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6) Programa de Testes Ambientais: visa a dotar o instituto de uma infra-estrutura

3.4 A Estagnação do Programa (1990-1992)

Em 1990, com Fernando Collor na Presidência da República, o setor espacial brasileiro desvalorizou-se significativamente, a julgar pelos parcos recursos que lhe foram canalizados59. Como conseqüência, o Programa CBERS entrou num período de diminuição brutal de seus recursos. Mais grave ainda, e digno de menção, foi a extinção do ministério da Ciência e Tecnologia e a criação, em seu lugar, da Secretaria da Ciência e Tecnologia60.

O reflexo das transformações políticas na área de C&T no INPE foi muito grave, sobretudo na questão da execução financeira e na visibilidade política e estratégica que o projeto possuía. O problema foi se agravando ao longo dos três anos seguintes.

Apesar das dificuldades apontadas, devido aos esforços pretéritos no desenvolvimento tecnológico do subprograma de satélites da MECB, o INPE já concluíra o primeiro satélite brasileiro que estava apto a ser lançado. A discussão girava em torno de quanto tempo mais se esperaria, seja pela conclusão do veículo VLS-1, seja pela contratação de um lançador no exterior. A MECB não foi abandonada, entretanto, e o primeiro da série de secretários de Ciência e Tecnologia do Governo Collor, José Goldemberg, anunciou, após sua primeira visita oficial ao INPE, em 27 de abril de 1990, que o VLS estaria concluído “entre 93 e 95” e que o SCD-1 estaria pronto “entre junho e julho de 1991”. Acrescentou que o satélite era “apenas uma carga” que poderia “ser colocada em órbita por qualquer lançador”61. Começava, então, a ter fim o grande embate em torno do lançamento do primeiro satélite brasileiro.

A conclusão do primeiro satélite brasileiro (SCD-1) foi positiva para os rumos do CBERS por várias razões e beneficiou o projeto conjunto nos seguintes aspectos:

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Indicadores Nacionais de Ciência e Tecnologia 1990-1996 – MCT/CNPq, 1997, página 84.

60

Desde o fim do governo Sarney, o Ministério da Ciência e Tecnologia foi substituído por medida provisória pelo Ministério do Desenvolvimento Industrial, Ciência e Tecnologia, que foi rejeitado pelo congresso. No início do Governo Collor, o MCT foi rebaixado à condição de Secretaria, transformada em Ministério novamente em novembro de 1992, já no governo provisório do Presidente Itamar Franco.

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Folha de São Paulo, 28/04/1990.

• As equipes de engenharia do INPE poderiam se dedicar quase que exclusivamente ao programa com os chineses;

• O INPE testaria seus requisitos de qualidade e garantia do produto, fundamentais para o bom desenvolvimento do programa CBERS, além do que praticamente todas as etapas, desde o projeto de construção do satélite, seriam desenvolvidas internamente;

• O LIT encontrava-se qualificado para integração e testes de componentes do programa espacial brasileiro;

• A parte referente ao segmento solo também fora concluída em 1992, estando o Brasil capacitado a controlar um satélite de pequeno porte.

Os limitados recursos e a falta de uma perspectiva de continuidade do programa espacial brasileiro, no tocante à MECB, colocariam o Programa CBERS como o projeto de maior envergadura tecnológica do Instituto. Ressalte-se que, além do problema financeiro, o governo propôs uma profunda mudança nos centros públicos de pesquisa no que se refere ao plano de carreira dos seus profissionais. Muitos engenheiros e técnicos do Instituto que participaram dos treinamentos na década de setenta com os franceses do CNES esperaram a conclusão do primeiro satélite e, sem uma perspectiva no Instituto, foram se aposentando, ingressando na iniciativa privada, ou simplesmente se desligando do INPE62.

Segundo Furtado e Costa Filho (2001), de uma forma pouco racional, esse movimento significou, por um lado, a transferência de grande parte da capacitação adquirida com a MECB do INPE para os fornecedores, na medida em que vários funcionários haviam aberto empresas e cooperavam nos projetos do Instituto. Entretanto, por outro lado, esse deslocamento foi fundamental para propiciar aos fornecedores nacionais o atendimento das demandas do INPE no programa CBERS.

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C.f consulta feita à Associação Aeroespacial Brasileira (AAB), entidade que contempla a maior parte das empresas nacionais no setor, corroborada em pesquisa de avaliação dos fornecedores nacionais do CBERS. Para maiores detalhes, vide Furtado & Costa Filho (2001).

Este foi o momento no qual o INPE deixou de lado o papel de “Instituto de Engenharia e Fabricação” e passou a se ater ao projeto e à especificação dos sistemas e subsistemas do CBERS sob sua responsabilidade. Esta etapa de fabricação foi muito importante no SCD-1, porém, apesar de ter dado certo para este tipo de satélite, esse modelo não se sustentaria no caso do CBERS.

As atividades realizadas no LIT foram atingidas em menor proporção que as demais áreas da ETE, no período de estagnação do programa CBERS. O Laboratório, inaugurado no final de 1987, estava envolvido nos testes do SCD-1 durante o período. Segundo o diretor do LIT, após a assinatura de acordo, era certa a participação do LIT na segunda geração de satélites BRASILSAT, de propriedade da então estatal Embratel, além da integração dos satélites argentinos da série SAC (Entrevista Clovis Solano, 2003). Como forma de aumento do seu

portfólio de serviços, o LIT também se aproximou da iniciativa privada, oferecendo serviços a

empresas de áreas distintas da aeroespacial, como no caso do contrato do Laboratório para a realização de diversos testes de compatibilidade de sistemas e interferência eletromagnética63

Podemos considerar que o principal problema do programa espacial, naquele momento, era a indefinição acerca do lançador para o SCD-1 (Costa Filho, 2002). Os principais países detentores da tecnologia de lançamentos foram convidados a participar da concorrência internacional. Na China, os documentos sobre a licitação foram remetidos à China Great Wall

Industry Corporation (CGWIC) e à China Precision Machinery,64 embora só a primeira estivesse apta a fornecer serviços de lançamento para satélites estrangeiros. As cartas circulares, assinadas pelo vice-diretor do Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento do Ministério da Aeronáutica do Brasil, esclareciam que o lançamento dar-se-ia “preferencialmente a partir da Base de Alcântara”. A CGWIC manifestou interesse em prestar o serviço, para o qual previu duas opções:

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Destacam-se os testes para o setor automobilístico e para o setor bancário. No primeiro caso, o aumento da quantidade de componentes eletrônicos, tais como injeção eletrônica, computador de bordo e travas elétricas, poderia comprometer causar interferências ou até mesmo incompatibilidade entre si. No segundo caso, com a difusão do uso dos caixas eletrônicos no Brasil, estes começam a ser visados como instrumento de fraudes eletrônicas, assim era necessário testar as possibilidades de interferências externas mudar as configurações dos softwares utilizados nos caixas.

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Segundo informações do CRI/INPE que trata das parcerias internacionais do INPE.

o lançamento por meio do foguete Longa Marcha-4 ou LM-1, a partir de base chinesa. Apesar disso, a corporação chinesa não viria a ser escolhida, mais tarde, para efetuar o lançamento65.

Neste período de quase estagnação do programa, o INPE aproveitou para negociar modificações na cooperação. O Instituto usou o artifício de condicionar o avanço das negociações e do cumprimento dos prazos do contrato à resolução de pendências entre o China Satellite

Launch & Tracking Control General (CLTC) e a CAST, no que se refere ao controle do satélite (Entrevista Pawel Rozenfeld, 2003).

Internamente, a China vivia uma situação de atrito entre as duas Instituições em razão de o CLTC não ter participado dos entendimentos que resultaram no acordo. O perfil militar da Instituição também impunha barreiras à negociação do controle do satélite por parte do INPE, embora este estivesse garantido com o acordo assinado em 1988.

Segundo os gerentes e engenheiros do INPE que participaram desta passagem do programa CBERS, este foi o principal argumento utilizado pela parte brasileira para tomar dois tipos de posicionamento. O primeiro deles foi garantir que o pagamento do Brasil fosse revertido em contratos para os fornecedores nacionais, incluindo, então, o pagamento dos serviços de lançamento do foguete Longa Marcha, cuja indefinição na assinatura do contrato já preocupava a CGWIC. O segundo posicionamento foi que, enquanto não houvesse a definição no que se refere ao controle do satélite, pelo menos em parte do tempo e compatível com a parcela da participação do Brasil na cooperação, ou seja, 30% do total da vida útil do satélite, as discussões em torno do programa estavam suspensas.

No aspecto relacionado aos serviços de lançamento, a parte comercial da cooperação, o lado brasileiro insistiu que tal contrato só deveria ser firmado após ser tomada a decisão sobre o

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Em 20 de agosto de 1992, foi assinado, na presença do Presidente Collor, contrato no valor de 14 milhões dólares entre a Secretaria de Ciência e Tecnologia da Presidência da República e a empresa norte-americana Orbital Science

Corporation, para o lançamento do artefato por foguete Pegasus norte-americano, a partir de Cabo Canaveral. Os

densos laços do Brasil com os EUA teriam influenciado na escolha, pouco favorável, ao aprofundamento da cooperação espacial sino-brasileira.

cronograma de lançamento do CBERS – o que só se definiu com a assinatura do Protocolo Suplementar de março de 1993, que previu o lançamento do CBERS-1 para outubro de 199666.

A atitude tomada pelo Instituto foi uma “saída honrosa” com relação aos problemas enfrentados pela falta de recursos. Naquele momento, o INPE não havia adquirido os componentes necessários ao encaminhamento das etapas do programa sob responsabilidade do Brasil, tais como os circuitos de suprimento de energia. Os contratos industriais com a CAST, na modalidade de subcontratação, também não haviam sido pagos67. Entretanto, a situação da falta de recursos foi sendo contornada aos poucos.