3. DOCUMENTOS FISCAIS ELETRÔNICOS
3.4 Estrutura de recepção de DF-e e de consultas externas
O objetivo deste item é o de explanar em linhas gerais os ambientes transacionais e analíticos das Secretarias da Fazenda, no que se refere à recepção dos DF-e e sua disponibilização para consultas externas.
Inicia-se pela explicação de uma estrutura genérica de recepção de documentos fiscais eletrônicos encaminhados pelos contribuintes, a ser adaptado pelas Secretarias da Fazenda que possuem sistemas autorizadores de Documentos Fiscais eletrônicos (DF-e)3 conforme sua realidade e necessidade.
Trata-se de ambiente transacional, composto por três camadas, a saber:
Camada 1: camada Web. É a camada de comunicação com o contribuinte. Esta camada está localizada na extranet, área acessada tanto pelos servidores da SEFAZ como pelos contribuintes. O acesso dos contribuintes aos sistemas da SEFAZ são procedidos por meio de Web
Services (WS), garantindo a comunicação segura ponto a ponto, bem
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Destaca-se que, no Brasil, apenas 11 Unidades Federadas (UF) possuem sistema próprio autorizador de NF-e (AM, BA, CE, GO, MG, MS, MT, PE, PR, RS e SP). As demais UF autorizam NF-e na chamada SEFAZ Virtual, providas pelo Estado do RS ou pela Receita Federal do Brasil.
No caso do CT-e, são apenas 6 UF autorizadoras (MT, MS, MG, PR, RS e SP) e duas SEFAZ Virtual (RS e SP). No caso do MDF-e, a emissão do país todo é centralizada no RS.
como a recepção do documento mediante a entrega de (i) protocolo de sucesso do processamento ou (ii) retorno de erro com a devida descrição (nesse caso, conforme explicado na dissertação de mestrado do autor (FERNANDEZ, 2012), a resposta pode ser “rejeição”, quando ocorre algum tipo de erro na requisição, ou denegação, nos casos em que a requisição está correta, porém algum dos contribuintes da operação comercial possui pendência fiscal ou cadastral);
Camada 2: camada de aplicação. Trata-se dos servidores localizados na
intranet (área reservada apenas aos servidores da SEFAZ) onde estão
instalados os sistemas e aplicações que processarão as demandas dos contribuintes e que retornarão a resposta ao consulente;
Camada 3: camada do Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados - SGBD. Nessa camada ocorre o processamento das requisições de autorização dos documentos fiscais eletrônicos e gravação em Banco de Dados.
A figura 3.4 ilustra o diagrama lógico do ambiente transacional de dados.
Figura 3.4 – Diagrama lógico de ambiente genérico transacional para recepção de DF-e
O ambiente analítico, por sua vez, é um ambiente no qual as informações são extraídas do SGBD a partir de rotinas de extração, ficando disponibilizadas para uso interno da SEFAZ como, por exemplo, em Data Warehouse (DW), e para o uso externo, como no caso das aplicações propostas neste trabalho.
A figura 3.5 ilustra a divisão lógica entre os ambientes transacionais e analíticos. No ambiente analítico ficariam localizados os servidores específicos de consultas destinados a aplicações internas e externas. No caso de consultas externas, as requisições seriam recebidas dos contribuintes por meio de um servidor de aplicação (que hospedaria as aplicações a serem detalhadas no capítulo 4), que se comunicaria, por sua vez, com os servidores de consultas externas.
Figura 3.5 – Diagrama lógico de ambiente genérico para consultas externas
Destaca-se que os sistemas de DF-e devem privilegiar a autorização dos documentos, mantendo um ambiente performático para os contribuintes, uma vez que a SEFAZ passou a fazer parte do processo de emissão de DF-e (esse serviço é prioritário, não podendo ser prejudicado por outras aplicações). Considerando que todos os contribuintes industriais e atacadistas do Estado de São Paulo estão obrigados ao uso da NF-e (sem citar os demais documentos eletrônicos), em princípio não é recomendável que as consultas sejam feitas no mesmo banco de produção utilizado pelos sistemas de autorização, para não degradar o ambiente de autorização. Daí a separação lógica dos ambientes transacionais (para recepção de DF-e) e analíticos (para as consultas).
No que se refere às consultas externas, ponto crítico de sucesso será o tempo de resposta da SEFAZ para as aplicações propostas no capítulo 4 (para fins de acionamento de semáforos, cancelas ou centros de monitoração), e terão papel fundamental nesse processo as rotinas de extração do SGBD do ambiente transacional para o ambiente analítico, assim como as extrações do SGBD do ambiente analítico para os servidores de consultas.
Nesse sentido deve-se considerar que a recepção de DF-e ocorre em tempo real, antes da saída das mercadorias do estabelecimento fornecedor, e as aplicações logísticas, como se verá no capítulo 4, dependem da leitura da posição de um veículo já em trânsito. Sendo assim, uma programação periódica de extração de DF-e do SGBD de recepção em curto espaço de tempo (de 10 em 10 minutos, por exemplo), permitirá o atendimento de maioria absoluta das requisições, sendo perdidos apenas casos extremos de consultas feitas imediatamente após a emissão do DF-e. Se houver possibilidade de redução desse prazo, o risco de respostas negativas será diminuído.
Por parte do ambiente analítico, considerando que cada aplicação utilizará um conjunto específico de informações, as rotinas de extração já deverão estar preparadas para indexá-las, deixando-as à disposição para consultas externas por um período específico de tempo (até que o MDF-e não esteja mais ativo, por exemplo, o DF-e seja cancelado ou outro parâmetro de consulta, próprio para cada aplicação). No capítulo 4, cada aplicação detalhará as informações dos bancos de
dados de DF-e que serão requeridas e deverão ser extraídas e disponibilizadas para as consultas, visando um bom desempenho dos serviços.
Importante destacar, finalmente, alguns dos demais fatores que as secretarias de fazenda deverão avaliar, dentro de cada realidade, para propiciar serviços de alto desempenho: arquitetura física de servidores, rede lógica de dados, rede de comunicação, dentre outros.