem problemas futuros; e portanto, independentemente do estado civil, os consumidores podem ser beneficiados ou prejudicados por meio dos paradoxos da tecnologia.
Para melhor visualizar as hipóteses e sub-hipóteses do presente estudo, o quadro 6 ilustra as relações entre as variáveis independentes e dependentes e seus possíveis resultados. É importante destacar que no modelo original da Teoria Unificada da Aceitação e uso da Tecnologia 2 (UTAUT2), Venkatesh, Thong e Xu (2012) utilizaram a idade, gênero e experiência como variáveis moderadoras da relação entre os sete construtos à Intenção Comportamental. Para o presente trabalho, apesar da relação entre as variáveis moderadoras estar relacionada diretamente aos construtos, manteve-se o termo “variável moderadora”, sendo ampliada a quantidade para seis, uma vez que serão testadas e inclusas a escolaridade, renda e estado civil no modelo UTAUT 2 em contexto brasileiro.
Quadro 6 – Relação das hipóteses e sub-hipóteses do estudo
Hipótese(s) Variável Independente
Variável
Dependente Efeito mais intenso
H1: O UTAUT 2 em contexto brasileiro é igual ao modelo original aplicado em Hong Kong.
H2: As variáveis moderadoras originais do modelo UTAUT 2 estão presentes no modelo aplicado no Brasil.
H3: As variáveis escolaridade, renda e estado civil são moderadoras do modelo UTAUT 2 no Brasil. H2.1, H2.8, H2.15, H3.1, H3.8 e H3.15 Expectativa de Desempenho Idade, Gênero, Experiência, Escolaridade, Renda e Estado Civil
Usuários mais novos, mulheres, mais experientes, maior nível de escolaridade,
maior renda, e acompanhados
H2.2, H2.9, H2.16, H3.2, H3.9 e H3.16 Expectativa de Esforço Idade, Gênero, Experiência, Escolaridade, Renda e Estado Civil
Usuários mais novos, homens, mais experientes, maior nível de escolaridade,
maior renda e sozinhos
H2.3, H2.10, H2.17, H3.3, H3.13 e H3.19 Influência Social Idade, Gênero, Experiência, Escolaridade, Renda e Estado Civil
Usuários mais velhos, mulheres, menos experientes, menor nível de escolaridade, menor renda e sozinhos.
H2.4, H2.11, H2.18, H3.4 e H3.10 Condições Facilitadoras Idade, Gênero, Experiência, Escolaridade e Renda
Usuários mais velhos, mulheres, mais experientes, maior nível de escolaridade,
maior renda. H2.5, H2.12, H2.19, H3.5, H3.12 e H3.18 Motivação Hedônica Idade, Gênero, Experiência, Escolaridade, Renda e Estado Civil
Usuários mais novos, homens, menos experientes, menor nível de escolaridade, menor renda e sozinhos.
H2.6, H2.13, H2.20, H3.6, H3.11 e H3.17 Preço Idade, Gênero, Experiência, Escolaridade, Renda e Estado Civil
Usuários mais velhos, mulheres, menos experientes, menor nível de escolaridade, menor renda e
acompanhados. H2.7, H2.14, H2.21, H3.7 e H3.14 Hábito Idade, Gênero, Experiência, Escolaridade e Renda
Usuários mais velhos, homens, mais experientes, menor nível de escolaridade
e maior renda.