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14 Estado social.

No documento A Mensagem Visual da Moda (páginas 40-42)

15 Cf. Delle Prose Volgari Di Monsignor Giovanni Della Casa, 2009.

16 Megalópole (concentração) é uma região urbana popularizada por variadíssimos indivíduos, correspondente aos territórios de intenso desenvolvimento urbano. Local onde existe uma potente economia e afluência de pessoas e mercadorias.

à mulher. A Moda era o único tema que as mulheres podiam falar abertamente sem qualquer tipo de proibição, por parte dos homens, e que as fazia sentir diferentes na sua individualidade sendo um substituto participativo a nível profissional.

No decorrer do século XVI, segundo Riello (2013), as tendências italianas estavam em voga, e eram um exemplo a seguir pelo resto da Europa, até Francisco I17, rei de França (1515-1525), se apaixonou pela Moda italiana e impôs na sua corte que se usassem roupas e objectos de luxo de origem italiana. Contudo, durante o século XVI, outros estados europeus, como Espanha e França, tornaram-se prestigiosos em ditar novas modas nas cortes. Espanha optou por uma tendência mais específica, via nas cores negras uma elegância mais moderada, enquanto França, no século XVII, detinha fortes tendências criadas pelo rei Luís XIV, cores excessivas e modelos exuberantes, guiando a corte ao seu supremo esplendor num meio de criações e consumo de Moda. As cortes de Espanha e de França seguiam a par uma da outra com diferentes conceitos “ostentação versus modéstia” (Riello, 2013, p.32), enquanto a corte espanhola simbolizava a falsa modéstia, a corte francesa retractava, seguramente, a ostentação. Porém, a corte inglesa, sendo um povo de fé protestante, nunca se interessou pelas tendências europeias, visto que França e Espanha eram monarquias católicas, só com a aliança entre Maria Tudor e Filipe II de Espanha é que foram introduzidas algumas tendências espanholas, mas depressa estas tendências foram eliminadas pela rainha Isabel I18, que detestava tudo o que fosse espanhol, as cores negras depressa foram substituídas pelas cores pastel e pelo branco.

Em meados do século XVII, Inglaterra, com o regresso de Carlos II19, adoptou as influências da corte francesa e começou aos poucos a tornar-se também um lugar de criação de Moda (Riello, 2013). Neste período, Estados ricos e menos ricos, pertencentes à Europa, também queriam demonstrar a sua própria Moda, ou até demonstrar que também eram seguidores das tendências mais importantes da época. Graças às preocupações que as cortes europeias demonstravam em praticar as boas maneiras, decretadas por Giovanni Della Casa20, e com a vulgarização da moda urbana, entre as classes sociais mais necessitadas, foi possível ao conceito de Moda desenvolver-se e começar a pertencer ao vocabulário das línguas europeias. É portanto, nos finais do século XVII e inícios do século XVIII que a Moda e modernidade se consolidam, despegando-se da ideia de que a Moda era uma realidade luxosa, que só estava ao alcance dos cortesãos e dos nobres pertencentes à corte.

A Moda, com o passar dos tempos e com a abertura das mentalidades, tornou-se um fenómeno de interesse público e de tendências urbanas. Segundo Riello (2013) e Baldini

17 Esteve envolvido em campanhas militares no norte de Itália contra o imperador Carlos V. 18 Data do seu reinado e quem foi Rainha Isabel I “virgem”.

19 Carlos II, rei de Inglaterra, esteve exilado em França. 20 Cf. nota 14.

(2015) a Revolução Francesa21 e a Revolução Industrial22 tiveram uma grande influência no percurso da Moda, no século XVIII e nos séculos seguintes, modificando a comunidade europeia dirigindo-a a uma sociedade liberal e fabril. A Europa modificava-se e começavam-se a sentir os gastos por parte de todas as classes sociais, devido às mercadorias de baixo custo que eram produzidas em massa, graças à evolução da indústria. Historiadores, como Neil McKendrick23, relatam que nesta época, século XVIII, existiu uma terceira revolução, a “Revolução dos Consumos”, em que as pessoas começaram a consumir mais adoptando um novo estilo de vida. O consumo passava a ser um estilo de vida que definia a identidade do indivíduo e era visto como um passatempo e é precisamente no século XVIII que o shopping24 começou a fazer parte da vida consumista e social do indivíduo, assim era representado o novo conceito de consumo que, posteriormente, seria substituído pela Moda. O elevado consumo modificou a sociedade levando a que “A maior parte das pessoas tinha começado a consumir mais e a comprar uma gama mais ampla de mercadorias (entre as quais o vestuário é a primeira), em vez de produzi-las em casa” (Riello, p.36, 2013) um acontecimento que atingiu a maioria da população25 em toda a Europa.

A sociedade começou a ver no vestuário uma maneira de esconder os defeitos do corpo, especialmente nos primeiros anos do século XVIII, e passou a existir uma analogia entre corpo e vestuário, adoptada como uma concepção determinada pelas classes sociais de topo e as médias. A Moda manifestou-se como vínculo ao consumo, conforme McKendrick (1984), porque é a Moda que estimula as pessoas a ambicionar mais e a consumir o que é inovação. A Moda era de interesse masculino e feminino de todas as camadas sociais, mas nem todos criavam Moda, pois no século XVIII os ricos (a nobreza) eram olhados como os “criadores de Moda” e só depois esta Moda seria passada às camadas sociais abaixo através de métodos de imitação. McKendrick (1984) na sua obra reflecte o que Veblen já tinha mencionado na sua obra intitulada Theory Leisure Class (1994),a Moda ao ser imitada, por classes sociais menos abastadas, pode ser muito próxima à original, gerando quase uma ideia de igualdade de classe social e por esse motivo a classe mais rica procura sempre algo inovador para consumir. Este mecanismo de imitação gerava novas modas, em que o consumo e a Moda se uniam, apesar de Lorna Weatherill referir na sua obra de 1996 que o consumo não é só a aquisição de vestuário é, sim, também a aquisição de simples objectos do quotidiano.

A Moda tem necessidade de ser representada em livros, imagens, revistas e ser apresentada, guardada em espaços e comprada, e no século XVIII, após a Revolução Industrial, a Moda tornou-se um fenómeno de passatempo para a sociedade. Segundo Riello (2013), Johanna Schopenhauer, uma senhora alemã, considerava que visitar umas vinte lojas sem intenção de

No documento A Mensagem Visual da Moda (páginas 40-42)